segunda-feira, 13 de abril de 2009

Maçonaria - Segredos e mentiras


O sigilo absoluto das reuniões da maçonaria serviu de pretexto para os ataques feitos por uma Igreja Católica conservadora
Françoise Jean de Oliveira Souza

“Cumpre, antes de mais nada, rasgar as falsas vestiduras com que se adornam os maçons e mostrar o que eles são”. A frase do papa Leão XIII (1879-1903) reflete bem o antagonismo que se estabeleceu entre a Igreja Católica e a maçonaria mundial ao longo do século XIX e no início do XX. Repudiados pelo catolicismo, os maçons foram duramente acusados de crimes como transgressão das leis, conspiração e satanismo. Diante do crescimento das idéias liberais, a Igreja via ameaçada a sua presença no mundo ocidental. O pensamento conservador católico lançou-se então, violentamente, contra seus principais inimigos, numa tentativa de “barrar o carro da revolução”, como se dizia na época.

As transformações políticas ocorridas depois da Revolução Francesa, que puseram à prova as bases do absolutismo em fins do século XVIII, levaram a Igreja a combater ferozmente movimentos considerados revolucionários, como os liberais, comunistas, anarquistas, progressistas e outras tendências políticas. A maçonaria foi uma das práticas consideradas ameaçadoras pela Igreja. Mas por que os maçons estavam na lista de inimigos da Igreja?

A maçonaria tem origem em corporações de ofício medievais, compostas por trabalhadores especializados na arte da construção. Devido à natureza itinerante de sua atividade, eles não se prendiam a nenhum feudo, tendo o privilégio da livre circulação. Com isso, surge a expressão “pedreiros-livres”, ou “francos-maçons”. Só a partir do século XVI a maçonaria passa a admitir membros de outras classes de trabalhadores.

Os setores mais conservadores da Igreja eram contrários às idéias liberais difundidas pela maçonaria. Insistindo na defesa de valores tradicionais absolutistas, o conservadorismo católico rejeitava a liberdade de pensamento e de culto, a igualdade de direitos, o individualismo e o racionalismo.


A ordem maçônica se desenvolveu em harmonia com os novos espaços e valores modernos, nos quais os indivíduos tinham liberdade para expor suas idéias e debatê-las dentro das novas regras constitucionais. O caráter fechado dessas sociedades, que cultivavam em estrito sigilo as práticas e os rituais realizados dentro dos templos, fez da Maçonaria um dos primeiros espaços privados sobre os quais a jurisdição da Igreja Católica não podia atuar, o que certamente representava uma afronta ao poder do papa. A Igreja Católica via na ordem maçônica uma ameaça à salvação das almas daqueles que conviviam com a promiscuidade das seitas pagãs e um perigo para os Estados monarquistas absolutistas.

Durante o século XIX, a preocupação com os maçons se torna mais visível. Nessa época, aumenta a quantidade de documentos oficiais da Igreja que condenavam essa sociedade: de 1738 a 1840 foram publicados 14 documentos papais; entre 1846 e 1903, esse número subiu para 201. Mas o momento máximo de radicalização do conservadorismo católico ocorreu em 1864, quando o papa Pio IX redigiu a encíclica Quanta Cura. Nesta espécie de carta circular da Igreja, ele condena os “erros modernos”, entre os quais destaca a maçonaria. Diante da reestruturação da sociedade em moldes liberais, a Igreja insiste numa postura inflexível e procura defender sua doutrina a todo custo.

A partir da segunda metade do século XIX, os planos conservadores também ganharam força no clero brasileiro, quando se inicia um processo de reorganização interna da Igreja no Brasil conhecido por “romanização”. Este procedimento buscava excluir da Igreja os elementos influenciados pelas idéias modernas e defendia a supremacia do poder do papa. Além disso, os planos conservadores visavam proteger a estrutura familiar patriarcal, a cidadania associada ao catolicismo, e combater tentativas de implantação de uma educação laica.

Além da fragilidade, da ingenuidade e do exagero dos argumentos apresentados pelas idéias conservadoras, havia ainda aspectos históricos e culturais da sociedade brasileira, fortemente marcada pelo sincretismo religioso. A Igreja Católica, por exemplo, também não conseguiu manter afastados outros oponentes, como as religiões afro-brasileiras, o espiritismo e o protestantismo. Neste sentido, pode-se dizer que esse discurso conservador fracassou.


Mas, em compensação, o argumento católico foi vitorioso na construção de um conjunto de representações simbólicas referentes à instituição maçônica. Grande parte da população brasileira não teria receio de definir a maçonaria como uma sociedade marcada pelas práticas ocultistas, realizadora de rituais macabros, e que a todo o momento está conspirando contra algo.
Para firmar negativamente a maçonaria na imaginação coletiva, o mito do complô maçônico foi o principal instrumento dos pensadores católicos pertencentes à ala conservadora. Foi comum, por exemplo, a aproximação da maçonaria ao judaísmo. A maçonaria foi associada ao estereótipo do judeu traidor e obcecado pelo desejo de dominar o mundo. Dessa associação surgiu a crença de que a maçonaria era um instrumento dos judeus para se infiltrarem em vários países, segmentos sociais, instituições e até mesmo no interior da Igreja, onde “o chefe israelita da “franco-maçonaria” seria conduzido ao papado.

Elaborada na Europa no fim do século XIX, a idéia do complô maçônico influenciou vários autores brasileiros, sendo que cada um montou, à sua maneira, diferentes versões para esse mito. Dom Vital, bispo de Olinda entre 1872 e 1878, escreveu em uma de suas instruções pastorais que previa uma conspiração maçônica com a intenção de aniquilar a religião católica e o cristianismo para, num segundo momento, eliminar todas as monarquias e implantar a república universal.

Segundo o bispo, os maçons penetrariam no meio católico, aproveitando-se do clero mais jovem para difundir as idéias liberais, até conseguirem a cooptação do papa. Da mesma forma, ao pregar no Brasil o ensino laico, sem influência de qualquer religião, a maçonaria visava atingir a juventude para formar uma geração materialista e que apoiaria a segunda etapa do plano: o fim da monarquia.

No século XX, é possível perceber a permanência do mito do complô entre os intelectuais católicos brasileiros. Gustavo Barroso foi um dos seus maiores divulgadores ao traduzir para o português “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, obra de autoria desconhecida que denunciava um plano judaico-maçônico de dominação mundial. Dizia Barroso que a maçonaria teria se colocado a serviço do judaísmo para que este, por meio de seus membros, articulasse a Revolução Francesa, considerada a etapa inicial da ascensão dos judeus ao poder. E completava dizendo que o passo seguinte seria a revolução socialista, também articulada pela maçonaria, que assim ganharia a confiança das massas proletárias. O último passo seria o domínio universal de Israel.


Gustavo Barroso também via um plano maçônico específico para o Brasil. Segundo ele, os principais acontecimentos da história brasileira podiam ser explicados como resultado das ações conspiratórias maçônicas. Utilizando-se da filantropia, por exemplo, a maçonaria teria apoiado o movimento de libertação dos escravos, não com intenções nobres, mas visando provocar a queda da monarquia. Aliás, dos primeiros movimentos de libertação até a proclamação da República, a maçonaria teria agido sempre de maneira oculta.

A Igreja encontrou na maçonaria características que permitiram transformá-la em um verdadeiro “bode expiatório”, responsabilizando-a por todos os males. Na verdade, o medo da maçonaria significava insegurança frente ao estabelecimento da sociedade burguesa, que trazia consigo novas estruturas sociais, valores e formas de organização política aos quais a Igreja já não conseguia impor sua influência com a mesma intensidade de antes.

Outro ponto forte do discurso antimaçônico se refere à associação direta da instituição ao satanismo. Sustentar esta acusação não foi tarefa difícil, já que a simbologia maçônica, com sua influência egípcia e cabalística, além de seus incompreensíveis rituais e cerimônias de iniciação, alimentavam essas associações. Muitas versões foram desenvolvidas pelos católicos para explicar a origem satânica dos maçons.

Na primeira das versões, conta-se que, após o surgimento das corporações dos pedreiros-livres, o diabo teria delas se apoderado. Em seguida, misturou à maçonaria todos os pecados que havia feito brotar na Terra e a transformou na “seita tenebrosa”, uma verdadeira síntese de todas as heresias.


Numa segunda versão elaborada pelos ideólogos católicos, a maçonaria descenderia dos templários, da cabala, do protestantismo ou do gnosticismo, uma espécie de método que procura conciliar todas as religiões por meio do conhecimento. Independentemente da versão que narra as suas origens, a maçonaria estava sempre associada à idéia de pecado e erro.

A terceira associação freqüentemente feita à maçonaria refere-se ao seu caráter revolucionário. Para Dom Vital, a maçonaria seria a “revolução em permanência”, e de seus “antros” teriam saído os principais líderes da “nefasta” Revolução Francesa. Os católicos conservadores, já preocupados com o crescimento do movimento operário, também associaram o discurso maçônico de igualdade e fraternidade universal às idéias anarquistas e comunistas, acusando a maçonaria de querer formar uma sociedade sem distinção de classes e de pátria. Tal situação seria desejada pelos maçons, porque desta maneira o povo ficaria completamente sem governo, permanecendo na anarquia e em situação ideal para que satanás criasse seu “trono imperial”.

FRANÇOISE JEAN É DOUTORANDA EM HISTÓRIA PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO (UERJ) E AUTORA DA DISSERTAÇÃO “VOZES MAÇÔNICAS NA PROVÍNCIA MINEIRA 1868-1889”. UFMG, 2004.

Revista de Historia da Biblioteca Nacional

5 comentários:

Mirse disse...

Bem, os maçons, formam um sistema tão fechado e de tão difícil acesso, que se fosse bom, com certeza haveria mais adeptos.
Não conheço as bases, apenas sei que geraram(?) a vertente Opus Dei, da qual sou particularmente contra por usarem práticas de auto-flagelo.

Conheço um maçon. E esse único é mau, faz mal e destruiu a própria família.

A família é a base da sociedade. Enquanto houver família no sentido social da palavra, estaremos imunes a estes tipos de congregações.

Bela postagem!

Abraços

Mirse

Escrevendo na Pele disse...

E mais uma vez a igreja católica faz-se presente. Creio que nem daqui à trezentos milhões de anos essa instituição não ficará quieta, e contestará de maneira radical toda e qualquer situação. Apenas sei que qualquer religião ou "movimento" destroem a família, desunem as pessoas e incitam as guerras. Amei esse texto! Bjs, daqui.

Barbara disse...

Sendo o povo judeu de antiguidade, sabedoria (esperteza talvez) e de unidade entre si, não necessitariam da maçonaria para dominar o mundo - ou não.
Já dominam, através da mídia, dos bancos, das fábricas de armamentos, e etc etc etc...
Nem estou julgando, apenas querendo dizer que pela união entre eles, é um povo capaz de dominar sim, sutilmente - ou não.
Conheço judeus, maçons, católicos, protestantes, muçulmanos, gente da macumba, e é a partir do esboço da alma de cada um que se cumpre a destruição ou construção.
Mas, acima de tudo, vejo o caos da dúvida acima das mentes das pessoas de todas as épocas.
Nem sei se isso é ruim - pois é do caos que nasce alguma coisa.
Esse comentário pode estar meio "viajante", mas é o que de imediato, após ler sua postagem (que é sempre uma aula), tenho vontade de colocar.
Sugestão : leia Eliphas Levi, se este assunto te move.

Pedro Arthur disse...

Mais uma vez um punhado de pessoas falando sobre algo que nao conhecem.... Quantos de voces jah estiveram dentro dah maçonaria para poder comfirmar tais dados ?! e ainda querem dizer que a maçonaria é ruim?!..... Mirse, como voce pode afirmar que a maçonaria é assim com base em um unico maçon? eu jah vi centenas de prosti**** indo na igreja e nem por isso falo q igreja é um lugar com pessoas apenas desse tipo.. voce axa que existem poucos adptos? esta muito enganada, pesquise mais e vera....

Minha familia é repleta de maçons, e eu sou DeMolay. Sei oq acontece dentro e fora das portas de nosso templo. Ao contrario de qualquer um aqui, eu posso falar sobre esse assunto com a certeza.

Voces criam bases na igreja. Simplesmente a instituição mais corrupta do mundo des do inicio dos tempos. E querem criticar a maçonaria? affff.....

se alguem quiser realmente saber sobre o assunto, que me procure pelo meu e-mail: arthurpedro1@hotmail.com

assembleiabelem disse...

Existe varios tronos no universo, mas a biblia diz que só um é dominante e eterno na terra, a biblia fala que reinos vem, reinos vai, mais um ninguem pode derruba-lo, nem homens, nem divindades, nem potestades, o trono deste não é na terra mais sim

ISAIAS [6]
1 No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e [sublime] trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo.

Esse é Jesus o Rei das potestades

APOCALIPSE [1]
14 e a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os seus olhos como chama de fogo;

Varios homens sobe até o topo, mais quando a escada acaba, tudo termina, tudo vira ilusão, podemos saber que isso é verdade, por varios grandes reinos que acabaram varios imperios ruiram


Jesus o unico que esta além do cosmo, esta acima das estrelas

SALMOS [103]
19 O Senhor estabeleceu o seu [trono] nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.

ATOS [7]
49 O céu é meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do meu repouso?

HEBREUS [1]
8 Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.

A bíblia fala que Jesus vai voltar um dia, neste dia o céu vai sumir, ele vira rodeado de seu povo sobre o céus o universo vai tremer, diante do seu fulgor, da sua boca sai uma espada que corta dois dois lado, o unico que faz o universo se curvar


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