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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Quando o norte era escravagista

Os estados da região criticavam os sulistas por causa do trabalho forçado, mas em 1770 havia mais negros cativos em Nova York do que na Geórgia


(C) AKG/NEWSCOM/GLOW IMAGES
Trabalhadores negros num porto do rio James, Virgínia

 Anne-Claire Fauquez

O que o mercado da Filadélfia, as igrejas protestantes de Newport, as tavernas de Nova York e os armazéns de Boston tinham em comum? Todos eles eram palcos de leilão de escravos negros. Assim era o cotidiano das colônias ao norte da linha Mason-Dixon, um traçado imaginário de 400 km de comprimento, estabelecido antes da proclamação da independência, em 1776, que serviu, até o século XIX, de fronteira oficial entre o norte e o sul dos EUA.

Os presidentes Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, heróis da guerra contra os britânicos pela independência, compravam, vendiam e empregavam também mão de obra africana. Os primeiros escravos foram trazidos logo após a criação das colônias. Na Nova Inglaterra, apesar do clima severo e do solo árido, Samuel Maverick tornou-se em 1624 o primeiro proprietário de dois escravos, apenas quatro anos depois da chegada dos primeiros colonos ingleses, os pilgrims. Dois anos mais tarde, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais trouxe 11 africanos para Nova Amsterdã.

Quando os ingleses tomaram posse dessa colônia e a rebatizaram de Nova York, em 1664, os escravos representavam 20% da população da cidade. Na Pensilvânia, o colono inglês William Penn autorizou em 1684 a vinda de 150 africanos; ele mesmo possuía alguns em sua propriedade de Pennsbury e disse preferir os escravos aos serviçais brancos, pois podia conservá-los pela vida toda. Durante o século XVIII, a população negra continuou a crescer, chegando a atingir 14% em Nova York, 12% em Nova Jersey e 10% em Rhode Island.

As companhias de comércio e os proprietários de colônias incentivaram a importação oferecendo aos novos colonos dezenas de hectares para cada escravo para compensar a escassez de mão de obra. Os índios, a única força de trabalho presente no continente, foram pouco escravizados por dois motivos: porque foram dizimados pelas doenças que os europeus trouxeram para o Novo Mundo; e porque os europeus tinham a preocupação de manter relações pacíficas com as tribos. Apenas os prisioneiros de guerra vindos da Carolina do Sul e Antilhas eram empregados no norte.


COLEÇÃO PARTICULAR
Nas cidades portuárias do Norte, os escravos executavam trabalhos de construção e carga; no campo, eram empregados em pequenas e grandes lavouras

A grande maioria desses escravos não vinha diretamente da África, mas do Caribe. Geralmente eram os mais velhos ou aqueles com problemas de saúde, que não tinham sido vendidos nos mercados caribenhos ou do sul. Apesar de temidos por sua natureza rebelde e obstinada, eram apreciados por dominar o inglês, conhecer as tarefas que deveriam cumprir e ter imunidade às doenças. Nova York se distinguia pela forte presença de angolanos e congoleses – provenientes dos antigos armazéns portugueses nos quais holandeses se abasteciam – e malgaxes (nativos de Madagascar). Essa particularidade pode ser explicada pela estreita relação entre os comerciantes nova-iorquinos e alguns piratas no oceano Índico.

A imagem do escravo, sob o olhar benevolente de seu senhor, dedicando-se apenas às tarefas domésticas e ao artesanato, longe do exaustivo trabalho no campo, já foi desmentida pela história. Escavações em um cemitério africano descoberto em Nova York, em 1991, revelaram nos esqueletos numerosas deformações físicas decorrentes de atividades penosas. Eles certamente foram obrigados a puxar e a levantar objetos grandes e pesados, carregá-los na cabeça e nos ombros, e a dobrar repetidamente o tronco e os joelhos.

Nas cidades portuárias do norte, os escravos eram responsáveis por diversos trabalhos de construção e carga. A célebre Wall Street era originalmente uma simples paliçada de madeira, construída em parte pelos escravos para proteger a cidade dos ataques indígenas e ingleses. Muitos dos que trabalhavam para os artesãos, açougueiros, padeiros, sapateiros, ferreiros, e carpinteiros tiveram de se adaptar mais rapidamente a fim de dominar a língua e o ofício do senhor.

No campo, os escravos trabalhavam em uma agricultura de subsistência temporária, mais diversificada que a do sul, em pequenas fazendas onde raramente havia mais de cinco cativos. Porém, ao norte da cidade de Nova York, ao longo do rio Hudson, em Long Island, e no condado de Narragansett, ao sul de Rhode Island, existiam grandes áreas que empregavam, como na Virgínia, por volta de 20 escravos. Madeira, cereais, farinha, biscoitos, leite, frutas, legumes, peixe seco, gado e cavalos serviam ao comércio local e eram exportados para a Europa e o Caribe.


UNIVERSIDADE DE VIRGINIA
Nas Antilhas, toda a terra era usada para cultivo do açúcar e os alimentos eram importados do norte dos EUA

As colônias do norte marcaram assim a entrada no comércio triangular e participaram das trocas transatlânticas e intercoloniais. Nas Antilhas, onde toda a terra era usada para o cultivo do “ouro branco”, o açúcar, não havia espaço para plantar alimentos, que deviam ser importados do norte. O açúcar e seus derivados, como o melaço, eram enviados às refinarias na Nova Inglaterra para a produção de rum, bebida usada como moeda de troca na aquisição de novos escravos na África. A partir de 1644, ano da primeira viagem entre Boston e as Antilhas, essas transações continuaram a crescer, fazendo de Newport, Perth Amboy e Nova York os portos e mercados negreiros mais importantes das colônias americanas.

Às vésperas da proclamação da independência, dois terços dos navios americanos envolvidos no tráfico partiam de Rhode Island e 80% das exportações da Nova Inglaterra seguiam para as Antilhas britânicas. Durante a Guerra da Independência, quando os navios não puderam ser enviados para as ilhas, cerca de 15 mil escravos morreram na Jamaica, entre 1780 e 1787. O comércio era muito rentável para os habitantes da região, de mercadores, investidores, seguradores, armadores e capitães até marinheiros, para não falar de muitas profissões indiretamente dependentes desse comércio, como os fabricantes de cordas, ferreiros, carpinteiros e veleiros. As destilarias multiplicaram-se. Havia 12 em Nova York e 22 em Newport. A imprensa também se beneficiou, publicando anúncios de escravos para alugar ou de fugitivos.

A maior parte das elites do norte foi forjada na sua relação com o tráfico. Ezra Stiles, presidente da Universidade de Yale entre 1778 e 1795, era proprietário de escravos; seis prefeitos da Filadélfia eram comerciantes de escravos. Muitos fazendeiros ingleses partiram de Barbados para se estabelecer na colônia de Nova Iorque: Nathaniel e Grissel Sylvester se instalaram em Shelter Island, na ponta leste de Long Island, onde fundaram a fazenda Sylvester Manor; Lewis Morris, por sua vez, adquiriu terras em Nova Jersey e ao norte da cidade de Nova York, às quais deu o nome de Morrisania, hoje um bairro. Quando morreu, em 1691, ele deixou 66 escravos.

Essas colônias eram totalmente marcadas pela escravidão. Do desenvolvimento econômico à estrutura social, passando pela mentalidade dos colonos, que conviviam com essa realidade. Ao contrário das grandes plantações da Carolina do Sul, poucos proprietários na cidade tinham recursos para hospedar sua mão de obra em um alojamento separado. Os escravos eram obrigados a dormir na cozinha, no sótão ou no porão. Privados de intimidade, ficavam sujeitos às vontades de seus donos, que podiam vendê-los a qualquer momento, por falta de trabalho, para aproveitar a oportunidade de uma transação financeira ou para sanar uma dívida.


Reprodução
Anúncios de escravos para alugar ou de fugitivos eram comuns na impresa. Este oferece recompensa pela captura ou perdão ao escravo se ele retornar por vontade própria

À medida que a população negra crescia, as autoridades elaboraram leis para contê-la. A primeira colônia americana a reconhecer legalmente a escravidão foi Massachusetts, em 1641. Seguiram-se muitos regulamentos tendo como objetivo controlar essa população e evitar conspirações e rebeliões. Limitou-se a liberdade de circulação, os escravos foram proibidos de portar armas, eram forçados a carregar um passe quando se afastavam da casa, e a respeitar o toque de recolher. Já os habitantes da cidade foram desencorajados de comercializar bens com eles. Em 1706, o destino dos escravos nova-iorquinos foi selado quando foi decretado que o batismo não podia mudar sua condição de servo, tornando-a assim hereditária, através da mãe. Em caso de infração, as punições iam do açoitamento em praça pública a várias formas de tortura, como o pelourinho, as marcas a ferro quente, mutilação, desmembramento ou venda para o Caribe. Em 2 fevereiro de 1697, um negro condenado por assassinato foi encontrado morto na cela. A cidade decidiu, mesmo assim, infligir a punição ao cadáver. Para que essas leis funcionassem, as autoridades tentavam ganhar o apoio da população condenando brancos e negros livres que entretivessem os escravos (pois isso os incentivaria a mendigar), que os ajudassem a escapar ou lhes oferecessem hospedagem. Mas a implementação dessas leis repressivas e punitivas não foi suficiente para sufocar os impulsos de revolta por parte dos escravos.

Em 1657, um grupo de negros ajudou índios a atear fogo em um edifício em Connecticut; em 1708, no condado de Queens, um escravo índio chamado Sam assassinou a machadadas, com o auxílio de uma mulher negra, a família de seu senhor, William Hallett Jr.; em 7 de abril de 1712, 23 africanos e índios se reuniram para atear fogo a um alpendre e atrair para a armadilha os habitantes que tentavam apagá-lo. Armados com pistolas, facas e machados, eles mataram nove brancos e feriram sete. Cientes do perigo que representavam os escravos, os habitantes de Nova York sucumbiram, em 1741, à paranoia e à histeria, quando passaram a suspeitar, a partir de rumores, que uma conspiração se tramava. O caso terminou com a execução e a deportação de centenas de indivíduos. Dois anos mais tarde, Nova Jersey enfrentou a mesma crise e prendeu 30 suspeitos.

Tribunais foram especialmente criados para julgar os crimes dos escravos. As leis foram reforçadas, dirigidas por sua vez aos negros livres, cujo acesso à propriedade privada foi proibido. As sanções contra eles se tornaram mais pesadas, ameaçava-se escravizá-los novamente, por exemplo, em caso de casamento ou relação sexual com brancos. Vistos como encargos para a sociedade, que temia sua influência, suas condições de emancipação foram restringidas, exigia-se que os senhores pagassem uma caução de 200 libras esterlinas para que a cidade se encarregasse deles, o que poucos proprietários podiam pagar.

O processo de emancipação foi lento e tortuoso, pois os ideais abolicionistas atacavam a forma já instaurada de coexistência entre as duas raças. O estado de Vermont foi o primeiro a abolir a escravidão, em sua constituição de 1777, seguido por Massachusetts e New Hampshire, em 1783. Nos estados do sul da Nova Inglaterra e do centro, o processo foi gradual. Na Pensilvânia, em 1780, depois em Connecticut e Rhode Island, em 1784, a lei libertou os escravos nascidos antes dessas datas; quanto aos que nasceram depois, eles só podiam ser alforriados ao atingir uma determinada idade (24 anos para os homens e 21 para as mulheres, na Pensilvânia). Os dois últimos a legislar em favor da emancipação foram os estados de Nova York, em 1799, e Nova Jersey, em 1804, que só libertaram, e aos poucos, os escravos nascidos após a lei. No primeiro, foi preciso esperar até 1817 para que uma segunda lei alforriasse, a partir de 1827, os escravos nascidos antes de 4 de julho de 1779. Esse truque legislativo possibilitou que os senhores obtivessem uma compensação pela perda de sua propriedade. Ou até mesmo a conservassem, como mostra o caso de Caesar, um escravo da família Nicoll-Sill, de Bethlehem, no condado de Albany. Nascido em 1737, ele morreu em 1852 com a idade de 115 anos, sem saber da existência da lei de 1817 e, assim, serviu seu senhor por seis gerações.


VERMONT HISTORICAL SOCIETY
Primeira página da Constituição de Vermont, 1777: o estado foi o primeiro a decretar o fim da escravidão

Em 1810 havia ainda 27 mil escravos nos estados livres, principalmente em Nova York, Nova Jersey e Pensilvânia. Se, por um lado, as cidades assistiram ao aumento da população negra livre, a escravidão permaneceu firmemente enraizada no campo. Houve também uma mudança nas tarefas atribuídas aos negros, que perderam o controle do trabalho qualificado e foram relegados a tarefas domésticas ou não qualificadas.

Apesar de no norte a segregação não ser explicitamente codificada – no sul havia as com as chamadas Jim Crow laws, série de decretos e regulamentos promulgados no final do século XIX – lá os negros livres sofreram segregação de fato antes da Guerra de Secessão. Em A democracia na América, Alexis de Tocque-ville disse que “o preconceito racial (lhe) parece mais forte nos estados que aboliram a escravidão do que naqueles onde a escravidão ainda existe, e em nenhum lugar ele se mostra tão intolerante quanto naqueles estados onde a escravidão foi sempre desconhecida”. De fato, casamentos mistos eram desencorajados, os negros eram dissuadidos de votar ou de participar do júri em julgamentos, enquanto o desenvolvimento de escolas e igrejas segregadas era incentivado.

Essa população recém-emancipada incomodava porque usurpava o trabalho dos brancos, chegando a provocar revoltas raciais, como em 1834, na Filadélfia. Por fim, viu-se também o nascimento dos primeiros trabalhos científicos sobre a inferioridade dos negros – os de Samuel G. Morton, por exemplo, alegando uma correlação entre a capacidade intelectual de uma raça e o tamanho do crânio.

Os lados separados pela Guerra Civil foram também cúmplices, pois a mesma escravidão que permitiu ao sul tornar-se o rei do algodão ajudou o norte a crescer e a prosperar.
Revista História Viva

Lincoln: como a Guerra de Secessão forjou os EUA

Personagem principal do novo longa de Steven Spielberg, o 16º presidente americano foi o pivô de dois eventos que marcaram para sempre a história do país: o fim da Guerra Civil e a abolição da escravidão

Marco Antonio Barbosa

Divulgação
Daniel Day-Lewis na pele do presidente

Em todas as pesquisas feitas por estudiosos da história dos EUA, desde a década de 1940 Abraham Lincoln (1809-1865) tem sido repetidamente apontado como um dos três mais importantes presidentes que o país já teve – e, não raramente, o mais importante, à frente de George Washington e Franklin Roosevelt. Motivos para a consagração não faltam. Lincoln liderou a nação durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), a mais grave crise institucional e militar que os EUA já enfrentaram. Chancelou o movimento que deu fim à escravidão no país e acabou virando um mártir ao ser assassinado em abril de 1865 por John Wilkes Booth. Não faltam lances cinematográficos na vida e na trajetória política do presidente, agora retratados pelo diretor Steven Spielberg no longa-metragem Lincoln.

Projeto acalentado pelo cineasta desde 1999, o filme é baseado no livro Team of rivals: the political genius of Abraham Lincoln (“Equipe de rivais: o gênio político de Abraham Lincoln”, em tradução livre), de Doris Kearns Goodwin, que se concentra nos últimos quatro meses de vida do político – o suficiente para detalhar os esforços bem-sucedidos para acabar com a Guerra Civil e promulgar a abolição. No livro, Lincoln é descrito como dono de “uma rara sabedoria e um temperamento que, de forma consistente, demonstrava uma ma-nanimidade incomum em relação a seus opositores”. Spielberg adquiriu os direitos sobre o livro de Goodwin antes mesmo que a escritora concluísse o trabalho. Os debates e acordos que o presidente precisou travar entre os membros de seu gabinete e os embates com os adversários políticos são o cerne do roteiro.

Daniel Day-Lewis, vencedor de dois Oscar de melhor ator, foi o escolhido para retratar o presidente. Conhecido por seu estilo meticuloso de imersão nos personagens, Day-Lewis mereceu muitos elogios da crítica especializada nos EUA por seu desempenho. Outra ganhadora do Oscar, Sally Field, representa Mary Todd, mulher de Lincoln e uma das mais reverenciadas primeiras-damas da história americana. Atores consagrados como Tommy Lee Jones (Onde os fracos não têm vez), Joseph Gordon-Levitt (A origem) e David Strathairn (Um beijo roubado) completam o elenco.

Aproveitando o lançamento de Lincoln no Brasil, História Viva separou duas matérias que explicam melhor qual foi a real importância do 16º presidente dos Estados Unidos para o fim da Guerra de Secessão, o maior conflito armado da história do país, e para a abolição da escravidão, uma prática que, na época de Lincoln, não era exclusiva dos estados do Sul.
Revista História Viva

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A Guerra Civil Americana

Em 12 de abril de 1861 começava a Guerra Civil Americana,, ainda hoje, a guerra mais sangrenta dos Estados Unidos, com mais de 600 mil mortos. Durante os quatro anos de combate, o conflito foi documentado por vários fotógrafos e a Biblioteca do Congresso Americano preserva um acervo com mais de 7.000 fotografias da época.

Este post é ilustrado por uma dessas coleções, a da família Liljenquist, composta por 700 fotografias em ferrótipos e ambrótipos (fotografias em suporte de metal e vidro guardadas em estojos).

A família americana Liljenquist amealhou a coleção ao longo dos últimos 15 anos em feiras de antiguidades, leilões, mostras da Guerra Civil e até no site de compras e leilões online eBay. Em 2010, a Biblioteca do Congresso recebeu todo esse acervo em doação e uma exposição para relembrar os 150 anos da Guerra será aberta hoje em Washington.

Infelizmente, a autoria destas fotos não é conhecida. A Biblioteca se esforça para descobrir quem são os retratados e muitos soldados já foram identificados. Impressiona nesta coleção a qualidades das peças, todas em excelente estado de preservação. Muitas são coloridas à mão. Outra fatia expressiva ilustra a maneira como os cenários e fundos artificiais eram usados na época.

A coleção Liljenquist tem um recorte específico, que a diferencia de outras dedicadas ao mesmo tema. Ela é dedicada aos retratos de soldados – alguns, extremamente elaborados (Foto 10) – e seus familiares.

Dentre as centenas de imagens da coleção, uma foto chama a atenção: uma garota com roupa de luto segurando a foto de seu pai, que morreu (Foto 14). Fica claro que, poucas décadas depois do advento da fotografia, ela já não tinha apenas um caráter técnico ou documental, mas já tinha um papel importante na vida cotidiana e na preservação da memória afetiva das pessoas comuns.

Apesar dos suportes diferentes, ambrótipo e ferrótipo são semelhantes em muitos aspectos: apresentam a mesma tonalidade bege leitosa da superfície, o mesmo ligante (colódio) e a prata como substância formadora da imagem. Veja abaixo como se definem as duas técnicas:

Ambrótipo = Imagem positiva direta sobre placa de vidro. A placa já revelada era colocada no estojo com um fundo preto, geralmente tecido ou cartão de papelão.

Ferrótipo = Imagem positiva direta sobre placa de ferro de baixa espessura, recoberta com verniz dos dois lados. O lado da imagem recebia um recobrimento preto ou marrom-escuro.

Alexandre Belém

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Guerra Civil Americana - FOTOS

Designado tenente-general e comandante dos exércitos da União em 1864, Ulysses S. Grant determinado a dar o general confederado Robert E. Lee 's exército sem trégua. Deitado de nove meses de cerco para o centro ferroviário do Petersburg, Virgínia, martelou, perseguidos, e ferido mortalmente o Exército da Virgínia do Norte, em seguida, deixá-lo morrer com honra, entre as colinas de Appomattox.

-De "Como acabar com uma guerra: Grant e Lee em Appomattox", Abril de 1965, da revista National Geographic
Mentira confederado morto perto da Igreja Dunker em Antietam em Maryland. Realidade terrível guerra, captada pelo fotógrafo Alexander Gardner, chocou um público acostumado com retratos de artistas romantizada.

-A partir do livro da National Geographic The Blue and the Gray, 1992
União general William Tecumseh Sherman's [1864] captura de Atlanta aumentou União moral e venceu a reeleição do presidente Lincoln.-A partir do livro da National Geographic The Blue and the Gray, 1992

1 de janeiro de 1863: Dia da Emancipação. Em casacos e calças azul escarlate, a Carolina do Sul 1 Volunteers (E.U.) aparecem no desfile vestido para ouvir a leitura de [Lincoln Proclamação de Emancipação], bem como orações e discursos. Primeira regimento União recrutados entre os escravos, a 1 Carolina do Sul contou uma nova auto-respeito entre as honras sua batalha.

-A partir do livro da National Geographic The Blue and the Gray, 1992

Conhecido apenas como Jackson, este servo jovens confederados tornou-se um baterista da União Europeia.
-A partir do livro da National Geographic The Blue and the Gray, 1992
Em Cumberland Landing não muito longe de Richmond [Virgínia], União empacotar suas forças de poder.
-A partir do livro da National Geographic The Blue and the Gray, 1992
Confederate general Thomas "Stonewall" Jackson deslumbrou o seu povo e do inimigo com seu pequeno exército do Vale. Muitas vezes ele demonstrou brilhantismo como Comandante do Corpo. ... Será que ele poderia ter enchido [Robert E.] papel de Lee? Provavelmente não, dizem os analistas militares. Subordinados Jackson deficientes, mantendo-os ignorantes de seus planos, e ele tinha um jeito de brigar com seu melhor segundo em comando, nomeadamente o duro combate AP Hill.

-A partir do livro da National Geographic The Blue and the Gray, 1992
O 1 Connecticut campos de artilharia pesada em Washington, DC, em 1861.
Jefferson Davis [teve] o juramento de posse como Presidente provisório dos Estados Confederados da América em 18 de fevereiro de 1861. Apesar das expectativas de flutuação de espectadores, Davis previu 'problema e inúmeros espinhos.-A partir do livro da National Geographic The Blue and the Gray, 1992.
No topo de um mastro improvisado, as estrelas e Bares da Confederação sobrevoa Fort Sumter em Charleston Harbor, South Carolina. O [E.U. Tiro de guerra civil] primeiro tocou por aqui em 12 de abril [1861], um sinal da Confederação para o ataque. O major Robert Anderson, E.U.A., com menos de 90 soldados da guarnição, sofreu um bombardeio de 34 horas, a sua resposta prejudicada por armas parapeito expostos. Ele concordou com os termos da rendição em 13 de abril.
Tradução google
National Geographic

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Navegantes - Guerra da Secessão

Após a consolidação de sua Independência, os Estados Unidos viveram um próspero período marcado pelo crescimento de seus níveis econômicos e o alargamento de suas fronteiras. No entanto, os projetos de desenvolvimento que nortearam a nação norte-americana estabeleceram, paulatinamente, uma grave rixa entre os estados do Norte e do Sul. Os nortistas apoiavam a expansão da pequena propriedade, a utilização do trabalho livre e a diversificação econômica. Já os sulistas, defendiam o uso do latifúndio monocultor sustentado pelo uso da mão-de-obra escrava.

Durante o século XIX, essas oposições acabaram impedindo a consolidação dos interesses dos estados nortistas. De forma geral, desejavam o fim da escravidão, para que os mercados consumidores se expandissem, e a elevação das taxas alfandegárias, beneficiando diretamente o fortalecimento da indústria norte-americana. Essas medidas eram mal vistas pelos estados do sul, que tinham interesse na manutenção do escravismo e na prática de taxas menores que favorecessem as importações.

A polarização desses grupos políticos acabou sendo organizada com o surgimento do Partido Democrata, representante dos latifundiários sulistas; e o Partido Republicano, defensor das pretensões da nascente burguesia industrial do norte. Em 1860, o representante republicano Abraham Lincoln venceu as eleições presidenciais, para o descontentamento das lideranças do sul. Por isso, após as eleições, os sulistas anunciaram o seu desligamento da União e a criação dos Estados Confederados da América.

Os Confederados tinham o claro objetivo de preservar os seus interesses e, para isso, estavam dispostos a guerrear contra os nortistas. Com isso, as tropas do sul deram início à guerra civil com a invasão feita ao forte Sumter, em 1861. Observando as potencialidades de cada um dos lados do conflito, a capacidade bélica e militar dos nortistas era visivelmente superior. A grande maioria da população vivia nos estados do norte e a região tinha um número superior de indústrias bélicas voltadas para o conflito.

De fato, a grande diferença tecnológica entre os dois lados foi decisiva para que os “yankees” (norte) vencessem os “confederados” (sul). A inserção dos fuzis de repetição e o uso dos navios encouraçados foram cruciais nas derrotas e bloqueios militares sofridos pelas forças sulistas. Além disso, a tecnologia de informação, com o uso do telégrafo, permitia que o comando das tropas yankees pudesse reorganizar rapidamente as várias frentes de batalha.

No plano político, o governo do norte procurou utilizar de sua autoridade para interferir nos destinos tomados pela guerra. Dessa forma, o governo yankee aboliu a escravidão com o objetivo de desestabilizar os sulistas com o levante dos escravos e, ao mesmo tempo, atrair a simpatia das nações européias. Com esse conjunto de ações, os nortistas conseguiram vencer o conflito, assim o general Lee admitiu a derrota sulista ao assinar a rendição dos exércitos confederados, em 9 de abril de 1865.

Com o fim do conflito, que deixou cerca de 600 mil mortos, o projeto industrial e desenvolvimentista do norte conseguiu se sagrar com maior facilidade. Nos estados sulistas, vários políticos yankees se elegeram com o apoio dado pela população de ex-escravos. No entanto, a questão racial seria um problema mal resolvido, pois a população negra não foi efetivamente inserida na sociedade e sofreu com os grupos racistas do sul.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Submarino da Guerra Civil: o protótipo virou carcaça


Submarino da Guerra Civil: o protótipo virou carcaça
Submarino da Guerra Civil americana ficou 130 anos perdido no Panamá
por Robert Galbraith
A descoberta de uma das mais preciosas relíquias da Guerra Civil americana e da navegação mundial foi anunciada em outubro pelo arqueólogo James Delgado, diretor do Museu Marítimo de Vancouver, Canadá, e apresentador do programa Sea Hunters, no canal de TV National Geographic. Trata-se da carcaça de um dos primeiros submarinos da história, o Sub Marine Explorer, construído para a Confederação do Norte entre 1864 e 1866 para espionar e atacar portos do Sul.

O Explorer foi lançado ao mar em 1867, quase no fim da guerra. Com a paz, o aparelho foi dispensado pela Marinha e passou a ser usado pelo seu criador, o engenheiro alemão Julius Kroehl, para coletar pérolas. Acabou abandonado em uma ilha no litoral do Panamá, onde ficou por 130 anos, até ser achado por Delgado em 2001.

Desde então, o arqueólogo consultava historiadores para saber se a carcaça era mesmo de um submarino japonês da Segunda Guerra, como suspeitava. Descobriu que a relíquia era mais rara (com apenas um equivalente encontrado) ao obter plantas de 1909 que a descreviam exatamente.

Delgado descobriu também que o submarino pode ter levado seus tripulantes à morte. Depois de muito tempo debaixo d’água, ele retornava de forma muito brusca à superfície. “Hoje sabemos que quem fica muito tempo no fundo precisa voltar devagar para que o organismo faça a descompressão gradual. Caso contrário, o sangue pode borbulhar e isso causa a chamada doença do caixão, que pode levar à morte”, diz.



Plano piloto
A planta original do Explorer
1. CÂmaras A

Um compartimento de ar expulsava a água das câmaras B para permitir a emersão. Também tinha uma conexão com as câmaras C, onde ficava a tripulação de seis a oito homens

2. Câmara B

Ao longo de uma seção lateral, entrava a água que realizava a submersão. Com 11 metros de comprimento e 3 de largura, o submarino afundava até 30 metros

3. Câmaras C

Durante a submersão, o ar comprimido se dirigia para uma terceira seção. Quanto mais fundo estivesse, maior a pressão e mais risco para os tripulantes, que não voltavam à superfície gradualmente

Revista Aventuras na Historia