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terça-feira, 20 de julho de 2010

Um novo Estado desenvolvimentista?


Um novo Estado desenvolvimentista?

No Brasil de 1950, 1960 e 1970 havia sinergia entre o investimento público, comandado pelas estatais, e o privado. O neoliberalismo, porém, deixou isso escapar, perdendo a oportunidade de criar grupos nacionais comprometidos com o desenvolvimento do país. Talvez essa possa ser uma das diretrizes políticas do pré-sal

por Luiz Gonzaga Belluzzo

O governo brasileiro de Getúlio Vargas reagiu à derrocada dos preços do café, causada pela crise de 1929, com políticas de defesa da economia nacional: a compra dos estoques excedentes e a moratória para as dívidas dos cafeicultores. Estas medidas e a desorganização do mercado mundial – provocada pela depressão e depois pela a guerra – ensejaram um forte impulso à industrialização do país. É a abertura do período “desenvolvimentista”.

O segundo conflito mundial ampliou as oportunidades de crescimento da indústria de bens de consumo não-duráveis (têxteis calçados, alimentos e bebidas) e de alguns insumos processados, como óleos e graxas vegetais e ferro gusa. Estes setores cresceram rapidamente não só para suprir a demanda doméstica, mas também para atender às exportações. Ainda durante a guerra, o presidente Getúlio Vargas negociou com os americanos a construção da siderúrgica de Volta Redonda. Este empreendimento, crucial para as etapas subseqüentes da industrialização brasileira, entrou em operação em 1946.

Terminado o conflito mundial em 1945, caiu a ditadura de Vargas. O governo eleito do general Dutra herdou reservas elevadas em moeda forte, acumuladas durante a guerra e queimou o dinheiro com uma política liberal de comércio exterior.


A grande Depressão dos anos 1930 e a 2ª Guerra Mundial foram experiências terríveis vividas pelas sociedades modernas no século XX. As lideranças políticas intelectuais e religiosas que sobreviveram aos dois cataclismos estavam dispostas a impedir a repetição da tragédia que levou milhões de pessoas à falência, ao desemprego e, depois, as submeteu ao terror do totalitarismo nazi-fascista e à morte.


Americanos e europeus, socialistas e democrata-cristãos concordavam, então, que o capitalismo e a democracia só poderiam conviver e sobreviver sob duas condições: 1) se as forças destrutivas que levaram ao colapso da economia fossem controladas pelo Estado e pela sociedade; 2) se os riscos e desigualdades produzidos pela operação dos mercados fossem contrabalançados por ações destinadas a criar e defender os direitos econômicos e sociais das classes não-proprietárias.


Nos países periféricos, predominantemente exportadores de produtos primários, acentuaram-se os movimentos em prol do desenvolvimento da indústria. A industrialização era vista como a única resposta adequada aos inconvenientes da dependência da demanda externa. A renda nacional dependia da exportação de produtos sujeitos à tendência secular de queda de preços e flutuações cíclicas da demanda.


A economia brasileira havia mudado e evoluído entre 1930 e 1945. O fazendão atrasado e melancólico do Jeca Tatu cedia espaço para a urbanidade industrial incipiente. Mas velha economia primário-exportadora deixou uma herança de deficiências na infra-estrutura – energia elétrica, petróleo, transportes, comunicações –, nas desigualdades regionais e na péssima distribuição de renda.


Eleito em 1950, Getúlio Vargas retomou o projeto desenvolvimentista. Lançou em 1951 o Plano de Eletrificação, criou o BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) em 1952, a Petrobrás em 1953. O avanço da industrialização só poderia ocorrer com a modernização dos setores já existentes e constituição de departamentos industriais que produzissem equipamentos, componentes, insumos pesados e bens duráveis.


Getúlio cometeu suicídio em agosto de 1954. As eleições de 1955 transcorreram num ambiente turbulento. As forças que levaram Vargas ao suicídio no ano anterior tentaram impedir a posse de Juscelino Kubitschek, eleito em 1955. O golpe foi frustrado pela reação pronta do general Henrique Duffles de Teixeira Lott. Juscelino assumiu em 1956 e seu mandato foi ameaçado por novas tentativas de derrubada pelos militares

50 anos em 5

No poder, ele prometeu avançar 50 anos em 5. Pode-se dizer que cumpriu a promessa. Governou sob a orientação do Plano de Metas elaborado a partir de dois estudos: o da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos e o da Comissão Mista BNDE-CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).


O Plano de Metas contemplava cinco prioridades: energia, transportes, alimentação, indústrias de base e educação. O governo concentrou os gastos na infra-estrutura. A construção de Brasília e a abertura de estradas, como a Belem-Brasília, integravam o projeto de interiorização do desenvolvimento.


Ao mesmo tempo, foram constituídos os grupos executivos, coordenados pelo conselho nacional de desenvolvimento, compostos por empresários do setor privado e de técnicos do BNDE, com o propósito de coordenar os programas de investimento e a divisão do trabalho entre o capital estrangeiro e o nacional nas diversas áreas. Essa era a tarefa do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), do GEICON (Grupo Executivo da Construção Naval), do GEIPOT (Grupo Executivo da Indústria de Transporte), e do GEIMAP (Grupo Executivo da Indústria Mecânica Pesada). Em 1958 foi criada a SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) com o propósito de promover o desenvolvimento naquela região.


O Plano de Metas articulou, portanto, as ações do governo, do setor privado nacional e do capital produtivo internacional, que já experimentava uma forte expansão. A grande empresa americana movimentava-se dos Estados Unidos para a Europa, então em reconstrução. Ao mesmo tempo, as companhias europeias, em maior número, e as americanas transladavam suas filiais para os países em desenvolvimento dotados de estruturas produtivas mais avançadas e que apresentavam taxas de crescimento mais elevadas. O Brasil, entre 1956 e 1960 cresceu em média 7% ao ano.


Ainda me lembro que o seriado da Rede Globo JK atiçou nas novas gerações a nostalgia do Brasil que não viveram. Jovens que vão alem dos devaneios da telinha e se dão ao trabalho de escavar a história, não raro interpelam com suas angústias e esperanças os sobreviventes do desenvolvimentismo. Perguntam se “Juscelino foi ‘tudo aquilo’”.


A busca de um passado idealizado e mitificado, em sua maciça e massificante perplexidade, é a crítica ingênua de um presente atolado na mediocridade e na estagnação. Juscelino e suas circunstâncias foram tudo aquilo e mais alguma coisa.


Mais alguma coisa é o resíduo que a história não revela aos gênios da baixaria, vetríloquos do establishment nativo, sempre empenhados na cruzada contra o que chamam de populismo. São reencarnações sucessivas e inesgotáveis dos escribas do coronelato.


Seja como for, no período desenvolvimentista foram travadas as batalhas decisivas pela consolidação do processo de industrialização. Juscelino ganhou os duelos que Getúlio concebeu. O “desenvolvimentismo” como projeto de um capitalismo nacional cumpriu o seu destino através do Plano de Metas. A contrário do que pregam os caipiras-cosmopolitas – aquela malta que circula pelo mundo, sem entender nada do que acontece – o projeto juscelinista integrou a economia brasileira ao vigoroso movimento de internacionalização do capitalismo do pós-guerra. Por isso, os ultranacionalistas achavam que Juscelino perdeu as batalhas que Getúlio teria imaginado ganhar.


A análise do Plano de Metas explicita a concepção de um bloco integrado de investimentos na infra-estrutura, no setor de bens de capital e de bens de consumo duráveis. As inovações institucionais consubstanciadas nos Grupos Executivos conferiram plasticidade ao aparelho econômico do Estado. Juscelino tomou posse em 1956 e atravessou o mandato sob as ameaças do golpismo anti-nacional, o mesmo que foi frustrado pelo suicídio de Getúlio em 1954 e que conseguiu submeter o país na quartelada de 1964.

Diante da globalização

Disse alguém, certa vez: “os movimentos sociais e políticos são pegos pela voragem da história, não estão conduzindo a história, estão sendo instrumentos dessa voragem”. Temos de reconhecer: é uma avaliação concisa e brilhante do papel das ideologias e das certezas na história.


Nos anos 1990, os “renovados” da periferia, por exemplo, tiveram os seus dias de glória. Hoje o que vemos são cadáveres boiando na enxurrada da globalização. Quanto mais crédula foi a adesão às torrentes da mercantilização universal, mais rasa a poça d’água em que terminam por se afogar os clones de estadistas. Para os Fujimori, Menem e outros menos votados, as políticas nacionais de desenvolvimento pareciam sucumbir diante da maré montante da globalização e da integração dos mercados, sobretudo os financeiros. Apropriada pelos “renovados” da periferia, a estratégia de “desenvolvimento” do Consenso de Washington apoiava-se em cinco supostos: 1) a estabilidade de preços criaria condições para o cálculo econômico de longo prazo, estimulando o investimento privado; 2) a abertura comercial (e a valorização cambial) imporia disciplina competitiva aos produtores domésticos, forçando-os a realizar ganhos substanciais de produtividade; 3) as privatizações e o investimento estrangeiro removeriam gargalos de oferta na indústria e na infra-estrutura, reduzindo custos e melhorando a eficiência; 4) a liberalização cambial, associada à previsibilidade quanto à evolução da taxa real de câmbio, atrairia “poupança externa” em escala suficiente para complementar o esforço de investimento doméstico e para financiar o déficit em conta corrente; 5) o desbordamento da renda e da riqueza, promovida pelo novo dinamismo incitado pelos mercados e pela ação focalizada das políticas sociais, é a forma mais eficiente de reduzir a desigualdade e eliminar a pobreza.


Mas a crise do capitalismo financeirizado mostrou que as ilusões dos mercados eficientes não conseguiram suplantar o fetichismo do dinheiro e, portanto, não lograram escapar das armadilhas que se espalham ao longo do caminho dos que perseguem a acumulação de riqueza abstrata. Tudo indica que ainda está muito distante a prometida substituição das políticas nacionais por uma nova ordem global fundada exclusivamente nas forças do mercado.


Uma economia urbano-industrial, como a brasileira, formada há anos não pode apoiar o crescimento e a estabilidade na exportação de commodities, cujos efeitos sobre o emprego e sobre a renda são limitados. O crescimento da indústria é almejado porque impõe a diversificação produtiva e torna mais densas as relações intra-setoriais e inter-setoriais, proporcionando, ao mesmo tempo, ganhos no comércio exterior e na economia doméstica.

Reformas liberalizantes

No Brasil dos anos 1950, 1960 e 1970 havia sinergia – como em qualquer outro país – entre o investimento público, comandado pelas estatais, e o privado. Muito bem, promovemos a privatização. Mas desde o pós-guerra o gasto público é o componente fundamental das economias contemporâneas. Essa história de mais Estado, menos Estado é mal contada. Tanto nos países desenvolvidos quanto nos emergentes, apesar das reformas liberalizantes, o gasto do Estado não diminuiu. O volume elevado de investimento público em infra-estrutura é crucial para formação da taxa de crescimento.


Ainda pior: o neoliberalismo à brasileira dos anos 1990 deixou escapar a oportunidade oferecida pelas privatizações para criar grupos nacionais – privados e públicos – dotados de poder financeiro, com capacidade competição nos mercados mundiais, comprometidos com as metas de desenvolvimento do país e com a geração de moeda forte. Evaporou a sinergia virtuosa entre o gasto público e o investimento privado. Mas ela sinergia deve ser uma das diretrizes da economia política do pré-sal.


Na China, por exemplo, o investimento das multinacionais tem importância para a geração de divisas e para a graduação tecnológica das exportações, mas não para o volume do investimento agregado. O debate brasileiro dá a impressão de que, de um lado e de outro, não foi feito um esforço para compreender a natureza das transformações ocorridas nos últimos 30 anos. A esquerda continua prisioneira do estatismo míope e inibidor das decisões privadas de investimento, enquanto a direita aposta num liberalismo mítico, que nunca existiu.


Sei que o Brasil não tem condições de copiar ou de reproduzir a experiência chinesa de integração à economia global. Para começo de conversa, a China tem um Estado Nacional forte, em franca progressão para um Estado de Direito, conforme atesta o livro do insuspeito Institute for International Economics de Washington. Já por essas bandas produzimos um Estado que não é forte e muito menos de Direito, sempre enredado nas teias do particularismo e avassalado por burocracias descontroladas e irresponsáveis.


Os chineses ainda mantêm controle sobre a conta de capitais e administram corretamente as relações entre os fluxos externos e o sistema monetário e de crédito internos, porque os bancos são públicos. Afrouxam os controles quando é conveniente e apertam quando necessário. O mercado – ou seja, a concorrência – funciona a todo o vapor no estímulo ao enriquecimento privado, obtido como recompensa à capacidade de construir nova capacidade produtiva, inovar e gerar empregos. A política cambial – câmbio desvalorizado e estável – foi decisiva, não só para a baixa inflação como também para o crescimento das exportações e a atração do investimento estrangeiro. O Estado chinês fomentou as joint-ventures e sustentou políticas de estímulo para que suas empresas se transformem em protagonistas internacionais.


Ao invés de papagaiadas ideológicas, o pragmatismo chinês tratou de compreender a natureza das forças que movem hoje as transformações do capitalismo. Sabem, ademais, que vivem em um mundo em que prevalece a assimetria de poder, não só político, mas econômico. Os economistas se assustam: “Os chineses acumulam US$ 2 trilhões de reservas”. O Peoples Bank of China, em documento recente, esclareceu corretamente o objetivo de tal cometimento. A liberdade de gestão monetária capaz de promover a estabilidade do câmbio e dos juros depende, numa economia emergente de alto crescimento e da acumulação de reservas. Por sua vez, a acumulação de reservas, sem danos fiscais, só pode ocorrer com taxas de juros baixas. Essa é a regra do jogo hoje.


Por essas e outras, a política monetária do Banco Central brasileiro passou algum tempo lutando a guerra anterior. Nos anos 1970 e 1980, desenvolvidos e emergentes se debatiam para vencer inflação alta ou para evitar a hiperinflação. A batalha, hoje é outra. A concorrência global nos manufaturados foi exacerbada pela rápida ampliação da capacidade na Ásia, sobretudo na China. Se a isso se juntar uma desaceleração do crescimento americano, as tendências da economia global serão, sem dúvida, deflacionárias.


A política cambial, política fiscal e política monetária têm inter-relações muito profundas. A dívida pública cresceu de 1994 até 2007 e o investimento público minguou. E isso é muito grave em uma economia moderna.


O mau universalismo gera o péssimo particularismo como a banda podre de si mesmo. Na versão pós-moderna e “globalizada”, a dialética iluminista do universal e do particular se torna sofisticadamente cruel. Sua especialidade é o jogo do ilusionismo em que as subjetividades supostamente esclarecidas ou iluminadas são reduzidas a meras objetivações de processos que não controlam. Não por acaso, Marx, o velho Karl, gostava da expressão representar: os que se julgam espertos e sabidos são exatamente os que representam com maior vigor as forças sistêmicas que imaginam manipular. “Não sabem, mas fazem”, gargalhava o barbudo.


Na visão dos neoliberais, predomina a convicção de que o empresariado nacional é um mal desnecessário, apêndice incômodo do Estado munificente e do capital estrangeiro inovador e dinâmico. Foi a partir desta reflexão profunda que se consolidou outra convicção, a de que era preciso abrir a economia e deixar o capital estrangeiro encarregar-se do crescimento. Sem dúvida estávamos lidando com especialistas avant la lettre em voragens da história: enfraqueceram a economia do país e aprontaram uma enorme vulnerabilidade do balanço de pagamentos.

Luiz Gonzaga Belluzzo é economista, professor da Unicamp e presidente do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação.

Le Monde Diplomatique Brasil

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

QUEBROU!

QUEBROU!
Uma irrefreável onda de vendas derruba o preço das ações,
causa pânico na Bolsa de Nova York e leva milionários à bancarrota.
Para onde vai a economia do país mais rico do mundo?

Um terremoto em Manhattan: investidores e curiosos amontoados diante da Bolsa de Valores de Nova York na 'quinta negra'

Um alvoroço incomum nos arredores da Bolsa de Valores de Nova York chamou a atenção do comissário de polícia da cidade, Grover Whalen, na última quinta-feira, dia 24. Por volta das 11 horas, um rugido cavernoso começou a escapar do edifício. Alguns minutos depois, já não era possível identificar se o bramido vinha de dentro ou de fora da Bolsa; uma multidão estrepitosa tomara as cercanias de Wall Street e Broad Street, como formigas rodeando um torrão de açúcar esquecido na pia da cozinha. Alarmado, o comissário logo enviou um destacamento especial para a região. A turba, contudo, não representava uma ameaça à ordem pública, como o oficial perceberia mais tarde. Com olhares horrorizados e incrédulos, os nova-iorquinos, espremidos uns aos outros, estavam inertes. Eles apenas esperavam, não se sabe ao certo quem ou o quê. Era o pânico.

Dentro do prédio, a consternação era semelhante, e estava ainda mais evidente na agitada face de corretores e operadores, protagonistas e testemunhas do acontecimento que pode mudar os rumos da economia mundial. Símbolo maior da pujança econômica dos Estados Unidos, o mercado de ações, que se tornou verdadeira mania nacional nesta década gloriosa para os americanos, via seu baluarte, a rica e poderosa Bolsa de Nova York, despedaçar-se em poucos minutos naquela que já entrou para os anais como a "quinta-feira negra". Uma onda súbita e sem precedentes de vendas tomou de assalto o pregão nova-iorquino. Ações outrora valorizadas simplesmente não encontravam novos compradores, nem mesmo por verdadeiras ninharias. Os preços dos papéis, fossem eles da United States Steel ou da American Telephone and Telegraph, caíam vertiginosamente, arrastando com eles as economias, esperanças e sonhos de milhares de americanos levados à bancarrota instantânea.

Vendendo a qualquer preço: operadores tentam se livrar dos papéis por ninharias


Desde então, Wall Street presenciou outras duas jornadas calamitosas – em 28 e 29 de outubro, "segunda-feira negra" e "terça-feira negra", este último o dia mais nefasto de toda a história do mercado mundial em volume de vendas e queda de preços –, que fornecem a incômoda impressão de que a incerteza e o temor vieram para ficar. As palavras otimistas dos políticos, banqueiros e magnatas, que deram um alento aos investidores após o crash do dia 24, já não surtem mais tanto efeito, ainda que insistam em anunciar uma suposta solidez da economia. Especialistas concordam que os últimos dias de outubro criarão seqüelas não só no mercado financeiro e na economia americana, mas também, por conseqüência direta, em todo o mundo. A real extensão do estrago, porém, só será dimensionada quando a poeira baixar. Ninguém, por enquanto, ousa dizer quando isso poderá acontecer.

Nos últimos anos, o fenomenal desempenho das ações parecia desafiar o adágio de que tudo que sobe deve descer. Há pouco mais de um mês, em 3 de setembro, o índice de ações industriais publicados pelo diário The New York Times atingia seu ápice histórico, com 452 pontos. Em 1925, o mesmo indicador registrava 159 tentos. A facilidade da compra de ações seduziu milhares de investidores, que colocavam todo o dinheiro que tinham, e especialmente o que não tinham, em pedaços de papéis certificados. Comprar ações "na margem" – pagando uma pequeníssima parcela do valor e tomando o restante emprestado do corretor ou do banco – era, até dias atrás, prática absolutamente comum e aparentemente segura. Afinal, como as ações não paravam de se valorizar, bastava vendê-las, quitar o débito com o credor e embolsar o lucro. A euforia era infinita.

Por trás dela, entretanto, escondia-se uma realidade para a qual os otimistas faziam vista grossa. Enquanto os preços das ações subiam, disparavam também os empréstimos dos corretores – no final do verão americano, o montante chegara a sete bilhões de dólares –, tornando a especulação a grande alavanca desse crescimento. Não havia, assim, segurança ou liquidez nessa enxurrada de capital que desembarcava em Nova York. Mas a aparência firme do mercado fazia dissipar qualquer preocupação com os empréstimos, e a especulação encontrava campo aberto e convidativo para se alastrar e aumentar ainda mais o valor das ações.

População alarmada: nos arredores de Wall Street, expectativa pela recuperação

Algumas vozes já vinham predizendo, nos últimos meses, um estouro da bolha especulativa que alimentava os estratosféricos índices da Bolsa de Nova York. E não havia nesses oráculos nenhum tom sobrenatural – apenas o escrutínio dos fatos e as lições de quebras passadas. Contudo, alertar para essa situação significava ser tachado de destrutivista ou anti-patriota. O teórico Roger Babson, que, no início de setembro, cunhou seu agora célebre vaticínio – "mais cedo ou mais tarde, o crash virá, e poderá ser tremendo" –, foi ironizado, desacreditado e assacado pelos guardiões de Wall Street. Entretanto, uma análise minuciosa mostra que, desde então, no restante dos meses de setembro e outubro, o mercado já vinha se mostrando demasiado irregular, com ligeira curva decrescente, apesar de o entusiasmo com o bull market (o mercado altista) ainda caracterizar a Bolsa de Nova York.

A situação ganhava contornos mais alarmantes e dramáticos quando se notava que também outros indicadores econômicos nos Estados Unidos vinham apresentando declínio acentuado neste ano. Os índices da produção industrial e fabril estavam em queda desde junho, bem como a produção de aço. A construção de casas seguia o ritmo decadente dos últimos anos. Ainda assim, o banqueiro Charles E. Mitchell, presidente da diretoria do National City Bank, garantiu numa visita à Alemanha, no último dia 15, que nada seria capaz de deter o vigoroso movimento ascendente. "Os mercados em geral estão em uma condição salutar. Os valores têm uma base sólida na prosperidade geral do país", festejava. Já o professor Irving Fisher, catedrático da Universidade de Yale e respeitadíssimo economista, foi mais direto. "O preço das ações alcançou o que parece ser um nível permanentemente elevado. Espero ver, dentro de poucos meses, o mercado de valores bem mais alto do que está hoje." Como se constataria em poucos dias, não apenas o provérbio sobre subir e descer se fez valer, ainda que de forma tardia. Outro ditado também mostrou sua força: quanto maior a altura, maior a queda.

As primeiras horas do pregão de 24 de outubro em Wall Street passarão às páginas da história como responsáveis por abrir o alçapão em que sucumbiu a Bolsa de Nova York neste fim de década. Não se chegou, até agora, a uma explicação plausível sobre o frenesi que levou os investidores a se desfazerem, literalmente a qualquer custo, de suas antes preciosas ações naquela quinta-feira. Mas desde o início da semana as vendas já se mostravam significativas, e os índices desciam escadaria abaixo. Com o grande volume de negócios, os tickers instalados nas corretoras ao redor do país – máquinas que imprimem em fita as cotações dos papéis selecionados – não davam conta de atualizar as cotações em tempo real. Ainda na segunda-feira, o ticker só terminou de trazer o péssimo resultado daquele dia uma hora e quarenta minutos após o fechamento. Quando os investidores percebiam que poderiam estar arruinados, já era tarde demais para tomar qualquer providência. Mesmo assim, 6.091.870 títulos mudaram de mãos, no que se tornou o terceiro maior volume de negócios da história da Bolsa.

O 'ticker' pifou: cotações atrasadas

Na quarta, véspera do primeiro colapso, depois de um começo tranqüilo, vendas massivas de ações de acessórios de automóveis foram registradas; pouco depois, toda a lista entrava na dança. Apenas na última hora do pregão, 2.600.000 ações foram vendidas. A média industrial do Times despencou de 415 para 384, o que representou, na prática, a anulação de todo lucro registrado desde o fim de junho. Para piorar, a queda levou à convocação de um sem-número de investidores para pagamento do aumento da margem. Muitos não tinham nenhuma economia; todo o dinheiro estava aplicado nas ações. Não havia outra alternativa, então, senão se desfazer dos papéis para recuperar o investimento – ou o que restava dele. A essa altura, milhares de pessoas já haviam decidido abandonar o barco enquanto, imaginavam, ainda havia uma saída viável. Ela não existia.

Foi quando veio, finalmente, a quinta-feira negra. O volume de vendas no início do dia foi inacreditavelmente grande, o que fez os preços cederem com notável rapidez. Novamente, o ticker atrasava, retardando a revelação da catástrofe iminente. Dominadas pelo medo, mais e mais pessoas decidiam vender suas ações. As que não conseguiram atender às chamadas para o pagamento do aumento da margem estavam simplesmente liquidadas. Por volta das 11h30, os reflexos do pânico já haviam se alastrado: onze conhecidos especuladores haviam cometido suicídio. As bolsas de Chicago e Buffalo fecharam. O clima dentro da Bolsa de Nova York era desesperador: pouco depois do meio-dia, funcionários cerraram a galeria dos visitantes para que nenhum curioso testemunhasse as cenas de agonia que se descortinavam no salão abaixo.

Efeito devastador: fila para saque em um banco do estado de Massachusetts

Ao mesmo tempo, os banqueiros convocavam uma força-tarefa emergencial para agir de imediato. Em uma reunião no escritório do J. P. Morgan, na mesma Wall Street, diversos mandarins do dinheiro – entre eles Charles E. Mitchell, do National City Bank, Albert H. Wiggin, do Chase National Bank, e Thomas W. Lamont, do Morgan – decidiram despejar caminhões de verdinhas na Bolsa para escorar o mercado. Finda a reunião, Lamont recebeu os repórteres para uma série de declarações apaziguadoras. "Houve uma pequena aflição na Bolsa de Valores, devido a um requisito técnico do mercado. Mas as coisas são suscetíveis de melhorar", garantiu, impávido, o célebre banqueiro. Pouco tempo depois, Richard Whitney, chefão da Richard Whitney & Co., apareceu no salão da Bolsa e ofereceu 205 dólares por 10.000 ações da United States Steel, cotadas naquele momento a míseros 190. Whitney fez encomendas semelhantes de diversas outras empresas. Em um piscar de olhos, a recuperação desabrochava.

Boa parte do fervor das vendas era determinado por investidores que queriam apenas parar de perder, e estavam dispostos a se desfazer de suas ações por qualquer valor. Com isso, os papéis desprezados retornavam ao mercado e faziam os preços caírem mais ainda. O dinheiro dos banqueiros e a nova alta interromperam essa reação em cadeia, substituindo o medo de perder pela vontade de ganhar. Os preços então voltaram a subir, e o balanço do dia registrou uma recuperação notável – a média industrial do Times fechou apenas 12 pontos abaixo do dia anterior. O que fez o dia 24 de outubro tão significativo – e trágico – foi o volume total de vendas: 12.894.650 transações, recorde absoluto da história de Wall Street. Nessa dança, para inúmeros americanos já não adiantava mais que o mercado tivesse se recuperado: ao vender suas ações na baixa, estavam quebrados
O banqueiro Lamont: 'pequena aflição'

Sexta-feira e sábado, 25 e 26 de outubro, foram dias de relativa calmaria nos mercados. Os preços se mantiveram firmes. Corretoras seguiam trabalhando diuturnamente para colocar os negócios em dia. Representantes das 35 maiores firmas do mercado tiveram uma reunião nos escritórios da Hornblower and Weeks na sexta e emitiram um comunicado para a imprensa. "O mercado está fundamentalmente sólido e tecnicamente em melhores condições do que estivera durante meses." Uma mensagem da corretora anfitriã completou o panorama animador: "A começar com as transações de hoje, o mercado deve iniciar o assentamento das fundações para o progresso construtivo que, acreditamos, caracterizará 1930." Como essa, houve no fim de semana uma série de análises e perspectivas favoráveis ao mercado altista. Mas a chegada da segunda-feira trouxe uma ducha de água gelada a todas elas, e solidificou a percepção de que o bear market, o tão temido mercado baixista, era inevitável e irreversível.

O volume de vendas do dia 28 foi bem menor que o da quinta-feira: cerca de 9.250.000 ações. O grande problema foi o tombo: as médias industriais do Times despencaram 49 pontos. Os banqueiros reuniram-se outra vez no escritório da J. P. Morgan, desta vez no fim da tarde, num encontro que durou duas horas e que, para desespero dos corretores, não culminou em nenhuma ação de resgate ou salvamento. Ao contrário: o resumo da reunião fornecido à imprensa relatava que os abastados executivos decidiram não agir, porque não estava "dentro da finalidade dos banqueiros manter qualquer nível determinado de preços ou proteger o lucro de quem quer que fosse". Os magnatas estavam preocupados apenas em que não existissem "vácuos" – ações sem compradores –, para que assim o mercado mantivesse sua ordem. Já estava claro, a essa altura, que a situação já fugia a qualquer controle. Não havia mais promessas a serem feitas. A ruína se avizinhava.

Toda a tragédia, assim, se convergiu para a terça-feira negra, 29 de outubro de 1929, data devastadora para a Bolsa de Nova York e todos os mercados mundiais. Logo no início da manhã, uma enxurrada de papéis foi colocada à venda – e em muitos casos, lotes e lotes não encontraram compradores, pesadelo mais temido pelos banqueiros. As ações da White Sewing Machine Company, que nos meses anteriores chegaram a 48 e fecharam na véspera a 11, foram negociadas a 1 dólar. A United States Steel, socorrida por Richard Whitney na quinta-feira anterior a 205 a ação, fechou em 174. Na média, os piores desempenhos da jornada foram os dos papéis dos consórcios de investimentos, cuja trajetória nos últimos anos era de dar inveja a qualquer indústria. A Goldman Sachs, que terminara a segunda-feira cotada a 60, fechou a 35. Seu fundo de investimento Blue Ridge, que no começo de setembro era negociado por 24, prostrou-se a ínfimos 3 dólares a ação no fechamento da terça negra.

Turbulência de outubro: apesar dos discursos otimistas, nervosismo persiste em NY

Mais uma vez, os banqueiros acharam por bem não enviar missões de resgate à Bolsa. Pior: correram boatos de que os magnatas estavam na verdade vendendo suas ações – o que foi desmentido de forma oficial por Thomas W. Lamont, da J. P. Morgan. Mesmo assim, o prestígio dos bancos, tão em alta na quinta-feira, havia desmoronado junto com as ações. A população contava novamente com eles para a salvaguarda financeira do mercado, mas a decisão já estava tomada. Naquele dia, os piores pesadelos se reuniram em um pregão: o volume de vendas foi superior ao da quinta-feira-negra, com 16.410.030 ações trocando de dono, sem contar aquelas que não conseguiram ser vendidas mesmo com preços no atoleiro. As médias industriais do Times caíram quase nos mesmos patamares da véspera: 43 pontos, o que, na prática, anulava o lucro dos doze formidáveis meses precedentes.

Depois dessa terça-feira, entre mortos e feridos, ninguém se salvou. Se na primeira semana os cidadãos comuns foram as maiores vítimas da carnificina acionária, na seguinte, pelo tamanho dos lotes colocados à venda, pôde-se perceber que também os muito ricos perderam dinheiro ao se livrarem de seus papéis a preço de banana. Atordoados, especuladores à beira da bancarrota vagavam pela metrópole. O clima era soturno e melancólico, como a ressaca de uma inebriante celebração que acabara subitamente. A polícia de Nova York resgatou o corpo de um agente comercial das águas do rio Hudson. Além da roupa do corpo, seus únicos pertences eram 9,04 dólares e alguns avisos para pagamento do aumento da margem.

Em uma ironia dos infindáveis mistérios do mercado financeiro, as ações registraram surpreendentes ganhos no dia 30, com as médias industriais do New York Times tomando o elevador e subindo 31 pontos – e sem nenhum apoio organizado para tanto. Talvez o discurso de tranqüilização, repetido em coro por todos os mandas-chuvas, tivesse surtido efeito. O subsecretário de Comércio dos Estados Unidos, Julius Klein, foi ao rádio na noite do dia 29 para lembrar à população que o presidente Herbert Hoover dissera que os negócios elementares do país ainda resistiam. "O ponto principal que eu quero destacar é a solidez fundamental da maior parte das atividades econômicas", defendeu. O homem mais rico do mundo, John D. Rockefeller, quebrou um silêncio que já durava várias décadas e reapareceu em público para dizer que estava comprando ações (leia reportagem nesta edição). No último dia do mês, em pregão de apenas três horas, nova alta permitiu um respiro ao mercado.

O nervosismo, porém, ainda é latente em Wall Street e nas outras Bolsas ao redor do planeta. Já se provou nos últimos dias que a vontade do mercado é incontrolável, e seu furor, devastador. Os escritórios de corretagem já anunciaram que não darão folga aos funcionários no primeiro fim de semana de novembro, quando a Bolsa, mesmo com o mercado suspenso, abrirá seus salões para a conclusão de negociações e correção de erros gerados pela turbulência do crepúsculo de outubro. A gravidade da situação pode ser percebida até mesmo na curiosa e atabalhoada tentativa do jornalista Arthur Brisbane, editor da cadeia de jornais Hearst, de levantar o moral dos americanos. "Para se consolar, se você perdeu, pense na gente que vive perto do monte Pelée, que recebeu ordem para abandonar suas casas", escreveu o colunista, citando o furioso vulcão que já matou 30.000 pessoas no Caribe desde o começo do século. Não seriam poucos os investidores falidos, de ventas ao chão, que prefeririam estar na calorosa vizinhança do vulcão da Martinica – mas ainda com dinheiro para comer um cachorro quente com Coca-Cola.

Revista Veja

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Crise econômica lembra lições de 1929


Há 80 anos o Brasil sofreu com a Grande Depressão, mas saiu dela com relativa rapidez

HERBERT CARVALHO

Desde a quebra do centenário banco de investimentos Lehman Brothers, no ano passado, o espectro da crise de 1929 ronda o mundo. Oitenta anos após o crash da Bolsa de Nova York, as comparações com a crise atual são inevitáveis: ambas começaram a partir de uma desenfreada especulação no sistema financeiro americano e gradativamente contaminaram o setor produtivo dos EUA, espalhando a seguir a contração econômica e o desemprego por todo o planeta. Considerando o capitalismo um regime oficialmente implantado na era das revoluções americana e francesa, seu verdadeiro teste de sobrevivência se deu após a célebre "quinta-feira negra" de 24 de outubro de 1929. Nesse dia, quase 13 milhões de ações mudaram de mãos no mercado de valores nova-yorkino por preços próximos do zero, destruindo os sonhos daqueles que as possuíam e levando os Estados Unidos a encerrar uma década de abundância material e euforia social para mergulhar, assim como o restante do mundo, na Grande Depressão.

John Kenneth Galbraith, autor de vários livros sobre a crise de 1929, cunhou uma expressão para resumir seu significado: "A única coisa certa é que algum dia, sem falta, haverá outro desastre semelhante". Para o economista e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, não há que se falar em desastre, já que em sua visão capitalismo e crise são inseparáveis: "No exato momento em que as instituições se alteram em razão de uma crise, a crise futura já está nascendo. Na verdade, são as crises que tornam mais eficiente o capitalismo, que sai delas sempre melhor do que entrou".

Para melhor compreensão da crise atual e de seus reflexos para o país a partir de uma perspectiva histórica, Problemas Brasileiros traça um paralelo entre os dois momentos críticos do capitalismo e suas consequências políticas, tanto nos EUA como no Brasil.

Rothschilds instantâneos

Como aconteceu até janeiro deste ano, em 1929 os Estados Unidos viviam sob a égide do Partido Republicano, com inabalável fé no liberalismo econômico e no princípio de que os mercados devem se autorregular, sem interferência do governo. Após a Primeira Grande Guerra, o eixo da economia mundial transferira-se para este lado do Atlântico e o dólar aos poucos substituía a libra esterlina como moeda de troca internacional.

Os EUA, que já haviam superado os europeus na exploração econômica da América Latina, foram os grandes beneficiários do conflito: durante as hostilidades, exportaram artigos manufaturados aproveitando-se da prioridade dada à produção bélica pela indústria dos países em guerra; concertada a paz, passaram a financiar a reconstrução da Europa devastada. Esses fatores fizeram proliferar e desenvolver-se empresas industriais, agrícolas, minas, bancos e companhias de seguros que rapidamente se transformaram em sociedades anônimas de capital aberto. Empreendedores oriundos de camadas humildes prosperaram da noite para o dia engendrando o mito do self-made man e seu complemento, o American way of life, um estilo de vida baseado na ilusão de que a prosperidade não tem limites. Não por acaso, ao ser eleito em 1928, o republicano Herbert Hoover afirma: "Os EUA hoje estão mais perto do triunfo final sobre a pobreza do que nunca na história de qualquer país".

Os americanos, porém, estavam na realidade às vésperas de perder seus empregos e de ser jogados na miséria das Hoovervilles, como se tornaram conhecidas as enormes favelas que surgiram nas grandes cidades americanas, que em nada ficavam a dever às nossas Rocinhas de hoje.

Tomadas por uma espécie de epidemia que grassou em todas as classes sociais, as pessoas, impregnadas pela fantasia do enriquecimento rápido e fácil, aplicavam todas as suas economias no mercado de ações. Barbeiro ou banqueiro, engraxate ou homem de negócios, todos apostavam e todos ganhavam; a única questão que surgia na cabeça de muita gente era por que não haviam pensado nisso antes. Ignorando os indícios de que a recessão já chegara ao campo e que a superprodução, descolada da demanda, se instalava na indústria, os incautos tornaram-se vítimas de uma insensatez coletiva que, em menor grau, se manifesta também na crise atual, igualmente gerada na ciranda financeira, que Galbraith explica de maneira singela: "A bolsa de valores é inerentemente instável, e a instabilidade se relaciona com sua capacidade soberbamente orquestrada de atrair pessoas com a promessa de riqueza sem esforços. No final da década de 1920, os Estados Unidos estavam repletos de Rothschilds instantâneos". Se assim era naquela época, imagine-se nos dias que correm, quando os estoques dos chamados "derivativos financeiros" (produtos da especulação que geram mais especulação) atingem a fantástica cifra de US$ 1 quatrilhão – valor basicamente virtual, pois equivale a 20 anos da produção mundial.

Quando a Bolsa entrou em parafuso na última semana de outubro de 1929, afogada por um repentino tsunami de ordens de venda que pulverizaram os preços das ações, a euforia transformou-se em desespero. À beira da exaustão, corretores choravam e arrancavam o colarinho da camisa enquanto imensas fortunas se dissolviam como açúcar na água. As piadas macabras da época diziam que com cada pacote de ações do Goldman Sachs o investidor recebia um revólver e que quando alguém pedia um quarto em um hotel o recepcionista perguntava: "É para dormir ou para pular?"

Nos meses seguintes desapareceram 9 milhões de contas de poupança, 85 mil empresas faliram, os salários encolheram 40% e os famintos na fila do pão somavam 2 mil por dia num único distrito de Nova York. Em 1932, quando o democrata Franklin Delano Roosevelt impôs a Hoover uma derrota por 472 votos contra 59 no colégio eleitoral – bem mais acachapante do que o placar de 365 a 173 de Barack Obama contra o republicano John McCain –, 25% dos americanos estavam desempregados e vagavam à míngua por um país que tivera seu produto nacional bruto reduzido a metade do que fora quatro anos antes.

Modelo em xeque

A quebra do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil em cheio em 1929, fazendo desabar o preço do café, então responsável por 70% das exportações do país. Mais do que isso, colocou em xeque o modelo agrário exportador vigente desde a Independência e que, na passagem da monarquia para a república, se alterara apenas pela substituição da mão-de-obra escrava pela de imigrantes assalariados.

Esse modelo já estava em crise desde o fim do século 19, quando a cotação do café no mercado internacional começou a cair, devido ao excesso de oferta decorrente da emergência de outros países produtores. O preço do produto vinha sendo sustentado desde 1906 pelo Convênio de Taubaté, artifício engendrado pelas oligarquias cafeeiras de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, por meio do qual os governos dos três estados produtores adquiriam os excessos de estoque – ao final da década de 1920, o Brasil produzia 21 milhões de sacas anuais para um consumo mundial de 22 milhões. Como resultado, em outubro de 1929 os fazendeiros ainda estavam exportando a safra de 1927, enquanto a safra de 1928 estava toda retida nos armazéns de valorização do café gerenciados pelo Instituto do Café, criado em São Paulo em 1924. Quando o custo da estocagem se tornou insuportável, a solução foi a queima pura e simples do excedente.

Ocorre que toda essa engenharia financeira era baseada em empréstimos externos avalizados pelo governo federal, não por acaso controlado durante toda a República Velha (1889-1930) pelos cafeicultores. Dessa forma, a crise mundial chega ao país não apenas fazendo desabar as encomendas, em razão da recessão que atingia escala planetária, mas também fechando a torneira do crédito: um empréstimo de US$ 50 milhões solicitado pelo governo federal brasileiro para permitir que o Instituto do Café ajudasse os fazendeiros é negado por Wall Street. O crédito sumira, mais ou menos como ocorre na atual crise.

A política de valorização do café provocava inflação, prejudicando a população urbana e absorvendo recursos que os outros estados reclamavam para a valorização de seus próprios produtos de exportação, como o charque e os couros do Rio Grande do Sul. Como resultado, pela primeira vez cindem-se as oligarquias que dominavam o Brasil desde os tempos coloniais, resultando, no plano político, na formação da Aliança Liberal, que trazia uma inédita dobradinha entre um gaúcho, Getúlio Vargas, para presidente, e um paraibano, João Pessoa, para vice. Quando esta é derrotada pelas urnas fraudadas que então imperavam, estala a Revolução de 1930, amparada pelas massas urbanas revoltadas pela socialização do prejuízo, tantas vezes praticada ao longo de nossa história.

Com o movimento armado que em apenas 20 dias apeia do poder o paulista Washington Luís – enviado ao exílio na companhia do também paulista Júlio Prestes, o presidente eleito que não chega a assumir –, finda-se uma era: a queda abrupta das exportações e também das importações dos produtos manufaturados que dependiam da receita do café provoca a ruína, a desonra e a desgraça de famílias outrora abastadas; fazendeiros se suicidam, e os jornais trazem cotidianamente notícias de falências, concordatas e tragédias como a do palacete da Rua Piauí, no bairro paulistano de Higienópolis, onde o empresário afogado em dívidas Abelardo Laudel de Moura se arma com uma navalha, degola os filhos pequenos e se mata em seguida.

New Deal caboclo

O Brasil de 1930 era um país agrário-exportador com uma população de 37,6 milhões de habitantes, cinco vezes menor que a atual. A expectativa de vida do brasileiro não passava de 39 anos para homens e 42 para mulheres, quase a metade do que é hoje. A principal matriz de transporte, além da navegação de cabotagem, era a ferroviária. Rodovias, usinas hidrelétricas e siderúrgicas eram poucas ou inexistentes. A indústria incipiente concentrada em São Paulo, com mão-de-obra de imigrantes estrangeiros, restringia-se aos segmentos de bens não-duráveis e semiduráveis.

Com a crise de 1929 e o colapso da produção no campo, a população rural, até então maioria absoluta, reforça o processo de migração para as cidades, oferecendo a mão-de-obra barata e abundante de que a indústria necessitava para desenvolver-se. Urbanização e industrialização seriam, daí por diante, os fatores a balizar a modernização do país. Caberia ao latifundiário Getúlio Vargas administrar a passagem da hegemonia política e econômica do campo para a cidade, com forte intervenção do Estado.

Guardadas as proporções e as diferenças, o Brasil reproduzia a recuperação econômico-social do New Deal, comandado nos EUA por Franklin Roosevelt, um senhor rural do vale do rio Hudson que despertou entre seus pares da classe alta uma hostilidade sem precedentes, em razão de suas medidas consideradas estatizantes e em defesa da classe trabalhadora. Embora de raça e origem social opostas, o presidente Obama tem em Roosevelt seu paradigma de estadista, em razão dos desafios semelhantes que as respectivas crises econômicas colocaram perante ambos. As principais medidas do New Deal – expressão cunhada durante a campanha eleitoral de 1932, na qual Roosevelt declarou que assumia um "novo trato" com o povo americano –, inspiradas nas ideias do economista inglês John Maynard Keynes, foram: concessão de empréstimos públicos a empresários urbanos e rurais em dificuldades; controle estatal da produção e dos preços de boa parte dos produtos industriais e agrícolas; construção de grandes obras públicas para absorver os desempregados; instituição do salário mínimo, proibição do trabalho infantil e das horas extras, elevação dos salários, redução da jornada de trabalho e legalização dos sindicatos; criação do seguro-desemprego e da previdência social.

Embora tenham prevalecido por décadas, até ser contestadas pelo neoliberalismo do republicano Ronald Reagan, as instituições criadas pelo New Deal só atingiram resultados significativos quando os EUA começaram a se beneficiar das encomendas militares, que transformaram o país em um verdadeiro arsenal às vésperas da Segunda Guerra Mundial e durante esse conflito.

O New Deal caboclo adotado por Vargas, em escala bem mais modesta, também permitiu ao Brasil sair da crise com relativa rapidez, iniciando um ciclo com taxas médias anuais de 7% de crescimento, que prevaleceriam até o final dos anos 1970, no ocaso da ditadura militar. Na agricultura, o governo comprou e queimou o excedente do café (entre 1931 e 1944 foram incinerados 78,2 milhões de sacas, quantidade equivalente ao consumo mundial de três anos), proibiu o plantio por cinco anos e estimulou outras culturas de exportação, como o algodão, que também se destinava ao consumo interno, absorvido pela crescente industrialização. Entre 1933 e 1939 a indústria brasileira cresceu em média 11,2% ao ano, concentrando-se em metalurgia de pequeno porte e bens de consumo como papel e papelão, têxteis, vestuário e calçados.

A marca mais duradoura da era Vargas, entretanto, verificou-se nas relações laborais, de modo a aplacar os até então agudos conflitos entre capital e trabalho, considerados durante toda a República Velha como assuntos da polícia, que reprimia greves e manifestações operárias de maneira sangrenta. Uma das novidades do governo provisório já em 1930, o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio introduziu a Carteira Profissional e regulamentou a duração da jornada em oito horas diárias, as férias e o descanso semanal remunerado, o trabalho das mulheres e dos menores. Todos esses dispositivos, incluindo o direito de organização sindical de patrões e de empregados, iriam fazer parte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a partir da década de 1940, quando também começa a atuar a Justiça do Trabalho. Os institutos de aposentadoria e pensões, englobando categorias profissionais em âmbito nacional, surgiram também a partir de 1930, embora a legislação não contemplasse os trabalhadores rurais, o que somente veio a acontecer meio século depois, na Constituição de 1988.

A exemplo do que ocorreu com o New Deal nos EUA, o regime de garantias laborais – apesar de contestado até hoje pelos setores conservadores de ambos os países – contribuiria para colocar renda nas mãos dos trabalhadores, transformando-os em consumidores de um mercado interno cada vez mais forte, que na atual conjuntura está sendo apontado como a principal alternativa da economia brasileira contra as dificuldades externas. Na política, elas representariam a base para Vargas, deposto em 1945, voltar ao poder eleito pelo povo na década de 1950, quando diria em um discurso de 1o de Maio, dirigindo-se aos trabalhadores: "Hoje estais com o governo. Amanhã sereis governo". A profecia cumprir-se-ia com a eleição em 2002 do líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, que em seu segundo mandato tem agora a dura tarefa de enfrentar a crise internacional, após ter surfado durante quatro anos nas ondas de vacas gordas da economia mundial.

Pós-crise

Felizmente, tanto no Brasil como no mundo, há mais diferenças conjunturais do que semelhanças entre as duas crises. A primeira delas é que, apesar do discurso neoliberal, o governo americano assustou-se diante do pânico financeiro e da hecatombe bancária que se desenhava após a quebra do Lehman Brothers e interveio pesadamente com auxílios que, só no caso do Citigroup, superaram os US$ 300 bilhões, o que não ocorreu na crise de 1929, quando bancos faliram um após outro, desabando como um castelo de cartas. Em um movimento sem precedentes que envolveu trilhões de dólares ao redor do mundo desenvolvido, bancos centrais e governos assumiram ativos podres e estatizaram parcialmente instituições financeiras, para evitar o desastre maior.

O mundo neste início de século 21 também é outro: apesar do refluxo no comércio internacional, da exiguidade do crédito e da ameaça de retorno a um protecionismo comercial exacerbado, a simples existência de países emergentes com grandes mercados internos, como é o caso dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), oferece a perspectiva de que desta vez, ao contrário das crises anteriores, serão os países ricos os mais afetados.

Em termos estruturais, porém, a situação pós-crise reclama novas instituições reguladoras, que impeçam o surgimento de bolhas e façam respeitar elementares regras de segurança financeira, pois o próprio mercado já não confia nas chamadas agências de classificação de risco, que distribuíram num dia certificados AAA para títulos que, 24 horas depois, revelaram-se micados.

No plano da economia real, a derrocada das montadoras americanas indica não apenas a continuidade da transferência desse tipo de indústria manufatureira dos EUA para outros continentes, mas também a mudança de paradigmas, com vistas a conciliar eficiência e preservação ambiental. Esse e outros desafios, como o de fortalecer as instâncias multilaterais de negociação desprezadas durante a era Bush, exigem do presidente Obama uma postura de estadista no nível de seu predecessor Franklin D. Roosevelt.

Juros e custeio

Como parte do mundo globalizado, o Brasil de 2009 não está imune aos efeitos da crise, que terá como provável consequência imediata a redução no crescimento impetuoso do PIB, da ordem de 5% ao ano, que se verificava já por quatro anos seguidos. A saúde econômica atual do país permite, contudo, olhar tanto para o futuro como para os 80 anos decorridos desde a crise de 1929 com uma visão confiante.

O Brasil industrializou-se de maneira acelerada desde os anos 1930 e após um longo período de substituição de importações abriu, em 1990, seu mercado interno à concorrência dos produtos importados, conferindo à indústria nacional um novo patamar de competitividade. Além de commodities agrícolas (como a soja) e minerais, hoje exportamos produtos manufaturados e até aviões, com uma postura de autêntico global player, ou seja, de um país que vende de tudo para todos os mercados, pois nossos compradores também se diversificaram, em especial nas últimas décadas.

Com a inflação sob controle desde a implantação, em 1995, do Plano Real, hoje o Brasil, além de estar livre do problema da dívida externa – um tormento para os sucessivos governos durante todo o século passado –, exibe reservas superiores a US$ 200 bilhões. A dívida pública, embora elevada em razão da política de juros altos em prática desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mantém-se abaixo de 40% do PIB.

Outro trunfo importante obtido ao longo dessas oito décadas foi a persistente redução das desigualdades regionais e, mais recentemente, das sociais. A marcha para o oeste e a construção de Brasília aceleraram a integração das regiões norte e centro-oeste ao processo de desenvolvimento, ao mesmo tempo em que a indústria deixava de ser uma exclusividade do sul e do sudeste. E, de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nos últimos quatro anos a classe média brasileira aumentou de 42% para 52% da população, ao mesmo tempo em que o percentual de pobres e indigentes caía de 35% para 24% do total. Esses números indicam o fortalecimento do mercado interno e da renda das famílias em razão dos programas de transferência de renda, da valorização do salário mínimo e da geração de empregos formais, que no primeiro semestre de 2008 alcançou o recorde de 1,36 milhão de novos postos de trabalho.

Entretanto, se é certo que no Brasil a crise financeira não se manifestou internamente a não ser num punhado de empresas que especulavam com derivativos cambiais e foram atropeladas pela alta do dólar, também é verdade que aqui o grande escândalo financeiro reside na própria taxa oficial de juros, que continua a maior do mundo.

Na opinião do economista Paulo Rabello de Castro, presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), este é o momento de mudar a política monetária praticada pelo Banco Central: "O Brasil não favorecerá quem verdadeiramente investe e produz enquanto não enfrentar a contradição de que as taxas de juro funcionam como freio quase permanente ao progresso sustentado. Um país que persiste em manter alta a taxa de juro não pode almejar a uma estabilidade duradoura". O ex-ministro Delfim Netto concorda e acrescenta que além dos juros o governo federal precisa cortar gastos de custeio, de modo a poder liberar recursos para investimentos públicos, como as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a exploração do petróleo do pré-sal.


O fantasma do protecionismo

A professora de economia da Fundação Getúlio Vargas Eliana Cardoso, preocupada com a retração de 12,4% da produção industrial verificada em dezembro de 2008 sobre o mês anterior (14,5% de queda, em relação ao mesmo período do ano anterior), acha que até é possível o Brasil passar por uma "recessão técnica", ou seja, uma redução no PIB por dois trimestres consecutivos.

"Durante cinco anos desfrutamos de um cenário mundial excepcional, com farto crédito externo e constantes altas dos preços das commodities, que ainda representam 50% de nossas exportações. De repente esse quadro se inverteu: o crédito sumiu e os preços despencaram pela metade. Felizmente, a situação fiscal brasileira é bem melhor do que em crises passadas", avalia Eliana. "Hoje o endividado é o setor privado, enquanto o governo acumulou reservas e conta com a queda da Selic para melhorar a relação entre o PIB e a dívida pública" acrescenta.

Embora aceite o argumento de que o poder público deve atuar com energia para restringir o desemprego, Eliana acha que a disposição do Banco Central de emprestar até US$ 36 bilhões das reservas internacionais às empresas brasileiras com dívidas no exterior pode representar uma "socialização do prejuízo". "Quem garante que essa ajuda será suficiente? Se não for, mais uma vez o contribuinte arcará com o ônus", adverte.

A professora acredita, entretanto, que o mais grave fantasma a exorcizar da crise de 1929, no Brasil e no mundo, é o do protecionismo. "Na década de 1930 essa prática adotada pelos EUA, com a lei tarifária Smoot-Hawley, agravou a depressão. Desembocou em nacionalismos extremados e na guerra. Essa lição da história está sendo esquecida", ela diz, apontando uma contradição: "Em janeiro, ao mesmo tempo em que no Fórum Econômico Mundial em Davos 44 países divulgavam um documento a favor do livre comércio, em Bruxelas a União Europeia anunciava um aumento de 85% nas tarifas de produtos chineses para o setor automotivo".

Nos Estados Unidos, ao discurso anti-China do secretário do Tesouro de Obama, Timothy Geithner, somaram-se as emendas "buy American" adicionadas pelo Congresso ao pacote econômico do presidente, que podem afetar as exportações brasileiras para aquele país.

No Brasil, o governo chegou a anunciar a exigência de licença prévia de importação para 3 mil produtos de 17 setores, mas voltou atrás. Eliana Cardoso vê todos esses movimentos com muita preocupação: "O comércio internacional é o grande propulsor dos ganhos de produtividade e das inovações tecnológicas. Por maior que seja, o mercado local será sempre menor e insuficiente para compensar a perda do mercado externo", explica a professora, segundo a qual o Brasil deve se juntar a outros países e protestar na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os aumentos de tarifas e a política de subsídios praticada pelos EUA e pela União Europeia. Ela faz também um alerta em relação às barreiras não-tarifárias proibidas pelos tratados internacionais de comércio, como as licenças de importação. "É uma medida absurda, que só a Argentina usa. Pode gerar milhares de ações na OMC."

Revista Problemas Brasileiros