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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

As primeiras palavras de Deus

Há cinqüenta anos, dois beduínos encontravam centenas de pergaminhos enterrados no deserto. Hoje, setenta cientistas estão prestes a terminar a tradução dos Manuscritos do Mar Morto, os mais antigos textos bíblicos conhecidos.
por Ricardo Arnt
Como uma cabra mudou a História

Num final de tarde em abril de 1947, Juma Muhammed espreguiçou-se e decidiu que era hora de recolher o rebanho. Subiu em um rochedo, atrás de uma cabra, e aí algo chamou sua atenção: duas aberturas nas rochas. Eram cavernas, bem pequenas. Um homem teria que se espremer para entrar. Atirou uma pedra pelo buraco e ouviu o barulho de um vaso se quebrando. Desde Ali Babá, o que mais poderia haver numa caverna do deserto senão um tesouro? Juma chamou o primo que estava embaixo, Muhammed Ahmed (também conhecido como “Lobo”), e os dois examinaram a entrada. Como já estava escurecendo, resolveram voltar para o acampamento – as tendas dos beduínos nômades taamireh, na margem do Mar Morto, perto de Qumran – e retornar depois.
No dia seguinte, Lobo deu o golpe. Acordou de madrugada e correu à caverna sozinho. Esgueirou-se lá dentro e descobriu, contra o fundo, uma fila de jarros esguios e tampados. Havia entulho e cacos no chão. Penosamente, arrastou-se pelo chão e enfiou a mão em um deles. Nada. Vasculhou nove jarros freneticamente. Nada. No décimo, agarrou algo enrolado em tecido. Achou três rolos de pergaminho, envoltos em linho e couro. Abatidíssimo, foi acordar os primos sonolentos.
É claro que era um tesouro. Arqueológico. Naquela manhã, Lobo descobriu o mais antigo original existente do Livro de Isaías, da Bíblia, o Comentário de Habacuc (outro profeta judaico) e o Manual de Disciplina dos essênios – a seita de eremitas judeus que enterrou seus textos para protegê-los de um ataque romano no ano 68 d.C. Preservaram os escritos, mas o seu convento foi arrasado. Restam, hoje, as ruínas de Qumran.
Cinqüenta dólares
Os taamireh voltaram à caverna, tiraram os jarros de dentro, abandonaram-os na estrada e levaram os pergaminhos que acharam para Belém, mal dobrados nas bolsas. O Manual de Disciplina chegou partido em dois. A cidade estava sob Lei Marcial. Eram os últimos dias do domínio inglês, os judeus queriam a independência de Israel, havia combates e atentados. Em meio ao tumulto, ofereceram os rolos a mercadores, mas ninguém se interessou. Um sapateiro concordou em vendê-los em troca de comissão.
Em maio, um dos pergaminhos foi oferecido ao bispo Athanasius Samuel, da igreja cristã ortodoxa síria de Jerusalém, o primero a intrigar-se. De saída, percebeu que, se o manuscrito não fosse uma falsificação e tivesse vindo do Mar Morto, deveria ser antigo, pois aquela região era desabitada desde o começo do cristianismo. Um mês depois, o sapateiro lhe vendeu cinco rolos por um preço jamais revelado. Diz a lenda que custou 50 dólares.
Recuando a História
Em março de 1948, os exames paleográficos confirmaram: o Livro de Isaías era do ano 100 a.C. Imagine-se o nervosismo. O mais antigo original existente do Velho Testamento era da Idade Média. A destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70, não poupou documentos. A mais velha Bíblia judaica, encontrada em Alepo, na Síria, era do século X. O mais remoto documento judeu existente era uma Mishná, o código dos rabinos, do ano 200. Quanto ao Novo Testamento (cristão), o original mais antigo era o Papiro John Ryland, um fragmento do Evangelho de São João, do ano 125, em grego, da Biblioteca John Ryland, da Universidade de Manchester, Inglaterra.
Os manuscritos, portanto, eram provas materiais de uma história passada 2 000 anos antes. Tão logo a notícia se espalhou, beduínos e arqueólogos vasculharam 267 cavernas na região de Qumran. De 1951 a 1956, o padre Roland de Vaux, da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, escavou as ruínas, então desconhecidas, e descobriu o convento dos essênios (leia na página 54).
No total, cerca de 900 manuscritos, escritos em hebraico, aramaico e grego, foram achados em mais dez cavernas, numeradas, então, de 1 a 11. Outros sítios arqueológicos associados a Qumran, também com pergaminhos, foram descobertos, como a fortaleza judaica de Massada, no sul do Mar Morto. Muitos rolos estavam em bom estado, mas a maioria não resistiu aos séculos e despedaçou-se. A caverna 4 enlouqueceu os paleógrafos: continha 575 dos 900 manuscritos, mas em 15 000 pedaços, alguns do tamanho de uma unha. Antes da tradução, um quebra-cabeças infernal, faltando peças, devia ser montado.
“Os manuscritos são a maior descoberta arqueológica do século”, disse à SUPER o padre católico e filólogo Emile Puech, da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa, um dos tradutores. “Basta considerar sua idade, diversidade e conteúdo.” Outro tradutor, o teólogo Eugene Ulrich, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, especifica: “É a mais importante descoberta da história religiosa do Ocidente.”
O arquivo dos essênios revelou pergaminhos do ano 225 a.C. ao ano 65 d.C., contemporâneos, portanto, de Jesus Cristo (que morreu no ano 33, aproximadamente). Possuía originais de 22 dos 23 Livros do Antigo Testamento (a exceção é o Livro de Esther) e vasta literatura não bíblica. Tem, assim, a mais antiga palavra registrada do Deus judaico-cristão: um fragmento do Livro de Samuel, do ano 225 a.C., achado na caverna 4.
Graças à descoberta, as cópias do Antigo Testamento feitas por gregos, latinos, sírios, etíopes e bizantinos, durante séculos, podem ser conferidas. Os manuscritos iluminaram a história do judaísmo e as raízes do cristianismo.
O cofre dos donos da verdade
Essênios e cristãos habitaram os mesmos lugares na mesma época. Essa vizinhança transformou o estudo dos manuscritos numa tarefa nervosa. Cada pergaminho desenrolado prometia revelações espetaculares. Só que não houve nenhuma. Não há menção ou alusão a Jesus Cristo nos 900 manuscritos, quase todos já traduzidos. Nenhumazinha. E as supostas identidades entre os textos de Qumran e os evangelhos cristãos foram rejeitadas pela maioria dos estudiosos. Isso significa que os essênios eram uma seita à parte, distinta daquela que os cristãos formavam.
Na época, o que não faltava eram seitas. Havia fariseus, saduceus, hassidim, zelotas, sicários, betusianos e cristãos. Os essênios eram poucos, mas sua conduta exótica atraiu a atenção de historiadores como Flávio Josefo (37-100), Plínio, o Velho (23-79) e Fílon, o Judeu (20 a.C.-50 d.C). Estavam espalhados por toda a Judéia, porém a comunidade que morava às margens do Mar Morto (veja o mapa na página 53) era especial. Lá viviam como cenobitas (monges que levam vida retirada mas em comum com outros), sob disciplina ultra-severa.
Filhos de Zadoque
Como as outras seitas, os essênios se consideravam os únicos filhos de Israel, os legítimos herdeiros das tradições autênticas de Moisés, e rejeitavam a aristocracia sacerdotal do Templo de Jerusalém. Tanto que seus sacerdotes se intitulavam “filhos de Zadoque”, o sumo sacerdote do rei Davi, de quem se achavam descendentes diretos. Os demais membros eram divididos em doze tribos – como as doze tribos de Judá que aparecem na Bíblia.
Roland de Vaux desenterrou as fundações de um edifício de pedra, construído por volta de 150 a.C., que tinha entre vinte e trinta aposentos e treze cisternas. Achou um cemitério com 1 200 sepulturas. Abriu 26 ao acaso e encontrou corpos de homens adultos, sem adornos ou objetos. Não havia mulheres. A comunidade renovava-se com ondas de refugiados que buscavam salvação. Na época, acreditava-se piamente na vinda próxima do Messias e no fim do mundo, o apocalipse.
A irmandade não devia ultrapassar 200 indivíduos. Moravam em cavernas, cabanas e tendas e iam ao mosteiro para rezar, comer ou freqüentar assembléias. Foram achados restos de lâmpadas, picaretas, agulhas, pentes, botões, colheres, tigelas e pratos de madeira, pregos, fechaduras, chaves, cinzéis, foices, vasos, tinteiros e manuscritos. Também havia paredes derrubadas, marcas de incêndio e flechas de ferro romanas. Espalhadas pelos edifício, encontraram-se 400 moedas, mas nenhuma nas cavernas. A mais velha era do ano 136 a.C. e a mais nova do ano 79 – já com a inscrição Judaea capta (Judéia capturada), indicando que os romanos ocuparam o convento depois da sua destruição.
Silêncio piedoso
Era uma existência de renúncia ao conforto e ao prazer. Os membros entregavam seus bens e davam o que ganhavam à “ordem”. Em troca, recebiam tudo de que necessitavam. Um administrador fazia as compras e administrava o dinheiro. Cultivavam a terra, produziam cerâmica, curtiam peles, eram pastores e apicultores. Boa parte do tempo era gasto na produção dos manuscritos da doutrina.
Vestiam-se sempre de branco. A comida era sujeita a rígidas regras de purificação. Davam extrema atenção ao asseio e se banhavam muito. Obedeciam a todas as leis de Moisés e dos profetas. Não tinham escravos nem amos. A disciplina estabelecia hierarquias de acordo com graus de “pureza espiritual” dos irmãos, com os sacerdotes no topo. O silêncio era muito importante. Era proibido conversar antes do nascer do sol e as refeições deviam ser realizadas sem ruído. Ninguém deveria falar fora de vez. O guardião da seita, chamado “Mestre da Justiça”, presidia as assembléias, dava a palavra aos que queriam falar e avaliava o progresso espiritual de todos.
Calúnias contra a congregação ou rebeldia contra a disciplina recebiam expulsão imediata. Quem quebrasse a lei por descuido merecia dois anos de penitência. Quem escondesse posses era excluído do convívio e tinha sua cota de alimentos reduzida. Mentir, enganar, vingar-se, falar mal de um companheiro injustamente, “andar nu ante seus companheiros sem ter sido obrigado a isso” – curiosa cláusula do Manual de Disciplina – implicavam seis meses de penitência. Falar tolamente, três meses. Rir tolamente, trinta dias. Interromper a fala de alguém, dez dias.
As proibições do Sabbath (o dia de descanso) eram minuciosas. Era proibido trabalhar, cozinhar, comer frutas do campo, carregar água, varrer a casa e andar (por qualquer razão) mais do que mil côvados (457 metros). Não era permitido ajudar animais que caíssem numa cova. Faltas eram punidas com sete anos de prisão.
Tanta severidade acabou enfraquecendo os essênios, explicou à SUPER o professor Geza Vermes, do Centro de Estudos Judaicos da Universidade de Oxford, na Inglaterra: “A frágil estrutura da sua organização inflexível e restrita não foi capaz de resistir à catástrofe nacional do ano 70” (a destruição de Jerusalém pelos romanos). Sistemas dogmáticos não têm flexibilidade. Ou resistem ou desabam. Para Vermes, “comparada ao conservadorismo e à rigidez da lei essênica, o judaísmo ortodoxo é progressista e flexível”.
O triunfo da ciência sobre a vaidade
Nunca houve uma tradução igual. Em janeiro passado saiu o volume 22 e, agora, em abril, foi publicado o volume 15 das Descobertas do Deserto da Judéia, pela Oxford University Press – a edição oficial dos Manuscritos. Sai um volume a cada três meses, fora de ordem porque os tradutores trabalham autonomamente. Setenta paleógrafos, filólogos, lingüistas e teólogos em Israel, na Europa e nos Estados Unidos contribuem para a obra, prevista para 39 volumes. Até dezembro, todos os textos referentes à Bíblia serão publicados. A edição dos demais será concluída só no ano 2000.
O que falta? Falta publicar a tradução, já feita, de pergaminhos da caverna 11 e montar os fragmentos da caverna 4, ainda não decifrados. “São textos desconhecidos cujo entendimento apresenta surpresas e problemas”, diz Eugene Ulrich. Emile Puech confirma: “Demoraremos mais alguns anos para terminar com a caverna 4.”
Como muitos pergaminhos estavam despedaçados em partes minúsculas, a primeira tarefa dos pesquisadores foi enfrentar o quebra-cabeças. Para montá-lo, os paleógrafos analisam a pele do pergaminho, a escritura (a tinta, a pena usada), o estilo literário e a caligrafia do escriba. Até o “padrão de estrago” ajuda a agrupar fragmentos de rolos atacados por roedores, insetos ou umidade que geram danos similares. A Genética identifica as peles de um mesmo animal. Sua origem e idade pode ser precisada comparando os dados com genes de fósseis do Mar Morto. A análise do DNA permite encaixar fragmentos na ordem certa.
A tradução avançou, mas não acabou. Mas pelo menos acabou o mistério: os textos que ainda faltam da caverna 4 referem-se à organização dos essênios. “Não há nenhuma bomba teológica”, diz Geza Vermes. Ou seja, não haverá revelações estrondosas.
Complô policial
A novela científico-policial da tradução começou em 1951, quando o governo da Jordânia – que controlava a margem ocidental do Rio Jordão, onde está Qumran, e a parte oriental de Jerusalém, ambas anexadas por Israel em 1967 – montou a primeira equipe de tradutores. Foram escolhidos se-te eruditos, a maioria padres católicos, filólogos da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa. Por motivos políticos, pesquisadores judeus foram excluídos. A equipe embarcou numa missão impossível. Os sete simplesmente dividiram 500 textos entre si. Houve excesso de autoconfiança e vaidade intelectual nessa empreitada que, afinal, prometia revirar o cristianismo.
Resultado: somente um tradutor, o inglês John Allegro, conseguiu publicar o que devia. Mas seu trabalho ficou tão ruim que o artigo com correções é mais longo que o original. De 1960 a 1990 – trinta longos anos –, a equipe publicou apenas 100 dos 500 textos encomendados. E impediu o acesso dos outros pesquisadores. As solicitações dos estudiosos “de fora” para examinar os pergaminhos foram recusadas. E quando membros da equipe faleceram, seus textos foram “legados” a colegas de confiança, como se fossem herança.
Três décadas de sigilo alimentaram teorias conspiratórias. Muitos acreditavam que o Vaticano, por meio da influência sobre os padres tradutores, estaria impedindo revelações dos pergaminhos que abalariam a religião cristã. “Inventou-se um complô – diz o padre Puech – digno de um romance policial.” Em 1977, o professor Geza Vermes, de Oxford, chegou a chamar a tradução oficial de “o maior escândalo acadêmico do século XX”.
Pressão pela transparência
Em 1985, a Biblical Archaeology Review, dos Estados Unidos, começou uma campanha pela “liberação dos manuscritos”. Mas a abertura foi gradual. Primeiro, o governo de Israel, que assumira o controle dos documentos desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, decidiu em 1991 criar uma nova comissão de editores-chefes, formada por Emanuel Tov, da Universidade Hebraica de Jerusalém, Eugene Ulrich e Emile Puech. Finalmente, em novembro do mesmo ano, a Biblioteca Huntington, da Califórnia, acabou com as especulações, tornando públicas fotocópias de todos os fragmentos. Com isso, a exclusividade sobre o material trancafiado em Jerusalém perdeu o sentido. Venceu a transparência.
O sensacionalismo também perdeu. O que os manuscritos afinal revelaram foi a diversidade de um judaísmo em transição, antes da catástrofe provocada pelos romanos. Depois do ano 70, as seitas desapareceram, com exceção dos cristãos e dos fariseus, os fundadores do judaísmo rabínico. A literatura de Qumran e a cristã derivam, portanto, de uma tradição judaica comum, da qual importaram rituais de batismo, refeições comunitárias, ascetismo e até modelos de organização: os essênios se dividiam em doze tribos, tal como a igreja cristã, estruturada em doze apóstolos. “Os manuscritos não mudaram minha visão de cristão”, diz Puech. “Revelaram o ambiente judeu, as crenças e práticas da época. Neles, os textos evangélicos encontram um fundo histórico, um país, um território.”

Para saber mais
Para Compreender os Manuscritos do Mar Morto, Hershel Shanks, Imago, São Paulo, 1993.
Os Manuscritos do Mar Morto, Geza Vermes, Mercuryo, São Paulo, 1991.
Os Manuscritos do Mar Morto, Edmund Wilson, Companhia das Letras, São Paulo, 1994.
Na Internet:
The Dead Sea Scrolls Foundation: http://www.hum.huji.ac.il
Um tesouro no deserto da Judéia
A entrada da caverna 1, em Qumran, onde os primeiros manuscritos foram encontrados
Os pastores Juma e Muhamed fizeram a “descoberta arqueológica do século”
O bispo Athanasius Samuel foi o primeiro a perceber a importância dos pergaminhos
Orando de frente para o Mar Morto
Ruínas de Qumran. Os eremitas essênios moravam nas cavernas e rezavam no mosteiro
Um esconderijo bem seguro
Os manuscritos eram pergaminhos de pele de cabra e de ovelha, enrolados e amarrados com uma tira. Estavam envoltos em panos de linho ou em couro. Eram depositados em jarros estreitos de barro, com 50 centímetros de altura, tapados e escondidos no fundo das cavernas.
Uma crise entre gente muito erudita
Vermes denunciou a edição dos manuscritos como “o escândalo acadêmico do século XX”

Para o padre Emile Puech, “ inventou-se um complô digno de um romance policial”.
Trecho de uma oração essênia do ano 100 a.C.
“É da fonte de Sua retidão que advém minha absolvição, e de Seus maravilhosos mistérios advém a luz do meu coração. Meus olhos fitaram, esgazeados, o que é eterno, a sabedoria ocultada aos homens, um manancial de poder, uma nascente de glória escondida do conjunto feito de carne.”

Revista Superinteressante

terça-feira, 14 de julho de 2009

Mar Morto: fragmentos da fé


Mar Morto: fragmentos da fé
Descobertos ao acaso por pastores em 1947, os Manuscritos do Mar Morto fizeram com que judeus e católicos revissem a história de suas religiões. Ainda não totalmente decifrados por pesquisadores, eles estarão, em breve, disponíveis na internet
por Adriana Maximiliano
Desde o século 19, apenas dois grupos de pessoas circulavam pela desértica vizinhança das ruínas de Qumran, a noroeste do mar Morto: arqueólogos e pastores beduínos. Depois de mais de cinco décadas de exploração, o primeiro grupo de profissionais concluiu que aquela região da Palestina (atualmente em território israelense), chamada de Cidade do Sal na Bíblia, fora um pequeno forte romano. Os outros trabalhadores não se preocupavam com isso. Estavam sempre de passagem, pastoreando cabras no trajeto entre o rio Jordão e Belém. Costumavam acampar às margens do lago com nome de mar, enquanto os animais matavam a sede em uma das maiores nascentes locais, a cerca de 1 quilômetro das ruínas. Mas foram justamente eles, os pastores beduínos, que fizeram em Qumran a maior descoberta arqueológica do século 20. E tudo por causa de uma cabra desgarrada.

No fim de uma tarde de 1947, o animal subiu os rochedos de Qumran e desapareceu da vista de seu pastor, Juma Muhammed Khalil. A noite caía e Khalil precisava reunir o rebanho para voltar ao acampamento. Depois de subir cerca de 100 metros em busca da tal cabra, viu dois buracos na pedra. Eram cavernas. Se o bicho estivesse escondido ali, não seria fácil recuperálo. As aberturas eram estreitas e ficavam nas partes mais acidentadas da montanha. O pastor, então, atirou uma pedra dentro de um dos buracos.

Mas, em vez de um balido, ouviu o barulho de cerâmica se quebrando. Seria um tesouro escondido? Era tarde para descobrir. Começava a escurecer, Khalil tinha medo de entrar na caverna, não conseguir mais sair e... a curiosidade mataria um beduíno no deserto da Judéia. O melhor era retornar ao acampamento de sua tribo, Taamireh, às margens do mar Morto. E foi exatamente o que ele fez, mas com o plano de voltar no dia seguinte. Ao chegar ao acampamento, o muçulmano Khalil contou o que tinha acontecido para seus primos. O mais jovem, Muhammed Ahmed el-Hamed, apelidado de “o lobo”, mal conseguiu dormir com a notícia. Passou a noite sonhando acordado com o tesouro. Ao amanhecer, antes que os outros acordassem, El-Hamed seguiu sozinho para os rochedos e encontrou os tais buracos. Com esforço, entrou por um deles e caiu entre entulhos e estranhos jarros de barro. Ansioso, o pastor vasculhou um por um os jarros. Alguns estavam vazios, outros continham manuscritos em pergaminho ou pele de animal. Nada de ouro ou pedras preciosas. Desiludido, levou para o acampamento o que encontrara. Khalil ficou furioso por dois motivos: a traição do primo e o conteúdo pouco promissor dos jarros.

TESOURO EM METRO

Analfabetos, os beduínos, que eram jovens (a idade exata é desconhecia), não faziam idéia do que tinham em mãos. Os documentos, que entraram para a história como os Manuscritos do Mar Morto, são o registro mais antigo do Velho Testamento (inteiro, com exceção do Livro de Ester), mil anos mais antigo que a versão conhecida até aqueles dias. Além disso, são uma fonte extraordinária de informação sobre a origem das duas religiões mais influentes do mundo: o judaísmo e o cristianismo. Para completar, ainda influenciam na compreensão do Corão. Apenas um dos manuscritos encontrados pelos muçulmanos mede mais de 7 metros de comprimento. É uma cópia do Livro de Isaías, do Velho Testamento, escrita em aramaico e feita de pele de cabra por volta do ano 100 a.C. Até então, a mais antiga reprodução conhecida da Bíblia Hebraica dos judeus e/ou o Velho Testamento dos cristãos tinha sido escrita na Idade Média. O conteúdo das peças encontradas nas cavernas estava em perfeito estado de conservação, devido às condições climáticas do lugar e ao jarro de barro, que, pelo formato mais comprido, parecia feito sob medida para guardá-lo.

Havia também outros seis manuscritos: o Manual de Disciplina e o Manuscrito da Guerra de uma comunidade judaica, Hinos de Ação de Graças, o Apócrifo de Gênesis, um comentário sobre o Livro de Habacuque e outra cópia do Livro de Isaías. Os textos canônicos, como os conhecemos, só foram definidos em concílios, séculos depois. Entre os manuscritos, há textos apócrifos, que, na época, eram considerados tão sagrados quanto qualquer livro canônico. Ou seja, a Bíblia era muito mais extensa do que é hoje. Segundo o Museu de História Natural de San Diego, nos Estados Unidos, que expôs boa parte dos papiros numa mostra que esteve em cartaz na instituição até janeiro de 2008, alguns dos manuscritos sugerem uma forma de judaísmo diferente do praticado hoje, com normas que não teriam sobrevivido à destruição romana do Segundo Templo, em 70 d.C. Revelam um estágio desconhecido na transição das religiões antigas da Bíblia para suas formas na atualidade.

"Foi uma descoberta incrível. Aqueles manuscritos estabelecem uma ligação entra as escrituras hebraicas e as religiões ocidentais que estavam em formação naquela época: o judaísmo rabínico e o cristianismo”, explica o professor de estudos judaicos da Universidade de Nova York e editor dos manuscritos, o americano Lawrence Schiffman.

Os documentos incluem crônicas detalhadas que descrevem como era a vida cotidiana, naquele deserto causticante, dos contemporâneos de Jesus Cristo (que não é mencionado uma vez sequer), possivelmente judeus do grupo dos essênios. Os Manuscritos do Mar Morto provam, também, que as escrituras hebraicas não mudaram quase nada em seu conteúdo através dos anos. Apesar de algumas pequenas modificações no jeito de narrar, os fatos são os mesmos. Ou seja, indicam que o Velho Testamento é um livro escrito há mais de 2 mil anos. Pechincha por relíquias Depois da ocasional descoberta, um ano se passou até a autenticidade dos manuscritos ser comprovada. Os pastores beduínos que encontraram os manuscritos enfiaram os documentos numa bolsa e foram tentar vendê-los em Belém. A maioria dos comerciantes os dispensou, acreditando que eram recentes e de pouco valor. Muitos meses e várias tentativas depois, os manuscritos foram separados em dois lotes e finalmente vendidos em Jerusalém para o bispo do Monastério Ortodoxo Sírio de São Marcos, Athanasius Samuel, e para um estudioso da Universidade Hebraica, Eleazar Sukenik. Segundo o Museu de Israel, os dois desembolsaram um total de 25 libras pelas relíquias.

Samuel submeteu o material a especialistas da Escola Americana de Pesquisa Oriental, em Jerusalém, que, em fevereiro de 1948, confirmaram sua autenticidade. Na década de 50, o bispo se mudou para os Estados Unidos e, por anos, tentou vender os documentos sem sucesso. Até que, no dia 1º de junho de 1954, um anúncio publicado pelo religioso no Wall Street Journal fez com que os manuscritos mudassem de mãos. Foram comprados por 250 mil dólares, por um representante do governo de Israel, que também já havia adquirido os de Sukenik

Nos 15 anos que se seguiram ao parecer técnico da veracidade dos documentos, mais de 200 cavernas foram exploradas na região de Qumran. Em 11 delas foram encontrados outros, que, somados aos dos beduínos, dão um total de 930: cópias de quase todos os livros do Velho Testamento (o Livro de Ester continua desaparecido); textos inéditos sobre figuras bíblicas como Noé e Abraão; mapas de tesouros nunca encontrados; poemas; textos sobre astrologia, dias festivos e fases da Lua; e ainda regras e relatos do cotidiano de uma comunidade judaica. Entre todos eles, apenas 12 estavam inteiros, ou quase em perfeito estado. Os outros se encontravam em milhares de pedaços, roídos por animais ou desgastados pela ação do tempo. Segundo especialistas, eles foram escritos com tinta à base de carbono entre o século 3 a.C. e o século 1 d.C., a maioria, em pele de animais (há alguns de papiro e um gravado em cobre).

Os achados abriram uma imensa janela do tempo no deserto da Judéia. "Os manuscritos têm mostrado como sabíamos pouco sobre a literatura judaica do período do Segundo Templo (entre 515 a.C. e 70 d.C.)”, diz o professor e ex-padre espanhol Florentino García Martínez, que fez parte do time de editores dos manuscritos e publicou mais de 20 livros sobre o tema em 40 anos de estudos. "Eles também mudaram nossa maneira de ver a Bíblia Hebraica, que estava na época em processo de formação e ainda não tinha a forma canonical que hoje nos é familiar. E, principalmente, os manuscritos têm mostrado a evolução das idéias religiosas e permitido que se entenda melhor a origem do cristianismo", completa Martínez. Entre os textos inéditos, estão os que descrevem cerimônias, narram uma obsessão pela pureza e revelam a expectativa pelo fim do mundo. Embora Jesus Cristo não seja mencionado e nenhum texto do Novo Testamento tenha sido encontrado, estudiosos apontaram semelhança entre os hábitos da comunidade judaica descritos nos manuscritos e o cristianismo, religião que ainda estava nascendo: são descritos rituais de batismo, a espera da chegada de um messias e o apocalipse.

QUEM ESCREVEU

Desde a década de 50, 98 pesquisadores se dedicaram a editar os manuscritos. Entreveros deram outro título à descoberta, o de maior escândalo acadêmico do século 20. Até hoje, foram publicados 38 volumes oficiais dos manuscritos, num total de 11 984 páginas, e mais de 30 mil livros e artigos sobre o tema. Mas, 60 anos depois, ninguém sabe ao certo quem os escreveu e por que eles estavam escondidos em Qumran. A hipótese mais popular entre pesquisadores é a de que os manuscritos tenham sido redigidos por uma turma de judeus dissidentes dos essênios, que, por sua vez, eram um dos grupos judaicos existentes no início da era cristã.

Como tantos outros judeus da época, inclusive Jesus, os membros da comunidade de Qumran se opunham à aristocracia sacerdotal do templo. Viviam um exílio voluntário no deserto, entregavam seus bens para serem divididos entre todos, estudavam as escrituras sagradas e as regras de disciplina de sua própria comunidade, seguiam rituais rígidos de purificação e aguardavam uma batalha entre o bem e o mal — e, claro, já esperavam a chegada de um “messias”. Essa comunidade tinha núcleos em outras cidades. Em Qumran, vivia a elite, formada por homens que deixaram a família para trás e optaram pelo isolamento.

Os livros teriam sido escritos por diferentes membros, em diversos lugares, e guardados numa única biblioteca, em Qumran. Alguns vasos encontrados nas cavernas tinham a palavra yahad (junto, em hebraico), que era como essa comunidade se intitulava nos manuscritos. O criador do grupo era chamado de "professor da retidão". Um grupo inimigo foi citado como "procuradores de elogios" e o chefe deles, o "homem da mentira". A denominação "essênio" não aparece nos manuscritos. A tese de que o grupo era formado por eles ou seus dissidentes baseia-se principalmente em um livro do historiador Plínio, o Velho. Ele dizia que havia uma comunidade de essênios no lado oeste do mar Morto.

Essênios ou não, a comunidade de Qumran planejava voltar a Jerusalém, mas, antes que isso fosse possível, o exército romano destruiu a região na Grande Revolta Judaica, por volta do ano 70 d.C. Na iminência da morte, os moradores do lugar teriam escondido os livros nas cavernas, para salvá-los .

A comunidade teria vivido em Qumran entre 125 a.C. e 68 d.C. A presença de mulheres e crianças nunca foi confirmada. Uma exploração arqueológica oficial, entre 1951 e 1956, revelou um cemitério com cerca de 1,2 mil esqueletos, inclusive de mulheres. Mas não se sabe se elas faziam parte da comunidade ou se eram nômades do deserto. De qualquer forma, a hipótese de que apenas a elite vivia em Qumran se fortaleceu, já que os esqueletos estavam em covas individuais e, na época, as covas costumavam ser familiares.

MANUSCRITOS NA WEB

Todos os sete manuscritos da primeira caverna estão agora reunidos no Santuário do Livro, do Museu de Israel, em Jerusalém, que às vezes os deixa ser exibidos em outros lugares. "Recebemos inúmeros pedidos todo mês, mas concordamos poucas vezes. Eles são feitos de materiais orgânicos. Precisam de muitos cuidados, como a manutenção em determinada temperatura, evitar a incidência de luz direta e, depois de ficarem expostos por três ou quatro meses, devem descansar por pelo menos um ano", diz o curador do lugar, o argentino Adolfo Roitman. Os demais manuscritos estão espalhados por outras instituições, como o Instituto de Antiguidades de Israel do Museu Rockefeller, a Escola Bíblica Franciscana de Jerusalém, a Biblioteca Nacional de Paris e o Museu Arqueológico da Jordânia. O interesse pelo tema continua latente e vem ganhando desdobramentos na internet. A Universidade da Califórnia, por exemplo, organizou o Projeto de Visualização de Qumran, no qual recria, na web, o lugar em terceira dimensão. “Há imagens panorâmicas dos rochedos onde os essênios moravam, do mar Morto e das planícies da Jordânia. Reconstruímos o monastério parede a parede, de acordo com a textura e grossura que cada uma delas tinha”, afirma o fundador do projeto, Robert C. Cargill. Desde 1956, nenhuma outra inscrição apareceu na região de Qumran. Roitman não descarta a possibilidade de ainda haver pedaços dos manuscritos achados nos anos 50 nas mãos de colecionadores, que não permitem seu estudo ou que ignoram seu valor. Dono dos sete primeiros manuscritos encontrados pelos beduínos, o Museu de Israel já publicou o conteúdo de dois deles em seu site na internet, o Livro de Isaías e o Manuscrito do Templo. “Os outros deverão estar disponíveis nos próximos meses”, diz Roitman. Enquanto isso, o Instituto de Antiguidades de Israel do Museu Rockefeller, em Jerusalém, se dedica a digitalizar pedaços de manuscritos encontrados nas 11 cavernas. Com a ajuda de equipamentos especiais e a supervisão de um ex-cientista da Nasa, Greg Bearman, os documentos serão reproduzidos e colocados à disposição do público na internet, para que o mundo tenha chance de estudá-los. E, quem sabe, desvendar os mistérios da fé.

MONOPÓLIO DAS CAVERNAS
Cercear a pesquisa foi o escândalo acadêmico do século 20

Em 1951, o governo da Jordânia, que então controlava parte do território das cavernas de Qumran, escolheu oito pesquisadores para traduzir e publicar os manuscritos encontrados nas dez últimas cavernas (os achados nas primeiras, vendidos, foram parar em Israel). Quase todos eram padres católicos, ��ilólogos da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa. Não havia judeus no grupo. Fragmentados em milhares de pedaços, os manuscritos da Jordânia ficavam no Museu Arqueológico da Palestina, disponíveis apenas para esses pesquisadores. Quando um deles morria, outro, eleito pelos demais, herdava seu lugar. O primeiro volume da coleção de manuscritos, Descobertas no Deserto da Judéia I, foi publicado apenas em 1955, e mais dez anos se passaram até os três volumes seguintes. Antes do lançamento do quinto tomo, houve uma mudança importante. A Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, deu a Israel o controle dos manuscritos do Museu Arqueológico da Palestina, rebatizado como Instituto de Antiguidades de Israel do Museu Rockefeller, de Jerusalém. À equipe integraram-se pesquisadores judeus. Mas a demora continuou e a comunidade acadêmica internacional começou a reclamar. O fato de apenas poucos estudiosos terem acesso aos manuscritos foi chamado de "o escândalo acadêmico do século 20", pelo professor Geza Vermes, da Universidade de Oxford. Apenas em 1991, a Biblioteca Huntington, na Califórnia, quebrou esse monopólio ao liberar imagens de todos os manuscritos ainda não publicados — 400 textos, dos 500 encomendados. Israel tinha enviado micro��ilmes para várias instituições como medida de segurança, caso algo acontecesse aos originais, mas não imaginava que uma delas quebraria o compromisso de sigilo. O fim do segredo coincidiu com o ��im da morosidade. Até 1990, oito volumes haviam sido publicados. Uma nova equipe foi escolhida e publicou 30 volumes até 2001, encerrando o trabalho. Em julho deste ano, cerca de 40 pesquisadores de diversas nacionalidades e crenças religiosas participaram de uma conferência no Santuário do Livro, no Museu de Israel, que guarda o Livro de Isaías e outros manuscritos, para comemorar as seis décadas da descoberta do tesouro. Muitos ��izeram parte da equipe editora dos manuscritos e dedicaram toda a vida acadêmica a estudá-los, como o ex-padre espanhol Florentino García Martínez. “Temos agora todo material de que precisamos para trabalhar: concordâncias, dicionários, boa edição e tradução e comentários de muitos estudiosos. Mas o trabalho de interpretação, de extrair dos manuscritos toda a informação que eles contêm, está apenas começando.”

CRÔNICAS DA VIDA NO DESERTO
Documentos revelam regras de higiene e valores éticos comunitários

Escritos em hebraico, aramaico e grego, os Manuscritos do Mar Morto são divididos em três grupos: textos bíblicos e comentários de textos bíblicos; textos apócrifos; e literatura de Qumran. Essa divisão não havia na época, porque apenas séculos depois concílios da Igreja de��iniriam quais eram os textos canônicos (bíblicos), criados por inspiração de Deus. Os escritos por autores sagrados, mas sem inspiração divina, foram chamados apócrifos pela Igreja. Entre os 930 manuscritos, há 225 cópias de livros da Bíblia. Veja abaixo trechos de alguns manuscritos.

DO FILHO DE DEUS
Nesse manuscrito, as expressões "filho de Deus" e "filho do Altíssimo" são usadas para denominar um futuro salvador divino. São os mesmos termos adotados pelo anjo Gabriel, na "anunciação" de Jesus Cristo a Maria.

O MANUSCRITO DE COBRE
Feito de um material valorizado na época, esse manuscrito diz: "Sou único e minha mensagem é tão valiosa quanto o metal do qual fui feito". Nele, há indicações de 64 tesouros, que, no entanto, nunca foram encontrados.

O MANUSCRITO DA GUERRA
Descreve a batalha dos dias finais, entre os "filhos da luz" e os "filhos das trevas". Detalha armamentos, a bênção a ser dita no momento da vitória e a cerimônia de Ação de Graças.

PEDAGOGIA TRÁGICA
Os manuscritos prevêem castigos severos: "Se um homem tem uma criança rebelde e teimosa, que não obedece ao pai ou à mãe e não ouve quando eles o disciplinam, deixe seu pai e sua mãe segurá-lo no portão de casa e chame os mais velhos da cidade. Os pais devem dizer: 'Esta criança é teimosa e rebelde, não nos obedece, é um bêbado glutão'. Então, todos os homens da cidade devem apedrejá-la até a morte. Assim, você removerá o demônio de seu meio e todas as crianças de Israel vão ouvir e ter medo".

LIMPEZA CONTAGIOSA
Além de dois banhos diários obrigatórios, os membros da comunidade deviam mergulhar em uma piscina toda vez que defecassem. Como a piscina era abastecida pelas chuvas, escassas no deserto, a água ��icava parada por meses. Resultado: 6% dos homens de Qumran atingiam 40 anos, em comparação a 40% em Jerusalém.

PUREZA AO COMER
Os membros da comunidade comiam em silêncio e em tigelas individuais (para não espalhar doenças).

ESTIGMA
Os chamados leprosos não podiam entrar em Jerusalém, em Qumran ou em qualquer lugar onde houvesse comida limpa. Se o fiizesse sem querer, deveria ofertar um animal. Se entrasse deliberadamente, seria amaldiçoado.

SACRIFÍCIO DE ANIMAIS
Um animal grávido não podia ser sacrificado no mesmo dia do feto.

DEVO, NÃO NEGO
"Se você deve a alguém, pague rapidamente. Nunca troque seu espírito sagrado por nenhuma quantia de dinheiro. Se alguém deixar algo de valor com você, não toque, para que você não se queime e seu corpo não seja consumido pelo fogo."

Revista Aventuras na Historia