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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É verdade que o Uruguai já fez parte do Brasil?


Beatriz Santomauro (bsantomauro@abril.com.br). Com reportagem de Luana Villac e Rita Trevisan

Sim. A primeira investida brasileira sobre o território vizinho aconteceu em 1811, no governo de dom João. A invasão era uma medida preventiva, pois o monarca temia que o movimento pela independência daquele local - liderado por José Artigas e que se alastrava em direção às Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina - chegasse ao país. Para a época, o discurso republicano e abolicionista era uma ameaça ao nosso governo absolutista e à maneira como a estrutura produtiva do Brasil estava organizada, assentada sobre o trabalho escravo. Como pretexto para a invasão, dom João se apoiou no fato de sua esposa, Carlota Joaquina, ser espanhola e reivindicar para seu país o governo da região. Porém, um ano depois da tomada do território, o governo brasileiro foi forçado a retirar suas tropas. Já em 1817, dom João - coroado como dom João VI - decidiu por nova ocupação militar para afastar de vez a possibilidade de um golpe, movido por forças antiabsolutistas e antiescravistas. Cinco anos mais tarde, o Uruguai foi oficialmente incorporado ao território brasileiro, com o nome de Província Cisplatina (veja no mapa acima), tendo permanecido nessa condição até 1828. Portanto, o controle brasileiro sobre a região, somando-se as duas invasões, totalizou 13 anos. O Uruguai só conquistou a independência do Império do Brasil graças ao movimento separatista local, que proclamou em 1828 a República Oriental do Uruguai.

Fonte: Revista Nova Escola

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Batlle



Montevidéu - 1914
Escreve artigos caluniando os santos e pronuncia discursos atacando o negócio da venda de terrenos no Além. Quando assumiu a presidência do Uruguai, não teve outro remédio a não ser jurar por Deus e pelos Santos Evangelhos, mas em seguida esclareceu que não acreditava em nada disso.
José Batlle y Ordónez governa desafiando os poderosos do céu e da terra. A Igreja prometeu-lhe um bom lugar no inferno: atiçarão o fogo as empresas por ele nacionalizadas ou por ele obrigadas a respeitar os sindicatos operários e a jornada de trabalho de oito horas; e o Diabo será o macho vingador das ofensas que ele inflingiu ao setor masculino.
- Está legalizando a libertinagem - dizem seus inimigos, quando Batlle aprova a ei que permite às mulheres se divorciarem por sua própria vontade.
- Está dissolvendo a família - dizem, quando estende o direito de herança aos filhos naturais.
- O cérebro da mulher é inferior - dizem, quando cria a universidade feminina e quando anuncia que em breve as mulheres votarão, para que a democracia uruguaia não caminhe com uma perna só e para que não sejam as mulheres eternas menores de idade que do pai passam às mãos do marido.

Barrán, José P., e Benjamín Nahum. Batlle, los estancieros y el Império Británico. Las primeras reformas, 1911/1913. Montevidéu, Banda Oriental, 1983.
Machado, Carlos. Historia de los orientales. Montevidéu, Banda Oriental, 1985.

Memórias do Fogo III
Eduardo Galeano