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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A vida em Auschwitz


Sem poupar detalhes, o horror do campo de extermínio nazista


Cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram em Auschwitz, a maioria em câmaras de gás | Crédito: Domínio Público

“Arbeit machr frei” – ou “o trabalho liberta”. Era essa a inscrição na entrada do maior campo de concentração nazista. Erguido em 1940 nos subúrbios da cidade de Oswiecim, na Polônia, ele tinha três partes: Auschwitz I, a mais antiga; Auschwitz II-Birkenau, que reunia o aparato de extermínio; e Auschwitz III-Buna, com cerca de 40 subcampos de trabalho forçado. 

As primeiras vítimas do nazismo foram poloneses, seguidos de soviéticos, ciganos e prisioneiros de guerra. Em 1942, o campo voltou-se para a destruição em massa dos judeus. Lá, cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram, a maioria em câmaras de gás. Em Auschwitz, os presos eram obrigados a usar insígnias nos uniformes conforme a categoria – “motivo político” era um triângulo vermelho; “homossexual”, um rosa. Muitos foram usados em experimentos médicos. 

No final da guerra, prevendo a vitória dos aliados, os alemães começaram a destruir crematórios e documentos enquanto evacuavam os prisioneiros. Os que não conseguiam andar foram deixados lá e liberados pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945. Hoje, Auschwitz é um museu que preserva a memória do maior genocídio da História

Seleção dos "capazes"


Os prisioneiros chegam em trens de gado e são selecionados por médicos. Os aptos ao trabalho entram numa fila e são tatuados com um número de registro. Velhos, doentes, grávidas, crianças e a maioria dos judeus vão para outra fila, direto para a câmara de gás. Os “capazes” tomam banho de desinfecção (contra tifo), raspam o cabelo e deixam seus pertences.

Trabalho escravo



Os presos trabalham pelo menos 11 horas por dia para impulsionar a máquina de guerra alemã. Constroem prédios do campo de concentração e estradas e produzem carvão, borracha sintética, produtos químicos, armas e combustíveis em indústrias como a Krupp e a IG Farben. Embora não haja números oficiais, vários morrem de cansaço durante as obras.

Pão e sopa no almoço


A cozinha do campo prepara rações de comida três vezes ao dia, que em geral incluem um pedaço de pão, café e sopa de batata. Quem faz pouco esforço físico recebe cerca de 1300 calorias diárias. Os que trabalham pesado ingerem 1700. Após algumas semanas, essa dieta de fome leva à exaustão, deterioração do corpo e até morte.

Entre ratos

Em Auschwitz I, cerca de 20 mil presos dormem em pavilhões de tijolo. Os treliches são em número insuficiente, e um preso dorme sobre o outro. Não há banheiro nem calefação – mesmo com temperaturas abaixo de zero. Em Birkenau, os alojamentos são blocos de madeira e tijolos feitos sobre o solo úmido. Cerca de 700 pessoas ocupam cada um.

Espera congelante


Durante as assembleias de contagem, os presos ficam horas no frio, muitas vezes sem seus uniformes (calça comprida, camisa listrada e boina), esperando os nazistas decidirem quem será mandado à câmara de gás. Intelectuais, políticos e outras pessoas consideradas perigosas são fuzilados no Muro da Morte, nos fundos do bloco 11, ou enforcadas.

Matemática sinistra



Em geral, o destino de 70% dos prisioneiros é a câmara de gás. A maior parte das vítimas é trancada nua em locais fechados – os nazistas diziam que elas iam tomar banho. Dentro deles, uma tubulação expele ácido cianídrico. A morte chega, no máximo, em 10 minutos. Os corpos são depois queimados num dos cinco crematórios – juntos, podem queimar 4765 corpos por dia.
Revista Aventuras na História

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Notícias História Viva


Hitler ordenou pessoalmente ataques a navios e cerco a portos

É o que revelam os papéis do Tribunal de Nuremberg guardados no Itamaraty

26 de agosto de 2012 
WILSON TOSTA / RIO - O Estado de S.Paulo
Uma estratégia naval supervisionada pelo próprio Adolf Hitler resultou no ataque generalizado de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros junto à costa do País nos primeiros oito meses de 1942, quando o governo Getúlio Vargas ainda era formalmente neutro na 2.ª Guerra Mundial. Documentos do Tribunal de Nuremberg guardados no Arquivo Histórico do Itamaraty mostram que o führer autorizou pessoalmente o uso da força contra embarcações do Brasil em maio daquele ano, por considerar os brasileiros em guerra contra o reich.
A papelada tem partes do diário de guerra do ex-chefe de Operações do Oberkommando der Wehrmacht (OKW), general Alfred Jodl, e depoimento do ex-ministro da marinha alemã Erich Raeder na corte que julgou chefes nazistas - Jodl foi condenado à morte e Reader, à prisão perpétua. Os afundamentos levaram o País ao conflito.
"Em 29 de maio, o Comando de Operações Navais (SKL) propôs liberar o uso de armas contra forças aéreas e navais brasileiras", anotou Jodl em 16 de junho. "(O SKL) Considera apropriado um rápido golpe contra navios mercantes e de guerra brasileiros no momento presente, no qual medidas defensivas ainda estão incompletas e a possibilidade de surpresa existe, já que o Brasil praticamente está guerreando no mar a Alemanha. (...) Sobre a proposta do chefe do Comando Operacional das Forças Armadas, o führer ordenou em 30 de maio que o Comando de Operações Navais (SKL) deveria verificar, perguntando a Roma se relatórios brasileiros sobre a guerra, como ações contra submarinos do Eixo, estão corretos. A investigação (...) mostrou que submarinos italianos foram atacados em 22 e 26 de maio no canto nordeste do Brasil por aviões que fora de dúvida decolaram de base área brasileira."
Chefe da marinha de guerra alemã (Kriegsmarine) até 1943, Raeder se defendia em Nuremberg da acusação de crime de guerra por ordenar ações bélicas contra um país neutro e atacar embarcações brasileiras. Na época, os U-boats (submarinos) alemães tentavam bloquear o envio de matérias-primas e armas aos Aliados no Reino Unido e norte da África, atacando embarcações mercantes inimigas, o que não era oficialmente o caso do Brasil. Sua defesa argumentou que os brasileiros não sinalizavam corretamente seus barcos, tornando-se impossível diferenciá-los de navios inimigos. A documentação faz parte do arquivo da Missão Militar Brasileira na Alemanha e foi encaminhada ao País pelos Aliados em 1946.
Medo. A tensão entre Brasil e Alemanha vinha de 1941. O primeiro incidente entre os dois países ocorreu em 22 de março, quando o navio mercante Taubaté foi metralhado pela Luftwaffe no Mediterrâneo, junto à costa do Egito, deixando um morto e 13 feridos. Em 13 de junho, um submarino alemão obrigou o navio Siqueira Campos a parar junto a Cabo Verde. A embarcação brasileira só foi liberada após ser revistada e ter tripulantes fotografados. O Brasil aprofundava as relações com os Estados Unidos, que, a partir de junho, passaram a usar portos de Recife e Salvador. De Natal, americanos começaram a fazer patrulhamento aéreo. O Brasil rompera com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) em 28 de janeiro de 1942, no fim da 3.ª Conferência de Chanceleres das Américas, no Rio.
"A relação entre Brasil e Alemanha na época era assustadora", declarou Raeder, respondendo a seu advogado, Siemers, diante dos juízes em Nuremberg . "Alemães eram perseguidos lá, tratados muito mal. Os interesses econômicos da Alemanha eram prejudicados pesadamente. Brasileiros já vinham dando ouvidos aos Estados Unidos. Tinham permitido estações de rádio americanas. Transmissores sem fio tinham sido estabelecidos ao longo da costa brasileira e também estações de inteligência. (...) Eles mesmos confirmaram que tinham destruído um submarino alemão."
Depois do rompimento diplomático, recrudesceram os ataques alemães contra o País, ainda longe de águas brasileiras. A guerra chegaria mais perto em 22 de maio, quando o submersível italiano "Barbarigo" atacou (sem conseguir afundar) o vapor mercante Comandante Lira, entre Fernando de Noronha e o Atol das Rocas. O submarino foi localizado por um B-25 Mitchell da FAB, que, atacado a tiros de metralhadora, segundo a versão brasileira, reagiu com bombas. A embarcação italiana escapou, mas o incidente teve repercussão no comando alemão. É a esse caso que Jodl cita em seu diário.
A embaixada alemã temia o agravamento das relações com o Brasil, por causa da atitude da Argentina e do Chile. Após a ação contra o Barbarigo, o Comando de Operações Navais propôs que dez submarinos, que deveriam sair entre 22 de junho a 4 de julho de portos na França, bloqueassem os principais portos brasileiros de 3 a 8 de agosto. A ordem deveria ser dada aos submarinos até 15 de junho.
'De acordo'. Segundo Jodl, depois de o comandante da marinha relatar a situação a Hitler em 15 de junho em Berghof, o führer "se declarou de acordo". "Ordenou, contudo, que antes da decisão definitiva a situação política fosse de novo examinada pelo Ministério das Relações Exteriores." A operação, porém, acabou suspensa. Veio então nova série de ataques de navios brasileiros, ainda longe das águas nacionais.
Em agosto, o Eixo iniciaria outra ofensiva, agora contra a costa brasileira. Só no dia 16 morreram 551 pessoas nos ataques aos navios Baependi (270 mortos), Araraquara (131) e Annibal Benevolo (150). Os três foram torpedeados pelo submarino alemão U-507 perto de Sergipe. Um dia depois, o mesmo submersível matou mais 56 pessoas, ao afundar os navios Itagiba e Arará na costa da Bahia. Em 19 de agosto, o U-507 afundou a barcaça Jacira, perto de Ilhéus. Três dias depois, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália.
Telegrama "altamente secreto" da marinha alemã para o OKW admitia "risco" de a força ser responsabilizada pela entrada do Brasil na guerra. Ela sugeriu ao ministério das relações exteriores que pedisse às nações neutras para sinalizar seus navios para não serem confundidos com inimigos. Por fim, o documento da marinha diz: "O Ministério das Relações Exteriores alemão, contudo, mandou tal notificação só para Argentina e Chile. Um telegrama enviado em 10 de fevereiro de 1942. O Ministério das Relações Exteriores permaneceu no ponto de vista de que Estados sul-americanos que tinham rompido relações conosco não fossem informados."
Mortes. Ao todo, 35 navios brasileiros foram atacados de 1941 a 1944 - 33 afundaram, com 1.081 mortos documentados (mas o número pode chegar até a 1.400, pois nem toda embarcação tinha controle do número de passageiros) e 1.686 sobreviventes. Estudioso da 2.ª Guerra Mundial, o historiador Frank McCann, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, avalia que os documentos de Nuremberg trazem detalhes importantes sobre as decisões alemãs de atacar navios brasileiros. "Publicados, poderiam finalmente aquietar um pouco do nonsense sobre quem afundou os navios brasileiros e por quê." www.estadao.com.br

Notícias História Viva


Brasileiro conta como sobreviveu a campo de concentração

Parte da família de Thomas Venetianer foi mantida em gueto comandado pelo húngaro Laszlo Csatary e depois enviada a Auschwitz.

18 de agosto de 2012 
Há mais de seis décadas vivendo no Brasil, o engenheiro Thomas Venetianer, de 75 anos, é um dos poucos sobreviventes ainda vivos do Holocausto, quando milhares de judeus morreram assassinados em campos de concentração por forças alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.

Em entrevista à BBC Brasil, Venetianer contou que parte de sua família foi morta pelas mãos do ex-comissário de polícia húngaro Laszlo Csatary, de 97 anos. Considerado o criminoso nazista mais procurado do mundo, Csatary está há um mês em prisão domiciliar, após ser descoberto por repórteres do jornal britânico The Sun, em Budapeste.
Durante a ocupação nazista na Hungria, Csatary foi comandante do gueto responsável por enviar cerca de 15,7 mil judeus ao campo de Auschwitz, no sul da Polônia, um dos mais conhecidos centros de tortura do regime de Adolf Hitler (1889-1945). BBC Brasil http://www.estadao.com.br

sexta-feira, 4 de junho de 2010

As Experiências Médicas Nazistas

Uma vítima das experiências médicas nazistas. Foto tirada no campo de concentração de Buchenwald, Alemanha, data indeterminada.
— United States Holocaust Memorial Museum

Durante a Segunda Guerra Mundial vários médicos alemães realizaram “experiências” desumanas, cruéis, e muitas vezes mortais em milhares de prisioneiros dos campos de concentração.

Estas “experiências médicas” imorais, realizadas durante o Terceiro Reich, podem ser divididas em três categorias. A primeira consiste em experiências que tinham por finalidade facilitar a sobrevivência dos militares do Eixo. Em Dachau, médicos da força aérea alemã e da Instituição Experimental Alemã da Aviação realizaram experimentos sobre reações à alta altitude, usando câmaras de baixa pressurização, para determinar a altitude máxima da qual as equipes de aeronaves danificadas poderiam saltar de pára-quedas, em segurança. Os cientistas alemães também realizaram experiências de congelamento, utilizando os prisioneiros como cobaias para descobrir um método eficaz de tratamento para a hipotermia. Também os utilizaram para testar vários métodos de transformação da água marinha em água potável.

A segunda categoria de experiências tinha por objetivo desenvolver e testar medicamentos, bem como métodos de tratamento para ferimentos e enfermidades que os militares e a equipe de ocupação alemã encontravam no campo. Nos campos de concentração de Sachsenhausen, Dachau, Natzweiler, Buchenwald e Neuengamme, os cientistas testaram agentes imunizantes e soros para prevenir e tratar doenças contagiosas como a malária, o tifo, a tuberculose, a febre tifóide, a febre amarela e a hepatite infecciosa, inoculando os prisioneiros com tais doenças. O campo de Ravensbrueck foi o local de experiências cruéis com enxertos ósseos, e onde testaram a eficácia de um novo medicamento desenvolvido, a sulfa (sulfanilamida), às custas das vidas dos prisioneiros. Em Natzweiler e Sachsenhausen, os prisioneiros foram sujeitos aos perigosos gases fosgênio e mostarda, com o objetivo de testar possíveis antídotos.

A terceira categoria de experiências “médicas” buscava aprofundar os princípios raciais e ideológicos da visão nazista. As mais infames foram as experiências feitas por Josef Mengele, em Auschwitz, que utilizou gêmeos, crianças e adultos, de forma inumana, e que também coordenou experiências sorológicas em ciganos, tal como fez Werner Fischer, em Sachsenhausen, para determinar como as diferentes "raças" resistiam às diversas doenças contagiosas. As pesquisas desenvolvidas por August Hirt, na Universidade de Strasbourg, tentaram confirmar a pretensa inferioridade racial judaica.

Outras experiências repugnantes tinham por meta facilitar os objetivos raciais nazistas, com uma série de experiências de esterilização, realizadas principalmente em Auschwitz e Ravensbrueck. Lá, os” cientistas” testaram diversos métodos, com o objetivo de desenvolver um procedimento eficaz e barato de esterilização em massa de judeus, ciganos, e outros grupos considerados pelos nazistas como racial ou geneticamente indesejáveis.

Herta Oberhauser, que foi médica no campo de concentração de Ravenbrueck, é sentenciada no Julgamento dos Médicos em Nuremberg. Oberhauser foi considerada culpada por realizar experiências médicas nos prisioneiros dos campos e foi sentenciada a 20 anos de prisão. Nuremberg, Alemanha, 20 de agosto de 1947.
— National Archives and Records Administration, College Park, Md.


Josef Mengele, médico alemão e capitão da SS. Em 1943, ele foi nomeado médico de guarnição da SS (Standortartz) de Auschwitz. Como tal, ele era responsável pela diferenciação e seleção dos que serviam para trabalhar e dos que seriam destinados às câmaras de gás. Mengele também praticou experiências humanas em prisioneiros do campo, especialmente gêmeos. Local e data incertos.
— National Museum of Auschwitz-Birkenau


Eduard, Elisabeth, e Alexander Hornemann. Os meninos, vítimas de experiências médicas com tuberculose no campo de concentração de Neuengamme, foram assassinados pouco tempo antes da liberação. Elisabeth morreu de tifo em Auschwitz. Holanda, pré-guerra.
— Guenther Schwarberg


A sobrevivente do campo de concentração Jadwiga Dzido mostra a perna com cicatrizes para a Corte de Nuremberg enquanto um médico explica a natureza dos procedimentos infligidos nela no campo de concentração de Ravensbrück em 22 de novembro de 1942. As experiências médicas, incluindo injeções de bactérias altamente potentes, foram realizadas pelos réus Herta Oberheuser e Fritz Ernst Fischer. 20 de dezembro de 1946.
— National Archives and Records Administration, College Park, Md.


Foto da perna desfigurada de uma sobrevivente de Ravensbrueck usada para a investigação dos crimes de guerra. Helena Hegier (Rafalska) foi sujeita a experiências médicas em 1942. Esta fotografia foi requisitada como evidência para a acusação no Julgamento dos Médicos em Nuremberg. As cicatrizes da desfiguração são resultado das incisões feitas por equipes médicas e que eram propositalmente infectadas com bactérias, sujeira e cacos de vidro.
— DIZ Muenchen GMBH, Sueddeutscher Verlag Bilderdienst


Jacqueline Morgenstern, 7 anos de idade, mais tarde uma vítima de experiências médicas com tuberculose no campo de concentração de Neuengamme. Ela foi assassinada pouco antes da libertação do campo. Paris, França, 1940.
— Guenther Schwarberg


Cigano vítima das experiências médicas nazistas para transformar água marinha em água potável. Campo de concentração de Dachau, Alemanha, 1944.
— National Archives and Records Administration, College Park, Md


Equipe médica executa experiências em um prisioneiro no campo de concentração de Buchenwald. Buchenwald, Alemanha, data indeterminada.
— La Documentation Francaise

Museu do Holocausto

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Queima de Livros


Reunidas na Praça da Ópera em Berlim multidões de estudantes e membros das Tropas de Assalto queimam livros considerados "não-alemães" pelos nazistas. Berlim, Alemanha. Dia 10 de maio de 1933.

— United States Holocaust Memorial Museum


Joseph Goebbels, ministro da propaganda alemão, discursa na noite da queima dos livros. Berlim, Alemanha, 10 de maio de 1933.

— United States Holocaust Memorial Museum


Na Praça da Ópera (Opernplatz) de Berlim, um membro das Sturm Abteilung, Tropas de Assalto, joga livros na fogueira durante a queima pública de livros considerados "não-alemães". Berlim, Alemanha. Dia 10 de maio de 1933.

— United States Holocaust Memorial Museum


Em Hamburgo, membros da SA e estudantes da Universidade de Hamburgo queimam livros que consideram "não-alemães". Hamburgo, Alemanha, 15 de maio de 1933.

— Bildarchiv Preussischer Kulturbesitz


Estudantes e membros da SA com pilhas de livros considerados "não-alemães" durante a queima de livros em Berlim. Alemanha, 10 de maio de 1933.

— National Archives and Records Administration, College Park, Md.


Livros considerados "não-alemães", queimados pelos nazistas na"Opernplatz (Praça da Ópera). Berlim, Alemanha. 10 de maio de 1933.

— Wide World Photo


Multidão reunida na praça da Ópera de Berlim, (Opernplatz), para participar da queima de livros considerados "não-alemães" pelos nazistas. Berlim, Alemanha. Dia 10 de maio de 1933.

— Wide World Photo


Estudantes coletaram livros com caminhões, furgões e até mesmo carros de bois por toda a Alemanha e os empilharam em fogueiras nas praças públicas. Esta imagem mostra membros da SA e estudantes da Universidade de Frankfurt com carros de bois carregados de livros considerados "não-alemães". Frankfurt am Main, Alemanha, 10 de maio de 1933.

— Wide World Photo


Estudantes e membros da SA descarregam livros considerados "não-alemães" durante a queima de livros em Berlim. O cartaz diz: "Estudantes alemães marcham contra o espírito não-alemão." Berlim, Alemanha, 10 de maio de 1933.

— National Archives and Records Administration, College Park, Md.


Em 1933, Joseph Goebbels, ministro alemão da Propaganda e do Esclarecimento Popular, deu início à “sincronização da cultura”, processo pelo qual as artes foram moldadaspara atender aos objetivos do Partido Nazista. O governo expulsou os judeus e os que considerava política ou artisticamente suspeitos das organizações culturais.


Dentre as figuras de vanguarda do movimento nazista figuravam estudantes das universidades alemãs e, no final da década de 1920, muitos engrossaram as fileiras das várias formações daquela ideologia. A força do ultra nacionalismo e do anti-semitismo das organizações estudantis, cujos membros eram oriundos de uma classe média secular, já se fazia sentir há décadas. Com o final da Primeira Guerra Mundial a maioria dos estudantes se opôs à República de Weimar (1919–1933), encontrando no Nacional Socialismo um veículo ideal para expressar seu descontentamento e hostilidade política.


Em 6 de abril de 1933, a sede da Associação Estudantil Alemã para Imprensa e Propaganda proclamou um "Ato Nacional contra o Espírito Não-Germânico", para “limpar”, ou "depurar" (Säuberung) a literatura alemã pelo fogo. Suas sucursais deveriam fornecer à imprensa boletins e encomendar artigos pró-nazismo , organizar eventos em que personalidades nazistas famosas pudessem discursar para grandes massas, bem como negociar horários de transmissão pelo rádio para que fossem ouvidos dentro das casas. Em 8 de abril, a Associação Estudantil também publicou seus doze "artigos"—em uma alusão às 12 Teses do alemão Martinho Lutero contra a Igreja Católica—através das quais apresentava seus conceitos e requisitos para o estabelecimento de um idioma e de uma cultura nacionais "puras", atacava o "intelectualismo judaico", defendia a necessidade de "depuração" do idioma e da literatura alemães, e exigia que universidades se convertessem em centros do nacionalismo alemão. Os estudantes alemães descreveram o ato como uma reação à "difamatória campanha" mundial empreendida pelos judeus contra a Alemanha e uma afirmação dos valores tradicionais alemães.


Em um ato simbólico, quase que profético, no dia 10 de maio os estudantes atearam fogo a mais de 25.000 livros considerados "não-alemães", já pressagiando a era de censura política e de controle cultural que estava por vir. Na noite daquele mesmo dia estudantes de direita, vindos de todas as cidades universitárias, marcharam à luz de tochas em desfiles organizados para protestar "contra o espírito não-alemão". O ritual que desenvolveram, já predeterminado, tinha como componente básico a presença e o discurso de oficiais nazistas do alto escalão, reitores, professores universitários, e líderes estudantis. Nos locais de reunião, os estudantes lançavam pilhas e pilhas de livros indesejáveis nas fogueiras, em uma alegre cerimônia com bandas de música, canções, "juramentos" e frases de efeito.


Entretanto, nem todas as queimas de livros aconteceram naquele 10 de maio como a Associação Estudantil havia planejado. Algumas foram adiadas por alguns dias por causa das chuvas, outras, dependendo da preferência da assembléia local, aconteceram em 21 de junho, no solstício de verão, uma data festiva tradicional. Todavia, no dia 10, em 34 cidades universitárias por toda a Alemanha, o "Ato contra o Espírito Não-alemão" foi um sucesso, atraindo ampla cobertura jornalística. Em alguns lugares, particularmente em Berlim, as emissoras de rádio transmitiram "ao vivo" os discursos, as canções e as frases de efeito para inúmeros ouvintes alemães.


Também as obras de escritores alemães de renome que não agradavam ao Partido Nazista, tais como Bertolt Brecht, Lion Feuchtwange, e Alfred Kerr, foram lançadas à fogueira durante uma cerimônia de queima de livros realizada em Berlim. A propagação da cultura "ariana", e a supressão de outras formas de produção artística representaram um esforço nazista extra para a "purificação" da Alemanha. Outros escritores incluídos nas listas negras foram os autores americanos Ernest Hemingway e Helen Keller.
Museu do Holocausto

terça-feira, 16 de março de 2010

A Propaganda Política Nazista

Crianças alemãs lêem um livro de propaganda anti-semita intitulado DER GIFTPILZ ("O Cogumelo Venenoso"). A menina à esquerda segura um volume complementar, a tradução do título deste é "Confie tanto no juramento de um Judeu quanto em uma raposa no mato." Alemanha, por volta de 1938.
— Stadtarchiv N?g

"A propaganda política busca imbuir o povo, como um todo, com uma doutrina... A propaganda para o público em geral funciona a partir do ponto de vista de uma idéia, e o prepara para quando da vitória daquela opinião". Adolf Hitler escreveu tais palavras em 1926, em seu livro Mein Kampf , no qual defendia o uso de propaganda política para disseminar seu ideal de Nacional Socialismo que compreendia o racismo, o anti-semitismo e o anti bolchevismo.


Após a chegada do nazismo ao poder em 1933, Hitler estabeleceu o Ministério do Reich para Esclarecimento Popular e Propaganda, encabeçado por Joseph Goebbels. O objetivo do Ministério era garantir que a mensagem nazista fosse transmitida com sucesso através da arte, da música, do teatro, de filmes, livros, estações de rádio, materiais escolares e imprensa.


Existiam várias audiências para receber e assumir as propagandas nazistas. Os alemães eram constantemente relembrados de suas lutas contra inimigos estrangeiros, e de uma pretensa subversão judaica. No período que antecedeu a criação das medidas executivas e leis contra os judeus, as campanhas de propaganda criaram uma atmosfera tolerante para com os atos de violência contra os judeus, particularmente em 1935, antes das Leis Raciais de Nuremberg, e em 1938, após a Kristallnacht, quando do fluxo constante de legislação anti-semita sobre os judeus na economia. A propaganda também incentivou a passividade e a aceitação das medidas iminentes contra os judeus, uma vez que o governo nazista interferia e "restabelecia a ordem" (derrubada pela derrota alemã na 1ª Guerra Mundial).


A propaganda nazista também preparava o povo para uma guerra, insistindo em uma perseguição, real ou imaginária, contra as populações étnicas alemãs que viviam em países do leste europeu em antigos territórios germânicos conquistados após a Primeira Guerra Mundial. Estas propagandas procuravam gerar lealdade política e uma “consciência racial” entre as populações de etnia alemã que viviam no leste europeu, em especial Polônia e Tchecoslováquia. Outro objetivo da propaganda nazista era o de mostrar a uma audiência internacional, em especial as grandes potências européias, que a Alemanha estava fazendo demandas justas e compreensíveis sobre suas demandas territoriais.


Após a Alemanha haver quebrado o Pacto Ribentrof, que havia assinado, e invadido a União Soviética, a propaganda nazista passou a dirigir-se aos civis dentro do estado alemão, e aos soldados e policiais alemães que serviam nos territórios ocupados, bem como a seus auxiliares não-alemães, inventando um elo entre o comunismo soviético e o judaísmo europeu, e apresentando a Alemanha como defensora da cultura "ocidental" contra a ameaça "Bolchevique". Esta propaganda também mostrava uma imagem apocalíptica do que aconteceria caso os soviéticos ganhassem a Guerra e foi aumentada após a derrota catastrófica da Alemanha em Stalingrado, Rússia, em fevereiro de 1943. Este enredo serviu como instrumento para persuadir os alemães, nazistas ou não, além de colaboracionistas estrangeiros, a lutarem até o final.


O cinema, em particular, teve um papel importante na disseminação das idéias do anti-semitismo racial, da superioridade do poder militar alemão e da essência malévola de seus inimigos, como eram definidos pela ideologia nazista. Os filmes nazistas retratavam os judeus como seres "subhumanos" que se infiltraram na sociedade ariana; em 1940, por exemplo, o filme de 1940, “O Eterno”, dirigido por Fritz Hippler, que retratava os judeus como parasitas culturais ambulantes, consumidos pelo sexo e pelo amor ao dinheiro. Alguns filmes, como “O Triunfo da Vontade”, de 1935, de Leni Riefenstahl, exaltava Hitler e o movimento Nacional Socialista. Duas outras obras de Leni, “O Festival das Nações” e “Festa da Beleza” (1938), mostraram os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, promovendo o orgulho nacional com o sucesso do regime nazista naqueles Jogos.


Jornais alemães, principalmente o Der Stürmer, O Tufão, publicavam caricaturas anti-semitas para descrever os judeus. Depois que os alemães deflagraram a Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia, em setembro de 1939, o regime nazista utilizou propagandas para causar a impressão de que os judeus não eram apenas sub-humanos, mas que eram também perigosos inimigos do Reich alemão. O regime buscava obter o apoio, ou o consentimento tácito, da população alemã para as políticas que tinham como objetivo a remoção permanente dos judeus das áreas onde viviam alemães.


Durante a implementação da chamada Solução Final, i.e. o extermínio em massa de judeus, os soldados das SS nos campos de extermínio forçavam suas vítimas a apresentar uma fachada de normalidade em ocasiões em que vinham visitas ou em que tiravam fotos e filmavam os campos, chegando ao ponto de obrigar os que iam para as câmaras de gás a enviar cartões-postais para amigos e parentes dizendo que estavam sendo bem tratados e que viviam em excelentes condições, criando assim a fachada de tranqüilidade necessária para deportá-los da Alemanha, e dos países por ela ocupados, da forma menos tumultuada possível. As autoridades dos campos usavam a propaganda para acobertar as atrocidades e o extermínio em massa que praticavam.


Em junho de 1944, a Polícia de Segurança alemã permitiu que uma equipe da Cruz Vermelha Internacional inspecionasse o campo-gueto de Theresienstadt, localizado no Protetorado de Boêmia e Moravia (hoje República Tcheca). As SS e a policia estabeleceram Theresienstadt, em novembro de 1941, como um instrumento de propaganda para consumo doméstico no Reich alemão. O campo-gueto era usado como uma explicação para os alemães que ficavam intrigados com a deportação de judeus alemães e austríacos de idade avançada, de veteranos de guerra incapacitados, ou artistas e músicos locais famosos para "trabalharem" "no leste". Na preparação para a visita de 1944, o gueto passou por um processo de "embelezamento". Depois da inspeção, as autoridades das SS no Protetorado produziram um filme usando os residentes do gueto para demonstrar o tratamento benevolente, que os "moradores" judeus de Theresienstadt recebiam. Quando o filme foi finalizado, as autoridades das SS deportaram a maioria do "elenco" para o campo de extermínio Auschwitz-Birkenau.


O regime nazista até o final utilizou a propaganda de forma efetiva para mobilizar a população alemã no apoio à sua guerra de conquistas. A propaganda era também essencial para dar a motivação àqueles que executavam os extermínios em massa de judeus e de outras vítimas do regime nazista. Também serviu para assegurar o consentimento de outras milhões de pessoas a permanecerem como espectadoras frente à perseguição racial e ao extermínio em massa de que eram testemunhas indiretas.

Museu do Holocausto

domingo, 14 de março de 2010

O Levante do Gueto de Varsóvia

Judeus do gueto de Varsóvia são obrigados a marchar durante deportação. Varsóvia, Polônia, 1942-1943.

— Instytut Pamieci Narodowej

Juergen Stroop (terceiro a partir da esquerda), comandante da SS que pôs fim ao levante do gueto de Varsóvia. Varsóvia, Polônia, entre 19 de abril e 16 de maio de 1943.

— National Archives and Records Administration, College Park, Md.

Deportação de judeus do gueto de Varsóvia. Varsóvia, Polônia, 1943.


Muitos judeus que estavam aprisionados em guetos no leste europeu tentaram organizar movimentos de resistência contra os alemães e, para tal, se equiparam com armas de produção artesanal e as que conseguiam contrabandear para dentro do gueto. Entre 1941 e 1943, havia cerca de 100 grupos judeus agindo como movimentos secretos de resistência. A tentativa mais lembrada, dentre as lutas judaicas pela libertação contra um inimigo muito mais poderoso, foi a corajosa revolta armada ocorrida no gueto de Varsóvia, conhecida como "O Levante do Gueto de Varsóvia".

No verão de 1942, cerca de 300.000 judeus foram deportados de Varsóvia para Treblinka. Quando as informações sobre os assassinatos em massa nos centros de extermínio vazaram, e chegaram ao gueto de Varsóvia, um grupo de israelitas, em sua maioria jovens, formou uma organização chamada Z.O.B. (Organização Judaica Combatente, em polonês,Zydowska Organizacja Bojowa). A Z.O.B., liderada por Mordecai Anielewicz, de apenas 23 anos, divulgou um manifesto no qual pedia aos judeus que resistissem contra a embarcação nos vagões de trens [OBS: os judeus não sabiam para onde estavam sendo levados]. Em janeiro de 1943, combatentes do gueto de Varsóvia atiraram nos soldados alemães enquanto eles tentavam agrupar outro grupo de moradores para deportá-los do gueto. Os partisans usaram as poucas armas feitas por eles mesmos e as obtidas por meio de contrabando, e após alguns dias de luta os soldados alemães recuaram. Aquela pequena vitória deu alento aos lutadores do gueto para se prepararem para novos conflitos.

Em 19 de abril de 1943, quando as tropas e a polícia alemã entraram no gueto para levar mais judeus para os campos de extermínio, "O Levante do Gueto de Varsóvia" teve início. Setecentos e cinquenta combatentes judeus, pobremente armados e enfraquecidos por doenças e pela fome, lutaram contra um número muito maior de bem alimentados soldados alemães fortemente armados e bem treinados. Os combatentes do gueto conseguiram se defender por quase um mês mas, em 16 de maio de 1943, a revolta chegou ao fim. Lentamente, os alemães subjugaram a resistência. Dos mais de 56.000 judeus capturados, cerca de 7.000 foram assassinados a tiros e o restante foi deportado para os campos onde foram mortos.

Benjamin (Ben) Meed
Descreve o incêndio do gueto de Varsóvia durante a revolta do gueto em 1943

Todo o céu de Varsóvia estava vermelho. Completamente vermelho. Mas as chamas estavam tão concentradas ao redor do gueto que iluminavam a cidade inteira. Na semana seguinte foi Domingo de Ramos. Eu não podia ficar mais no lugar onde estava com meus pais, no meu esconderijo. Eu saí naquele Domingo de Ramos e fui até Plac Krasinski, onde havia uma igreja, uma igreja bem velha, e eu senti que o lugar mais seguro para mim era a igreja. Ali, eu assisti o sermão do padre. Nenhuma palavra foi dita sobre as pessoas lutando do outro lado da rua, as centenas morrendo ou sobre o incêndio. Eu parecia um bom cristão ouvindo todo o sermão. É tradicional na Polônia, após a cerimônia, o padre sair para a frente da igreja e cumprimentar a paróquia...Provavelmente isso seja algo praticado em todos os países do mesmo jeito, mas na Polônia é algo tradicional. E ele cumprimentou todos os poloneses e do outro lado da rua havia um carrossel com um parque e a música estava tocando. As pessoas colocavam as crianças no carrossel, belamente vestidas. E a musica estava tocando e eu estava no meio daquele grupo olhando para o outro lado do quarteirão, para o gueto em chamas. De quando em quando, nós ouvíamos gritos, "Olhem. Olhem. As pessoas estão pulando dos telhados". Outros faziam observações, "Os judeus estão fritando". Mas eu nunca ouvi vozes de compaixão. Talvez, existissem pessoas que pensassem de modo diferente. Era muito doloroso para mim que lá estava, impotente, sem poder fazer nada, tendo que ver e observar, sem sequer protestar ou mostrar minha raiva. Às vezes, eu sentia que precisava fazer alguma coisa, até mesmo pagar com a minha vida, começar a gritar, mas eu não o fiz. Eu não gritei. Eu não fiz nada. Eu só estava sofrendo. Mas aquela cena, provavelmente, vai permanecer comigo por toda a minha vida.

Varsóvia, Polônia
Ben era uma das quatro crianças nascidas em uma família judia religiosa. A Alemanha invadiu a Polônia no dia 1º de setembro de 1939. Depois que os alemães ocuparam Varsóvia, Ben decidiu fugir para o leste da Polônia que estava ocupado pelos soviéticos. Entretanto, ele logo decidiu voltar para sua família, que se encontrava no gueto de Varsóvia. Ben foi designado para um groupo de trabalho fora do gueto e ajudou a contrabandear pessoas para fora do gueto--incluindo Vladka (Fagele) Peltel, um membro da Organização Judaica Combatente (ZOB) que mais tarde viria a ser sua esposa. Depois disso, ele se escondeu fora do gueto e fingiu ser um polonês não-judeu. Durante a revolta do gueto de Varsóvia em 1943, Ben agiu com outros membros da resistência para resgatar os combatentes do gueto, tirando-os de lá através da rede de esgotos e escondendo-os no lado "ariano" de Varsóvia. Após a revolta, Ben conseguiu fugir de Varsóvia fingindo ser um não-judeu. Após a libertação, ele reencontrou seu pai, sua mãe e sua irmã mais nova.
— United States Holocaust Memorial Museum - Collections


Museu do Holocausto

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Campos Nazistas


Entrada principal do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau. Foto tirada na Polônia, data incerta.

— Beit Lohamei Haghettaot


Judeus do gueto de Lodz colocados em trens de carga para serem deportados para o campo de extermínio de Chelmno. Foto tirada em Lodz, Polônia, entre 1942 e 1944.

— National Museum of American Jewish History, Philadelphia


Deportação do campo de trânsito de Westerbork. Holanda, 1943-1944.

— United States Holocaust Memorial Museum


Entre 1933 e 1945 a Alemanha nazista construiu cerca de 20.000 campos para aprisionar sua milhões de vítimas. Os campos eram utilizados para várias finalidades: campos de trabalho forçado, campos de transição (que serviam como estações de passagem), e como campos de extermínio construídos principalmente, ou exclusivamente, para assassinatos em massa. Desde sua ascensão ao poder, em 1933, o regime nazista construiu uma série de centros de detenção destinados ao encarceramento e à eliminação dos chamados "inimigos do estado". A maioria dos prisioneiros dos primeiros campos de concentração era formada por alemães considerados inimigos do nazismo: comunistas, social-democratas, ciganos Roma, Testemunhas de Jeová, homossexuais e pessoas acusadas de exibir um comportamento "anti-social" ou fora dos padrões sociais. Estas instalações eram chamadas de campos de concentração porque nelas os detentos ficavam fisicamente "concentrados".


Após a anexação da Áustria pela Alemanha, em março de 1938, os nazistas prenderam e encarceraram judeus alemães e austríacos nos campos de concentração de Dachau, Buchenwald e Sachsenhausez, todos localizados na Alemanha. Logo após o violento massacre de Kristallnacht , Noite dos Cristais Quebrados, em novembro de 1938, os nazistas efetuaram prisões em massa de judeus adultos, encarcerando-os nos campos por breves períodos.


Depois da invasão da Polônia, em setembro de 1939, os nazistas abriram campos de trabalho forçado onde centenas de milhares de prisioneiros morreram de exaustão, inanição e maus tratos. As unidades das SS faziam a guarda dos campos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o sistema de campos de concentração nazistas se expandiu rapidamente. Em alguns campos médicos nazistas usavam os prisioneiros como cobaias em suas experiências “médicas”.


Após a invasão alemã da União Soviética, em junho de 1941, os nazistas aumentaram o número de campos para prisioneiros de guerra (POW), e alguns campos novos foram construídos para abrigá-los dentro de complexos onde já existiamcampos de concentração, como o de Auschwitz na Polônia ocupada. O campo de Lublin, mais tarde conhecido como Majdanek, foi construído no outono de 1941 como campo de prisioneiros de guerra, transformando-se em campo de concentração em 1943. Ali, milhares de prisioneiros de guerra soviéticos morreram fuzilados ou envenenados por gás.


Para facilitar a "Solução Final", o genocídio ou destruição em massa de judeus, os nazistas construíram campos de extermínio na Polônia, o país com a maior população judaica. O objetivo dos campos de extermínio era facilitar o assassinato em massa. Chelmno, o primeiro campo de extermínio, foi aberto em dezembro de 1941, e nele, judeus e ciganos foram mortos por envenenamento em furgões com canos de escapamento que soltavam gás para dentro dos veículos onde eles eram colocados. Em 1942, os nazistas construíram os campos de extermínio de Belzec, Sobibor, e Treblinka para matar ainda mais sistematicamente os judeus do generalgoverment, como era conhecido o território no interior da Polônia ocupada.


Os nazistas construíram câmaras de gás para tornar o processo de assassinato em massa mais eficiente, rápido e menos pessoal para os executores. Câmaras de gás eram aposentos fechados que recebiam gás letal em seu interior para matar por asfixia a quem estivesse dentro. Havia quatro câmaras de gás no campo de extermínio de Birkenau, localizado no complexo de Auschwitz. No auge das deportações para o campo, mais de 6.000 judeus eram diariamente envenenados por gás naquele campo.


Os judeus das terras ocupadas pelos nazistas foram os primeiros a serem deportados para os campos de transição, como o de Westerbork na Holanda ou de Drancy na França, de onde eram posteriormente enviados para os centros de homicídio na Polônia ocupada. Os campos de transição geralmente eram a última parada antes da deportação para um campo de extermínio.


Milhões de pessoas foram aprisionadas e submetidas a todo tipo de abuso nos campos nazistas. Só nos campos de extermínio, sob a administração das SS, os alemães e seus colaboradores mataram cerca de 2,700,000 milhões de judeus. Apenas uma pequena parte dos prisioneiros que lá foram colocados conseguiu sobreviver.


Museu do Holocausto

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

As Mulheres durante o Holocausto

Anne Frank com 11 anos de idade, dois anos antes de se esconder dos nazistas. Foto tirada em Amsterdã, Holanda, 1940.

— Anne Frank Stichting

Haika Grosman, uma das organizadoras da resistência no gueto de Bialystok e participante da revolta desse gueto. Polônia, 1945.

— Moreshet Mordechai Anilevich Memorial

Emmi G., uma arrumadeira de 16 anos diagnosticada como esquizofrênica. Ela foi esterilizada e enviada para o centro de eutanásia de Meseritz-Obrawalde onde foi assassinada com uma overdose de tranqüilizantes em 7 de dezembro de 1942. Local e data incertos.

— Karl-Bonhoeffer-Nervenklinik Fachkrankenhaus fuer Neurologie

Hildegard Kusserow, uma testemunha de Jeová, foi aprisionada por quatro anos em diferentes campos de concentração incluindo o de Ravensbrueck. Alemanha, data incerta.

— United States Holocaust Memorial Museum
Alojamento feminino no campo de Auschwitz-Birkenau. Polônia, 1944.

— National Museum of Auschwitz-Birkenau

Uma operária com um diagnóstico de esquizofrenia contestado, Gerda D., foi esterilizada. Mais tarde, as autoridades nazistas proibiram que ela se casasse por causa da esterilização. Local e data desconhecidos.

— Karl-Bonhoeffer-Nervenklinik Fachkrankenhaus fuer Neurologie

O regime nazista condenou à perseguição e à morte todos os judeus, homens e mulheres, sem distinção. O regime nazista freqüentemente submetia as mulheres, judias e não judias, a brutais perseguições que, na maioria das vezes, estavam estritamente relacionadas ao sexo das vítimas. A ideologia nazista também canalizou seu ódio em mulheres ciganas, soviéticas, polonesas, e portadoras de deficiências que viviam institucionalizadas.


Alguns campos eram destinados apenas a mulheres, e outros tinham dentro das suas instalações áreas especialmente designadas para as prisioneiras. Em maio de 1939, as SS inauguraram Ravensbrück, o maior campo de concentração nazista para aprisionamento de mulheres. Até a libertação deste campo pelas tropas soviéticas, em 1945, estima-se que mais de 100.000 mulheres haviam sido lá encarceradas. Em 1942, as autoridades das SS construíram um complexo no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau (também conhecido como Auschwitz II) destinado a servir como como campo de prisioneiras, e entre as primeiras delas estavam as que as SS haviam transferido de Ravensbrück. Em Bergen-Belsen, no ano de 1944, as autoridades do campo construíram uma extensão feminina e, durante o último ano da Segunda Guerra Mundial, as SS para lá transferiram milhares de prisioneiras judias de Ravensbrück e Auschwitz.


Os alemães e seus colaboradores não poupavam nem as mulheres nem as crianças quando conduziam suas operações de assassinato em massa. A ideologia nazista apregoava o extermínio completo dos judeus, sem levar em consideração idade ou gênero. As SS e os agentes policiais colaboracionistas executaram esta política sob o código "Solução Final" e, em centenas de localidades do território soviético ocupado, homens e mulheres foram massacrados durante as operações de fuzilamento em massa. Durante as deportações, as mulheres grávidas e as mães com crianças de colo eram sistematicamente classificadas como "incapacitadas para o trabalho", sendo prontamente enviadas para os centros-de-extermínio, onde os oficiais geralmente as incluíam nas primeiras fileiras de prisioneiros a serem enviados para as câmaras de gás.


As judias ortodoxas, acompanhadas por crianças, eram especialmente vulneráveis, já que era mais fácil reconhecê-las pelos modestos trajes religiosos que usavam, o que as tornava facilmente identificáveis. Elas também eram as vítimas favoritas de atos de sadismo durante os massacres. O grande número de filhos nas famílias ortodoxas também transformava as mulheres destas famílias em alvos especiais da ideologia nazista.


As mulheres não-judias eram igualmente vulneráveis. Os nazistas cometeram extermínios em massa de mulheres ciganas no campo de concentração de Auschwitz; mataram mulheres portadoras de deficiências físicas e mentais nas chamadas operações de eutanásia T-4 e em outras similares; e também massacraram as que acusavam de serem partisans em muitas aldeias soviéticas entre 1943-1944.


Nos guetos e campos de concentração as autoridades alemãs colocavam as mulheres para trabalhar sob tais condições que não raro elas morriam enquanto executavam suas tarefas. As judias e ciganas eram sadicamente usadas pelos “médicos” e pesquisadores alemães como cobaias em experimentos de esterilização, e outras “pesquisas” cruéis e antiéticas. Nos campos e nos guetos as mulheres eram particularmente vulneráveis a espancamentos e estupros. As judias grávidas tentavam esconder a gravidez para não serem forçadas a abortar. As mulheres deportadas da Polônia e da União Soviética para fazerem trabalhos forçados eram sistematicamente espancadas, estupradas, ou forçadas a manter relações sexuais com alemães em troca de comida e outras necessidades básicas. Muitas vezes, as relações sexuais forçadas entre as trabalhadoras escravas oriundas da Iugoslávia, União Soviética ou Polônia, e homens alemães resultavam em gravidez, e se os "especialistas em raça" determinassem que a criança a nascer não possuía "genes arianos" suficientes, as mães eram forçadas a abortar, ou eram enviadas para darem à luz em maternidades improvisadas, onde as péssimas condições de higiene garantiriam a morte do recém-nascido. Outras eram expulsas para suas regiões de origem sem nenhuma comida, roupa, ou cuidados médicos.


Muitos grupos informais de "assistência mútua" foram criados dentro dos campos de concentração pelas próprias prisioneiras, as quais garantiam sua sobrevivência compartilhando informações, comida e roupas. Em geral, os membros destes grupos vinham da mesma cidade ou província, tinham o mesmo nível educacional, ou possuíam laços de família entre si. Outras sobreviveram porque as autoridades das SS as colocavam para trabalhar no conserto de roupas, na cozinha, lavanderia e na faxina.


As mulheres tiveram papel importante em várias atividades da resistência ao nazismo. Este foi o caso das mulheres que, previamente à guerra, eram membros de movimentos juvenis socialistas, comunistas ou sionistas. Na Polônia, as mulheres serviam como mensageiras que levavam informações para os guetos. Muitas mulheres conseguiram escapar escondendo-se nas florestas no leste da Polônia e da União Soviética, e servindo nas unidades armadas dos partisans>/i>. Na resistência francesa, da qual muitas judias participaram, a atuação das mulheres não foi menos importante. Sophie Scholl, uma estudante alemã da universidade de Munique, e membro do grupo de resistência White Rose, foi presa e executada em fevereiro de 1943 por divulgar propaganda antinazista

.

Algumas mulheres lideraram ou integraram organizações de resistência dentro dos guetos. Entre elas estava Haika Grosman, de Bialystok. Outras se engajaram na resistência dentro dos próprios campos de concentração, como em Auschwitz I, onde cinco judias que haviam sido colocadas para trabalhar na separação de munição na fábrica “Vistula-Union-Metal”--Ala Gertner, Regina Safirsztajn (também conhecida como Safir), Ester Wajcblum, Roza Robota, e uma mulher não identificada, possivelmente Fejga Segal—forneceram a pólvora que foi usada para explodir uma câmara de gás e matar vários homens das SS durante um levante de membros do Sonderkommando (Grupo Especial) judeu naquele campo, em de outubro de 1944.


Outras mulheres participaram ativamente das operações de resgate e socorro aos judeus na parte da Europa ocupada pelos alemães. Entre elas estavam as judias Hannah Szenes, pára-quedista, e a ativista sionista, Gisi Fleischmann: Szenes, que vivia na área do Mandato Britânico na Palestina, saltou de pára-quedas na Hungria, em 1944, para ajudar os judeus, mas terminou sendo barbaramente torturada pelos alemães; e Fleischmann era a líder do grupo ativista Pracovna Skupina, Grupo de Trabalho, que operava dentro do Conselho Judaico de Bratislava, e que tentou deter a deportação de judeus da Eslováquia.


Milhões de mulheres foram perseguidas e assassinadas durante o Holocausto. No entanto, para todos os efeitos, foi o enquadramento na hierarquia racista do nazismo ou a postura religiosa ou política dessas mulheres que as tornaram alvos, e não o seu sexo.

Museu do Holocausto

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

História Pessoal - David (Dudi) Bergman

Descreve como foi resgatado pelos presioneiros antes que fosse levado para a morte no crematório de Dachau

Quando chegamos, eu estava desmaiado, eu era... um dos três
que sobreviveram entre as 150 pessoas que estavam no vagão. Eles estavam todos... o resto
simplesmente estava morto. O que eles fizeram foi me pegar
pelas mãos e outra pessoa pelas pernas e, então, me
jogaram em uma maca...preparando para me levar para
o crematório. Era para onde eles levavam... aquele lugar era o objetivo
deles. E eles, de alguma forma... alguém que me carregava percebeu um
movimento de minha mão, que eu ainda estava vivo. Então, arriscando a sua vida, ele
me levou para uma barraca. Na verdade, era como se fosse um banheiro. Eu
na época estava confuso, não tinha a menor idéia de nada. Eu pensei...
quando eu entrei na banheiro, foi que... eu acordei, e
pensei que estava morto. Era como se eu estivesse em outro mundo. "O que estas pessoas
estão fazendo aqui? Onde estou?" E eu pensei, estava
totalmente confuso. Não conseguia saber onde estava. Então,
alguém veio e me contou o que havia acontecido, e explicou que
eu estava, simplesmente, a poucos segundos de ser levado para o
crematório quando eles perceberam que eu estava vivo. Eles disseram,
"Você é o primeiro jovem nessa idade que conseguiu sobreviver." E
então, eles me levaram e me esconderam, secretamente dentro dos alojamentos
deles. Não era para eu estar lá, eu
me tornei um herói para eles. Ali estavam pais que
disseram que se eu havia conseguido sobreviver, quem sabe seus filhos também
conseguiriam. E eles... já que não recebia nenhuma ração, porque eu
estava [escondido]... A ração era como se fosse uma fatia de pão, o suficiente para mantê-los
vivos até eles serem realmente... levados
para o crematório. E cada um que recebia um pedaço de pão,
pegava, partia um pedaço e me dava até que ficasse uma fatia, para que eu
conseguisse sobreviver. Eles disseram: "David, você precisa sobreviver e fazer com que o
mundo saiba o que aconteceu."

Velikiye-Bychkov, Tchecoslováquia, 1931

Os alemães ocuparam a cidade onde vivia David, a qual anteriormente havia sido anexada pela Hungria, em 1944. David foi deportado para Auschwitz, e junto com seu pai foi transportado para Plaszow. David foi enviado para o campo de Gross-Rosen e para Reichenbach (Langenbielau). Ele foi uma das 3 pessoas que sobreviveram entre as 150 que estavam sendo transportadas em um vagão de transporte de gado rumo a Dachau. Ele foi libertado após uma marcha da morte, que ia de Innsbruck em direção à linha de frente de combate entre as tropas norte-americanas e as alemãs.

— United States Holocaust Memorial Museum - Collections
Museu do Holocausto

Guetos

Deportação de crianças judias do gueto de Lodz, Polônia, durante a ação "Gehsperre" (toque de recolher), setembro de 1942.

— USHMM, courtesy of Jacob Igra

Judeus carregam trouxas com seus pertences antes da sua deportação do gueto de Kovno. Kovno, Lituânia, outubro de 1943.

— United States Holocaust Memorial Museum

Combatentes da resistência judaica capturados pelas tropas das SS durante a revolta do gueto de Varsóvia. Foto tirada em Varsóvia, na Polônia, entre 19 de abril e 16 de maio de 1943.

— United States Holocaust Memorial Museum

Crianças executando trabalhos forçados em uma fábrica. Kovno, Lituânia, entre 1941 e 1944.

— United States Holocaust Memorial Museum

Chegada de um carregamento de judeus holandeses no gueto de Theresienstadt. Tchecoslováquia, fevereiro de 1944.

— United States Holocaust Memorial Museum

Judeus se mudam para o gueto de Kovno. Lituânia, ca. 1941-1942.

— United States Holocaust Memorial Museum

Deportação de judeus de Hanau, perto de Frankfurt am Main, para o gueto de Theresienstadt. Hanau, Alemanha, 30 de maio de 1942.

— United States Holocaust Memorial Museum
Placa bilíngue, em alemão e letão, avisa que a pessoa que tentar pular o muro ou entrar em contato com os judeus confinados no gueto de Riga será fuzilada. Foto tirada em Riga, Letônia, 1941-1943.

— United States Holocaust Memorial Museum


O termo "gueto" originou-se da designação italiana para o bairro judaico de Veneza, que foi criado em 1516 pelas autoridades venezianas para obrigar os judeus da cidade a lá viverem. Durante os séculos 16 e 17, diversas autoridades, desde aquelas ao nível municipal até o imperador austríaco Carlos V, ordenaram a criação de outros guetos para colocar os judeus nas cidades de Frankfurt, Roma, Praga e várias outras.


Durante a Segunda Guerra Mundial, os guetos eram regiões urbanas, em geral cercadas, onde os alemães concentravam a população judaica local, muitas vezes de outras regiões, e a forçava a viver sob condições miseráveis. Os guetos isolavam os judeus, separando-os não só das comunidades envolventes mas também de outros grupos judaicos. Os alemães estabeleceram pelo menos 1.000 guetos na Polônia e na União Soviética. As autoridades alemãs de ocupação estabeleceram o primeiro gueto na Polônia em Piotrków Trybunalski, no mês de outubro de 1939.


Os alemães consideravam o estabelecimento dos guetos como uma medida provisória de controle e segregação dos judeus enquanto a liderança nazista em Berlim discutia as opções de como concretizar a remoção daquela população. Em muitos lugares o isolamento dos guetos durou relativamente pouco tempo: alguns existiram por poucos dias, outros alguns meses ou anos. Com a implementação da "Solução Final", ou seja, o plano de extermínio de todos os judeus da Europa, iniciado no final de 1941, os alemães foram sistematicamente destruindo os guetos: os alemães e seus colaboradores locais fuzilavam os judeus nas proximidades dos guetos, junto a grandes valas onde caíam os corpos, ou os deportavam, normalmente em trens, para os campos de extermínio onde seriam assassinados. As SS e autoridades da polícia alemã deportaram uma minoria de judeus dos guetos para campos de trabalho forçado ou de concentração.

Havia três tipos de guetos: os guetos fechados, os guetos abertos, e os guetos de destruição
.


O maior gueto da Polônia era o de Varsóvia, onde mais de 400.000 judeus foram amontoados em uma pequena área de cerca de 2 quilômetros quadrados. Outros guetos importantes foram estabelecidos nas cidades de Lodz, Cracóvia, Bialystok, Lvov, Lublin, Vilna, Kovno, Czestochowas, e em Minsk. Dezenas de milhares de judeus da Europa ocidental também foram deportados para guetos no leste europeu.


Os alemães exigiam que os judeus dos guetos usassem crachás ou tarjas nos braços para facilitar sua identificação, e também que executassem trabalhos forçados para o Reich alemão. O cotidiano dos guetos era administrado por um conselho judaico, osJudenraete

, cujos membros eram escolhido pelos nazistas. A força policial dos guetos reforçava as ordens das autoridades alemãs e dos conselhos judaicos, incluindo a facilitação de deportações para campos de extermínio. A criação de autoridades policiais judaicas e dos conselhos judaicos servia para atender os caprichos das autoridades alemãs, que não hesitavam em matá-los quando achavam que suas ordens não tinham sido cumpridas.

Os judeus reagiram às restrições da vida nos guetos com uma série de tentativas de resistência. Os residentes freqüentemente se engajavam nas chamadas “atividades ilegais”, tais como contrabando de alimentos, medicamentos, armas ou informações obtidas do outro lado dos muros que os isolavam, normalmente sem o conhecimento ou aprovação dos conselhos judaicos, embora alguns deles tolerassem ou encorajassem o comércio ilegal pois aqueles bens eram necessários para a sobrevivência dos moradores dos guetos. A despeito do fato de que os alemães parecessem dar pouca importância à realização de cultos religiosos, eventos culturais e reuniões de movimentos juvenis que ocorressem dentro dos guetos, ao menor sinal de "ameaça à segurança", em quaisquer destas ocasiões, eles imediatamente encarceravam ou matavam os líderes e participantes das mesmas. Eles proibiam, sem exceção, qualquer forma de ensino formal ou informal.


Em alguns guetos, os membros dos movimentos de resistência protagonizaram revoltas armadas. A maior delas foi a revolta do gueto de Varsóvia, no início de 1943. Revoltas violentas também ocorreram em Vilna, Bialystok, Czestochowa, e em alguns outros guetos menores. Em agosto de 1944, a polícia e as SS alemãs destruíram o que restava do último grande gueto, o de Lodz.


Na Hungria, o isolamento em guetos só teve começo em 1944, após a invasão do país pelos alemães. Em menos de três meses a policia húngara, auxiliada por alemães especialistas em deportação, do Escritório Principal de Segurança do Reich ( Reichssicherheitshauptamt HA), concentraram cerca de 440.000 judeus que viviam naquele país, exceto os da capital Budapeste, em "guetos de destruição a curto-prazo” e os deportaram sob a custódia alemã através das fronteiras húngaras. A maioria foi deportada para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Em Budapeste, as autoridades húngaras determinaram que os judeus passassem a viver confinados em casas marcadas, conhecidas como Casas da Estrela de David. Algumas semanas após os líderes do movimento fascista Cruz Flechada haverem tomado o poder, em golpe orquestrado pela Alemanha, no dia 15 de outubro de 1944 o regime estabeleceu oficialmente um gueto em Budapeste, no qual cerca de 63.000 judeus passaram a viver em uma área que media pouco mais de ¼ de quilômetro quadrado. Os cerca de 25.000 judeus que possuíam documentos que os colocavam sob a proteção de países neutros foram confinados em um "gueto internacional", em outro local. Em janeiro de 1945 as forças soviéticas localizaram e liberaram a parte de Budapeste onde estavam estes dois guetos, libertando cerca de 90.000 judeus ali residindo.

Durante o Holocausto, os guetos eram uma etapa fundamental no processo nazista de controle, desumanização, e extermínio em massa dos judeus.

Museu do Holocausto

Marchas da Morte


Fotografia, tirada clandestinamente por um civil alemão, mostra prisioneiros do campo de concentração de Dachau em uma marcha da morte rumo ao sul, passando por uma vila no caminho para Wolfratshausen. Alemanha, entre 26 e 30 de abril de 1945.

— KZ Gedenkstaette Dachau


Fugindo dos avanços do exército soviético, os alemães foram obrigados a transportar de barco esses prisioneiros do campo de concentração de Stutthof rumo a oeste. Próximo a Danzig, janeiro de 1945.

— Instytut Pamieci Narodowej

Civis alemães da cidade de Nammering, sob as ordens das autoridades militares dos Estados Unidos, cavam covas para as vítimas de uma marcha da morte do campo de concentração de Buchenwald. Alemanha, maio de 1945.

— National Archives and Records Administration, College Park, Md.

Próximo ao final da Guerra, quando a força militar alemã estava entrando em colapso, as Forças Aliadas cercaram os campos de concentração nazistas. Os soviéticos chegaram pelo leste, e os britânicos, franceses e americanos pelo oeste. Freneticamente os alemães começaram a remover os prisioneiros dos campos próximos à frente de batalha e enviá-los para trabalho escravo nos campos situados dentro da própria Alemanha. No início os prisioneiros foram levados por trem e, posteriormente, seguiam a pé em longas caminhadas que ficaram conhecidas como “Marchas da Morte”.

Eles eram forçados a caminhar longas distâncias expostos ao frio extremo semagasalho, com pouca ou nenhuma comida, água ou descanso. Aqueles que não conseguiam acompanhar o grupo eram assassinados a tiros. As maiores marchas da morte aconteceram no inverno de 1944-1945, quando o exército soviético começou a libertar a Polônia. Nove dias antes dos soviéticos chegarem a Auschwitz, os alemães obrigaram dezenas de milhares de prisioneiros a marcharem daqueles campos em direção a Wodzislaw, uma cidade a 56 km de distância, de onde foram levados a outros campos em trens de carga. Em média, um em cada quatro prisioneiros morreu no caminho.

Por inúmeras vezes os nazistas executavam grandes números de prisioneiros antes, durante e depois das marchas. Em uma delas, 7.000 prisioneiros judeus, dentre eles 6.000 mulheres, foram removidos de campos na região de Danzig, que faz fronteira ao norte com o Mar Báltico, e durante aquela marcha que durou 10 dias, 700 seres humanos não resisitiram aos rigores da caminhada e morreram ou foram friamente executados pelos nazistas alemães. Os sobreviventes que conseguiram chegar à costa báltica foram obrigados a entrar na água, onde foram friamente assassinados a tiros.

Museu do Holocausto