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quarta-feira, 12 de março de 2014

Formas de Voltar para Casa


Escritor chileno Alejandro Zambra lembra dos silêncios da ditadura
Autor de 'Bonsai' e 'A Vida Privada das Árvores' lança 'Formas de Voltar para Casa'

Ubiratan Brasil - O Estado de S. Paulo

Uma ditadura não é formada apenas por mandantes intransigentes e revoltosos incansáveis – no meio do caminho, há sempre uma população silenciosa, que vive aquele período sem heroísmo, com medo ou indolência. É sobre essas pessoas que o escritor chileno Alejandro Zambra trata em Formas de Voltar para Casa, que a Cosac Naify lança .

Marcos de Paula/Estadão
O autor Alejandro Zambra

Fruto de anotações que o autor tomou durante quatro anos, a narrativa alinha momentos fictícios com reais ao mostrar um homem que relembra sua infância, passada durante a ditadura (1973-1990) de Augusto Pinochet, uma das mais sangrentas da América Latina, promovendo, segundo dados oficiais, 1.200 desaparecimentos, 3 mil execuções e inúmeros casos de tortura.

"Mais que narrar os feitos, interessava-me mostrar como convivemos com o passado, com a necessidade de entendê-lo, de mostrá-lo, de indagar quem somos", comenta Zambra, 38 anos, que conversou por e-mail com o Estado. "O narrador do livro tem muito de mim, mas me parece que o importante é que esse ‘eu’ é também, em certa medida e apesar de tudo, um nós. Creio que um problema dos chilenos da minha geração, nascidos em meados dos anos setenta, é esta hesitação entre o ‘eu’ e o ‘nós’."

Por que uniu real e ficção para transmitir sua mensagem?
Não acredito muito nessas categorias de ‘ficção’ e ‘não ficção’, pois todos os romances são autobiográficos, em certa medida. Gostaria de pensar que isso tem a ver com a poesia, que se relaciona de maneira muito mais problemática e evasiva com a ficção. Formas de Voltar para Casa não é mais autobiográfico do que Bonsai ou Vida Privada das Árvores, mas não aparenta sê-lo, talvez por ser meu primeiro romance escrito em primeira pessoa. Mais que narrar os feitos, interessava-me mostrar como convivemos com o passado, com a necessidade de entendê-lo, de mostrá-lo, de indagar quem somos. O narrador do livro tem muito de mim, mas me parece que o importante é que esse ‘eu’ é também, em certa medida e apesar de tudo, um ‘nós’. Creio que um problema dos chilenos da minha geração, nascidos em meados dos anos 70, é essa hesitação entre o ‘eu’ e o ‘nós’.

Por que a história é narrada a partir do olhar de um menino?
Creio que, em boa medida, esse romance nasceu do desejo de recordar melhor, com mais precisão, essa época quase sempre envolta em sombras, até no presente. Quando lembramos da infância como adultos, tendemos a idealizá-la ou ter dela a pior das imagens, pois é perturbador saber que estivemos ali sem ter consciência daquilo que estava ocorrendo. Mas alegar inocência é tão absurdo quanto se culpar retrospectivamente. Esse é um dos problemas centrais que quis abordar no romance – não para escrevê-lo, e sim por ser um dos problemas centrais da minha vida. E logo cheguei à ideia desse narrador, que não é um menino, e sim um adulto lembrando da infância, mas tentando recordar bem, evitando catalogar de antemão a experiência.

Você usou o romance para poder ir ao fundo de sua história pessoal, de sua relação com seus pais e sua infância?
Claro. Essa é uma maneira de encarar a obra. Quando crescemos, tornamo-nos outras pessoas e, em algum momento, perdemos totalmente o elo com a criança que fomos. Isso é natural, mas também artificial. Este romance é o livro de alguém que quer entender de onde vem, sem fechar o passado – ao contrário, abrindo-o, permitindo a circulação das histórias, por mais anódinas ou tristes que sejam. Meu interesse era falar sobre essa classe média ou média-baixa da qual venho, das pessoas que viveram aqueles anos sem heroísmo, com medo ou indolência, sem participar ativamente, silenciosos e/ou silenciados.

Pretendia escrever um romance no qual ninguém é inocente?
Sim. Sempre quis indagar como a história particular dialoga com a sociedade. Creio que nada é totalmente íntimo. Nada está à margem da história, que afeta e infecta nossas vidas permanentemente.

Qual é a importância dada à perspectiva do narrador? Há um elo entre perspectiva e verdade?
O romance foi escrito em primeira pessoa, mas creio que são dois narradores parecidos, mas não idênticos. Esse deslocamento da perspectiva me importa muito, sendo para mim o núcleo do romance. Não sei o que seria a verdade, a não ser por algo que buscamos e que nunca fixaremos definitivamente. Mas creio que a perspectiva permite um olhar mais pleno. Olhar e ver-se olhando.

Seus personagens lembram do passado de forma distinta. A tentativa de definir uma versão verdadeira do passado tem alguma possibilidade de sucesso?
Não acredito na possibilidade de se chegar a consensos, mas isso não importa; o importante é o diálogo, a busca. Não há versões finais nem verdadeiras, creio que o melhor seja tentar compreender a própria história e a das demais pessoas, e quem sabe destruir as pontes que parecem separá-las, distanciá-las. Distanciar o eu do nós. Creio que a literatura nunca simplifica os processos, mas revela sua complexidade, ou demonstra que as simplificações que os políticos buscam fazer são ilusórias e instrumentais. Tudo é sempre infinitamente mais complexo quando observamos mais de perto.

Os chilenos hoje precisam enfrentar o passado e reconhecer o papel que desempenharam?
Sim. Hoje e sempre. Uma sociedade é mais lúcida se está constantemente formulando seu presente, ou buscando compreender a relação entre passado e presente.

O narrador sente vergonha do fato de não ter perdido ninguém durante a ditadura?
Não, o que ele sente é que essas mortes, das vítimas da ditadura, não pertencem a ele, mas não lhe são alheias. Creio que o narrador sente a amargura de olhar para o passado. Uma sensação de duelo coletivo. A ditadura de Pinochet chegou ao fim muito depois do seu término oficial, pois, durante a década de 90, ele conservou um poder real: foi comandante-chefe das forças armadas e em seguida senador vitalício. A ditadura começou a terminar quando Pinochet foi detido em Londres e terminou definitivamente em 2006, com a morte dele. A sociedade chilena demorou muito para curar as feridas, ainda abertas. Ao lembrar da ditadura, o mais importante continua sendo recordar os mortos, lembrar que muitos parentes ainda não encontraram os restos de seus irmãos, seus pais, seus filhos. Mas aqueles que não sofreram de maneira direta, por sermos crianças e estarmos protegidos, participam agora do duelo coletivo. Formas de Voltar para Casa é um romance sobre a legitimidade da dor. Ninguém pode se colocar no lugar das vítimas, mas é necessário participar do duelo, a partir de um lugar diferente. E creio que a maneira de participar seja não negar a experiência que tivemos desse tempo, por mais anódina que seja, não calá-la, revivê-la, com precisão, com amor, com vontade, com as melhores palavras que encontremos.

FORMAS DE VOLTAR PARA CASA
Autor: Alejandro Zambra
Tradução: José Geraldo Couto
Editora: Cosac Naify (160 págs)
Jornal O Estado de S. Paulo

domingo, 7 de março de 2010

LA NOVELA DE LA DICTADURA EN CHILE


LA NOVELA DE LA DICTADURA EN CHILE

The novel of the dictatorship's period in Chile

Mario Lulo C. *

Pontificia Universidad Católica de Chile * Facultad de Letras, Departamento de Literatura Av. Vicuña Mackenna 4860, Macul, Santiago (Chile) mlillo@uc.cl


Resumen

Para un sector de la crítica y de la academia chilena, la gran novela de la Dictadura es una asignatura pendiente. En este artículo se problematiza este tema mediante la formulación de una hipótesis según la cual una serie de novelas aparecidas en Chile entre 1977 y 2006 cumplen con la función de narrar -desde su fragmentariedad- las causas y consecuencias del 11 de septiembre de 1973. Así, busca plantear las bases epistemológicas e históricas que posibiliten llevar a cabo una investigación de mayor alcance acerca del problema del papel de la novela durante y después de la Dictadura.

Palabras clave: Novela chilena, dictadura, memoria, posmodernidad.

CONSIDERACIONES PRELIMINARES

Prácticamente desde los inicios del período que siguió al gobierno militar, es decir, a partir de 1990, en algunos círculos académicos y críticos se ha sostenido que el relato exhaustivo y/o convincente de los acontecimientos desarrollados a partir del golpe de Estado de 1973 permanece pendiente, a la fecha. Así lo afirman, por citar dos ejemplos, escritores como Fernando Jerez: "...todavía no se ha escrito la gran obra sobre la dictadura" (2002:109) o investigadores como Horst Nitschack: "el público literario está aún esperando en vano la gran novela histórico-social sobre los acontecimientos políticos a partir de 1971 -es decir, sobre el gobierno de la Unidad Popular, el golpe militar y el gobierno militar seguidos por la época de la transición a partir de 1989-" (2002:149). Cuando se ha leído o escuchado esta afirmación más de un par de veces, el interesado en la narrativa chilena contemporánea no puede sino preguntarse si tal aseveración corresponde a los hechos, al desarrollo que ha experimentado la novela chilena post 1973. Nos proponemos abordar las afirmaciones precedentes, planteando una hipótesis que las refutan y entregar algunos elementos de juicio iniciales que permitirán analizar -en un futuro trabajo- un corpus de novelas de los últimos treinta y cuatro años a partir de 1973: diecisiete años comprendidos durante el régimen militar que gobernó el país; y diecisiete años del período que algunos identifican como la transición, otros como la postdictadura, otros como de recuperación democrática, en tanto un sector sostiene -como lo habría expresado Clausewitz mutatis mutandi- que la etapa post 1990 no es sino la continuación de la dictadura con otros medios. A la luz de la lectura de las novelas chilenas escritas en Chile durante 1973-2006, nos proponemos someter a verificación una hipótesis que podemos formular a partir de los siguientes elementos: el desarrollo de la literatura, en particular, y del arte y la cultura, en general, han tornado compleja la idea de concebir al género de la novela en términos semejantes a la noción vigente durante la década de 1960 y comienzos de los 70, es decir, como aquel producto de la práctica creadora acumulada durante siglo y medio que llevó a escritores como Mario Vargas Llosa a definir la novela como: "...múltiple, admite diferentes y antagónicas lecturas y su naturaleza varía según el punto de vista que se elija para ordenar su caos. Objeto verbal que comunica la misma impresión de pluralidad que lo real, es, como la realidad, objetividad, y subjetividad, acto y sueño, razón y maravilla. En esto consiste el "realismo total", la suplantación de Dios" (1984:31). Recordemos que la máxima aspiración de algunos de los escritores emblemáticos de la nueva narrativa hispanoamericana de la década del 60 era la creación y/o recreación de la realidad latinoamericana mediante lo que ellos -especialmente el ya citado Vargas Llosa- denominaron novela total, cuya "misión" era dar cuenta exhaustiva de la enorme complejidad social, política, racial, cultural, etc., del subcontinente. Novelas como La región más transparente, Cien años de soledad, Conversación en La Catedral, Bomarzo o, posteriormente, La guerra delfín de mundo estaban destinadas a reunir y resumir la múltiple y variopinta realidad latinoamericana encapsulada en un texto centrípeto y centrífugo a la vez. Centrípeto, por su capacidad de convocar las realidades narradas; centrífugo, por los signos que emitía en todas direcciones abarcando los mundos que procuraba encarnar: la sociedad, el arte, la política, las razas, las diversas culturas coexistentes, la religión, los diferentes tiempos históricos, la ciencia, el mito, etc. Todo ello enmarcado por una atmósfera y por un propósito capitalmente serio, ya que el espíritu de aquellos tiempos demandaba una versión propia de la sartreana littérature engagée con el hombre, con su historia y con los cambios sociales y políticos, aun cuando en la práctica fue rigurosamente intransitiva y no panfletaria. Pero, además, se requería un escritor sacerdote y aguafiestas, un crítico atento y perspicaz de las lacras de la sociedad para llevar a cabo dicho compromiso. Acaso la afirmación de escritores e investigadores con que iniciamos estas reflexiones no devele sino una suerte de nostalgia por aquella época que algunos consideran como la Edad de Oro de la novelística hispanoamericana; o bien, sea la expresión de una clase de inercia literaria que no toma en consideración los desarrollos culturales de la llamada posmodernidad que anunció hace ya algún tiempo la caída de los grandes relatos. En nuestro caso, la novela total, proteica y omniabarcante del demiurgo o suplantador de Dios, al estilo de Vargas Llosa, sería el gran relato de la modernidad literaria hispanoamericana. Este desarrollo permite sostener que el tono mayor de la novela del "boom" ha adquirido otras resonancias; que se abandona la pretensión de explicar el mundo presentado y se opta por olvidar o matizar las alegorías nacionales y por parodiar o prescindir de los grandes mitos para representar la historia de nuestro continente o de nuestros países, como lo habían hecho Gabriel García Márquez, Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa, José Donoso, Carlos Fuentes y los otros escritores del "boom" narrativo de los años sesenta (Trevizán, 2000:133).

En oposición, entonces, a la aseveración de quienes lamentan la ausencia de un texto que narre desde una visión total las circunstancias personales y sociales del último cuarto de siglo chileno, sostenemos que el relato de los acontecimientos posteriores a 1973 se ha verificado no en una gran novela total sino a través de múltiples novelas que -en el espíritu de la posmodernidad- dan cuenta de temas, sujetos, espacios, tiempos o destinos de modo parcial, fragmentario, atomizado, desperfilado. Se trataría de novelas cuya concepción y factura traducen una actitud de rechazo a todo tipo de ideología absolutista en lo filosófico, político o literario que, en cierta forma, estaba representada justamente por la novela total de los 60. En consecuencia, la presunta deuda histórica que lastraría a la narrativa post 1973 se habría ido saldando con muchas de las novelas publicadas en los últimos 34 años, dado que ellas abordan elíptica o directamente, por acción u omisión, con voz estridente, sibilina, insinuante, susurrante, meliflua, impostada, vacilante, iracunda, autoritaria, ronca, contenida o incluso afásica -valga el oxímoron- lo sucedido en el período o sus consecuencias. Todo ello, supuesto el caso que se acepte imponer al género la misión de dar cuenta de manera inmediata, sincrónica de la historia contemporánea sin otorgarle la oportunidad para adoptar una perspectiva enriquecida por el transcurso del tiempo. Si se trata de expresar literariamente el drama vivido, ignorado, conocido o intuido por los miembros de la comunidad nacional durante los años del gobierno militar, entonces no se puede desconocer el hecho de que la realidad no opera necesariamente sobre cada manifestación del arte siguiendo un criterio que podemos llamar -con Hayden White- mecanicista, reductivo, en el sentido de que a cada causa identificada por el agente respectivo, en este caso la narrativa, se le impone per se una consecuencia (1992:27) es decir, que el drama individual y/o colectivo experimentado durante los diecisiete años que comienzan en 1973 requeriría como un imperativo insoslayable una narrativa que lo fijase en la memoria y le otorgase una identidad o, por lo menos, un contorno en el cual se pudiere reconocer la comunidad como punto de partida o de llegada para restañar y hacer cicatrizar las heridas abiertas en la conciencia -y no sólo en la conciencia- de la nación. Del mismo modo, como se ha sostenido para relativizar o refutar la validez de la cronología establecida por Cedomil Goic para la fijación de "generaciones literarias" -que los escritores tienen la mala ocurrencia de nacer en cualquier año- la literatura, la narrativa post 1973 en nuestro caso, a la cual se suele asignar la misión de constituirse en archivo-denuncia de las lacras generadas por el gobierno militar, tiene la malhadada ocurrencia de relatar lo que se le viene en gana, sin seguir modas u obedecer a imperativos categóricos como el deber social, la tarea histórica o la responsabilidad ética. Desde una perspectiva ético-filosófica se puede sostener que, si durante más de tres lustros se luchó desde las más diversas trincheras reales o virtuales por la recuperación de una libertad ausente en la mayoría de los ámbitos del quehacer ciudadano -excepto en lo económico ligado al consumo- la lectura de las novelas del período indica que la actitud natural, espontánea de los escritores de la antigua o nueva "generación" no respondió sino a aquella demanda por libertad creativa -como componente del concepto total- que había formado parte de las reivindicaciones y aspiraciones de los agentes culturales. Por ello, en la interpelación por una narrativa que recupere, en términos más o menos absolutos, la memoria de la Dictadura se encuentra larvada una suerte de censura o una prescripción voluntarista que atenta contra la idea y la práctica de la libertad creativa. El dinamismo de la aventura humana, el carácter proteico que conlleva la actividad cultural que en el fin del siglo parece haberse tornado impaciente, para usar la expresión de José Joaquín Brünner (1988) responden a tiempos eminentemente modernos o posmodernos -si se quiere- de tal modo que la nostalgia por cosmovisiones, alguna vez consideradas inamovibles, ha visto reducido su espacio de juego en el escenario de un tiempo que se reduce aceleradamente.

CONTEXTO DE PRODUCCIÓN

Con el propósito de situar el problema de la novela y la Dictadura en un contexto adecuado -y refiriéndonos, en particular, a la segunda etapa post 1973- recordemos que la década del 90 en Chile está marcada por el suceso político de retorno al régimen democrático con todas las implicancias culturales que conlleva. La comunidad nacional vivió en ese momento un período de conmoción moderada y atemperada por la novedad ante el terreno en barbecho que se ofrecía en los distintos órdenes de la cultura. En el ámbito específicamente literario, el clima de agitación -ralentizado por "la medida de lo posible" y contenido "por razones de Estado"- se concentra y hace manifiesto en la intensa actividad editorial de esos años, si bien este fenómeno se había iniciado a fines de los 80. La narrativa, en especial, parece vivir un retorno a una suerte de polifonía y un avance hacia la pluridiscursividad posmoderna, no obstante que los signos de la época apuntan, de preferencia, hacia la escritura de temáticas que, como sosteníamos antes, debieran ajustar cuentas con el tiempo transcurrido y con las experiencias traumáticas vividas, de acuerdo con las expectativas que se habían formado a lo largo del régimen político anterior. A pesar de ello, la narrativa de la década del 90 está, más bien, caracterizada por la fragmentación de la escritura, por la atomización de la historia como relato épico mpetites histories; por la disgregación de temas, intereses, claves, lenguajes, modos narrativos; por un discurso literario sin pretensiones de aportar sistemáticamente -y desde su especificidad- a la construcción de una identidad nacional que, una vez más, hay que repensar y reformular, y por el descentramiento y la consecuente crítica al logocentrismo. Mediante relatos orientados de preferencia hacia el presente o el futuro, un sector importante de la narrativa de la época documenta el ascenso de la individualidad en el escenario de la vida cotidiana, no obstante la certidumbre voluntarista acumulada durante los 17 años del régimen militar de que el retorno de la democracia significaría una recuperación milagrosa e instantánea de la conciencia histórica de la nación y de que esa recuperación se expresaría en el ámbito literario mediante un ejercicio aplicado y sostenido de la escritura como arqueología de la memoria y como estadio inicial de la catarsis colectiva puesta entre paréntesis durante más de tres lustros. Pero la realidad no respondió a estas expectativas. No al menos en el caso de escritores como Gonzalo Contreras, Carlos Franz, Arturo Fontaine, Alberto Fuguet, Sergio Gómez o Jaime Collyer, por poner algunos ejemplos de narradores destacados del período. Los estudios, encuentros, seminarios de trabajo y otras instancias de discusión literaria e intelectual hicieron evidente una serie de rasgos que no respondían en plenitud a las expectativas ni a los pronósticos formulados a fines de los años 80 para la década siguiente. Así,

45 por ejemplo, en 1997, Jorge Marcelo Vargas constata la frustración de las esperanzas en el marco de un Seminario sobre la Nueva Narrativa Chilena organizado por el suplemento "Literatura y Libros" del diario La Época cuando se refiere particularmente a la Generación del 2002 contemporánea de la del 87. Alberto Fuguet (Tinta roja, 1996) Andrea Maturana (El daño, 1997) y Andrea Costamagna (Ciudadano en retiro, 1998) (75-81). En Chile, el cambio de régimen político en 1973 tuvo como consecuencia inmediata el reemplazo de la calle y del agora por el living de la casa y el televisor como escenarios forzados del intercambio eventual de bienes culturales simbólicos. De manera similar, muchos escritores de la Generación del 72, al menos aquellos que permanecieron en el país después del Golpe de 1973, también vivieron un proceso de repliegue hacia lo privado, en concordancia con las circunstancias objetivas en el ámbito político y cultural, y con la sensibilidad en hibernación de una comunidad que, a su vez, tampoco se observaba en condiciones de, o muy proclive a, llevar a cabo gestas de carácter colectivo. La tendencia progresiva hacia la atomización de la sociedad en su conjunto fue consistente con un proceso similar en los relatos, los cuales en ese momento se transforman en microrrelatos, suscitándose, así, una gran dispersión temática verificable no sólo entre los distintos narradores sino, incluso, dentro de la producción de los escritores considerados de manera individual.

De acuerdo con Rodrigo Cánovas (1997) el discurso público de las nuevas generaciones de narradores se puede resumir -en términos cronológicos- en dos corrientes principales: una primera tendencia ligada a la cultura política caracterizada por la exclusión social, por el espíritu de grupo disidente respecto de la política y la cultura oficiales y por la impronta ideológico-cultural del quehacer literario. Esta tendencia habría estado vigente desde 1975 hasta finales de la década del 80 aproximadamente. Una segunda tendencia -ya instalada en la década del 90- se encontraría cercana a la cultura del mercado y estaría caracterizada por una mayor integración social de sus miembros quienes, por añadidura, revelan un espíritu individualista y conciben su actividad de escritores como un quehacer profesional (Cfr. 1997:23). Estas dos últimas subgeneraciones actúan después de la Dictadura y son producto de ella en su manera de abordar la realidad que les tocó vivir. Se trataría de una "generación" domesticada por el miedo, por la abulia, por el dolor, por la represión cultural y corporal experimentada de preferencia -en otros- de lo cual son testigos. Estas dos tendencias son, en cierta manera, coincidentes con las que detecta Donald Shaw respecto de la literatura hispanoamericana transnacional (1996:264).

Al retorno de José Donoso desde su autoexilio en España, a comienzos de los 80, se debe en gran parte un cambio en la escritura de la época, dado que la primera imagen generacional post 1973 había centrado su interés en el género cuento y no reconocía (o no disponía de) un maestro, pero el Taller del novelista significó un giro hacia relatos de mayor aliento -la novela- y, además, la política editorial optó por un pragmatismo según el cual el público lector tendría más receptividad por este último género, dado el contexto cultural posmoderno que marcaba una clara tendencia hacia voces individuales, no colectivas como las que se hicieron oír en antologías como Contando el cuento (1986) o Andar con cuentos (1992). Además, el giro fue también en cierto sentido ideológico, al transitar la narrativa desde una escritura ligada a actitudes o posiciones en mayor o menor medida disidentes respecto de lo que estaba aconteciendo en la realidad nacional, hacia una preocupación de carácter metaliterario. Así, la autorreflexividad de la novela, en especial respecto del proceso creador, ocupó un lugar preponderante en el quehacer de los escritores de entonces. A aquellos escritores de fines de los 80 que están en una etapa de escritura o reescritura de algunas de las novelas que los harían conocidos poco después, Marco Antonio de la Parra los identifica simplemente como "...una generación de novelistas..." (1989:1).

NOVELA Y POSMODERNIDAD

Un aspecto de la postmodernidad que interesa destacar en el contexto que abordamos tiene relación con una idea que emergió en la segunda mitad del siglo XX, la cual aún forma parte del imaginario colectivo y que ha sido simplificada por los medios de comunicación. Se trata del fin de la historia, de la caída de los grandes relatos. Según Nicolás Rosa

De los sucesivos ocasos que la postmodernidad nombra, y nombra varios, el ocaso de un tiempo histórico prefigura un paso imaginario entre un tiempo fuerte -una historia dura, la del historicismo y aun la del materialismo histórico- a un tiempo tenue, una historia débil: se aflojan los lazos de la determinación y se los sustituye por los de la indeterminación, y de la certeza de la causa pasamos a la incertidumbre de lo incondicionado (1997:73).1


La afirmación de Rosa encuentra también eco en Rosa María Ravera, quien plantea, equivalentemente, la abolición de la historia en una época marcada por la proliferación de la imagen y de lo icónico, de la simultaneidad hecha posible por la cultura de la pantalla, cultura en la cual "...el sujeto disociado, libre de su problemática interioridad, capitaliza lo inmediato y agota su experiencia en el instante" (1997:124).

En el momento de analizar las novelas del período que nos ocupa -y desde la hipótesis que planteamos- confrontamos esta narrativa con algunos de los aspectos de la sensibilidad postmoderna, delineada fugazmente. El análisis pormenorizado de las novelas (1973-2006) desde la taxonomía que propondremos a modo de hipótesis metodológica puede, por añadidura, resultar iluminador en cuanto a fijar pertenencias, exclusiones o gradaciones respecto de las demandas que plantea la sociedad al género en su (supuesto) papel de historia privada de la Nación. Es necesario considerar, además, que el concepto de posmodernidad alude, en primera instancia, al ámbito temporal, puesto que intenta establecer una marca determinada en la cronología respecto del estado de la cultura y, por ello, su inclusión en nuestros supuestos teóricos es coherente con la necesidad de sentar una plataforma-marco desde la cual se pueda examinar, por ejemplo, el problema del sentido de posibilidad y de realidad, como lo entiende Robert Musil (1986:19-20) en la novelística del período, al poder establecer su carácter transitivo o intransitivo respecto al acontecer político y, en esencia, humano del momento. Por ahora, escapa a los fines inmediatos arribar a una conclusión que permita determinar si las novelas de este lapso se sitúan en el paradigma moderno o postmoderno de acuerdo con tales o cuales carácterrísticas. Uno de nuestros objetivos, a dilucidar, como punto de llegada fundamental, es en qué medida el Zeitgeist -sea este la condición moderna o la posmoderna- es un componente que explica el tratamiento discursivo-ficcional del fenómeno histórico, político, social -pero, ante todo humano- llamado Dictadura que evidencia la narrativa que se analiza. En este contexto, resulta pertinente lo que afirma Cristina Garrigós: "El arte postmodernista necesita del diálogo con el pasado porque es precisamente la conciencia del pasado la que garantiza su continuidad" (John Barth, 2002:14).

NOVELA E HISTORIA

Una vía de entrada al problema del tratamiento del presente histórico reciente en la novela de 1973-2006 consiste en averiguar de qué manera el individuo confronta el fenómeno de la historia, entendida como uno de los depósitos institucionalizados para el acopio de las experiencias del pasado. La manera como el hombre se relaciona con la historia es materia sobre la cual ya reflexionó Friedrich Nietzsche (Consideraciones intempestivas, 1967) quien distingue tres maneras de entender la historia: la monumental, la anticuaría y la crítica. Estas maneras pueden iluminar el análisis de la novelística del período, pues -a la luz de lo anterior- un aspecto que interesa esclarecer en la narrativa de la época es el modo como se configura el relato en su sentido histórico-memorialístico. Desde una perspectiva global, la narrativa de los 90 pone de manifiesto la presencia de numerosas huellas que permiten afirmar que ella se encuentra a bastante distancia respecto de la misión voluntaria de tomar a su cargo el pasado cercano de manera anticuaría o monumentalista. Una lectura preliminar de estas señales lleva a la conclusión de que no habría mucho que inventariar, celebrar o conmemorar respecto de un período de gran densidad histórica que, supuestamente, sería reivindicado, también, en el plano narrativo. Por el contrario, esas huellas permiten detectar una carencia de sentido histórico en los protagonistas y narradores de esta novelística, la cual, por cierto, traduce la cosmovisión del autor empírico. De lo anterior se podría inferir la existencia de un sujeto carente de historia y -en este marco- la escritura en general, la de la novela chilena finisecular específicamente, ya no constituiría un quehacer arqueológico que recupera y codifica los monumentos, documentos o huellas del pasado (Cfr. Ricoeur, 1996:804 y ss.) sino que se transformaría en una especie de mero ejercicio solipsista, según el cual sólo es posible conocer, más aún, sólo tiene existencia ontológica aquello que se encuentra en la esfera de lo inmediato. Una contribución a este ámbito de discusión es lo expresado por Michel Foucault, quien -al examinar el problema del texto como eventual documento, monumento o depósito de la historia- afirma: "El documento no es el instrumento afortunado de una historia que fuese en sí misma y con pleno derecho "memoria"; la historia es cierta manera, para una sociedad, de dar estatuto y elaboración a una masa de documentos de la que no se separa" (1997:10). Ricoeur enfatiza que "En nuestros días, la historia es lo que transforma los documentos en monumentos (...) la historia tiende a la arqueología, a la descripción intrínseca del monumento" (1997:11). Entonces, es pertinente interrogarse acerca de la justificación que puede esgrimir la memoria como depósito, almacén, archivo o cualquier metáfora que utilicemos cuando se trata de reconstruir discursivamente el drama histórico de la década y media de Dictadura. Pero, si la memoria no encuentra tal justificación, entonces, tal vez, la realidad de la narrativa del período revela una especie de conspiración tácita y colectiva que Pedro Milos traduciría de la siguiente manera: "Se ha querido dar vuelta pronto la página, como si la historia pudiese escribirse a punta de páginas inconclusas, relatos a medio terminar y cuentas sin saldar. No nos hemos dado el tiempo ni el coraje de la memoria. El olvido nos acecha. Nos hace creer que hemos cambiado, que ya no somos los mismos. Que podemos mirar hacia delante, sin mirarnos hacia adentro" (2000:59).2 Este "acecho del olvido" y "la orfandad" como mecanismo voluntario o involuntario de ajuste de cuentas con la memoria de la historia reciente provocan en el sujeto contemporáneo una profunda sensación de fragilidad respecto del pasado, especialmente cuando aquel constata que se puede prescindir de esta dimensión del tiempo.3

Finalmente, en el intento por llegar a verificar la hipótesis central acerca de la viabilidad de una novela omniabarcante de la Dictadura y pesquisar la pérdida del sentido histórico en el individuo contemporáneo como posible origen último del fenómeno, puede resultar útil focalizar la indagación hacia aspectos socio-históricos del problema y preguntarse, por ejemplo, por las razones de esta renuncia al pasado que podríamos atribuir a la novelística del período circunscrito. En este ámbito, Alfredo Jocelyn-Holt sustenta una hipótesis de carácter general. Según él, "...cada vez cobra más terreno entre nosotros una fuerza psicológica colectiva que nos es muy propia y que va más allá. De hecho, nos induce lisa y llanamente a renegar del pasado. En efecto, en Chile impera cada vez más un deseo de escaparse del pasado. El pasado nos produce vergüenza y hasta espanto" (2000:22). Para expresar el fenómeno en los términos ya delineados, la época contemporánea se ha tornado en el habitat de un individuo que renuncia al sentido histórico como consecuencia de una herencia indeseada, inoperante y desprovista de contenido y, en este contexto, es apropiado interrogarse en qué medida a la presunta renuncia al sentido histórico subyace una concepción de la identidad que mira ya sin nostalgia y más bien con horror hacia el pasado.4

HACIA UNA TEMATIZACIÓN DE LA NOVELA CHILENA 1973-2006

En suma, para la verificación de nuestra hipótesis se hace necesario establecer una serie de ejes temáticos que servirán a modo de hipótesis parciales que operarán como punto de partida. Hemos dividido los ejes siguiendo un criterio de carácter cronológico según lo indicado anteriormente, criterio que se refleja en un Durante y un Después de la Dictadura, y para cada proposición temática indicamos entre paréntesis uno o dos ejemplos de novelas que consideramos representativas. Sin pretender exhaustividad en la taxonomía, de la lectura de las novelas del período 1973-1989 se puede deducir la presencia de lo que denominaremos el discurso de la nostalgia en Jorge Edwards (Los convidados de piedra, 1978); José Donoso (El jardín de al lado, 1981); el discurso del desencanto en Marco Antonio de la Parra (El deseo de toda ciudadana, 1984); Jaime Collyer (El infiltrado, 1989); el discurso de redención y reivindicación en Antonio Ostornol (Los recodos del silencio, 1982); José Donoso (La desesperanza, 1986); el discurso de la caída y del duelo del sujeto en Diamela Eltit (Lumpérica, 1983); el discurso de la memoria alegórica o elíptica en José Donoso (Casa de campo, 1978); Ana María del Río (Óxido de Carmen, 1986); entre otros. Para el período 1990-2006 postulamos la emergencia de una discursividad más compleja que, sin duda, transcribe las vicisitudes de un momento cultural y político menos circunscrito que el experimentado en los 17 años anteriores. El marco dentro del cual operó la novela hasta ese momento estaba dado por las configuraciones y cosmovisiones bipolares que se desprendían del conflicto dictadura /democracia; (auto)censura/libertad creativa, etc., pero el advenimiento del régimen democrático morigerado por los resguardos y las cortapisas institucionales generados por la Carta de 1980 y por la realpolitik del momento, ampliaron las posibilidades y las necesidades de la novela, en el sentido de que ésta no se encuentra frente a las disyuntivas mutuamente excluyentes que le planteaba la realidad previa a 1990. Por ello, la lectura de la novelística posterior al cambio de régimen político evidencia un proceso de complejización en las voces enunciantes y en las temáticas, es decir, se produce aquello que denomináramos la pluridiscursividad de la novela post 1990. Así, en este período no sólo detectamos la persistencia de ciertas voces y temáticas características del pasado inmediato, como el discurso de la nostalgia o de la caída, sino además la aparición de otras que -como sosteníamos recién- dan cuenta del cruce histórico en el cual convergen el antiguo y el nuevo régimen político, social y cultural, cuya colisión da lugar a una zona intermedia, difusa, indeterminada, a un verdadero espacio del happening conformado por sujetos, voces y temas que se superponen, relevan y confunden en la brevedad de los primeros cinco o siete años del período democrático. En este nuevo período, algunas voces todavía enuncian un discurso básico de la nostalgia como es el caso de Radomiro Spotorno (La patrulla de Stalingrado, 1994) y de Darío Oses (El viaducto, 1994) pero otras, además, practican un ejercicio más sistemático de indagación de la utopía y del paraíso perdido, ejercicio apoyado en un tipo de discurso y de personajes consistentes con dicha indagación, como son los casos de Roberto Ampuero {¿Quién mató a Cristian Kustermann?, 1993) y de Ramón Díaz Eterovic (Ángeles y solitarios, 1995). Otras voces elaboran el discurso del trauma y de la pérdida a partir de una situación de descentramiento espacial o temporal, como sucede en Leandro Urbina (Cobro revertido, 1992), en Carlos Cerda (Morir en Berlín, 1993) o Mauricio Electorat (La burla del tiempo, 2004). En otras novelas parece reencarnarse lo que José Promis denomina el acoso en una versión radical sustentada por el horror, según ocurre en Diamela Eltit (Los vigilantes, 1994); Carlos Cerda (Una casa vacía, 1996). Asimismo, la novela social-documental encuentra una nueva expresión a través del discurso del sujeto desafectado de la contingencia como en Alberto Fuguet (Mala onda, 1991) o del sujeto seudoalegórico, escindido entre la historia pública y la privada, entre la grande y la petite histoire que ilustra Arturo Fontaine (Oír su voz, 1992). Por otra parte, aquello que Cánovas denomina novela de la orfandad adopta versiones tan disímiles como la de Gonzalo Contreras (El nadador, 1995) y la de Guillermo Rodríguez (Hacia el final de la partida, 2006), novelas en las cuales el sujeto expósito habla desde la más absoluta elipsis del tiempo contemporáneo o, bien, desde una militancia ya sin sustento plausible en una sociedad marcada, entre otros factores, por aquello que Tomás Moulian en Chile actual, anatomía de un mito denominó, palabras más, palabras menos, el disciplinamiento crediticio (1997). En un tema similar, pero en distintos registros, se percibe un discurso de la carencia y de la indagación emitido desde una situación de exposición generada por la ausencia de los referentes parentales. Se trata de hijas que preguntan por la familia como institución, por el padre, por la nación, intentando salvar las censuras edípicas. Es el caso de Andrea Maturana (El daño, 1997); Andrea Costamagna (Ciudadano en retiro, 1998); Andrea Jeftanovic (Escenario de guerra, 2000) y Nona Fernández (Mapocho, 2002). Cabe, además, registrar la presencia de voces que, desde una estética del simulacro, enuncian un discurso de la carencia y del vacío existenciales en la posmodernidad nacional, según se aprecia en Darío Oses (Los rockeros celestes, 1992). En fin, los años transcurridos desde 1990 parecen haber dado mayor espesor y consistencia a aquellas voces de la novela chilena que patentizan desde la cercanía afectiva (en un sentido mayoritariamente dramático) y aluden al período de la Dictadura. Así, en el último tiempo han emergido voces de la que podemos denominar postransición, que se aproximan de alguna manera a aquel subgénero de la novela que hemos reconocido como total. Por ello, nuestra investigación fija su límite cronológico en dos novelas recientes que, en una lectura preliminar, pudieran refutar o bien relativizar la hipótesis central: se trata de El desierto (2005) de Carlos Franz y Las manos al fuego (2006) de José Gai. En ellas no hay ejercicios de paráfrasis, intención alegórica ni elipsis culposa o farandulera de la memoria histórica, sino que abordan los años de régimen militar de manera frontal y desde perspectivas narrativas y temáticas que sugieren, a primera vista, un nuevo paradigma, una nueva etapa respecto de la novela de la Dictadura. Desde un punto de vista metodológico, proponemos que estos ejes contienen, en sí, nociones de alcance más general que es preciso descomponer para los efectos de un análisis de carácter inductivo, tales como el discurso del trauma, de la crisis existencial o institucional, de la caída o de la historia, implicando éstas, a su vez, nociones más acotadas y analíticamente más operacionales como la de sujeto, de memoria, de voz enunciadora. Una vez examinadas y recompuestas estas nociones en un proceso de síntesis, se podrá constatar la presencia parcial o total de un nuevo modelo derivado del corpus examinado, y se podrá eventualmente utilizar dicho modelo para su aplicación deductiva a otro corpus de novelas, permitiendo con ello la validación o refutación del modelo resultante de esta investigación.

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http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-22012009002900004&lng=pt&nrm=iso&tlng=es


Revista Alpha

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"O que signiicou a indeendência para os pobres?" , se pergunta, no cárcere, o chileno Santiago Arcos

1852

Santiago do Chile

Dos ricos é e foi, desde a independência, o governo. Os pobres foram soldados, milicianos nacionais, votaram como o patrão mandou, lavraram a terra, fizeram açudes, trabalharam nas minas carregaram, cultivaram o país, permaneceram ganhando real e meio, foram açoitados, presos aos troncos... Os pobres gozaram da gloriosa independência assim como os cavalos que em Chacabuco e Maipú avançaram contra as tropas do rei.


Sanhueta, Gabriel. Santiago Arcos, comunista, millionario y calavera. Santiago do Chile, Pacífico, 1956.

Memória do Fogo (II) - Eduardo Galeano

domingo, 1 de novembro de 2009

Santa María de Iquique

El sacrificio hecho por nuestros compañeros valdría de bien poco o de nada si nosotros hoy no fuéramos capaces de extraer lecciones de este movimiento. La historia existe para que nosotros podamos aprender de ella, para no repetir los mismos pasos y tratar de acumular experiencia que nos sirva para transformar nuestras derrotas relativas en victorias. La burguesía sacó bastantes lecciones de este movimiento, tanto en términos represivos como disuasivos (legislación laboral, etc.). - Anarkismo.net


Santa María de Iquique
Em 21 de dezembro de 1907, no extremo norte do Chile, centenas de trabalhadores chilenos, peruanos e bolivianos foram massacrados pelo exército e a marinha. Foi assim que o governo oligárquico reprimiu violentamente um movimento social espontâneo
Sergio Grez Toso

Naquele início de século 20, às vésperas do primeiro centenário da independência nacional, a “questão social” no país não podia ser mais premente. Nas minas de salitre-do-chile, prata, carvão e cobre, nas empresas portuárias, nas fábricas de Santiago, de Valparaíso, de Viña del Mar, de Concepción e outras cidades, uma classe trabalhadora que começava a aderir às ideologias do socialismo e do anarquismo encontrava-se em plena formação. Desde 1903, diante da proliferação de greves e movimentos de protesto, o Estado, preocupado com a manutenção da ordem social, reagiu às reivindicações proletárias com sucessivos massacres [1].

Tanto a classe dirigente como o Estado gozavam na época de um contexto global de grande prosperidade. Mas a desvalorização da moeda fez desabar o valor de câmbio do peso chileno de dezoito para sete centavos, provocando uma forte elevação no preço dos alimentos. A despeito da degradação de seu nível de vida e das duras condições de trabalho, as reivindicações dos operários do salitre-do-chile [2], da província de Tarapacá, no fim de 1907, eram um tanto quanto modestas. Eles exigiam receber o salário em moeda legal, não em vales. Emitidos pelas empresas, estes só podiam ser trocados pelos produtos disponíveis nos estabelecimentos comerciais (pulperías) das próprias empresas, a preços mais altos que do mercado livre.

Outras reivindicações a essa se juntavam: liberdade de comércio, para evitar esse tipo de abuso; estabilidade salarial, utilizando como norma o equivalente a dezoito centavos (peniques) por um peso; proteção para os trabalhos mais perigosos, a fim de evitar os inúmeros acidentes fatais; criação de escolas noturnas para os trabalhadores, financiadas pelas empresas. Nas empresas portuárias, ferroviárias e manufatureiras, os trabalhadores de Iquique – um dos portos mais importantes na exploração do salitre-do-chile – exigiam que seus parcos salários fossem aumentados, a fim de compensar a diminuição do poder de compra acarretada pela desvalorização monetária. Quase todo mundo – tanto no pampa [3] como em Iquique – estava de acordo em exigir a mudança para dezoito centavos.

Em 4 de dezembro, mais de trezentos trabalhadores da estrada de ferro que transportava o salitre-do-chile entraram em greve em Iquique. Poucos dias depois, os trabalhadores portuários fizeram o mesmo e, então, os de inúmeras indústrias. Mas as concessões de alguns patrões e a falta de coordenação entre os grevistas enfraqueceu o movimento.

Em pouco tempo, a situação mudou radicalmente. Em 10 de dezembro, foi a vez dos trabalhadores da oficina salitrera [4] de San Lorenzo iniciarem uma greve e, dois dias depois, diante da recusa da empresa em atender suas exigências, um punhado deles se dirigiu à oficina mais próxima, Santa Lucía, a fim paralisar suas atividades. O exemplo foi imitado e assim, percorrendo o deserto mais árido do mundo, os trabalhadores ampliaram o movimento. Nos dias que se seguiram, cada vez mais oficinas viram suas atividades paralisadas. Os trabalhadores avaliavam que, para conseguir ter suas reivindicações atendidas, teriam de seguir até Iquique, onde se encontravam representantes de companhias inglesas, chilenas, alemãs, espanholas e italianas que obtinham enormes lucros graças à exploração da fabulosa riqueza do nitrato espoliada pelo Chile do Peru e da Bolívia, durante a Guerra do Pacífico (1879-1884).

Após ter marchado por toda a noite, o primeiro grupo, com cerca de 2 mil trabalhadores, entrou na cidade no domingo, 15 de dezembro, ao alvorecer. O intendente [5] provisório Julio Guzmán, substituindo o demissionário Carlos Eastman, conversou com os trabalhadores do pampa e os representantes dos patrões. Guzmán tentou convencer os trabalhadores a ir embora, deixando em Iquique uma delegação para participar das negociações. Como os trabalhadores se recusaram a deixar a cidade enquanto suas reivindicações não fossem satisfeitas, as autoridades viram-se obrigadas a alojá-los na escola Domingo Santa María.

Entrementes, milhares de trabalhadores do pampa – alguns levando mulheres e crianças – continuavam a afluir, de trem e a pé, para Iquique. Sua presença trouxe ânimo renovado à greve dos trabalhadores da cidade, que, em 16 de dezembro, se uniram aos trabalhadores salitreiros, constituindo desse modo um Comitê Central do Pampa e do Porto Unidos, órgão diretor de todas as greves. Nesse mesmo dia, o governo do presidente Pedro Montt deu uma ordem às autoridades locais para impedir a chegada de novos pampinos [6]. Grandes contingentes militares foram enviados a Iquique. Em um dos navios vindos de Valparaíso se encontrava o intendente Carlos Eastman, reintegrado a seu posto, e o general do exército Roberto Silva Renard [7].

Após ter desembarcado em Iquique – 19 de dezembro –, Eastman se encontrou de um lado com os dirigentes grevistas e, de outro, com os dirigentes da Combinación Salitrera, uma associação patronal. Embora eles se dissessem dispostos a estudar as exigências dos trabalhadores, os patrões se recusavam a discutir sob pressão. Se o fizessem sob aquelas condições, declararam, “perderiam seu prestígio moral, o sentimento de respeito, que é a única força do patrão diante do trabalhador” [8]. O impasse se prolongou pelos dias 20 e 21 de dezembro.

Ainda no dia 21, pouco antes das duas da tarde, diante do fracasso de todas as tentativas de mediação, Eastman comunicou por escrito ao general Silva Renard a ordem de mandar evacuar a escola Santa María, onde se achavam cerca de 5 mil grevistas, aos quais se somavam quase mais 2 mil outros, reunidos na praça Montt, em assembléia permanente diante do estabelecimento. O comitê de greve se recusou a abandonar o local e se dirigir ao hipódromo. Silva Renard mandou trazer duas metralhadoras e postá-las diante da escola. Ao fim de meia hora de discussões infrutíferas entre autoridades e dirigentes operários, o general se retirou, anunciando que faria uso da força. Não mais que cerca de duzentos trabalhadores abandonaram o local sob os apupos dos companheiros.

Às quinze para as quatro começou o fogo das metralhadoras, seguido de descargas contínuas de fuzis. As balas atravessaram vários corpos e os frágeis muros da escola. Assim que os tiros cessaram, a infantaria invadiu o prédio, atirando nos trabalhadores. Os que fugiram foram perseguidos a cavalo pelos militares. Os detidos – de 6 mil a 7 mil – foram conduzidos às pressas para o hipódromo pelos soldados, que aí cometeram novos assassinatos.

No que diz respeito ao número de vítimas, o governo não admitiria mais que 126 mortos e 135 feridos, mas a imprensa operária e inúmeras testemunhas corrigiram essas estimativas para uma quantidade bem maior. As autoridades provinciais organizaram rapidamente a volta das pessoas do pampa para seus locais de trabalho e o governo central pôs barcos à disposição dos que quisessem se dirigir ao centro do país. Paralelamente, a censura da imprensa foi oficializada, ao mesmo tempo em que se iniciava a perseguição dos dirigentes trabalhistas – em especial anarquistas – que haviam conseguido escapar. Inúmeras prisões se seguiram.

A “grande greve” de Tarapacá foi violentamente reprimida pelo Estado sem que houvesse ocorrido a menor demonstração de violência por parte dos trabalhadores. Até o golpe de Estado de 1973, o massacre da escola Santa María entrará para a memória como a página mais negra do movimento operário chileno.

Mas por que uma matança dessas? O general Silva Renard justificou sua ação. Ele pretendeu ter dado a ordem de abrir fogo convencido de que não era “possível esperar mais tempo sem pôr em perigo o respeito e o prestígio das autoridades e da força pública” [9].

No debate que se seguiu na Câmara dos Deputados, o liberal Arturo Alessandri Palma defendeu que nenhum ato que exigisse a repressão fora cometido em Iquique e que a censura da imprensa decretada pelo governo nada mais era que “medo e covardia”. Medo atávico da classe dominante chilena diante da classe trabalhadora. Mas o massacre não foi resultado de um pânico incontrolável. A decisão de metralhar os grevistas fora adotada previamente à recusa destes em deixar a escola. Rafael Sotomayor, ministro do Interior, reconheceu perante a Câmara dos Deputados: os fatos de 21 de dezembro “não se deveram a um ato não premeditado, cometido por uma imprudência repreensível e desumana. Cada autoridade envolvida, avaliando a amplitude dos sofrimentos que poderiam daí advir […] calculou muito bem suas decisões […] e foi preciso recorrer a métodos extremos e dolorosos, que as circunstâncias difíceis tornaram, infelizmente, inevitáveis” [10].

Ainda que pacífico, o desafio lançado pelo movimento operário era intolerável para o poder civil e militar: “Era preciso passar à ação ou bater em retirada sem executar as ordens superiores”, declarou Silva Renard. E acrescentou: “Era preciso fazer correr o sangue de alguns rebeldes ou abandonar a cidade à inteira disposição dos revoltosos que puseram os próprios interesses e salários acima dos interesses maiores da pátria. Ante esse dilema, as forças da nação não hesitaram”.

Tratou-se de uma ação pontual de “guerra preventiva” contra os trabalhadores. Mais que uma ameaça em si, a “grande greve” de Tarapacá representava um perigo latente, em função do mau exemplo que teria sido uma atitude de fraqueza por parte do Estado e dos patrões. O leitmotiv das autoridades foi a manutenção da ordem pública pretensamente ameaçada pelos grevistas. O próprio ministro do Interior confessou ter advertido as autoridades locais da “necessidade de fazer respeitar a ordem pública a todo preço, seja qual for o sacrifício ocasionado ou o caráter doloroso do método a impor” [11].

A matança foi a expressão mais cínica da ordem oligárquica reinante no Chile no início do século 20. Em toda a história do país, o poder raramente mostrara tanto sua verdadeira cara como nessa ocasião. Ao longo dos anos seguintes, o conflito entre as classes sociais se intensificou. Os trabalhadores mais lúcidos começaram a perceber com mais clareza que o Estado estava do lado dos patrões e que, desse modo, ao mesmo tempo em que reforçavam a autonomia e unidade de suas organizações sociais, eles deviam enfrentar a burguesia para além do domínio da empresa. Foi assim que veio à luz o Partido Operário Socialista (1912); a Federação Operária Regional do Chile, um sindicato anarquista (1913); e o braço chileno do sindicato de orientação sindicalista revolucionária (igualmente anarquista), o Industrial Workers of the World (1919).

Pelo lado da burguesia, acelerou-se a tomada de consciência quanto à necessidade de utilizar prioritariamente as armas da política – leis sociais, políticas assistenciais, diálogo e cooptação – para fazer frente ao movimento operário. A “guerra preventiva” seria apenas mais uma opção em caso de nova necessidade. Foi assim que, na aurora do século 20, a matança na escola de Santa María obrigou os atores do drama social chileno a redefinir suas estratégias para as batalhas que viriam.

[1] Sergio González, Ofrenda a una masacre. Claves e indicios históricos de la emancipación pampina de 1907, Santiago, LOM Ediciones, 2007.

[2] Fertilizante mineral utilizado na Europa desde meados do século 19, o nitrato de sódio é também conhecido como salitre-do-chile. No início do século 20, o país fornecia 65% da produção mundial de adubo à base de nitrato.

[3] Pampa: palavra de origem quíchua que significa planície.

[4] Nome dado às empresas exploradoras de salitre-do-chile.

[5] Nessa época, as províncias eram dirigidas por um intendente. Elas se dividiam em departamentos, dirigidos pelos governadores.

[6] Pampino: habitante do pampa.

[7] Eduardo Devés, Los que van a morir te saludan. Historia de una masacre. Escuela Santa María de Iquique, 1907, Santiago, LOM Ediciones, 1997; Sergio González, Hombres y mujeres de la pampa: Tarapacá en el ciclo del salitre, Iquique, Taller de Estudios Regionales, 1991.

[8] Sergio Grez Toso, “La guerra preventiva: escuela Santa María de Iquique. Las razones del poder”, Mapocho, n.°50, Santiago, segundo semestre de 2001.

[9] Grez Toso, op. cit.

[10] Idem.

[11] Idem.

Le Monde Diplomatique