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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Bichos Eternos

Embrulhados em linho e encerrados com toda reverência em jazigos, as múmias de animais guardam pistas intrigantes sobre a vida e a morte no Antigo Egito.
Múmias votivas podem ser variáveis, mas nem sempre são o que parecem: o crocodilo é uma farsa - não tem nada ali dentro. Leia a reportagem completaFoto de Richard Barnes
Papiro e linho traçam os contornos de uma gazela. Leia a reportagem completaFoto de Richard Barnes; Museu Egípcio; Museu Agrícola, Cairo
Uma gazela de estimação de uma rainha era mumificada com a mesma pompa de membros da família real. Envolta em bandagens e posta num caixão de madeira feito sob medida, ela seguiu sua dona ao túmulo por volta de 945 a.C. Leia a reportagem completaFoto de Museu Egípcio do Cairo
Nos sepultamentos em massa de babuínos em Tuna el-Gebel, sacerdotes depositavam um animal votivo em cada nicho. Milhares dessas múmias foram achadas no sítio arqueológico. Leia a reportagem completaFoto de Richard Barnes
National Geographic Brasil

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Egito - Bichos eternos

Embrulhados em linho e encerrados com toda reverência em jazigos, as múmias de animais guardam pistas intrigantes sobre a vida e a morte no Antigo Egito.

Uma gazela de estimação de uma rainha era mumificada com a mesma pompa de membros da família real. Envolta em bandagens e posta num caixão de madeira feito sob medida, ela seguiu sua dona ao túmulo por volta de 945 a.C.
Foto de Museu Egípcio do Cairo

É provável que este cão de caça, cujas bandagens caíram há muito tempo, pertencesse a um faraó. Como bicho de estimação da realeza, ele "deve ter sido alimentado com pedacinhos de comida fáceis de mastigar e mimado até não mais poder", diz Salima Ikram. Foi sepultado no Vale dos Reis.
Foto de Richard Barnes

Sepultado com o cachorro (nas outras fotos), o babuíno guarda um segredo que ajudou a identificá-lo como bicho de estimação: um raio X revelou a falta de seus dentes caninos, removidos para impedir que mordesse os dedos reais.
Foto de Richard Barnes

A santidade dos três touros se estendia a suas mães, que eram preparadas para ingressar no outro mundo de maneira rebuscada, assim como esta vaca.
Foto de Richard Barnes

A casa de embalsamamento dos touros Ápis, animais sagrados na cidade de Mênfis, está em ruínas perto da aldeia de Mit Rahina. Durante 40 dias, o corpo de cada touro descansava no natrão, dentro de um massivo leito de pedra em um pátio onde o sol ajudava a ressecá-lo e desinfetá-lo.
Foto de Richard Barnes

Raio X de um esquife de madeira em forma de gato recoberto de gesso e caiado para imitar pedra calcárea, de 37 centímetros, revela o bichano lá dentro.
Foto de Richard Barnes

Faixas dobradas de linho parecem uma coleira de gato, mas o animal dentro do invólucro elaborado não era nenhum bicho de estimação. Foi morto com uma torção de pescoço - a causa da morte revelada por raios-x - para que pudesse ser mumificado e oferecido com a oração de um peregrino em um templo. (Museu Egípcio, Cairo, CG 29657)
Foto de Richard Barnes

Nos sepultamentos em massa de babuínos em Tuna el-Gebel, sacerdotes depositavam um animal votivo em cada nicho. Milhares dessas múmias foram achadas no sítio arqueológico.
Foto de Richard Barnes

A cobertura incomum de uma múmia votiva de íbis - uma concha de linho e gesso - reproduz o bico comprido e a cabeça da parede, com contas de vidro no lugar dos olhos. Pintados ao longo da lateral, embaixo de uma faixa de hieróglifos, diversos deuses se alternam com mesas de oferendas. (Museu Egípcio, Cairo, CG 29874)
Foto de Richard Barnes

Descoberta em 1914 no local onde ficava Abydos, uma íbis votiva usa a coroa elaborada de Osíris, senhor da vida após a morte. Tecido endurecido forma os dois chifres horizontais do adorno de cabeça, um disco solar e uma coluna central alta ladeada por duas penas. (Museu Egípcio, Cairo, CG 29868)
Foto de Richard Barnes

Dando prosseguimento a trabalhos que se iniciaram no final do século 19, em Abydos, arqueólogos tiram a areia do único templo funerário que sobreviveu no local. Esta estrutura de tijolos de argila pertenceu a Khasekhemwy, um governante da Segunda Dinastia que morreu por volta de 2650 a.C. Egípcios que vieram depois associaram o lugar à história mística do início dos tempos. No primeiro milênio a.C., o local se transformou em cemitério de múmias votivas, que até hoje surgem nas escavações.
Foto de Richard Barnes

Com a gentileza de sempre, a arqueóloga Salima Ikram raspa com cuidado o barro cozido para libertar um íbis do vaso onde foi sepultado há 2,7 mil anos, em Abidos. Na época, milhões desses pássaros bicavam a água em busca de comida nos alagados férteis do Nilo. Símbolos do deus Thoth, os íbis eram mais mumificados que qualquer outro animal sepultado em lugares sagrados em todo o Egito.
Foto de Richard Barnes

Uma íbis de madeira e bronze folheada a ouro é exibida no museu provinciano do Malawi. Provavelmente foi dedicada ao deus Thoth em Tuna el-Gebel, ali perto, em algum momento depois da conquista de Alexandre o grande em 332 a.C. Os gregos que se estabeleceram no Egito, e os romanos depois deles, honravam as deidades egípcias além de suas próprias.
Foto de Richard Barnes

As formas de uma ave de rapina contêm apenas ossos.
Foto de Richard Barnes

Um pacote envolto em linho esconde um íbis.
Foto de Richard Barnes

Múmias votivas podem ser variáveis, mas nem sempre são o que parecem: o crocodilo é uma farsa - não tem nada ali dentro.
Foto de Richard Barnes

A carne mumificada em exposição no Museu Egípcio do Cairo era preparada para o piquenique real no outro mundo. São patos, costelas e até um rabo de boi para sopa - tudo desidratado em natrão, envolto em linho e acondicionado num cesto de fibra de junco para o sepultamento de uma rainha.
Foto de Richard Barnes

Um babuíno que vivia em um templo foi entronizado depois de morto nas catacumbas de Tuna el-Gebel. Os sacerdotes reais rezavam e faziam oferendas em sua homenagem, sinalizando sua reverência.
Foto de Richard Barnes

Revista National Geographic

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Onde os mortos nunca dormem

Onde os mortos nunca dormem
Múmias revelam um passado sombrio da Sicília

Um rosto ressecado olha para o firmamento em uma catacumba italiana. Na Sicília, as múmias revelam detalhes sobre a vida e a morte de séculos atrás.
Foto de Vincent J. Musi

Um olho de vidro nos observa do rosto de um representante do povo em Palermo, que foi embalsamado o século 19, quando as antigas técnicas de mumificação estavam sendo substituídas por métodos modernos. De acordo com outras tradições, as entranhas do abdômen foram retiradas e o cadáver recebeu enchimento. Mas as pessoas que prepararam o corpo talvez também tenham usado uma das novas técnicas que estavam sendo exploradas por médicos em Palermo. Foi injetada na carótida, para frear o apodrecimento de maneira química, uma solução contendo arsênico, álcool ou mercúrio.
Foto de Vincent J. Musi


A capa escarlate e o chapéu negro nestes despojos em Palermo indicam que se tratava de um sacerdote. A maioria das múmias sicilianas é de clérigos ou notáveis ricos que subsidiavam os capuchinhos. Testes revelam que muitos padeciam de doenças ligadas a dietas abundantes.
Foto de Vincent J. Musi


Sob um halo de luz, um clérigo mumificado impera em seu nicho, em Piraino. As pessoas vão às criptas para orar pelas almas de parentes e pedir que intercedam por elas junto a Deus.
Foto de Vincent J. Musi


A pele fina e quebradiça feito papel velho de um clérigo em Piraino sobrevive porque os monges capuchinhos ressecaram o corpo logo após sua morte. O cadáver foi depositado num estrado para que seus fluidos corporais se escoassem. A ventilação removia a umidade, e ramos de ervas eram enfiados no corpo para mascarar o odor.
Foto de Vincent J. Musi


Com cada um dos tendões intactos, o pé de um representante do clero se sobressai das roupas mortuárias em Piraino. Esta múmia é uma das mais bem preservadas nas criptas da Sicília.
Foto de Vincent J. Musi


Alçapões diante do altar da catedral levam à cripta em Novara di Sicilia. Os santos eram enterrados sob os altares para assegurar proteção divina à igreja. Depois, passou-se a considerar que pessoas comuns também seriam beneficiadas com o hábito.
Foto de Vincent J. Musi

A tinta verde usada pelos vândalos que invadiram a cripta de Savoca em 1985 mancha a lapela de um homem do final do século 18 ou início do 19. Os restauradores já removeram as manchas das múmias propriamente ditas e agora trabalham para eliminar as marcas das roupas também.
Foto de Vincent J. Musi


Sob a catedral de Novara di Sicilia, do século 15, jazem seis sacerdotes mumificados. Sabe-se de pelo menos 50 múmias em Piraino e Savoca; cerca de 2 mil foram achadas em Palermo.
Foto de Vincent J. Musi


Em Palermo, ossadas jazem em fileiras macabras. Em 1599, corpos que se desidrataram naturalmente inspiraram os frades a mumificar os clérigos. Logo, outras pessoas quiseram ser mumificadas. "Era algo visto como um milagre", diz o antropólogo Dario Piombino-Mascali. "Uma intervenção de Deus".
Foto de Vincent J. Musi
http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/edicao-107/fotos/mumias-sicilia-478969.shtml?foto=9p

Revista National Geographic