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quarta-feira, 12 de março de 2014

Quem dança, o tédio espanta

Bailes da nobreza europeia animaram a vida social na capital do Império, dando início à cultura festiva do Rio de Janeiro

Maria Leonor Costa

Quando a corte portuguesa chegou ao Rio de Janeiro em 8 de março de 1808, houve nove dias de comemorações, com muita ovação, música e dança. Mas nada comparável aos anos de animados saraus e bailes que se seguiriam e transformariam os costumes e a vida social da cidade e do país.

O Rio de Janeiro era capital da colônia, mas não lembrava tal status, quer no aspecto arquitetônico e sanitário, quer no aspecto cultural. Enquanto escravos e classes mais baixas se divertiam nas ruas cantando e dançando, as famílias abonadas tinham praticamente como único divertimento a ida a igrejas e a festas religiosas.

A vida social da cidade e então colônia mudou completamente com a chegada da corte portuguesa. Acostumados à agenda mais intensa das cortes europeias, os novos habitantes demandavam outras formas de entretenimento, e não somente procissões, queima de fogos, cavalgadas e touradas.

Duas maneiras mais frequentes de entretenimento da nobreza e das classes abastadas na Europa eram os saraus e os bailes, e aqui não foi diferente. A elite local passou, então, a ter contato com as danças sociais europeias. Mas como estar preparado para não dar vexame no salão? Entra em cena Luís Lacombe, o primeiro professor oficial de danças sociais do Brasil.

Em Portugal, D. João mantinha uma orquestra permanente e uma companhia de balé como forma de entreter a família e a corte. Assim, em 1810, o príncipe regente ordenou a vinda de Pedro Colonna, maestro de dança responsável pelos espetáculos na Capela Real. Para ministrar aulas de música aos filhos e compor para a Capela Real, D. João também mandou vir o maestro Marcos Portugal, que passou a supervisionar e a dirigir os teatros públicos. Com ele veio Luís Lacombe, dançarino e coreógrafo, nomeado Compositor de Danças e Maestro de Danças da Casa Real, tendo sido ele o responsável pela primeira coreografia de balé de que se tem notícia no país, a que integrou a peça teatral de Marcos Portugal, L’oro non compra amore. Luís Lacombe chegou ao Rio em 11 de julho de 1811 e já em 13 de julho fez publicar na Gazeta do Rio de Janeiro o primeiro anúncio de ensino de danças a “qualquer pessoa civilizada da cidade”.

A demanda por aulas de dança aumentava à medida que a vida social ia se intensificando. A partir de 1815, como capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, o Rio de Janeiro recebia cada vez mais novos habitantes: comerciantes estrangeiros que vinham aqui prosperar, diplomatas, artistas e famílias da aristocracia rural. Todos desejosos de morar próximo à corte e poder frequentar os eventos da nobreza. Logo Luís Lacombe precisou chamar os irmãos para auxiliá-lo. Entre eles, Lourenço Lacombe, que viria a ser o professor de dança de D. Pedro II.

Uma das danças mais executadas nos salões era o minueto. Originária de festejos populares, ela foi refinada até se tornar uma coreografia complexa, cheia de mesuras e passinhos miúdos (daí a origem do nome). Também apreciada por seu ritmo rápido e alegre, era a quadrilha francesa, executada, como o nome indica, por no mínimo quatro casais em movimentos coreografados sob o comando de um líder. Em comum, essas danças tinham a característica de manter os pares afastados, pois não era de bom-tom o cavalheiro tocar em dama que não fosse sua esposa ou filha.

A restrição à aproximação demasiada dos pares perdurou por algumas décadas no Brasil, apesar de a valsa já ter dominado os salões europeus. No início, essa dança, que permitia ao cavalheiro abraçar a dama e conduzi-la de forma independente pelo salão, era vista como indecente. O “gelo” começou a ser quebrado quando o austríaco Sigismund Neukomm incluiu uma composição de valsa na apresentação que organizou para a nobreza reunida no Congresso de Viena, em 1815. No ano seguinte, Neukomm veio ao Brasil em visita e foi convidado a ministrar aulas de música aos filhos de D. João VI. Para D. Pedro, ele deu aulas de harmonia e composição. O futuro imperador se tornou, assim, o primeiro compositor de valsas brasileiras.

A preponderância da valsa só foi sentida aqui na segunda metade do século XIX. Em 1841, no baile pela coroação de D. Pedro II, para cada três contradanças francesas, executou-se uma valsa. Já no último grande baile registrado no Paço, em agosto de 1852, a valsa firmava seu império: D. Pedro II rodopiou pelo salão com várias damas da corte. A essa altura, diversas danças animavam os bailes – “umas efêmeras, que não pegavam, por esquisitas, outras com fiéis adeptos que nunca as esqueciam – as contradanças, gavotas, lanceiros, a quadrilha diplomática, a schottish com seus requebros, a polca com seus pulinhos, o rill da Virgínia, a redowa, o galope, a mazurca...”, escreve Wanderley Pinho no livro Salões e Damas do Segundo Reinado,referindo-se aos bailes no Casino Fluminense. O Casino era a mais famosa sociedade dançante do Rio, tendo como um de seus patrocinadores o Conde D’Eu.

Entre a coroação de D. Pedro II e o início da Guerra do Paraguai, em 1864, o Rio viveu uma febre de reuniões, bailes, concertos e festas que iam até o raiar do dia. Segundo uma crônica de Francisco Otaviano, em 1853, havia no Rio 365 bailes por ano. Com a guerra, os bailes arrefeceram, para retornarem triunfantes após o fim dos confrontos, em 1870.

Nas noites de baile havia um cerimonial a ser respeitado. “Depois de aberto o baile pelas pessoas para isso convidadas, e se acabarem os minuetes, seguir-se-ão as contradanças, waltz, ril etc., pela ordem estabelecida pelos mestres-salas. Eles convidarão as senhoras para cada uma destas danças, dando-lhes os pares, que serão sempre diversos; qualquer senhora que estiver cansada, ou não quiser figurar na dança proposta, o poderá fazer livremente, sem que se tenha isto por falta de delicadeza. Não serão as danças de longa duração para se evitar a fadiga; e no fim delas não se darão pateadas nem outros aplausos do costume. Assim o pede o decoro da Assembleia e o respeito devido a SS AA RR [Suas Altezas Reais]”, ensinava o impresso “Etiqueta que se há de guardar”, da sociedade recreativa Assembleia Portuguesa.

Outros costumes não se impunham através de manuais, mas eram seguidos e passados adiante. Os pares não podiam se tocar, senão com luvas. Nos carnês de dança, as moças anotavam seus compromissos, solicitados por cavalheiros que obedeciam a um ritual de aproximação. E não era só devido ao calor que as damas portavam leques: através da riqueza de detalhes do objeto era possível distinguir a posição social e as posses de sua proprietária.

Os periódicos e as revistas matavam a curiosidade da plebe sobre os bailes, descrevendo detalhadamente músicas, danças, penteados, joias e vestes das damas. Alguns chegavam a publicar croquis. Em 10 de setembro de 1841, o Jornal do Commercio noticiava um baile na Assembleia Estrangeira, em comemoração à coroação do imperador. Descrevia a entrada do monarca, o cerimonial, as danças executadas pela orquestra dirigida por Milliet – mestre das quadrilhas francesas – e informava o número de convidados (mais de mil), o número de damas (350 senhoras), a hora em que D. Pedro e as irmãs se retiraram (meia-noite) e a hora em que o baile terminou (4 horas da manhã). Em 1876, Machado de Assis registrou em versos a polca, dando pistas sobre as razões do sucesso da dança: “É simples, quatro compassos / E muito saracoteio / cinturas presas nos braços / Gravatas cheirando o seio”.

No caminho aberto por Lacombe, inúmeros professores de dança aqui se estabeleceram e se encarregaram de difundir essa nova cultura fora dos salões aristocráticos. Ora dando aulas em casas e colégios, como anunciava o francês Philipe Caton no Jornal do Comércio, em 12 de abril de 1840, ora em exibições, como a do próprio casal Caton que, ao dançar a polca nos teatros, provocou uma corrida às aulas de dança para aprendê-la – a ponto de se batizar como “polka” a epidemia de dengue daquele ano.

A adaptação da polca, tocada ao piano, aos instrumentos dos músicos de choro (sopro e cordas), somada ao molejo de um povo com tendência aos volteios e requebros de corpo, fez surgir a primeira grande contribuição da cidade à música e à dança brasileiras: o maxixe, que se espalhou pelo país e fez grande sucesso na Europa e nos Estados Unidos. Cafés, teatros de revistas, agremiações e cabarés floresciam com a demanda dos novos praticantes das danças sociais. Começava a se firmar a fama de boêmio do carioca.



Maria Leonor Costa é editora do jornal Falando de Dança e coautora da coletânea 200 anos de dança de salão no Brasil (AMAragão Edições, 2011).



Cai o regime, fica a dança

É sintomático que o período da nobreza no Brasil tenha se encerrado com um baile. O Baile da Ilha Fiscal, promovido pelo governo em homenagem aos oficiais do navio chileno Almirante Cochrane, jamais será superado em opulência. O dia 9 de novembro de 1889 teve clima de feriado, com a população se aglomerando no cais para observar os convidados a exibirem as últimas modas em penteados, toaletes e joias. Na ilha, D. Pedro II, adoentado, permaneceu apático, dançando apenas uma vez. Já a princesa Isabel e o Conde D’Eu aproveitaram bem as pistas de dança, animadas por orquestras que tocavam predominantemente valsas e polcas. O imperador se retirou à meia-noite, mas o baile continuou animado até o raiar do dia.

Os jornais esgotaram nos dias seguintes, descrevendo pormenores de decoração, cardápio, vestes, danças e gafes cometidas, mas também registrando protestos pelos gastos desmedidos, equivalentes a 10% do orçamento anual da província do Rio de Janeiro. Seis dias mais tarde era proclamada a República. Fim da era dos salões? Não! Tão logo a poeira assentou, os salões reabriram para receber os diplomatas que vinham apresentar credenciais ao novo establishment.

Saiba mais - Bibliografia
ABREU, Martha. O Império do Divino – Festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro (1830-1900). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
D'ORLEANS, François Ferdinand Philippe Louis Marie.Diário de um príncipe no Rio de Janeiro.Tradução de Maria Murray. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2006.
PARANHOS, Paulo. História do Rio de Janeiro (tempos cariocas). Teresópolis: Editora Zem, 2007.
PERNA Marco Antonio. Samba de Gafieira – a história da dança de salão brasileira.
Rio de Janeiro: Tratus Serviços Gráficos, 2005. Aquisição pelo site http://www.pluhma.com/loja/livros.danca.
Revista de História da Biblioteca Nacional

domingo, 13 de setembro de 2009

Tico-tico sem fubá


Tico-tico sem fubá
Nos anos 1940, o balé tentou incorporar elementos tipicamente nacionais à erudita arte russa
Beatriz Cerbino

Mais do que dançar, o Brasil precisa aprender a amar o balé. E, para isso, o público tem que se identificar com essa arte. É hora de ver representados os índios, negros e caboclos no palco, em temáticas genuinamente nacionais.

Este era o espírito do país nos anos 1940, quando o balé, já firmado por aqui, encontrava terreno fértil para sua difusão, e o nacionalismo atingia seu auge sob o Estado Novo de Getulio Vargas (1937-1945). Estava em curso uma espécie de fusão entre a arte erudita e a arte popular. Nessa experimentação, chegou-se a ver o chorinho “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu (1885-1935), dançado com sapatilhas de ponta pela primeira-bailarina do Theatro Municipal, Madeleine Rosay (1924-1996). E não foi um fato isolado: a bailarina Eros Volúsia (1914-2005) criou outra coreografia para a mesma música, apresentando-a nos espetáculos que fazia no Cassino Atlântico, em Copacabana. As duas chegaram a disputar a primazia da adaptação daquela canção popular para a dança clássica.

Eros Volúsia tinha a seu favor o fato de já investir havia muito tempo nesse tipo de trabalho, mostrando nos palcos do Rio danças típicas de outras regiões, como o frevo, o maracatu e o caboclinho de Pernambuco. Incansável pesquisadora de ritmos e danças nativos, ela desenvolveu uma percepção própria do que seria o “bailado brasileiro”.

A consolidação do balé no país ocorria desde o início do século. A partir da inauguração do Theatro Municipal (1909), diversas companhias estrangeiras passaram a se apresentar no Rio de Janeiro, como os Ballets Russes de Diaghilev, em 1913. Serge Diaghilev (1872-1929) foi um dos maiores diretores e produtores de balé do mundo, responsável pela revelação de grandes nomes da dança no Ocidente, como Vaslav Nijinski (1890-1950) e Anna Pavlova (1881-1931). Cinco anos depois, foi a vez de a própria Pavlova apresentar-se com sua companhia. Uma de suas bailarinas, Maria Olenewa (1896-1965), acabou se estabelecendo por aqui e foi responsável pela criação da primeira escola oficial de balé do país, a Escola de Bailados do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1927, hoje Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, e pelo surgimento do corpo de baile desse teatro, em 1936.

Nas décadas seguintes, grupos como os Ballets Russes de Monte Carlo, o American Ballet e, especialmente, o Original Ballet Russe, que fez três grandes temporadas no Rio (1942, 1944 e 1946), encantaram o público carioca com obras famosas – entre elas, “O lago dos cisnes”, “Coppélia”, “Les sylphides”, “Petrouschka” e “Os presságios”. Em comum, essas companhias tinham o fato de serem herdeiras do padrão não só empresarial, mas sobretudo artístico, adotado por Diaghilev.

O intercâmbio provocou um crescente interesse pela arte do balé no Rio de Janeiro, e, sem dúvida, o padrão russo de dança cênica era o modelo a ser seguido. Por outro lado, o regime autoritário de Getulio Vargas, instaurado em 1937, investia fortemente na valorização de temas nacionais, política que influenciava também as linguagens artísticas. O corpo, em cena, abrasileirava-se, representando de forma estilizada figuras da cultura nacional, como o índio, o negro e o caboclo. Cabia à arte identificada como “erudita”, o balé, “traduzir” com seu refinamento as danças e figuras “populares”, para que elas pudessem ser apresentadas em palcos considerados nobres, como o do Theatro Municipal.

As iniciativas de “abrasileirar” o balé viveram um período de grande efervescência. Criavam-se espetáculos com temáticas, cenários, figurinos, músicas e, claro, bailarinos brasileiros. Mas sob o comando de estrangeiros, como Eugenia Feodorova (1925-2007), Tatiana Leskova (1922), Vaslav Veltchek (1896-1967) e Yuco Lindberg (1906-1948), entre outros.

O resultado dessa dupla influência era um balé mestiço, em que a técnica européia misturava-se com as danças e os temas populares nacionais. O espetáculo “Yara” foi um bom exemplo disso. Encenado em 1946 pelo Original Ballet Russe em sua última temporada no Rio de Janeiro, mesclava lendas amazônicas com a seca do Nordeste. A produção era caprichada: a partir de um argumento original do poeta Guilherme de Almeida (1890-1969), a coreografia e o libreto foram criados pelo tcheco Ivo Vania Psota (1908-1952) e a música, composta por Francisco Mignone (1897-1986). O balé contava ainda com cenários e figurinos assinados por Cândido Portinari (1903-1962). Embora encenado pela respeitada companhia russa, o espetáculo não foi uma unanimidade. Na revista O Cruzeiro, por exemplo, o crítico Accioly Neto considerou o tema impróprio “por mostrar as mazelas do país”, e a coreografia, “inexpressiva e pouco original”.

Antes de “Yara”, a cidade já vinha assistindo a outras iniciativas que incorporavam temas e danças brasileiros ao balé. Em 1939, na primeira temporada oficial do corpo de baile do Theatro Municipal, foi montado o espetáculo “Maracatu de Chico Rei”, inspirado nas histórias referentes à construção da Igreja do Rosário, a igreja dos pretos, em Vila Rica. O argumento original de Mário de Andrade foi coreografado por Maria Olenewa. Alguns anos depois, em 1943, foi a vez de os temas nordestinos invadirem o Municipal, como no espetáculo “Uma Festa na Roça”, musicado pelo paraibano José Siqueira e coreografado por Vaslav Veltchek. Apesar de algumas ressalvas em relação à coreografia, ambos foram bem recebidos pela crítica, que apontou a riqueza e a importância da temática nacional para os espetáculos de dança.

A popularização do balé era tema recorrente na imprensa especializada. O crítico e jornalista de dança Jaques Corseuil (1913-2000) escreveu várias reportagens sobre o assunto, nas quais defendia a necessidade de se realizarem políticas e ações culturais voltadas para essa arte. Tratava-se de aproveitar a contribuição trazida pela presença dos bailarinos estrangeiros no Rio de Janeiro, que, além de dançar, coreografavam e ministravam aulas aos bailarinos brasileiros. Em um de seus textos mais incisivos, publicado na revista Brasil Musical em novembro de 1944, o jornalista descreve o amplo apoio que a dança recebia em países como a Inglaterra, os Estados Unidos e a Argentina, lamentando que o mesmo não ocorresse no Brasil. Como exemplo, cita a tentativa do artista plástico Sansão Castello Branco (1920-1956) de montar uma companhia: a Pantomima Ballet. Segundo o crítico, aquele seria um “verdadeiro representante do ‘Ballet Brasileiro’”, pois, embora coreografado pelo bailarino polonês Yurek Shabelevski (1910-1993), o grupo era formado exclusivamente por brasileiros. Não privilegiar iniciativas assim, no seu entender, só prejudicava nossa dança, já que “nacionalismo [seria] aproveitar os que estão aqui para nosso benefício artístico. (...) Temos agora tantos aqui – e o que se faz? Nada”.

Dois anos depois, Jaques Corseuil trataria de entrar em ação, ele próprio, unindo-se a Sansão Castello Branco para fundar o Ballet da Juventude. Em seus dez anos de existência, a companhia teve várias formações e contou com diferentes diretores, mas sem abrir mão do objetivo de formar bailarinos brasileiros. Inicialmente patrocinado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela Federação Atlética de Estudantes (FAE), fez sua primeira apresentação em dezembro de 1945, por ocasião das comemorações de fim de ano dessas entidades, percorrendo depois, em 1946, várias cidades mineiras e paulistas – sempre nos períodos de folga dos bailarinos no Theatro Municipal.

A iniciativa do Ballet da Juventude sinaliza uma mudança de atitude em relação a como deveria ser o balé feito no Brasil. Terminada a guerra, findo o Estado Novo, o ideal nacionalista começava a perder espaço. O que realmente importava agora não eram tanto os temas retratados, mas sim a qualidade dos profissionais. A companhia de Corseuil privilegiava exatamente isso: a formação de jovens bailarinos brasileiros.

De qualquer forma, aquele primeiro objetivo – o de fazer o Brasil apreciar a arte do balé – virou realidade. Além disso, nas décadas seguintes, a dança difundiu-se no país, obtendo grande avanço no que diz respeito à qualidade dos nossos profissionais.

Beatriz Cerbino é professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autora do livro Nina Verchinina: um pensamento em movimento (Funarte/Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 2001).

Saiba Mais - Bibliografia:

BRAGA, Paola Sechin. “Conjunto Coreográfico Brasileiro: o pioneirismo de um projeto social”. In: PEREIRA, Roberto e SOTER, Silvia (orgs.). Lições de Dança 5. Rio de Janeiro: Editora da UniverCidade, 2005, p. 69-89.

PAVLOVA, Adriana. Maria Olenewa: sacerdotisa do ritmo. Rio de Janeiro: Funarte/Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 2001.

PEREIRA, Roberto. A formação do balé brasileiro: nacionalismo e estilização. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.

SUCENA, Eduardo. A dança teatral no Brasil. Rio de Janeiro: MinC/Fundacen, 1988.

Saiba Mais - Sites:

www.elianacaminada.net/doc/Vaslav%20Veltchek.doc

www.elianacaminada.net/doc/Yuco%20Lindberg.doc

Revista de Historia da Biblioteca Nacional