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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Notícias História Viva

Jackie Kennedy não gostava de De Gaulle, Indira Gandhi e Luther King
Trechos de entrevista com mulher de John F. Kennedy revelam que o ex-presidente estava preocupado que Lyndon Johnson o sucedesse
AFP


Foto tirada em 5 de outubro de 1960 mostra Jacqueline Kennedy escrevendo seu semanário 'Esposa do Candidato'


Jacqueline Kennedy não gostava do general Charles de Gaulle, que considerava "desagradável", nem dos franceses, por achá-los egoístas. Essas confissões da mulher do ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy (1961-1963) foram gravadas em 1964 e só reveladas em um programa exibido pela rede de TV americana ABC na noite desta terça-feira.

"De Gaulle era meu herói quando me casei com Jack", declarou Jacqueline ao historiador Arthur Schlesinger. "Mas, na verdade, ele era muito desagradável", acrescentou, ao se recordar da viagem que fez à França em maio de 1961 com John F. Kennedy, que havia assumido a presidência quatro meses antes.

Jacqueline, que falava muito bem o francês por ter estudado um ano na Sorbonne quando tinha 20 anos, também não tinha um bom conceito dos franceses em geral. "Detesto os franceses (...) Eles não são gentis, só pensam em si mesmos", declarou.

Schlesinger gravou mais de oito horas de conversas com Jackie Kennedy quatro meses depois do assassinato de seu marido, em novembro de 1963, em Dallas. Ela tinha na época 34 anos.

Mas De Gaulle não era a única personalidade política que foi alvo de suas críticas escancaradas. Jackie disse também que Indira Ghandi, então futura primeira-ministra da Índia, era uma mulher "amarga, arrivista e horrível", e também não escondeu suas dúvidas sobre Marthin Luther King. Ela teria dito ao seu marido que considerava o líder dos direitos civis negros uma pessoa "falsa".

Além disso, ela revelou que Kennedy estava preocupado com o país caso seu vice-presidente, Lyndon Johnson, viesse a sucedê-lo.

A viúva do presidente disse que seu marido e seu cunhado, Robert Kennedy, haviam comentado a questão. "Bobby me disse isso mais tarde, e sei que Jack falou disso comigo algumas vezes. Ele disse: 'Oh, Deus, pode imaginar o que aconteceria com o país se Lyndon fosse presidente?'", recordou a ex-primeira-dama.

Jacqueline afirmou que seu marido tinha a intenção de manter Johnson na chapa eleitoral em 1964, mas com esperanças de impedir que se candidatasse em 1968, ao final do que poderia ter sido o segundo mandato de John F. Kennedy. "Ele não gostava da ideia de que Lyndon fosse presidente porque estava preocupado com o país", explicou.

Em outros trechos da entrevista, Jackie comentou que Kennedy chegou a brincar sobre seu próprio assassinato depois da crise dos mísseis cubanos.

A viúva recordou que seu marido perguntou uma vez ao historiador de Princeton David Donald se Abraham Lincoln teria sido considerado um grande presidente se não tivesse sido assassinado.

Donald respondeu que provavelmente não, porque, com a Guerra Civil, Lincoln teria que lidar com "o problema insolúvel" de reconstruir o sul devastado pelos combates. "E eu lembro do Jack dizendo que... depois da crise dos mísseis de Cuba, quando tudo acabou tão fantasticamente... ele disse: 'bom, se alguém for atirar em mim, esse seria o dia em que deveriam fazer isso", contou Jackie.

As memórias de Jacqueline Kennedy provêm de uma série de entrevistas realizadas pelo historiador Arthur Schlesinger, que foram mantidas em particular pela família Kennedy até agora.

As transcrições estão incluídas no livro "Jacqueline Kennedy: Conversas históricas sobre a vida com John F. Kennedy", que será publicado este mês. Essas gravações foram divulgadas por iniciativa de Caroline Kennedy pelo aniversário de 50 anos em que seu pai assumiu a presidência do país.
http://ultimosegundo.ig.com.br

Notícias História Viva

Abrigo nuclear de Kennedy guarda história da Guerra Fria
Vizinhos de bunker acreditam que local tem potencial para pôr a ilhota artificial de Peanut Island, perto de Palm Beach, no mapa

Um abrigo nuclear era algo necessário nas décadas de 1950 e 1960. O presidente John F. Kennedy, que enfrentava na época uma série de confrontos com os soviéticos, chegou até mesmo a recomendar um abrigo para todos os americanos "o mais rápido possível", em um discurso de outubro de 1961.


Foto: The New York Times
Turistas entram em abrigo à prova de radiação construído em 1961 para o presidente John F. Kennedy perto de sua casa em Palm Beach

Dois meses depois, Kennedy recebeu o seu próprio abrigo antiaéreo secreto na área costeira de Palm Beach, na Flórida, perto de uma enseada do Oceano Atlântico.

Poucas pessoas sabem que ele existe, mas alguns moradores da área acreditam que o abrigo é uma atração imperdível que poderia colocar Peanut Island, uma ilhota artificial, no mapa.

"O governo nunca declarou que existia até 1974", disse Anthony Miller, membro do conselho executivo do Museu Marítimo de Palm Beach, uma organização sem fins lucrativos que arrenda parte das terras da Peanut Island e realiza visitas ao abrigo. "Mas esse foi o segredo mais mal guardado em Palm Beach."

Com a intenção soviética de levar ogivas nucleares para Cuba, Kennedy teria um refúgio à prova de radiação a poucos minutos de helicóptero de sua casa de inverno à beira-mar em Palm Beach.

O abrigo da Flórida, que caiu em desuso na década de 1990, foi limpo e aberto para visitação em 1999, pouco depois de o museu alugar o local. Sepultado sob camadas de concreto e construído com um quarto de polegada de espessura, paredes de aço e chumbo, o abrigo parece algo pertencente ao programa de televisão Lost.

O abrigo permanece decorado mais ou menos como era na época, com peças de réplica e um selo presidencial.

Mas quanto tempo o museu poderá continuar operando o abrigo é outra questão. Ele o tem operado no vermelho há anos, segundo Miller, e os curadores estão envolvidos em uma disputa de décadas com alguns comissários do condado de Palm Beach para abrir um restaurante, como muitos museus fazem, para ajudá-los a sustentar o projeto.

Priscilla Taylor, uma comissário do condado que disse estar aberta a um restaurante caso alguns problemas sejam abordados, disse que a questão pode ser reconsiderada. "É um lugar muito bonito", disse. "O abrigo tem uma história para contar, e ele deve ser incluído em qualquer coisa que possamos fazer para promover o turismo na ilha."

*Por Lizette Alvarez
http://ultimosegundo.ig.com.br

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Kennedy inventa Kennedy

Seu governo foi efêmero, mas a lenda permanece, apesar das múltiplas biografias que desancam o personagem. Sua vida é cercada de uma aura que ele soube construir na mídia, que lhe garantiu a imagem de homem mais popular dos Estados Unidos.
por André Kaspi

Ainda candidato, descansando no apartamento em Boston


O paradoxo é surpreendente. John Fitzgerald Kennedy se tornou presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 1961. Foi assassinado numa rua de Dallas em 22 de novembro de 1963. Exerceu a presidência durante apenas 1.036 dias. O que é muito pouco. Sem ter tido a chance de uma longa permanência no poder, como aconteceu com Franklin Roosevelt, Kennedy, entretanto, permanece na América como uma de suas personalidades mais conhecidas, celebrizadas e mitificadas.

Eventos da maior importância aconteceram durante sua presidência. Por duas vezes, em abril de 1961 e outubro de 1962, Cuba e Fidel Castro ocuparam lugar de destaque na cena internacional. No curso do segundo episódio, a tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética esquentou tanto que muitos temeram a explosão de uma terceira guerra mundial, coisa ainda mais assustadora porque o conflito teria oposto duas superpotências nucleares, com arsenais capazes de destruir todo o planeta. Foi também nessa época que os Estados Unidos se envolveram cada vez mais fundo no conflito vietnamita, que a desigualdade entre negros e brancos conflagrou a sociedade americana, que a condição feminina entrou nas preocupações dos políticos, que o governo federal se esforçou para estender a assistência médica dos pobres às pessoas com mais de 65 anos de idade. Seria injusto concluir que nada de importante pontilhou os dois anos e meio da presidência de Kennedy. Da mesma forma seria inexato pretender que o mundo mudou radicalmente, que Kennedy teve tempo de alterar as relações internacionais, a vida econômica e social, e a correlação de forças políticas.

O tempo nada produz por acaso. Mais de 40 anos depois da tragédia de Dallas, o nome de Kennedy prossegue prestigiado. Dois terços dos americanos consideram que ele foi o presidente mais importante do século XX, tendo realizado uma tarefa extraordinária e que encarna uma América vitoriosa e segura de si. Ted Kennedy, o irmão do presidente, é senador por Massachusetts. Até morrer, sua viúva, Jacqueline Kennedy, tornada Jacqueline Onassis, perseguida pelos paparazzi e pelos jornalistas da imprensa popular, não pôde escapar da notoriedade. Kennedys disputam eleições ou apóiam seus cônjuges, como é o caso de Maria Shriver, sobrinha de John Kennedy e esposa de Arnold Schwarzenegger. A morte acidental de John Kennedy Jr., o filho do ex-presidente, comoveu profundamente tanto os americanos quanto outros povos. A explicação para isso é, a um só tempo, simples e complicada.

Existe um mito Kennedy. Convém analisá-lo mais de perto e sobretudo entender suas particularidades.


Kennedy jamais deixou de cuidar de sua imagem. Ele sem dúvida herdara do pai a vontade de cativar a opinião pública. E a carreira política, na qual ingressou em 1946, aos 29 anos, reforçou essa tendência. O patriarca Joseph Kennedy enviara os dois filhos mais velhos a Londres. Na Inglaterra, eles assistiram às aulas de Harold Lasky na London School of Economics, para adquirir indispensáveis conhecimentos e para ostentar a filiação a um dos mais brilhantes economistas da época.

Depois que John redigiu sua tese de doutorado, um jornalista experimentado foi encarregado de reescrevê-la para que fosse publicada e apreciada pelo grande público. As proezas do jovem no Pacífico Sul, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, foram narradas em termos épicos, e o relato foi divulgado entre os eleitores.

Enfim um congressman (isto é, um membro da Câmara dos Representantes) de 1947 a 1953, senador de 1953 a 1961, depois presidente dos Estados Unidos, John Kennedy manteve relações privilegiadas com os jornalistas. Ele lhes abria informações confidenciais, elogiava seu trabalho ou lhes dirigia críticas amistosas.

Os fotógrafos eram igualmente adulados. Tinham acesso à intimidade da família. Os pais, os irmãos, as irmãs, as crianças proporcionavam excelentes clichês. Na propriedade familiar de Hyannis Port, ao longo do Cabo Cod, em Washington, nos confins da América ou no estrangeiro, nada era mais fácil que obter um flagrante de John, de Jacqueline, com a condição de que a fotografia tivesse a ver com o tema.

Cabelos ao vento, aclamado pela multidão, brincando com o filho ou a filha, em sua lancha, no gabinete da Casa Branca, John Kennedy aparecia nos álbuns consolidando a idealização de juventude, alegria, elegância, responsabilidade.

O nascimento do culto


Além disso, ele sabia usar admiravelmente bem a televisão, como nos debates que precederam as eleições presidenciais de novembro de 1960. Depois, persuadiu Jacqueline a receber uma equipe de televisão para mostrar os novos arranjos da Casa Branca. Todos os momentos da vida pública e a maior parte dos instantes da vida privada construíram a imagem de um homem, de um líder, destinado às mais altas tarefas, decidido a conquistar o coração das multidões. Nesse sentido, Kennedy inventou o mito Kennedy.

O assassínio fez nascer um verdadeiro culto. Uma moeda de meio dólar foi cunhada com a efígie de Kennedy. Ruas, avenidas, o aeroporto principal de Nova York, a base de lançamento de foguetes e naves espaciais da Flórida, escolas e colégios, monumentos foram batizados com seu nome. A América e o "mundo livre" renderam homenagens ao presidente-mártir. Ele se transformou em símbolo da razão, da democracia, do diálogo e do dinamismo abatidos pelas forças do mal. Elevou-se acima de seu tempo, reunindo todas as qualidades da América, ascendendo ao papel de herói. Os contemporâneos ficaram aterrados, questionando como um homem com tal têmpera, um espírito superior, pôde ser vítima do caos, da violência e da intolerância. Ao mesmo tempo, refletiam sobre a espécie de mundo em que todos viviam e o que deveria ser feito para combater os impulsos diabólicos ou, ainda, quais os meios para salvaguardar uma herança tão preciosa. Os primeiros testemunhos da história da presidência contribuíram para esculpir a estátua. A lenda, assim, ganhou corpo.

No próprio coração da lenda, a oposição entre sua juventude e sua morte. Apareceu então uma família unida. Os pais eram descendentes da imigração irlandesa, que foi, durante décadas, vítima de discriminação. Tiveram quatro filhos e cinco filhas. Os meninos eram felizes. Aproveitaram-se com inteligência e determinação da fortuna familiar. Mas a infelicidade andava à espreita. Uma das moças era deficiente mental; outra morreu num acidente de avião. O filho mais velho, em 1944, foi morto enquanto comandava um bombardeiro. John foi encarregado de levar em frente as esperanças do clã. Ele pertencia à nova geração, aquela que fizera a guerra e servira o país. Com a ajuda da família, superou os obstáculos, foi eleito e reeleito em cargos representativos. Entrou para a Casa Branca, pregou o diálogo, exaltou as virtudes de seus concidadãos. Em torno dele, os amigos, os seguidores, os conselheiros constituíram uma espécie de corte do rei Artur, o da legendária Camelot. Eles fizeram de seu tempo um fugaz momento iluminado. Com o presidente Dwight Eisenhower, a tristeza prevalecia. Com Kennedy, a inteligência, a euforia e a beleza triunfaram.

Raio sobre o planeta


Mas que não haja engano! Kennedy acreditava na sua boa estrela e, ao mesmo tempo, tinha senso de humor. Ele sabia também como recolocar as coisas em seu devido lugar. Um dia, um jornalista lhe perguntou: "Como você se tornou herói durante a guerra?". A resposta: "Por acaso. Atingiram meu barco". Nada nem ninguém merece ser levado exageradamente a sério. Ora, de repente, um raio caiu sobre o planeta. Era a morte uma vez mais. Resultou de um ato odioso. Os policiais prenderam Lee Harvey Oswald, o suposto assassino. Em 24 de novembro, 48 horas depois do homicídio, o matador também foi assassinado diante das câmeras de televisão. E o mistério tornou-se ainda mais denso. Os boatos mais estapafúrdios começaram a circular. Interpretações, racionais ou fantasiosas, foram levantadas e em seguida descartadas. Quanto mais o tempo passava, mais impossível tornava-se descobrir a verdade indiscutível. Em 5 de junho de 1968, durante as primárias democratas da Califórnia, seu irmão Robert Kennedy também foi abatido. Uma vez mais os Kennedy foram colocados no meio de uma tragédia, tanto mais traumatizante porque ocorreu no meio do sucesso, no momento em que menos se esperava.

John Kennedy lançou o combate à pobreza, apoiou o movimento dos direitos civis em favor da igualdade de negros e brancos, propôs novas medidas de amparo social. Colocou a América em movimento. Mas não concluiu sua obra. Por isso, o mito compreende um segundo elemento: se tivesse terminado seu primeiro mandato e obtido um segundo, Kennedy poderia ter mudado os Estados Unidos e o mundo. Ele soube conduzir a crise dos mísseis, em outubro de 1962, que o fez entrar em confronto com os soviéticos.

Após o grande espetáculo do enterro começou o tempo das investigações. Mas além das buscas policiais, os jornalistas e historiadores trataram de desenhar o verdadeiro retrato de John Kennedy e o balanço de sua presidência. O mito perdeu brilho.

Kennedy foi um homem de paz, mas nos quadros da Guerra Fria. Diz-se que ele rejeitou o diálogo com Moscou e transformou os Estados Unidos num terrível arsenal de destruição nuclear. Ele não conseguiu livrar Cuba de Fidel Castro, embora tenha tentado por todos os meios. Quanto ao Vietnã, não há como afirmar, com segurança, que ele teria evitado o envio de meio milhão de soldados. Sua vida privada foi passada a limpo. Bom filho, bom marido, bom pai, todas as versões foram examinadas.

Kennedy foi descrito sob uma ótica francamente menos favorável. Suas aventuras extraconjugais (ler o quadro "Escravo da libido"), a atmosfera deletéria que reinava na família, os laços estreitos com personagens duvidosas, até da Máfia, tão logo foram descobertos, comprometeram sua boa imagem. John Kennedy não era mais o James Dean da política. A juventude deixou de ter motivos para lhe dedicar um culto fervoroso. Ele deveria sucumbir ao plano dos ídolos desconstruídos. Os historiadores, entretanto, não conseguiram destruir o mito.

Ainda hoje Kennedy não se coloca no rol dos presidentes comuns, cujos nomes e épocas tempos depois caem nas brumas esquecidas do passado. Os norte-americanos continuam a admirá-lo. O juízo que fazem dele ajuda a esclarecer sua maneira de enxergar os anos 60. Naquele tempo, os Estados Unidos enfrentavam um adversário à sua altura: a União Soviética, a outra superpotência nuclear, que também tinha o poder de destruir o planeta em alguns segundos. Na época da Guerra Fria, os Estados Unidos não tinham se confrontado ainda com as rebeliões urbanas dos anos 60, as violências provocadas pela Guerra do Vietnã, o escândalo de Watergate, a complexidade quase insondável do Oriente Médio, os excessos e frustrações das reformas sociais. A prosperidade não parecia correr riscos. Em uma palavra, a América ainda acreditava no progresso. Sem temores nem inquietações de alma, ela afirmava sua moral e sua legitimidade. A memória nacional, pouco exigente com a verdade histórica, faz desse período uma época abençoada. Por meio do mito que o envolve, John Kennedy encarna a América dinâmica, forte e feliz.

-Tradução de Roberto Espinosa

Escravo da Libido
Por trás da imagem romântica ocultava-se um homem que diziam vulnerável a impulsos amorosos quase incontroláveis.
Durante cerca de 30 anos depois de seu assassinato, em novembro de 1963, John Fitzgerald Kennedy continuaria a encarnar a construída imagem do marido-modelo.

Havia o sorriso luminoso de Jackie, com quem se casara em 1953; havia John John imortalizado brincando no escritório do pai; havia ainda milhares de fotografias do tão simpático presidente. Um chefe de Estado muitas vezes captado pelas lentes com o peito nu, em simbiose perfeita com a reputação de "amante da nação americana" cultivada por numerosos biógrafos. Mas no início dos anos 1990, sob o fogo alimentado por revelações, o mito começou a vacilar. Pior, o vício logo substituiu a virtude: aos poucos passou-se a suspeitar da existência de um JFK "sex addict" (viciado em sexo), pronto para encontros furtivos, tendo como batedores os serviços secretos e sua assessoria.

Preparando-se para o debate televisivo com Richard Nixon - um momento decisivo da campanha presidencial de 1960 -, Kennedy indagou a seu assistente Langdon Marvin: "Já foram providenciadas as moças para amanhã?". O futuro presidente, uma hora e meia antes de entrar no estúdio, esteve num quarto de hotel acompanhado por uma garota de programa. Sua atuação contra Nixon foi memorável. JFK ordenou então "que nós lhe arranjássemos uma garota antes de cada debate", confidenciou Langdon Marvin. Diante dessas revelações, os guardiões do templo do clã Kennedy irritaram-se, atribuindo-as à inveja ou ao sensacionalismo. Mas, no que diz respeito ao lado íntimo, este outro Kennedy passou a prevalecer, trocando a imagem do delicado don-juan pela de um verdadeiro desregrado sexual. Nem mesmo a beleza de Marilyn Monroe eclipsou as estrelazinhas, as call-girls (ou simples prostitutas) e as damas da sociedade, para quem JFK se entregava de bom grado.

Kennedy, na maior parte do tempo, sequer tomava precauções para dissimular as exigências de sua libido. Os conselheiros da Casa Branca chegaram a habituar-se com as portas trancadas e a proibição formal de incomodá-lo durante dez minutos.

Mesmo durante suas viagens, ele obrigava os guarda-costas a inúmeros artifícios para disfarçar suas investidas. Em seu livro A face oculta do clã Kennedy, Seymour Hersch enfatiza que Kennedy "na vida privada dedicava-se quase diariamente a uma libertinagem desenfreada, a ponto de chocar os agentes do serviço secreto. O número de suas parceiras de cama, assim como sua indiferença em relação aos riscos, só cresceu ao longo do mandato". Ele nunca foi molestado, porque à época a pressão dos meios de comunicação era menor. Há quem diga que teve muita sorte, pois o presidente muitas vezes flertava com a inconsciência. Em 1963, foi fotografado em companhia de uma mulher íntima de um diplomata soviético de alto escalão. Ao contrário desta, suas aventuras com Judith Campbell ou ainda Alicia Darr passariam quase à posteridade.

A primeira, que foi também esposa do gângster Sam Giancana, de Chicago, contou como Kennedy e o mafioso se encontraram em 21 de abril de 1961, uma semana após o desastre da baía dos Porcos. Do menu de sua entrevista constaram planos para assassinar Fidel Castro, uma idéia já confiada pela CIA a malfeitores experientes. As lembranças de Judith Campbell trazem para a luz do dia os conluios do clã Kennedy com a Máfia. Tachada de mitômana pelos acólitos de JFK, Judith Campbell calaria seus detratores ao revelar os números dos telefones secretos para os quais ligava a fim de se encontrar com o presidente. Quanto a Alicia Darr, ela causou escândalo ao afirmar que o referido clã lhe teria oferecido 500 mil dólares para silenciar quanto ao fato de que JFK a teria abandonado depois de lhe ter prometido casamento.

Jackie, a esposa ultrajada do presidente, não desconhecia as torpezas do esposo. Aparentemente, ela desconhecia o primeiro casamento de Kennedy, em 1947, com Durie Malcom. Todos os documentos relativos à união haviam sumido.

Por Frédéric de Monicault, escritor
Tradução de Roberto Espinosa

André Kaspi é historiador.

Revista Historia Viva