sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Gabinete Especial: Laboratório da morte


Gabinete Especial: Laboratório da morte
Envenenamentos não são novidade para os russos: um gabinete foi criado em 1921 para eliminar os inimigos comunistas
por Mario Araújo
No fim de novembro, a família do ex-espião russo Alexander Litvinenko acusou formalmente o presidente Vladimir Putin de ser cúmplice em seu assassinato – assim como de ter feito corpo mole nas investigações do crime. Litvinenko foi morto em 2006, aos 41 anos, envenenado após beber chá com polônio-210, num encontro no centro de Londres com o ex-agente da KGB Andrei Lugovov e seu sócio Dmitry Koytun. Independentemente do resultado das ações do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, para onde o caso foi levado, envenenamentos com fins políticos na Rússia não são lá grande novidade.

Isqueiros que lançavam gás letal, telefones recheados de substâncias tóxicas, guarda-chuvas com lanças contaminadas, papéis de parede banhados em arsênico. Esses e outros métodos menos sofisticados de envenenamento já foram bastante usados na antiga União Soviética para a manutenção da ordem do sistema. Segundo o recém-lançado livro Laboratório dos Venenos: de Lênin a Putin, do escritor e jornalista russo Arkadi Vaksberg, tudo era produzido por um complexo empreendimento, o Laboratório de Produtos Tóxicos Secretos – ou simplesmente Gabinete Especial.

Criado em 1921 pelo líder da época, Lênin, o objetivo do laboratório, como especificava o regulamento, era “combater os inimigos do poder soviético”. A arma, de efeito potente, porém discreto, atingia precisamente o alvo sem deixar pista. As vítimas preferenciais foram personagens ilustres, como escritores, artistas e empresários, além, claro, de autoridades. Ironicamente, Lênin, segundo alguns historiadores, teria sido uma das vítimas de sua própria criação – uma substância tóxica teria acelerado seu processo de esclerose, causando múltiplos ataques cerebrais e antecipando sua morte, em 1924.

Com o passar dos anos, conta Vaksberg no livro, as pesquisas no Gabinete Especial se intensificaram: o esquema tornou-se profissional e as mais diferentes substâncias foram usadas, de venenos tradicionais (como rícino e colchicina) a metais radioativos e bactérias letais (como os bacilos da peste bubônica). Os métodos de aplicação também se modernizaram. A ingestão oral deu lugar, por exemplo, a metais radioativos emitidos de aparentemente inofensivas luminárias. Como as mortes eram encomendadas, as autópsias jamais diagnosticavam envenenamentos – muito menos as substâncias contidas nos coquetéis letais. Os laudos dos legistas eram quase sempre os mesmos: parada cardíaca.



As vítimas
Mortes atribuídas ao Gabinete Especial continuam até depois do fim da União Soviética
Abram Slutski - Agente secreto russo

Em 1938, degustou chocolates envenenados

Pavel Allilouiev - Cunhado de Stálin e oficial do Serviço de Informação Militar

Ingeriu ovo e café envenenados em 1938

Nadejda Konstantinovna Kroupskaia - Viúva de Lênin

Comeu comida envenenada em sua festa de 70 anos, em 1939

Gueorgui Markov - Escritor búlgaro que trabalhava na BBC de Londres

Em 1978, veneno foi inserido em seu organismo por uma picada causada pela colisão com o guarda-chuva de um transeunte

Ivan Kivelidi - Banqueiro e empresário russo

Numa forma rara de envenenamento, em 1995, inalou vapores durante uma conversa telefônica


Erva venenosa
O veneno sempre foi uma bela arma política. Aqui, alguns de seus usos - ou não
Tutancâmon (1341-1323 a.C.)

Ainda há dúvidas sobre a razão da morte do faraó: a hipótese de assassinato violento está praticamente descartada. Estudos mostram que ele pode ter morrido devido a uma inflamação em uma perna quebrada ou à ingestão de vinho envenenado.

Sócrates (470-399 a.C.)

Por propagar idéias modernas para a época, o filósofo grego foi preso e levado a julgamento popular. Como sentença, ingestão de cicuta, veneno usado para execução na Grécia antiga.

Papa Clemente II (?-1047)

A morte do papa nascido na Saxônia gera especulações. Pesquisas em seus restos mortais indicaram alta presença de acetato de chumbo, também conhecido por açúcar de chumbo. Ele foi provavelmente envenenado lentamente, sem perceber.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

O músico austríaco, com mania de perseguição, contou certa vez à mulher que fora envenenado. Após sua morte, o também músico Antonio Salieri foi acusado – e assinou uma confissão falsa de envenenamento. Mas, na verdade, Mozart sucumbiu à febre reumática.

Revista Aventuras na Historia

3 comentários:

Aline disse...

Obrigada pelo seu comentário no meu blog. Este seu é muito interessante!

Mirse Maria disse...

Bom dia, Eduardo!

Interessante! Ser contra a pena de morte, como eu sou, e ler seu artigo, onde quem penaliza é um estranho e quem morre enganado, não tem o direito de um advogado, como na cadeira elétrica.

Dá até medo!

Muito bom o artigo! Grata por suas visitas ao meu blog

Forte abraço

Mirse

Elaine Crespo disse...

Sempre um super post!
Parabéns!!
Gostaria de me desculpar e ao mesmo tempo explicar a você a minha falta de comentários no seu blog! Quando vou postar coloco os post no Blog e vou me deitar! Coloco Maximo de posts possíveis, pois pode ser que no dia seguinte minha saúde não me permita postar!
Leio os post de todos mais se parar para comentar não Dara tempo para terminar minhas postagens porque não posso passar tanto tempo no computador!
O resto do dia o ele fica para pesquisa e uso de meus dois filhos!
Não pense que é negligência visito a todos e amo cada blog de minhas listas e os seus donos!!

Um ótimo Fim de semana prolongado!

Um beijo grande
Elaine