terça-feira, 16 de novembro de 2010

A nação em penas


A nação em penas
Barulhentos e exuberantes, os papagaios encantaram os marinheiros de Cabral, serviram de presente entre políticos e viraram estrelas de cinema
Lilia Moritz Schwarcz

“Falar como um papagaio” é tagarelar, “papagaiar” é repetir algo sem saber muito bem o que se diz e “soltar papagaio” é empinar pipa. Só uma ave muito identificada com o Brasil poderia dar origem a tantas expressões populares. Essa relação é antiga: os primeiros europeus que aqui chegaram batizaram a região de “Terra Papagalis” antes de adotarem nomes mais cristãos, como Terra de Vera Cruz e de Santa Cruz. Diante de tudo que viram pela primeira vez – índios seminus, árvores enormes, frutos coloridos e animais exóticos –, os papagaios foram uma das novidades que mais impressionaram os forasteiros.

O fascínio exercido por essa ave é fácil de entender. Seu porte é elegante, e a beleza de suas plumas concentra todas as cores do arco-íris, presentes na natureza tropical, e faz lembrar a palheta de um artista, o que a tornou um dos temas preferidos dos pintores. A carta escrita pelo navegador português Pero Vaz de Caminha (1450?-1500) em 1500 já mencionava essa beleza ao relatar que os participantes de sua expedição recolheram “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”.

Além disso, o papagaio repete os sons emitidos pelos humanos – alguns chegam a dar a impressão de que estão falando, embora nem sempre seja possível compreender o que “dizem” – e é facilmente domesticável, apesar de ter a capacidade de voar para longe se quiser. Exibir uma ave dessas no dedo ou no ombro sem nenhuma corrente ou ouvi-la cantar versos inteiros de músicas são motivos de orgulho para seu proprietário. (...)

Revista de História da Biblioteca Nacional

Um comentário:

Mirze Souza disse...

Aves são sempre lindas!

E esta então que popularizou o Brasil!!!

Eduardo! Obrigada por sua presença em minhas ausências!

Forte abraço!

Mirze