segunda-feira, 8 de março de 2010

Integralismo e Estado Novo

Na primeira metade dos anos 30, a política brasileira é marcada pela polarização entre grupos de esquerda e a direita integralista.
A Europa dos anos 20 vê o crescimento dos partidos comunistas e fascistas.
No Brasil, o fascismo se chamou Integralismo.

Plínio Salgado

Liderada por Plínio Salgado, a Ação Integralista Brasileira defendia um Estado forte, e tinha no anticomunismo uma de suas bandeiras. Os integralistas usam uniformes verdes e braçadeiras tendo o seu símbolo, a letra grega Sigma, imitando o estilo dos fascistas italianos. Fazem a saudação com o braço erguido e gritando ANAUÊ, palavra indígena, de origem Tupi, que quer dizer:
"Você é meu irmão".


Em 1935, é formada a Aliança Nacional Libertadora. Comunistas, socialistas, sindicalistas, membros do movimento tenentista e intelectuais se reúnem na frente popular contra o integralismo. Defendem o cancelamento da dívida externa, a nacionalização de empresas estrangeiras, a garantia das liberdades individuais e a reforma agrária. Luís Carlos Prestes é escolhido presidente de honra.

Em julho, Prestes acusa o governo Vargas de caminhar para uma ditadura fascista e lança a palavra de ordem: " todo poder à A.N.L. - Aliança Nacional Libertadora". Dias depois, o governo fecha a Aliança e prende vários de seus membros. Na ilegalidade, os comunistas da ANL tomam a frente do movimento e desencadeiam uma revolta.

Luís Carlos Prestes

Explodem rebeliões em Natal, Recife e Rio de Janeiro, que são controladas pelo governo. Milhares de pessoas são presas em todo o Brasil. Ao longo de 1936, as prisões viram rotina.

Apesar das eleições presidenciais, marcadas para o início de 1938, muita gente desconfia das intenções de Getúlio Vargas, como ilustra essa marchinha: "...na hora H, quem vai ganhar é o seu Gegê ..."

Em 1937, o governo denuncia o Plano Cohen, supostamente a trama de uma revolução comunista. Mas o Plano Cohen, na verdade, era uma farsa montada pelos próprios homens de Vargas, como se soube mais tarde.

Semanas depois, Vargas dá um golpe e implanta o Estado Novo. Um regime político que incorpora muitas das idéias dos integralistas. Tropas cercam o Congresso. Vargas manda fechar todas as agremiações políticas. Inclusive dos integralistas, que o apoiavam.

Alguns meses depois, os integralistas tentam uma sublevação que é abafada pelo governo. Vários revoltosos são fuzilados. A repressão do Estado Novo esmaga as oposições e Getúlio Vargas fica no poder até 1945.

O escritor Graciliano Ramos escreveu sobre o Estado Novo:

"O que me atormenta não é o fato de ser oprimido.
É saber que a opressão se erigiu em sistema" .

Roteiro: Fernando Navarro

TV CULTURA - Cenas do Século 20

Um comentário:

Robson Pereira disse...

Getulio Vargas pode ser considerado um dos maiores estadistas de sua época. A forma que ele e o DIP colocaram os membros da intentona comunista contra o povo e a forma como ele usou os integralistas foi uma jogada de um homem que enxergava a frente do seu tempo.

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