domingo, 10 de maio de 2009

Os Cravos de Chico


“Tanto Mar”, de Chico Buarque (primeira versão) 1975

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

(HOLLANDA, Chico Buarque de. Tantas palavras. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 222.)

“Tanto Mar”, de Chico Buarque (segunda versão) 1978

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E ainda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

(HOLLANDA, Chico Buarque de. Tantas palavras. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 282.)

Revista de Historia da Biblioteca Nacional

Um comentário:

Mirse disse...

Chico é meu cantor, compositor e autor de grandes livros, preferido.

Muitos pensam que é por sua beleza, não!

Acompanho sua genialidade desde os tempos dos festivais. Temos quase a mesma idade, sou apenas tres anos mais nova.

Dos exilados políticos, ele foi o único que não teve regalias. Tudo bem, que pegava pesado na ditadura, mas acredito que o fato de pertencer a uma família mais abastada, tirou dele, o que os outros tinham.

Ele realmente passou necessidades enquanto exilado e isolado dos companheiros.

Esta música dos cravos e toda sua obra, possuo, inclusive um disco LP riscado pelos anos da ditadura em algumas faixas.

Ele é um GÊNIO!

Agora leio seus livros.

Belíssima e oportuna postagem

Abraços

Mirse