sábado, 11 de setembro de 2010

Atlântida, a eterna busca


Atlântida, a eterna busca
por Luiz Guedes Jr.
O físico Rainer Küehe, da Universidade de Wuppertal, na Alemanha, alardeou na primeira semana de junho ter descoberto o reino submerso de Atlântida. Segundo ele, fotos tiradas de um satélite revelam que a lendária civilização jamais habitou o que seria o oitavo continente, mas sim uma região próxima a Cádiz, no sul da Espanha, que foi inteiramente destruída por uma inundação entre 800 e 500 a.C. “As imagens mostram estruturas circulares, possivelmente ruínas, cujas medidas batem em cheio com as fornecidas nas escrituras sobre os atlantes”, afirma Küehe.

A notícia despertou interesse em todo o mundo, embora possa ser considerada apenas mais um capítulo envolvendo a fascinante lenda sobre o continente tragado pelas águas durante um cataclismo. Somente neste ano, pelo menos outras duas expedições anunciaram estar nos rastros do reino perdido: a do arqueólogo e historiador francês Jacques Collina-Girard, que acredita poder encontrar Atlântida mergulhada nas imediações do estreito de Gibraltar, e a do norte-americano Robert Sarmast, atualmente em missão no mar entre a ilha de Chipre e a Síria.

Tão enigmático quanto o paradeiro e a suposta existência de Atlântida é o fascínio que ela exerce há séculos. Em 1880, por exemplo, uma pesquisa realizada entre jornalistas ingleses deu à descoberta do reino submerso o segundo lugar em uma eventual transmissão de notícias mais importantes do mundo, perdendo apenas para a volta de Jesus. Em Paris, existe até mesmo a Sociedade de Estudos Atlantianos, que desde 1926 tenta achar a cidade perdida.

A saga de uma nação chamada Atlântida foi transmitida oralmente durante séculos por sacerdotes egípcios e imortalizada, por volta de 400 a.C., nas escrituras do filósofo grego Platão. Segundo ele, em sua obra Crítias, os atlantes “possuíam tal quantidade de riquezas como jamais rei ou dinastia alguma tivera ou terá outra vez, sendo providos de tudo o que quisessem, tanto na cidade como no campo”. Platão descreveu características geográficas e afirmou que, antes de serem destruídos por uma catástrofe natural, os atlantes habitavam algum ponto do Atlântico em cidades altamente organizadas, com templos e palácios ornamentados com ouro.

Apesar de muitos acreditarem que o filósofo tenha usado a imagem de Atlântida como metáfora de um lugar perfeito, “platônico”, sempre que um novo território foi descoberto o debate em torno do hipotético reino submerso retornou. Foi assim com as Ilhas Canárias, em 1395, a América, em 1493, e em 1770, com a Oceania. E é assim hoje, a cada vez que ruínas misteriosas são encontradas nos cantos do planeta.



Quem procura acha
Teorias apontam a cidade até no meio do deserto
1. Tiwanaku, Bolívia

As ruínas da cidade boliviana, para o cartógrafo inglês James Allen, são na verdade restos do reino perdido de Atlântida. Allen passou 20 anos estudando os sistemas de medidas usados nos textos do filósofo e conseguiu achar semelhanças entre eles e as ruínas bolivianas. Ele vai mais longe: afirma que o nome "Atlantis" vem de uma estranha junção de at, "água" na língua dos astecas, e antis, "cobre" em quechua, idioma dos incas. Acredite se quiser.

2. Ilhas Canárias, Espanha

Em 1395, quando foi descoberto o arquipélago, os europeus acharam que haviam encontrado Atlântida. Na ocasião, os nativos (chamados "ganchos") ficaram surpresos ao descobrir que outro povo havia sobrevivido ao desastre que, para eles, inundara o mundo e os deixara isolados décadas antes. Os ganchos possuíam inscrições antigas que já não conseguiam traduzir e muitas ruínas. Não possuíam barcos e tinham um terrível medo do mar.

3. Cádiz, sul da Espanha

As imagens de satélite do físico Rainer Küehe corrobaram uma antiga teoria de que Atlântida tenha existido no sul da Espanha. Alguns povos da região intitulam-se descendentes diretos dos atlantes, acreditando que estão assentados sobre a cidade submersa. A região é citada na Bíblia e em relatos de gregos e cartagineses como sendo Tartessos (ou Tártis), um dos principais portos da Antiguidade, que também desapareceu repentinamente

4. Estreito de Gibraltar

Em julho, cientistas franceses que participaram da expedição que encontrou o Titanic decidiram parar de especular. Com um pequeno submarino, partiram para o fundo do Mediterrâneo e do Atlântico para achar a cidade. "Curiosamente, ninguém levou a sério a indicação de que ela está na entrada do estreito de Gibraltar", diz o francês Jacques Collina-Girard. Para ele, Atlântida existiu há 19 mil anos, quando o mar estava 130 metros mais baixo que hoje.

5. Deserto do Saara

Até os tuaregues, nômades do maior deserto do mundo, são apontados como descendentes dos atlantes. Estudos geológicos e pinturas rupestres das montanhas Tassili, na Argélia, mostram que o Saara já foi mar e ofereceu áreas próprias a humanos. Em 1920, o conde inglês Byron Khun de Prorok cruzou o deserto, não achou vestígios, mas não desistiu da teoria de que Atlântida está debaixo de montanhas de areia.

6. Mar Egeu

Ruínas da civilização minóica, que sumiu em 1645 a.C., foram consideradas restos de Atlântida em 1909, pelo pesquisador K. T. Frost, da Inglaterra. Em 1932, descobertas do grego Spyridon Marinatos mostraram que o fim dos minóicos se deu por uma erupção vulcânica cinco vezes maior que a de Krakatoa, em 1883. Esse cataclismo é tido como a mais provável inspiração para as descrições de Platão.

7. Mar do Norte

Em 1953, muralhas encontradas na Dinamarca a 13 metros de profundidade criaram a hipótese de Atlântida ser "o povo do mar", uma civilização nórdica que teria invadido o Egito na dinastia de Ramsés III, faraó entre 1197 e 1165 a.C. Quem comprou essa teoria foi um pastor, o dinamarquês Jurgen Spanuth. Segundo ele, a incrível invasão nórdica está descrita nas paredes do templo de Medinet Habu, em Tebas.

Revista Aventuras na História

Um comentário:

Mirze Souza disse...

Boa noite, Eduardo!

Interessante saber mais um capítulo da busca de Atlântida.

Pena que n~so foi a última.

Um dia, quem sabe?

Um abraço!

Mirze