quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Últimos suspiros da República romana

PALAZZO MADAMA, ROMA

O filósofo contra o corrupto: Cícero acusa Catilina de planejar uma conspiração contra o Senado/Cícero denuncia Catilina, afresco, Cesare Maccari, 1882-1888


Consideradas um símbolo da vitória da moral sobre a corrupção na vida pública, as Catilinárias de Cícero registram o derradeiro triunfo do regime aristocrático na Roma antiga

Em 63 a.C., Marco Túlio Cícero, o maior filósofo romano de todos os tempos, ocupava o posto de cônsul, cargo máximo do Senado, quando descobriu que um de seus colegas organizava uma conspiração para assassiná-lo. O mentor do complô era o senador Lúcio Catilina, nobre arruinado por dívidas que contava com o apoio de outros homens ricos e militares igualmente debilitados financeiramente para tomar o poder.

Ao se inteirar dos planos de seu adversário, Cícero convocou uma reunião do Senado e proferiu o primeiro de seus quatro célebres discursos contra Catilina, que ficariam conhecidos como Catilinárias. A intervenção de Cícero se tornou um clássico da política e passou a ser invocada ao longo dos últimos 2 mil anos sempre que um homem público atenta contra o interesse geral da população.

Tomadas como um exemplo de correção no exercício do poder público, as Catilinárias revelam, na verdade, um momento muito específico da história de Roma: aquele em que a República aristocrática lutava para resistir às investidas de generais e políticos amparados por um poder militar cada vez maior.

Por fim, Cícero conseguiu sufocar a revolta de Catilina e deu uma sobrevida de mais alguns anos à República romana. O regime, porém, seria finalmente ferido de morte quando Júlio César cruzou o rio Rubicão e invadiu a península Itálica com suas legiões em 49 a.C.

Trechos do discurso
“Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda este teu rancor nos enganará? Até que ponto a tua audácia desenfreada se gabará?” (Livro I, cap. I)

“Agora [tu, Catilina] já atacas abertamente toda a República; chamas para o extermínio e para a devastação os templos dos deuses imortais, as casas da cidade, e a vida de todos os cidadãos, enfim, a Itália inteira.” (Livro I, cap. V)

“Efetivamente nenhuma nação existe que temamos; nenhum rei há que possa fazer a guerra ao povo romano. Todas as coisas externas estão pacificadas (...) resta só a guerra doméstica.” (Livro II, cap. V)

Revista História Viva

Um comentário:

Sissym disse...

Olá. Vim conhecer seu blog, que otimo, adoro historia antiga e medieval. É um enorme prazer ter esta nova amizade.

Beijinhos e otimo 2012.