quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

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Estudo desmistifica imagem estereotipada da violência do homem medieval
Jornal de Arqueologia

Os Cavaleiros medievais são frequentemente retratados como homens sanguinários, que gostavam de matar. Mas esta imagem estereotipada poderá ser uma concepção absolutamente errada, como pretende mostrar um estudo realizado pelo investigador dinamarquês Heebøll-Holm do Instituto SAXO da Universidade de Copenhaga.

Os cavaleiros não matavam durante a Idade Média apenas porque lhes apetecia, mas porque eram obrigados ou porque era esse muitas vezes esse o seu trabalho, exactamente como se passa actualmente com os soldados de hoje. O homem não foi nem mais, nem menos, violento na Idade Média do que o é hoje, apesar da existência de uma concepção medieval de violência diferente da que temos actualmente.

A "Psicologia militar moderna permite-nos ler os textos medievais de uma nova maneira, dando-nos pistas para interpretar a violência durante a Idade Média na população em geral, e o uso extremo de violência letal por parte dos cavaleiros medievais", diz Thomas Heebøll-Holm que pesquisa temas relacionados com a violência no final da Idade Média.

"Antigamente, os textos medievais eram lidos vendo nos antigos cavaleiros autênticos heróis que adoravam e glorificando a violência. Mas, à luz da psicologia militar moderna, podemos perceber o custo mental que seria para os cavaleiros a sua participação nas guerras terríveis e extremamente violentas que se realizavam na Idade Média.

Violento por natureza ou violento devido à cultura?
Seriam os cavaleiros violentos por natureza, desfrutando e cultivando com gosto o acto de matar? Ou matavam por algo que lhes foi incutido como sendo o mal apontado por uma sociedade marcada por uma cultura de violência?

Alguns psicólogos acreditam que a violência está latente nos genes humanos, enquanto outros acreditam que é algo que aprendemos através da formação. A pesquisa histórica de Heebøll-Holm enquadra a percepção medieval da violência através destas duas categorias de análise.

"A partir de estatísticas criminais e cartas de perdão, os historiadores podem ver que as pessoas na Idade Média não eram mais violentas do que somos hoje", diz o investigador."Mas elas tinham uma percepção diferente do uso da violência, incluindo a violência letal ", sublinha.

Naquela época, as pessoas tinham as mesmas preocupações sobre a violência que temos hoje, e muitos opuseram-se ao uso da violência. Em algumas situações culturais é que foram forçados a usar essa violência.

O investigador relata uma história de Paris passada no século XIV para exemplificar o conceito cultural da violência medieval. Uma mulher foi espancada até à morte pelo seu marido. Os seus dois irmãos exigiram que o marido e agressor pagasse ou fosse punido pelos seus actos, mas ele recusou.

Embora os irmãos não sentissem qualquer prazer em matar o cunhado, e até tentaram evitar tal acto, eles foram forçados a fazê-lo para restabelecer a sua honra. Quando julgados pelas instâncias legais da época , em vez de punição os irmãos obtiveram absolvição, porque, como era publicamente sabido, o marido havia violado a honra deles ao matar a sua irmã.

No que diz respeito à classe dos guerreiros o que se verificava era que os nobres cavaleiros começavam as suas carreiras bastante jovens durante o período medieval. Desde muito tenra idade eram treinados em batalhas e instigados a participarem em jogos extremamente violentos, onde numerosos participantes morriam.

Para evitar que os jovens se transformassem em psicopatas incontroláveis, eles também foram ensinados a usar a violência apenas quando ela servia para limpar a sua honra, ou num conceito mais actual, a usá-la em prol de uma justa causa.

Mas esses mesmos cavaleiros medievais também aprenderam a ter comportamentos corteses e galantes, nomeadamente com as mulheres. “No fundo a violência era apenas um instrumento que permitia assegurar a honra dos indivíduos, ou não permitir o abuso de terceiros. Isso significava que as pessoas comuns tinham muitas vezes que matar para mostrar ao mundo que as rodeava que estavam dispostas a garantir os seus direitos, nem que para tal tivessem que utilizar os meios mais drásticos", diz Heebøll-Holm.

Cavaleiros medievais sofriam de stress pós-traumático
Apesar de terem exercido a violência na sua forma mais extrema, como a participação em guerras, onde os seus companheiros foram cortados em pedaços pelas tropas do inimigo e onde eles mesmos usavam de uma violência brutal e horrível contra o inimigo, os cavaleiros medievais não eram violentos por natureza. As suas experiências de guerra poderiam deixá-los numa situação muito grave de stress pós- traumático, tal como acontece hoje, diz o investigador.

Durante os seus estudos sobre a violência na Idade Média, Heebøll-Holm deparou-se com um livro escrito por um cavaleiro que viveu na primeira metade do século XIV. " O seu nome era Geoffroi de Charny, e foi um dos cavaleiros mais respeitados na sua época. O livro, que descreve a vida de um cavaleiro, fala sobre as consequências psicológicas de se ser um "militar" na época medieval, e essas consequências assemelham-se fortemente aos sintomas de stress pós - traumático sentidos pelas tropas que fazem as guerras na actualidade".

"De Charny descreve os factores de stress dos cavaleiros medievais, e quando comparados com os descritos pela moderna ciência da psicologia militar, verifica-se que esses factores ou causas do stress pós - traumático são muito semelhantes aos dos veteranos da Guerra do Vietname, por exemplo. Este facto mostra que eles estão muito distantes da psicopatia violenta que a maior parte das pessoas atribui aos guerreiros medievais ", disse Heebøll-Holm.

Fontes: videnskab.dk e ScienceNordic

Um comentário:

gerardo cailloma disse...

NO sé si has visto el film TEMPLARIO. La percepción del film es mostrar la brutalidad, aunque con duro escarnio contra el famoso rey Juan sin Tierra. Quizá nos falta ver, a través de un cine más centrado en el tiempo, más hermenéutico, la historia realmente como era (o acercarse a ella)
Estuve en tu ciudad, Río de Janeiro. Linda. FELIZ AÑO 2012.