quinta-feira, 3 de abril de 2014

PÁSCOA DE JESUS X PÁSCOA CRISTÃ






Soham é um escritor português que realizou um trabalho de pesquisa sobre Jesus, o judaísmo e o cristianismo.


Se Jesus soubesse de aquilo que hoje se lhe associa quando se fala da Páscoa - sua morte ser equiparada ao sacrifício de um cordeiro pascal, no qual se estabelece uma analogia com a cena do sacrifício de Isaque por Abraão e ainda se lhe acrescenta uma pitada de sangue redentor do conceito do cordeiro para Deus em Yom Kippur - ele ficaria abismado com a mistura de conceitos e símbolos tão díspares que apenas denota que, quem assim procede nada percebeu do que eram esses respectivos símbolos para os judeus, não só de seu tempo como de todos os tempos.

O que o cordeiro pascal representa para Jesus é uma comemoração da libertação por Deus de seu povo e nada tem a ver com o sangue redentor, mais tarde inserido por Paulo e tornado um dogma cristão.

A mensagem implícita na história de Abraão e Isaque, não se refere ao sacrifício de Isaque - como muitos tentam associar, até para fazer a ligação com o sacrifício atribuído a Jesus, de morrer pelos pecados do mundo -, mas sim com o sacrifício de Abraão. Pois, qual não seria o pai que não daria sua própria vida para salvar a vida de um filho seu? Assim, quando Deus pede a Abraão de lhe sacrificar seu filho, Isaque nos dá o exemplo de aceitação de morrer por Deus, perder sua vida por amor a Deus, mas é Abraão que responde aquilo que realmente Deus quer de todos nós, pois ele mostra o que é dar para além de sua vida a Deus. Deus não quer que morramos por ele, nem mesmo ele quis isso de Jesus. O que Deus quer é que vivamos para Ele.

Morrer por Deus é fácil, tantos morrem com orgulho e abnegação por causas sem sentido. Mas viver para Deus, isso requer muito mais, requer aquilo que todos são chamados a fazer e que poucos fizeram com verdade e sem restrição ao longo da história da humanidade.

Ora, o caminho de regresso a Casa, o caminho espiritual de união com Deus, tem progredido muito mais através daqueles que viveram para Deus do que por aqueles que morreram por Ele. Deus, doador de vida, se revela aos homens através daqueles que lhe doam a vida, os que se doam com desapego do mundo, sem condição, sem reserva, sem limite, por e para o Amor.


A SIMBOLOGIA DA PÁSCOA NO TEMPO DE JESUS.

As festividades de Páscoa e dos Pães Ázimos, com duração de uma semana, foram estabelecidas com base no versado no Velho Testamento, e se iniciam no dia 15 de Nissan, a partir do pôr do sol do dia 14.

Pessach, ou Pésah, provavelmente celebrada em sua primeira vez num grupo nômade de pastores de rebanhos, há mais de 3200 anos, portanto bem anterior a Moisés, é a mais antiga festa do calendário judaico. A etimologia da palavra ainda não foi satisfatoriamente esclarecida pelos pesquisadores. Seu significado mais divulgado é o de “Isto é, passagem” [B.J] ou “Passar por fora” no sentido de ser poupado de algum perigo.

Originalmente a festa da Páscoa e a dos Pães Ázimos eram duas festas diferentes celebradas em datas seguidas, de 10 a 14 e de 14 a 21 de Nissan. Já que ambas tinham uma forte ligação simbólica com a saída do Egito, foram oficialmente unidas, tendo sido essa ocorrência atribuída, de modo retroativo, à reforma de Josué. Mais tarde, essas normas foram aperfeiçoadas.

Uma análise profunda e detalhada da origem e evolução das duas festividades nos mostra que suas tradições nem sempre foram as mesmas e evoluíram ao longo dos séculos, até serem unidas numa mesma festa de peregrinação e fixadas por escrito naquilo que hoje se nos parece apresentar como um conjunto de unidades literais, cujo propósito final foi, mais uma vez, a judaização de duas festas pagãs, uma com origem em um rito protetor primitivo, e outra em um rito agrícola.

Nos relatos que serviram à judaização da Páscoa, encontramos ainda vestígios dessa origem como uma observância primitiva com símbolo apotropaico de proteção pelo sangue, de um povo nômade, para, quando da troca de pastagens, afastar o “demônio” que atacava pessoas e animais, indiretamente aludido como “O Exterminador” [Ex 12, 23]. O sangue sobre a entrada das tendas - o rito protetor que afastava o demônio - passou a ser o sangue nas ombreiras. Inteligentemente os sábios judeus preservaram o rito enraizado na crendice popular mudando sua interpretação para mais um sinal da aliança [Ex 12, 13] que vem juntar-se ao sinal do arco-íris [Gn 9, 13] e da circuncisão [Gn 17, 11], tornando, em decorrência de tal assimilação, a festividade da Páscoa, como um decreto perpétuo [Ex 12, 14]. O sinal nas ombreiras encontrou um respaldo de integração em outro símbolo, o do “Guardião das casas de Israel” representado pelo preceito da mezuzá [Dt 6, 9; 11, 20-21].

O sangue do cordeiro pascal parece ser o único referido nos textos, só que também nos é dito que nenhum incircunciso poderá comer da Páscoa [Ex 12, 48].

Depois do cair do sol do dia 14, inicia-se a noite do dia 15 com a ceia pascal. Esse era um momento de grandes dimensões em que vestiam as melhores roupas e as famílias reuniam-se, umas com as outras, para partilhar da alegria da libertação do Egito, porque, como dizia o Rabino Gamaliel: "Em cada geração, todas as pessoas devem encarar, a si próprias, como se também houvessem saído do Egito. O Eterno não redimiu, naquela ocasião, só os nossos antepassados, mas, através deles, a todos nós". Daí essa festa ser ainda mais comunitária - se fosse possível - que as demais, não devendo ninguém festejar sozinho, havendo o dever de nela integrar todos os necessitados.

Após a ceia, muitos saíam às ruas, praças e jardins para festejar, enquanto outros iam para o Templo, que mantinha abertas suas portas nessa noite.

Consulte o site www.jesusatrilogia.com, para conhecer mais.
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CLEONICE ROLIM
Edições SOHAM
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Um comentário:

Irivan Rodrigues disse...

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