segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Castelo de São Jorge da Mina




Vista do Castelo de Mina (Costa do Ouro, Golfo da Guiné), pelo lado noroeste, a partir do rio. Gravura integrante do Atlas Blaeau-Van Der Hem, publicado na Holanda na segunda metade do século XVII.

Vista do mar da poderosa feitoria portuguesa do Castelo de São Jorge da Mina, localizado onde hoje é a cidade de Elmina, no país de Gana, na África. Em torno do castelo, espalhavam-se as habitações africanas e navios europeus esperavam o carregamento de Escravos, capturados no interior e trazidos para os portos por mercadores de variados povos africanos.
Ronaldo Vainfas e outros. História. Saraiva, 2010.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

José de San Martin


José de San Martin nasceu em 1778, num povoado às margens do Rio Uruguai, filho de um governador espanhol com a sobrinha do conquistador do Chaco, na atual Argentina. Mudou-se para a Espanha com a família, em 1783. Estudou no Colégio dos Nobres, em Madri, onde aprendeu latim, francês, alemão, retórica, matemática, história e geografia. Iniciou o aprendizado militar com apenas 11 anos e, em 1797, tornou-se subtenente no exército espanhol. Depois de passar por Londres, viajou para Buenos Aires, em 1812, participando ativamente do movimento de independência. Comandou a expedição ao Chile, em 1817, e governou o Peru entre 1821 e 1822. Considerado na Argentina como o "Pai da Pátria", sua atuação militar é comparável à de Simón Bolívar. Morreu na França, em 1850, aos 72 anos de idade.

O Quinto


O ouro era recolhido, fundido e "quintado" nas casas de fundição, que o transformavam em barras para circular livremente. Dentro da capitania de Minas Gerais, entretanto, poderia ser comercializado em pó, devido à impossibilidade de alguns mineradores em juntar ouro suficiente para ser transformado em barra. Foi comum, em Minas Gerais, atribuir-se o valor dos produtos em oitavas de ouro (cada oitava de ouro equivalia 1$200 - um mil e duzentos réis). Desenho de Carlos Julião, século XVIII.

O terremoto de Lisboa



O terremoto de Lisboa ocorreu no dia 1 de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos. A população atribuiu a causa da tragédia à ira de Deus. A reconstrução da cidade foi feita à custa da criação de novos impostos, principalmente no Brasil.

Notícias História Viva


Os cerca de 3 mil corpos são de vítimas de um terremoto que devastou Lisboa em 1755 Foto: AP

Lisboa: cova feita após terremoto de 1755 é achada

Foi uma descoberta deprimente: uma cova com milhares de ossos humanos, como crânios esmagados e queimados, osso de uma criança com marcas de mordidas de cão, crânio com um possível buraco de bala na testa. Três anos após a descoberta, cientistas forenses e historiadores afirmam que decifraram o enigma. Eles dizem que os cerca de 3 mil corpos existentes na sepultura são de vítimas de um terremoto que devastou Lisboa em 1755.


"Não era preciso ser um gênio para entender. Isso só poderia ter sido um evento singular, calamitoso", disse Miguel Telles Antunes, curador do Museu da Academia de Ciências, que coordenou a investigação. Os ossos foram encontrados por trabalhadores que escavavam um convento franciscano do século XVII. Segundo os especialistas, é a primeira vez que uma sepultura desse tipo é encontrada na capital de Portugal.

O exame de 1.099 dentes - em bom estado de conservação - encontrados na sepultura permitiu a classificação de 79 vítimas, incluindo bebês. A faixa etária mais presente no grupo era de 17 anos a 35 anos, o que fez os cientistas presumirem que a população da época era bastante jovem.

Além de ossos humanos, a cova contém ossos de animais, pedaços de objetos de cerâmica, canos de barro, medalhões e rosários, entre outros objetos. Quando ocorreu o terremoto, autoridades se apressaram em enterrar os corpos dos mortos para evitar possíveis epidemias, dizem historiadores. "Quando eles carregaram os corpos, eles recolheram tudo mais que estava ao redor deles", afirmou João Luis Cardoso, professor de arqueologia da Open University.

O tremor de 1755, que incluiu ainda uma tsunami e um incêndio que durou seis dias, foi uma das catástrofes mais mortais a atingir o oeste da Europa. Estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido devido ao fenômeno. Segundo os cientistas, apenas uma parte da cova existente no convento foi escavada, e parte dela está visível ao público sob a proteção de vidros.
AP - Copyright 2007 Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído.
Notícias Terra - http://noticias.terra.com.br/ciencia

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Um novo olhar sobre o gato


Com seu ar enigmático, ele já foi associado a deuses e demônios ao longo da história. Hoje, após milênios de convivência com o homem, o bichano é o animal de estimação mais adaptado à vida moderna e um aliado considerável na hora de cuidarmos da nossa saúde
PAOLA BELLO

Dona Luiza*, 65 anos, ficou viúva neste ano. Para piorar, não podia contar com o apoio dos filhos, que viviam distantes dela, física e afetivamente. Por conta disso, além de tremores nas mãos, passou a ter problemas estomacais, enxaquecas e dores musculares. Mesmo nesse estado, ela teve disposição para recolher um gato que fora atropelado na rua onde mora. O que era apenas um ato de solidariedade acabou virando uma estratégia que, em vez de uma vida, pode estar salvando duas.

Entre as idas e vindas ao veterinário, ela e o gatinho vira-lata começaram a participar de sessões de zooterapia. Nelas, percebeu que, ao assumir a responsabilidade de manter o animal vivo e bem cuidado, dona Luiza exigia saúde e bem-estar de si mesma. Em conseqüência, conseguiu purgar a perda do marido e resgatou o relacionamento com os filhos.

Casos como esse entram para a contabilidade que está ajudando os felinos a atenuar o estigma de interesseiros e anti-sociais. Com isso, ganham mais espaço nos lares. No Brasil, eles são um para cada 12 habitantes - há um cachorro para cada 6 brasileiros. Entretanto, veterinários, zooterapeutas e o mercado de alimentos para animais apostam na tendência de o gato se tornar o animal do futuro. Pudera, as famílias estão se tornando menos numerosas, os lares estão cada vez menores, e as pessoas estão passando muito menos tempo em casa. Se há um bicho que consegue se adaptar bem a esse quadro, é o gato, que vem dividindo o ambiente com os humanos há muito tempo.


Toma
lá, dá cá Apesar do temperamento de caçador solitário, o gato aprecia a proximidade com os humanos. E, claro, sabe que vai sobrar comida nesse açougue em Marrocos
Quando o homem começou a procurar um local para chamar de lar, lá estava o gato. Logo que desenvolveu a agricultura - entre 10.000 e 12.000 a.C. -, deixou de ser nômade e começou a estreitar os laços de amizade com os felinos. E tudo teve início como uma troca de favores: o homem passou a armazenar alimento; com a estocagem de grãos, vieram os roedores, que, por sua vez, atraíram os gatos. O mais antigo fóssil que comprova essa amizade é de 9.500 a.C. Descoberta em 2004, a ossada de um gato selvagem dividia a tumba com a de um humano. O achado derruba a tese de que os egípcios teriam sido os pioneiros na domesticação dos felinos, em aproximadamente 2000 a.C., já que o fóssil foi encontrado na ilha mediterrânea de Chipre.

Pelo tamanho da ossada, o primeiro amigo felino não devia ter mais de 8 meses de vida, o que indica que teria sido morto para acompanhar a dona após a morte. Porém, o indício mais forte da amizade consiste no fato de que, nenhum gato, de espécie alguma, é nativo da ilha de Chipre. Para a existência desse fóssil, a hipótese mais provável é a de que os próprios moradores da ilha viajaram cerca de 70 quilômetros, até a Turquia, onde adquiriram o animal e o levaram para a vila.

"Pesquisando os componentes genéticos de gatos selvagens da Europa, da Ásia, da África e do Oriente Médio, concluímos que realmente a domesticação começou na ilha de Chipre, com gatos provenientes do Crescente Fértil [região entre os rios Nilo, Tigre e Eufrates, onde iniciou a agricultura]", afirma Stephen O'Brien, chefe do laboratório de diversidade genômica no Instituto Nacional do Câncer, em Maryland, EUA.

De deuses a demônios
Séculos de convivência - e o ar enigmático dos felinos - fizeram com que, além de aliados, os gatos passassem a ser considerados um canal para diálogos com o divino. "No Antigo Egito, acreditava-se que eles tinham propriedades espirituais e que eram capazes de se comunicar com divindades", diz Elaine Evans, professora da Universidade do Tennessee e curadora do museu McClung (no campus da universidade, em Knoxville), que desde 2001 abriga uma exposição de gatos mumificados.

No início, os egípcios cultuavam os leões. O gato selvagem, que mais parecia um leão em miniatura, começou a ser introduzido na mitologia. Assim, os deuses passaram a ganhar atributos e temperamentos ainda ligados aos leões, mas adaptados ao comportamento dos bichanos. "O gato representa a civilização, relação feita a partir da agricultura. Também representa o Sol, por ficar bastante tempo deitado na areia se bronzeando. Essas características foram atribuídas ao deus-sol Rê, metade homem, metade gato", afirma Antonio Brancaglion Jr., egiptólogo e professor no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Quem mandou? A Inquisição condenou os gatos à morte. A Europa pagou caro por isso, pois, proliferando à vontade, os ratos disseminaram a "peste negra"
Com a popularização dos rituais fúnebres envolvendo a mumificação, os gatos passaram a acompanhar seus donos até a eternidade. A mais antiga múmia de gato conhecida data de 1.500 a.C. Apenas na cidade de Beni-Hassan, na margem leste do rio Nilo, mais de 300 mil múmias felinas foram encontradas. Também há registros de cemitérios gigantescos nos arredores do Cairo, com mais de 4 milhões de gatos mumificados.

Essa aura de adoração não ficou enterrada nas tumbas egípcias. Séculos depois, nas comunidades gregas e romanas, eram comuns imagens e cultos às deusas Háthor e Bastet. Baseados nessas duas divindades, os gregos também transferiram ao gato alguns atributos de Afrodite, a deusa do amor e do prazer sexual, e associaram a agilidade e a rapidez dos bichanos para a fuga a Ártemis, a deusa da caça. Da mesma forma, os romanos associaram a feminilidade felina à deusa Diana, da caça e da fecundidade, e relacionavam o bichano à deusa Vênus, da sensualidade e das emoções maternas.

Já na era cristã, a Inquisição veio para pôr um fim na paz entre humanos, gatos e divindades. "O bichano só começou a ser visto de forma negativa a partir do cristianismo, na Idade Média. Essa ligação maligna foi feita justamente porque era um animal atribuído aos deuses pagãos. Com a Inquisição, tudo que não era da religião católica era do mal e deveria ser queimado na fogueira", afirma Brancaglion. Profissões que tinham qualquer ligação com o gato também foram condenadas. As parteiras, por exemplo, usavam a deusa Bastet como símbolo e, por isso, foram tachadas de bruxas. No século 13, a perseguição foi ainda maior. Com a promulgação de bulas nas quais condenava os gatos, especialmente os de cor preta, associado ao satanismo, o papa Gregório IX determinou a exterminação de centenas de felinos.

A humanidade pagou caro por esse destempero da Inquisição. Com a redução da população felina, os ratos tomaram conta do pedaço. Falta de saneamento, condições precárias de higiene e tráfego de navios infestados de roedores ajudaram a deixar o século 14 marcado na Europa pela pandemia da peste bubônica. Transmitida através da picada de pulgas infectadas por ratos doentes, a "peste negra" dizimou cerca de um terço da população européia.

Se sob o catolicismo os gatos conheciam dias de cão, na cultura islâmica há relatos de que a vida de Maomé teria sido salva por seu felino de estimação. "Conta-se que o profeta estava em casa, e, sem que ele percebesse, uma cobra se aproximou para atacá-lo. Seu gato conseguiu matá-la antes do bote. Também fala-se que o profeta o teria acariciado na cabeça e o abençoado, e que, por isso, a partir daquele dia, os gatos começaram a cair sempre em pé", diz Brancaglion.

A amizade felina também influenciou a cultura nipônica. No Japão, o gato Maneki-Neko (aquele das boas-vindas, com uma das patinhas levantada) é símbolo de boa sorte. Reza a lenda que, há muitos anos, esse gato estava parado na frente do templo de Gotoku-ji. Ao ver um senhor feudal, teria acenado e atraído o homem para dentro, livrando-o de um raio que cairia logo depois. A partir desse dia, Maneki-Neko passou a ser considerado a encarnação da deusa da misericórdia.
matéria completa Revista Galileu

Peste Negra


A peste negra aterroriza a Europa. O medo de ser devorado por lobos cria a lenda dos lobisomens. Os ladrões de crianças medievais são os primeiros serial killers.
http://revistagalileu.globo.com


Segundo relatos medievais, as provícias pecadoras eram infestadas por ratos belicosos, que devoravam e expulsavam sua população. Supõe-se que os ratos vieram da ásia em dois fluxos principais, trazendo a peste, segundo a espécie e a época encaradas. A ratazana-preta, Rattus rattus, talvez provenha da Província Indiana, mas também pode ter vindo com as cruzadas, ao mesmo tempo que os gatos, no início do século XII. Quanto à ratazana cinzenta, ou ratazana dos esgotos, ou Rattus norvegicus, é possível que o Ocidente a tenha conhecido desde o século XI, como demonstra as ossadas descobertas na Alemanha. Terá vindo provavelmente da Ásia central. Esta ratazana, forte belicosa, agressiva, perfeitamente à vontade nos países temperados, pôde escorraçar da maior parte dos locais por ela ocupados a ratazana preta, mais pacífica, em recuo ou fragilizada pela progressiva desaparição das madeiras de construção onde se escondia, pelo aumento dos gatos e dos cães e pela sua larga coabitação com o homem (...). Foi a partir do domínio da ratazana cinzenta que a epidemia de peste se propagou. O grande vilão, nesse caso, é a pulga, que só abandona o morto quando sua temperatura desce abaixo dos 28 graus.
(LE GOFF, Jacques (org.). As doenças têm História. Lisboa: Terramar, 1985. p.109)

Lobisomem



Lenda brasileira
No Brasil existem muitas versões dessa lenda, variando de acordo com a região. Uma versão diz que a sétima criança em uma sequência de filhos do mesmo sexo tornar-se-á um lobisomem. Outra versão diz o mesmo de um menino nascido após uma sucessão de sete mulheres. Outra, ainda, diz que o oitavo filho se tornará a fera.
Em algumas regiões, o Lobisomem se transforma à meia noite de sexta-feira, em uma encruzilhada. Como o nome diz, é metade lobo, metade homem. Depois de transformado, sai à noite procurando sangue, matando ferozmente tudo que se move. Antes do amanhecer, ele procura a mesma encruzilhada para voltar a ser homem.
Em algumas localidades diz-se que eles têm preferência por bebês não batizados. O que faz com que as famílias batizem suas crianças o mais rápido possível. Já em outras diz-se que ele se transforma se espojando onde um jumento se espojou e dizendo algumas palavras do livro de São Cipriano e assim podendo sair transformado comendo porcarias até que quase se amanheça retornando ao local em que se transformou para voltar a ser homem novamente. No interior do estado de Rondônia, o lobisomem após se transformar, tem de atravessar correndo sete cemitérios até o amanhecer para voltar a ser humano. Caso contrário ficará em forma de besta até a morte. O escritor brasileiro João Simões Lopes Neto escreveu assim sobre o lobisomem: "Diziam que eram homens que havendo tido relações impuras com as suas comadres, emagreciam; todas as sextas-feiras, alta noite, saíam de suas casas transformados em cachorro ou em porco, e mordiam as pessoas que a tais desoras encontravam; estas, por sua vez, ficavam sujeitas a transformarem-se em Lobisomens…" [1]
Há também quem diga que um oitavo filho que tem sete irmãs mais velhas se torna lobisomem ao completar treze anos. Também dizem que o sétimo filho de um sétimo filho se tornará um lobisomem.
A lenda do lobisomem é muito conhecida no folclore brasileiro, e assim como em todo o mundo, os lobisomens são temidos por quem acredita em sua lenda. Algumas pessoas dizem que além da prata o fogo também mata um lobisomem. Outras acreditam que eles se transformam totalmente em lobos e não metade lobo metade homem.

Algumas lendas também dizem que se um ser humano for mordido por um lobisomem, e não o encontrar a cura até a 12ª badalada desse mesmo dia, ficará lobisomem para toda a eternidade. No interior do estado de São Paulo, divisa com Minas Gerais, está localizada a cidade de Joanópolis, capital mundial do Lobisomem, com o maior número de avistamentos da fera registrados em uma só cidade até hoje e quando se questionava acerca da razão da existência de tal coisa, as respostas eram algo unânimes: "As palavras dos batizados eram outras..." e mencionava-se as razões já ditas na lenda brasileira. Por vezes, quando as pessoas vinham de uma festa ou convívio, ou simplesmente vinham da horta, a pé ou de carroça, e estamos a falar há 30 ou 40 anos atrás (ou mais), não raras vezes era ouvido um som repetitivo, como um trovão constantemente a tronar, de longe e associava-se isso aos lobisomens.
Desde há alguns anos para cá que não se ouve falar de um caso desses, mas ainda perduram na memória as histórias que nos contavam em pequenos, como a do homem que conversava com os seus amigos no café, e deixa escapar: "Como me custa subir a serra da Ladeira de noite, com pés de porco…".
Há referências muito antigas ao lobisomem em Portugal. Aparece no Rifão de Álvaro de Brito (Cancioneiro Geral):
Sois danado lobishomem,
Primo d’Isac nafú;
Sois por quem disse Jesus
Preza-me ter feito homem.
(Garcia de Resende, Excertos, por António Feliciano de Castilho, Livraria Garnier, Rio de Janeiro, 1865, p. 24).
É também mencionado no Vocabulario Portuguez e Latino de Rafael Bluteau (tomo V, p. 195) e nos sonetos de Bocage:
Profanador do Aónio santuário,
Lobisomem do Pindo, orneia ou brama,
Até findar no Inferno o teu fadário!
(Bocage, Obras Escolhidas, primeiro volume, p.122).
http://pt.wikipedia.org/

domingo, 13 de novembro de 2011

Auschwitz

Entrada

Os nazistas estabeleceram seu maior campo de extermínio em Oswiecim, perto de Cracóvia, na Polônia, ao qual deram o nome de Auschwitz.

Entre 1940 e 1945, eles mataram mais de 1 milhão de pessoas no local - a maioria delas de judeus, mas também prisioneiros de guerra poloneses, ciganos e russos.

Trens com vítimas de toda a Europa ocupada chegavam ao campo quase todos os dias entre 1942 e 1944.
Chegada

Os guardas inspecionavam novas chegadas ao campo para determinar se as pessoas eram aptas para o trabalho forçado. Os que não eram, a maioria, eram mandados para as câmaras de gás.

A quantidade dessas câmaras aumentou durante a guerra, até que um complexo de quatro prédios passou a reunir locais para tirar a roupa, câmaras de gás e crematórios. Os bens das vítimas eram confiscados e mandados para a Alemanha.
Trabalho forçado

Desde 1933, os nazistas usavam o trabalho forçado como meio de "reeducar" adversários políticos. Quando Auschwitz foi estabelecido, os presos eram usados como parte vital da força de trabalho.

Os que sobreviviam à primeira seleção iam trabalhar em fábricas de armas, minas de carvão, fazendas e indústrias químicas. Esta foto - de mulheres fazendo fila para trabalhar - foi tirada por um guarda da SS.]
Galpão

As condições de vida no campo eram extremamente difíceis.

Vários prisioneiros dormiam na mesma cama, que era feita de madeira.

As pessoas se juntavam para se manter quentes no inverno, mas sofriam com o calor do verão.
Construções

Auschwitz se expandiu rapidamente depois que o primeiro campo, Auschwitz-I, foi estabelecido em 1940, principalmente como uma colônia penal. Os nazistas usaram os próprios prisioneiros para construir outros dois campos.

Auschwitz-II era um campo de extermínio, um local-chave do plano nazista de matar todos os judeus na Europa - a "Solução final para a questão judaica". Auschwitz-III era um campo de trabalho forçado.
Fornos

Depois de experimentar diferentes métodos de extermínio em massa, os nazistas adotaram em Auschwitz o Zyklon B, um gás usado para fumigação.

As vítimas eram enviadas às câmaras de gás disfarçadas como locais para tomar banho, e depois queimadas em fornos especialmente criados com esse objetivo.

Pelo menos 1,1 milhão de judeus morreram no campo.

Bens

Muito pouco era desperdiçado em Auschwitz.

Os bens das vítimas eram confiscados e separados para a reciclagem.

Dentes de ouro eram umas das coisas que mais tinham valor.

Cabelo humano era usado para encher colchões.

Óculos, sapatos, roupas, malas e até partes amputadas do corpo eram separados e transportados para a Alemanha.
Crianças

Crianças muito novas para trabalhar eram mortas assim que chegavam a Auschwitz. Mas algumas delas, com o uniforme do campo, foram encontradas e fotografadas por soldados soviéticos que libertaram o campo.

Médicos sob o comando de Josef Mengele faziam testes científicos em gêmeos, que recebiam transfusões de sangue, injeções misteriosas e colírios que os deixavam cegos. Alguns eram castrados, e outros morriam nos testes.
Libertação

Quando o Exército soviético chegou a Auschwitz em janeiro de 1945, havia no local 7 mil presos.

Eles tinham escapado da "marcha da morte", quando os alemães forçaram cerca de 60 mil prisioneiros para fora do campo.

Um soldado soviético disse que os prisioneiros foram encontrados "em pele e osso" e mal conseguiam ficar em pé
Julgamento

Dois dos comandantes de Auschwitz foram julgados e executados na Polônia em 1947. Outro foi preso perto de Hamburgo em 1960 e morreu na prisão três anos depois.

O julgamento mostrado nesta fotografia aconteceu entre dezembro de 1963 e agosto de 1965. Os testemunhos dos réus, assistentes dos comandantes do campo, e dos sobreviventes deram uma imagem detalhada da rotina diária no campo.
Hoje

Auschwitz Birkenau é hoje um museu administrado pelo Ministério da Cultura da Polônia e é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

Auschwitz, ou Oswiecim, é cidade pequena, Birkenau ou Brzezinka, uma grande vila. A vida acontece normalmente fora dos portões do campo.

Dentro, o museu está tentando preservar os crematórios e os milhares de sapatos e cabelos das vítimas de deterioração.


BBC Portuguese

Peste negra veio da Ásia há 2.600 anos

A doença, que matou milhões de europeus, chegou pela Rota da Seda



Imagem de uma cultura com organismos bacterianos causadores da peste bubônica (Getty Images)


Entre 1347 e 1351, a peste negra, que se expandiu através da Ásia, Europa e África, pode ter reduzido a população mundial de 450 a 350 milhões de pessoas

A peste bubônica, que matou milhões de pessoas na Europa, se propagou pelo mundo há mais de 2.000 anos a partir da Ásia. A descoberta acaba de ser feita por uma equipe internacional, que fez a reconstituição das sucessivas ondas epidêmicas através da História. Todos os dados foram recolhidos a partir de variedades de bactérias e de uma coleção única de outras 300 variedades. Foram elas que permitiram aos cientistas reconstituir a origem geográfica da doença, sua idade e a dispersão em várias epidemias. O estudo foi publicado no site da Nature Genetics.

Letal quando não tratada, a peste tem como agente infeccioso uma bactéria, a Yersinia pestit, cujo reservatório natural são essencialmente os roedores. A transmissão acontece por meio de picadas de pulgas. Segundo o Museu Nacional de História Natural/CNRS da França (MNHN), co-signatário do artigo (Thierry Wirth e Raphaël Leblois), os resultados apontam para o início da doença na China, há 2.600 anos.

Foi a partir desta região que a peste se dirigiu para a Europa ocidental. Para chegar até os países do velho continente, a bactéria usou um caminho conhecido e bastante utilizado à época: a Rota da Seda (iniciada há mais de 600 anos). Em seguida, migrou para a África, importada pelo navegador Zheng He no século 15, e, mais tarde, acabou se dirigindo para a América do Norte e Madagascar, no fim do século 19.

Pesquisa - Os dados moleculares permitiram reconstituir com uma precisão surpreendente a chegada da peste aos Estados Unidos via China e Havaí e sua propagação a partir dos portos de São Francisco e Los Angeles para o interior do território americano. Os trabalhos demonstraram sobretudo que o conjunto das sucessivas ondas epidêmicas partiu da Ásia Central e da China.

Entre 1347 e 1351, a peste negra, que se expandiu através da Ásia, Europa e África, pode ter reduzido a população mundial de 450 a 350 milhões de pessoas, segundo o University College Cork (Irlanda). Alemanha, China, Grã-Bretanha, Madagascar e Estados Unidos também participaram das pesquisas.
(Com agência France-Presse)
Revista Veja

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Como era um campo de extermínio?


Entrada principal do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau. Foto tirada na Polônia, data incerta.


Como era um campo de extermínio?
por Roberto Navarro
Era uma verdadeira usina da morte, montada pelos nazistas durante a Segunda Guerra para promover a aniquilação em massa de pessoas indesejáveis na Alemanha e nos territórios invadidos. A função básica desses lugares era o assassinato coletivo de judeus e outros grupos considerados "anti-sociais" - ciganos, dissidentes políticos, prisioneiros de guerra, homossexuais, deficientes físicos e mentais, andarilhos e mendigos. Sabe-se que a matança em massa de judeus começou em 1941. "A morte era sempre por gás venenoso. Em Chelmno, o primeiro dos campos de extermínio, havia furgões adaptados, em que o monóxido de carbono do escapamento entrava no interior do veículo e matava seus ocupantes", afirma o historiador Ney Vilela, da Unesp de Bauru. Quase todos os campos de extermínio foram construídos na Polônia. O maior deles, o de Auschwitz (que serviu de inspiração para o infográfico destas páginas), nasceu em 1940 em uma região rural no sul do país. Ocupando uma área de 40 km2, Auschwitz era um misto de campo de concentração - que servia de prisão para inimigos dos nazistas -, campo de trabalho escravo e campo de extermínio. O total de mortos nesses lugares é incerto, mas pode ter chegado a 3,8 milhões de pessoas, 1,1 milhão em Auschwitz. Os assassinatos coletivos só acabaram com a derrocada alemã, em 1945. Calcula-se que 80% das pessoas envolvidas nesses crimes escaparam de qualquer punição.


Arquitetura da destruição
TERMINAL DA MORTE
A estação de trem era a porta de entrada para Auschwitz, misto de campo de concentração, de extermínio e de trabalhos forçados. Os passageiros chegavam em vagões de carga superlotados, sem água, nem comida e em condições precárias de higiene - um balde em cada vagão servia de latrina
MORTOS-VIVOS
Depois de desembarcar, os prisioneiros tinham seus bens confiscados e eram examinados por médicos. Os mais fortes iam para a área de trabalhadores escravos. Mas entre 70% e 75% dos recém-chegados eram mandados direto para a morte nas câmaras de gás
CASA DO DESESPERO
A maioria dos prisioneiros de Auschwitz ficava em um dos 300 prédios de "moradia" do complexo. Infestados de ratos e vermes, esses ambientes abafados e sem água corrente abrigavam até mil presos cada um, que dormiam de lado para caber em camas coletivas de madeira para dez pessoas
DE VOLTA AO PÓ
Depois da asfixia, os corpos dos mortos seguiam para a cremação em fornalhas. A fumaça da queima deixava o complexo com um cheiro de carne queimada, enquanto as cinzas eram pulverizadas ou usadas em plantações. Estima-se que 4 700 pessoas podiam ser cremadas por dia em Auschwitz
GÁS FATAL
A morte acontecia em 4 câmaras de gás subterrâneas - as vítimas eram mandadas prá lá com a desculpa de que iam tomar um banho de desinfecção. De chuveiros falsos no teto saía o gás venenoso zyklon B, usado como inseticida. A asfixia durava de 3 a 20 minutos e podia matar até 2 mil pessoas por câmara
DÁ CÁ O TEU
Numa área junto ao campo principal de Auschwitz ficava um depósito onde se armazenavam os bens confiscados dos prisioneiros - sapatos, roupas, jóias, dinheiro, óculos ou qualquer objeto de valor. A maioria dessas coisas era mandada para os nazistas na Alemanha
MEDICINA MACABRA
Vários tipos de barbaridades médicas rolaram em Auschwitz. Prisioneiros foram infectados com doenças contagiosas, grávidas tiveram o útero destruído, crianças receberam produtos químicos nos olhos (aparentemente para mudar sua cor) e cadáveres foram dissecados para testes genéticos
JÁ PRO PAREDÃO
Nos barracões conhecidos como "quarteirão da morte" ficavam detidas as pessoas que perturbassem a ordem em Auschwitz. Lá dentro, os prisioneiros eram torturados e submetidos a julgamentos sumários. Depois, eram fuzilados no muro de execução, uma parede perto dos barracões
VELÓRIO ROUBADO
Quando todas as vítimas estavam mortas, alguns dos próprios prisioneiros entravam na câmara usando roupas especiais para retirar os mortos. Em seguida, usavam-se maçaricos para derreter o ouro das obturações de dentes dos mortos, produzindo de 5 a 10 quilos do metal por dia
Revista Mundo Estranho

Quem eram os bobos da corte?

Quem eram os bobos da corte?
Tudo indica que eram os melhores comediantes da sua época, a Idade Média. Ao contrário do que muita gente pensa, esses plebeus pagos para entreter a nobreza e a realeza não eram loucos, nem faziam parte do time de vítimas de deformidades físicas, como corcundas e anões, que muitas cortes adotavam como circo particular. "Os bobos da corte não eram nada bobos. Eles possuíam várias habilidades: versejavam, faziam malabarismos e mímica. Eram, principalmente, gente com talento, sabedoria e sensibilidade para divertir os outros", afirma o historiador Nachman Falbel, da USP.
Principalmente nos séculos XIV e XV, o bobo fazia parte do grupo de artistas sustentados pelas cortes, junto com pintores, músicos e poetas. Quem melhor definiu sua posição junto aos poderosos foi o gênio do teatro inglês William Shakespeare (1564-1616), que destacou a figura dos bobos dando a eles papéis de grande importância em sua obra. "Em peças como Rei Lear e A Noite de Reis, o bobo é o mais esperto dos personagens. Ele tem licença para falar aquilo que ninguém mais ousa dizer", diz John Milton, professor de Literatura Inglesa da USP. A liberdade do personagem é tão grande que ele chega a criticar os próprios reis, com comentários ácidos e que divertem o público. "No teatro de Shakespeare, o público não ri dos bobos da corte, ri junto com eles", afirma Milton.
Revista Mundo Estranho