
domingo, 16 de janeiro de 2011
Da breve Perestroika à eterna era Putin

domingo, 9 de janeiro de 2011
Ainda há lugar para o jeitinho brasileiro?

Roberto Sabato Moreira
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Devadasis as servas da deusa
Numa tradição que vem do século 9, meninas indianas são destinadas por suas famílias para servir à deusa Yellamma. Sua tarefa: atender aos desejos sexuais dos homens de suas comunidades.
Sentada na casa de sua família, na cidade indiana de Gokak, Kavita Kurbati, de 18 anos, aguarda um cliente numa tarde de quinta-feira. Suas filhas, Rakshita, de 3 anos, e Chaitra, de 1, dormem tranquilamente a seus pés. Quando Kavita chegou à puberdade, sua mãe, recorrendo a uma antiga tradição ligada à deusa hindu Yellamma, designou a filha para tornar- se uma devadasi, ou "serva da deusa". Isso significa que Kavita não pode desposar um mortal. Em vez disso, como uma forma de agradar Yellamma e trazer mais sorte para sua família, ela serve como uma "prostituta do templo", satisfazendo as necessidades sexuais dos homens de sua comunidade. Embora sua posição como "prostituta do templo" tenha raízes numa complexa tradição religiosa praticada na Índia desde o século 9, Kavita, como uma moderna devadasi, é basicamente uma trabalhadora sexual comum. Com seus ganhos de cerca de 300 rúpias (pouco mais de US$ 6), ela sustenta a mãe, o pai, três irmãs, dois irmãos e as filhas.
Seu ritual de consagração - realizado em sua própria casa e pouco parecido com os enfeitados ritos das devadasis do passado - foi uma espécie de cerimônia de casamento curta, durante a qual um muttu (colar de contas vermelhas e brancas) foi colocado ao redor de seu pescoço, simbolizando seu status de serva de Yellamma. O sacerdote que celebrou a cerimônia foi pago com presentes e dinheiro. Ele, por seu lado, usou parte do que recebeu para recompensar a intermediária que recrutou Kavita O sacerdote teve seu pagamento, a intermediária também, a família de Kavita ganhou uma fonte de renda garantida e os homens da comunidade conseguiram acesso sexual a uma bela jovem. Mary Malappvgol, amiga de Kavita, também foi tornada devadasi e, conforme acerto com o sacerdote do templo, levada para Puna, uma cidade ao sul de Mumbai, onde ela trabalhou num bordel. A experiência de Mary é a mais recente encarnação do sistema devadasi, que agora canaliza garotas de famílias de castas mais baixas para a lucrativa indústria do sexo nas cidades indianas. A prática de oferecer meninas a divindidades na esperança de conseguir fertilidade e prosperidade não é exclusiva da Índia. Na Itália, por exemplo, era costume oferecer uma "vestal virgem" durante a época da colheita de uvas, e as civilizações da Mesopotâmia, Babilônia, Egito, Síria e Grécia usavam moças para aplacar os deuses. O poder da sexualidade e suas conexões com a fertilidade da terra são encontrados em muitos mitos pagãos e drávidas (o povo drávida foi um dos primeiros a habitar a Índia), e há relatos antigos sobre práticas parecidas com as das devadasis em templos budistas e jainistas. Além disso, sacerdotes de templos que se diziam representantes de divindades masculinas ocupavam lugar central no ritual de consagração das devadasis e, com freqüência, eram os primeiros a iniciar sexualmente as meninas, num rito que imitaria um "encontro sexual divino".
No passado, apenas as jovens mais bonitas eram escolhidas como devadasis e trabalhavam no templo, ajudando o sacerdote no culto à deusa. Assim como as gueixas japonesas, elas cantavam e dançavam, e eram sustentadas pelos homens mais ricos da comunidade, a quem serviam como parceiras sexuais. Elas frequentemente ganhavam lotes de terra de reis ou homens de castas superiores, e a elite as convidava para casamentos e outros eventos importantes. As devadasis eram reverenciadas e ocupavam uma posição de respeito na comunidade. Quando chegaram à Índia, os britânicos, com seu olhar cristão, se horrorizaram com o sistema devadasi. Assim, durante seu domínio, a posição das devadasis foi depreciada. Embora seu simbolismo religioso e sua função sexual na sociedade permanecessem, elas não tinham mais o sustento econômico do passado. No passado, as devadasis eram reverenciadas e ocupavam lugar de destaque na comunidade. Após a chegada dos britânicos, porém, sua posição se degradou até chegar à da prostituta sagrada
Com o tempo, sua posição se degradou até chegar à da prostituta sagrada cujos ganhos beneficiam o templo, os sacerdotes que nele trabalham e, de alguma forma, sua própria família. Uma nova versão do sistema devadasi começou a emergir, no qual a devadasi virou a engrenagem central na bemazeitada máquina econômica de Yellamma. Para esse sistema se perpetuar, suas crenças religiosas têm de ser reafirmadas sempre. Os devotos de vilas, pequenas cidades e até áreas distantes - em geral, gente pobre e inculta - têm sido encorajados a visitar o templo para cumprir os rituais de culto a Yellamma. Os fiéis ouvem que um único dia sem novos seguidores no templo de Yellamma atrairia a ira da deusa e traria desgraças à terra. Dias auspiciosos (terças e sextas- feiras), épocas de lua cheia e festivais anuais atraem grandes levas de adeptos. Durante esses dias, as lendas ganham dramatizações que reforçam a necessidade constante de os fiéis cultuarem a deusa e lhe fazerem doações. Uma garota pode virar devadasi por várias razões. Cabelo embaraçado (em geral consequência de má higiene), doença de pele e deficiências físicas como a cegueira são considerados cartões de visita de Yellamma. Famílias sem dinheiro para o dote da filha também tendem a fazer dela uma devadasi como meio de se livrar de seu sustento; outras, sem filhos homens, com frequência escolhem uma filha como devadasi, tornando-a o "filho" que vai sustentar a família.
Atualmente, estima-se que haja cerca de 250 mil devadasis nas províncias de Karnataka e Maharashtra, no oeste da Índia. Assim como Kavita Kurbati, muitas sustentam famílias numerosas. Sheela Kallimani, de 18 anos, foi dedicada à deusa quando tinha 4 anos e, ao atingir a puberdade, começou a trabalhar com sexo, na casa de sua família. Jovem e bonita, ela ganha mais de US$ 20 por freguês - uma quantia obscena se comparada aos poucos dólares que a maioria das prostitutas cobra. Embora tenha chegado ao 7º ano do ensino básico e, diversamente da maioria das devadasis, seja alfabetizada, Sheela aceita sua situação. "Não quero fazer esse trabalho, mas minha família precisa de mim para isso", ela se resigna. "Eu sempre uso preservativo", avisa. O principal evento ligado ao culto é o Yellamma Yatra, festival anual realizado em Saundatti (no norte de Karnataka) no qual meninas são ritualmente oferecidas à deusa. O Yatra começa na lua cheia no mês indiano de Magh (janeiro/fevereiro) e atrai cerca de 500 mil peregrinos.Segundo a lenda, após três meses de abstinência sexual, Yellamma tem de ser redespertada sexualmente. Mas seu marido, Yamadagni, é assassinado.
Se não houver uma divindade masculina para despertá-la sexualmente, ela ficará infértil. De algum modo, porém, Yamadagni é ressuscitado e o despertar sexual de Yellamma acontece. Com seus poderes sexuais restaurados, sua capacidade de abençoar os adeptos fica mais potencializada e deve ser aprimorada. As devadasis, suas contrapartes sexuais humanas, são dedicadas a ela em grande número e seu defloramento simboliza a reunificação de Yellamma com Yamadagni Durante o festival, os adeptos fazem promessas à deusa, que incluem doar renda, produtos agrícolas ou gado, desfilar nu, prostrar-se ou - o mais relevante - doar uma devadasi. Essa última doação implica uma complexa série de ações, tais como banho ritual, esfregar açafrão na testa da menina, pôr pulseiras verdes em seus pulsos e um muttu em seu pescoço. Muitas devadasis de mais de 44 anos (quando são consideradas velhas para o trabalho sexual) assumem o papel de jogathi ("voluntárias"), figuras importantes na perpetuação do culto, em especial durante o festival. Elas em geral vivem no templo e ouvem as queixas e desejos dos fiéis, que depois descrevem à deusa. Também podem visitar lares de adeptos, ouvir suas necessidades e, em certos casos, agir como médiuns por meio das quais Yellamma se manifesta. Algumas devadasis mais idosas, porém, mendigam perto da entrada dos templos. Com frequência, os adeptos de Yellamma mais escolarizados tendem a achar as práticas e superstições de sua fé questionáveis. Mas romper com sua família e comunidade e converter-se a outra religião é difícil, pois, na cultura indiana, a coesão familiar é colocada acima de tudo. Festivais anuais dedicados a Yellamma atraem grande número de adeptos, cada qual com sua promessa Desde os anos 1940 têm sido feitas tentativas para romper o sistema devadasi, com poucos resultados positivos. Uma lei de 1982 do governo de Karnataka, que pune com multa e até cinco anos de cadeia o responsável pela conversão de uma mulher a devadasi, é de difícil aplicação, pois o processo exige evidência fotográfica do ritual de consagração. Essas cerimônias continuam a ser feitas sem problemas, à noite, nos festivais, ou nos lares das famílias das devadasis. Em 1985, o advogado B.L. Patil fundou uma organização, a Vimochana Sangha, dedicada a erradicar o sistema devadasi. Ele foi fortemente influenciado por um professor que preparava sua tese de doutorado sobre o sistema. "Visitamos o distrito de prostituição em Mumbai e lá havia uma alta porcentagem de devadasis de nossa área (norte de Karnataka), o que me causou uma profunda impressão", explica o advogado. A Vimochana iniciou um programa de conscientização nas comunidades devadasis. Assistentes sociais visitaram esses locais e tentaram convencer as mulheres de que outros prosperavam à sua custa. Os adeptos da deusa, porém, não foram receptivos e proibiram a presença das devadasis nos encontros. Em 1990, a Vimochana fundou a primeira escola para filhos de mulheres devadasis. No primeiro ano, 50 alunos viveram e tiveram aulas na casa de Patil, na vila de Malabad. No segundo ano, o número de crianças dobrou, e, no ano seguinte, a organização teve de alugar outras duas casas para alojar mais alunos. Por fim, graças a doações de parceiros e de um lote de terra cedido por sua esposa, Patil ergueu um edifício escolar com quartos para os alunos. As matrículas chegaram a 450, incluindo crianças de castas baixas cujas mães não eram devadasis. "Um dos impedimentos das crianças devadasis é que elas recebem apenas o sobrenome da mãe", explica o professor e conselheiro Girish Chandra. Com isso, podem ser discriminadas até mesmo ao pleitear empregos. A escola tem-se esforçado para incluir o nome do pai quando é possível identificá-lo. Muitos dos formados na escola se tornaram enfermeiros por meio de uma escola de enfermagem fundada pela Vimochana. Outros seguiram carreira como professores, engenheiros e profissionais da computação, entre outras atividades. "O mais importante é que mais de 300 garotas estão casadas e vivendo no seio da sociedade", orgulha-se Patil. Apesar do êxito da escola, muitas famílias de alunos têm reservas sobre deixar suas filhas estudar além de certa idade. "Algumas garotas têm de se casar aos 12, 13 anos, mesmo sendo excelentes alunas", lamenta Chandra. A Vimochana e outras organizações criaram programas para educar e reabilitar devadasis e outras trabalhadoras sexuais em Karnataka. Um dos objetivos centrais é prepará-las sobre temas de saúde, em especial a Aids. Os programas oferecem treinamento em profissões como editoração eletrônica, montagem e administração de salão de beleza, fabricação de incenso, conserto de TVs e celulares. Embora tenham relativo sucesso, esses programas enfrentam um obstáculo: em vários casos, as devadasis ganhariam mais fazendo sexo do que atuando na nova profissão. Pesquisa: Equipe Planeta Fotos: Julia Cumes/Zuma Press/ Keystone REVISTA PLANETA EDIÇÃO 437 |
A utilidade do conhecimento

A utilidade do conhecimento*
Carlos Vogt
Sociedade, democracia e linguagem

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Encanto por Contos Universais
Por Tatiana Belinky / Sucena Shkrada Resk


Neoliberalismo

Leonardo da Vinci: A Lição de Anatomia

Desde 1487, Leonardo começou a dissecar corpos na implementação proposta de um grande tratado sobre a anatomia, ele quer muito ilustrado. Não só está interessado no aspecto dos músculos e órgãos, égement tentando entender o funcionamento e fez algumas descobertas importantes. O pintor, ele está examinando em especial os músculos ea circulação. mestre anatômicas Muitos sobreviveram.
" Nas escolas de médicos anatomia, ele dissecou os cadáveres de criminosos, indiferente ao e repugnante aspectos desumanos do presente estudo, apenas ansiosa para saber como ele poderia representar o mais adequado em sua pintura os músculos diferentes e Juntas, a sua extensão e flexão .
Paolo Giovio, Vida de Leonardo da Vinci (circa 1527)
Como a maioria dos artistas do Renascimento italiano, Leonardo da Vinci considera a representação da figura humana como um dos objetos essenciais do art. No entanto, para descrever completamente um corpo humano, ele deve indicar em sua aparência externa, mas também compreender o seu funcionamento interno. Para atingir esse objetivo, assim como Masaccio (1401-1428), Donatello (1386-1466), Antonio Pollaiuolo (1432-1498) e Michelangelo (1475-1564), Leonard observa atentamente esculturas antigas e contemporâneas e esqueletos. Ele também se dedica a dissecção. Segundo uma nota que datam dos últimos anos de sua vida, ele dissecou mais de vinte mortos. As dissecações primeiro são realizadas em Milão, de cerca de 1487, com a idéia de escrever um tratado geral sobre a anatomia, organizado pelo crescimento progressivo do corpo humano, desde a sua infância no útero com a idade adultos.
Entre 1510 e 1511, da Universidade de Pavia, Leonard continua este negócio, incentivado por Marcantonio della Torre, que o introduziu em A utilidade das partes do corpo a partir do grego Galeno (2 º século dC), os escritos de "iraniano Avicena (10 º -11 ºséculos) e curto medieval manual dissecção Anothomia , o italiano Mondino de 'Liuzzi (1316). Finalmente, em Roma, entre 1513 e 1516, o professor participa do hospital Santo Spirito in Sassia, onde dirigiu várias autópsias. O Tratado de anatomia nunca surgiu, centenas de autógrafos, desenhos, muitas vezes anotadas as explicações e lendas no entanto ter sobrevivido. Para a maioria deles são preservados em três manuscritos da coleção real Inglês na Windsor.
Algumas dessas folhas refletem grandes descobertas : Leonard reconhece o papel do coração na circulação sanguínea (" uma invenção ", devido a William Harvey a 17 º século), identifica também a existência de quatro câmaras do coração como Vesalius e Descartes haverá sempre apenas dois. No entanto, não é por causa desses resultados, ainda que por vezes espectaculares, o trabalho de Leonardo no campo da anatomia é agora considerado como um precursor. Em primeiro lugar, a importância que atribui à ilustração dos fenômenos observados é inédita: a imagem foi previamente raramente ocupou muito espaço para que na ciência da anatomia, uma abordagem que tem crescido continuamente desde . Além disso, a ambição dos florentinos é ir mais além do que seus contemporâneos, especialmente na representação do movimento. Isto é provavelmente porque os estudos anatômicos de Leonardo são todos topográficos e fisiológicos : o mestre registra o aparecimento de diferentes partes do corpo, mas pede também, e sobretudo, para compreender o funcionamento dos músculos e órgãos.
Por exemplo, o estudo do músculo é sempre em relação às condições de movimento ea força de caráter. por vários desenhos, mas também notas Illustrated, como aquela em que ele diz : " Você quer dizer que o bom funcionamento dos membros, ou seja, no ato de levantar-se depois de deitado, em movimento, correndo e pulando atitudes diversas, levantar e carregar pesos pesados, jogar objetos fora e natação. E assim, para cada movimento, você mostra o que os membros e determinar quais músculos, incluindo o jogo de braços . " Todos os elementos são considerados separadamente, em seguida, reconstruir o corpo inteiro, às vezes, por analogia, a substituição de órgãos de animais para os órgãos humanos não pode ser conhecido diretamente : o estudo do feto humano é enriquecido por que do útero de bovinos, as pernas do homem confrontado com as do cavalo. Em estudos anatômicos de Leonardo, no entanto, tão inovador, os erros são muitos, especialmente porque os desenhos não são feitas diretamente durante a dissecação, mas no final do workshop, a partir de observações gravadas em um caso específico. Em suma, também neste domínio, como na maioria das áreas de investigação que Leonardo estava interessado, a arte é " coisa mental ", é sempre carregado de uma reconstrução da mente.
Fagnart Laure é FNRS pesquisador na Hhistoire Departamento de Arte e Tecnologia da Arte (Modern Times). Ela lançou recentemente Da Vinci, na França. Coleções e colecionadores, XV e XVII- th séculos
