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domingo, 20 de março de 2011

Etruscos: Arte e Ritos Funerários


Os etruscos acreditavam num inferno, lugar de horríveis tormentos, e num paraíso de deleites; o convencimento da evidente necessidade de partir deste mundo e a longa viagem para a eternidade encontram-se manifestados nos vários símbolos pintados nas paredes dos túmulos etruscos: pés, cavalos de montar, barcos, etc.
O fausto e ostentação que se vêem nas necrópoles da Etrúria meridional, oferecem à consideração do investigador, antes de mais, uma perspectiva glorificada de um paraíso celestial, reminiscências, de carácter muito realista, de esplendor e magnificência terrenas. A riqueza e o luxo dos túmulos dos aristocratas e abastados mercadores evidenciam que a morte tinha perdido o que comumente tem de surpreendente. É indescritível a variedade de objetos que se encontram naquelas necrópoles: de higiene diária, inclusivamente espelhos de bronze artisticamente cinzelados, com cenas mitológicas e belas formas de nu. As figuras lavradas nos sarcófagos representam pessoas sentadas à mesa, como um sumtuoso banquete, com esplêndidos serviços de mesa e jarras de vinho; é muito frequênte a representação de partidas de caça, bailes, banquetes orgíacos, cenas amorosas...
O contacto com a Grécia determinou as fases mais importantes da expansão etrusca, nomeadamente ao nível da arte. A importação dos produtos gregos é constante desde o princípio da civilização etrusca até ao seuterminus. As influências fenícia e cartaginesa foram efémeras e deixaram poucos rastos.
O mais interessante da arte etrusca é a arquitetura e a pintura. Na arquitetura os modelos gregos assumiram, por exemplo, formas típicas e desenvolvidas mas com carácter independente. O templo etrusco é produto de uma evolução do Mégaron egeu. Possuía um profundo átrio ou vestíbulo que assentava sobre colunas muito espaçadas, estando a metade posterior ocupada pela cella ou câmara geralmente dividida em três partes: uma central, mais larga, e duas laterais mais estreitas, correspondentes ao culto de três deuses.
Mais interessantes são os túmulos. Conhecem-se numerosas necrópoles em Campânia e na Etrúria: Corneto (Tarquinii), Cervetri (Caere), Valci, Chiasi (Clusium), Castel d'Asso, Orvieto (Volsinii), Colonna (Vertulonia). Às vezes estão situadas numa elevação e separadas da cidade dos vivos. Os túmulos etruscos são construções com cúpulas do estilo micênico, ou seja, de falsa cúpula e que irão dar lugar às câmaras escavadas na rocha. Estas por vezes são uma só, noutras existe uma sala principal rodeada de câmaras mais pequenas. A cobertura é sustentada por pilares.
Os cadáveres eram colocados sobre bancos ou leitos de pedra e tinham junto a si oferendas funerárias, que consistiam em armas, objetos de bronze, vasos cerâmicos, etc. Mas o mais interessante dos túmulos são as decorações murais pintadas.
Nas artes menores é evidente a influência grega, talvez ainda mais do que na pintura ou arquitetura. Há cerâmica pintada que é uma imitação dos vasos importados. Também os etruscos empregaram a argila em grandes estátuas de difícil técnica, que adornavam a entrada dos templos como o Capitólio de Roma. Outro grupo de esculturas são as estelas do Norte e Centro da Etrúria que são do século VI. Nelas há, geralmente, guerreiros esculpidos com diferentes armas formando um relevo muito plano.
Uma última manifestação da arte etrusca está nos bronzes gravados com temas gregos e orientais. Os objetos que recebem mais decoração são os reversos dos espelhos de bronze e as grandes caixas redondas para objetos de toilette. A obra mais notável é a chamada Cista ficoronia, adornada com cenas da lenda dos argonautas traçadas com uma excecional mestria.

Egito: Ritos Funerários

Abertura da Boca: um dos rituais funerários do Antigo Egito.

Os antigos Egípcios tomavam todas as precauções para sobreviverem à morte, alcançando o Além e gozando aí um estado de existência correto. Contudo, até nós chegaram somente os vestígios funerários dos ricos e poderosos, não se conservando elementos da grande maioria da população, pelo que sabemos pouco sobre a atitude do povo face à morte e preparação para esse acontecimento.
O pensamento egípcio estabelecia que a continuação da vida extraterrena dependia da sobrevivência do nome da pessoa, da conservação do seu corpo, do aprovisionamento regular de alimentos e da possibilidade de superar os perigos e provas que poderiam dificultar e impedir o avanço deste para o outro mundo. Neste sentido estabeleceram um conjunto de procedimentos. O ideal era possuir um túmulo que pudesse servir de morada ao ka (espécie de alter-ego que na morte assumia a personalidade do morto) e de lugar de descanso para o corpo. Nas paredes da tumba e nos papiros aí colocados, havia textos que deviam garantir a aceitação por parte dos deuses. A sepultura devia ser escavada ou construída muito antes e quanto mais ambicioso fosse o projeto, mais tempo era requerido para a levar a cabo.
No quadro desta religiosidade, apesar do estatuto particular e eclético, encontra-se a tradição egípcia da mumificação. O processo iniciou-se durante a vigência do Império Novo. O método consistia, em primeiro lugar, em retirar o cérebro e demais vísceras do corpo, aquele pelo nariz e as restantes através de uma incisão realizada no lombar esquerdo. O coração não era retirado, pois, segundo a tradição, retinha o entendimento. O corpo era tratado com natrão, provavelmente em estado sólido, contribuindo para a desidratação, mantendo a flexibilidade da pele. Seguidamente cobria-se corpo e crânio com linho e resina, inserindo-se ocasionalmente olhos artificiais e tapando-se nariz e ouvidos. O corpo era vendado, sendo introduzido entre as ligaduras amuletos protetores, principalmente o escaravelho. Na dinastia 21.ª, foi introduzida a prática de envolvimento e colocação das vísceras no interior do corpo. Curiosamente, algumas múmias apareceram com folhas de tabaco no seu interior, o que veio lançar um enigma na história egípcia, pois pensa-se que o tabaco é originário da América e só é do conhecimento do Ocidente no século XVI, com as primeiras navegações para o "outro lado" do Atlântico.

Como referenciar este artigo:
Egito: Ritos Funerários. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-03-20].
http://www.infopedia.pt