quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Os anos ocultos de Jesus

O que ele fez antes dos 30 anos? A Bíblia não conta. Mas a história e a arqueologia têm muito a dizer
por Eduardo Szklarz e Alexandre Versignassi


Apresentação do Menino Jesus no Templo - Gravura medieval


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O Novo Testamento contém 27 livros, 7 956 versículos e 138 020 palavras. E uma única referência à juventude de Jesus. O Evangelho de Lucas nos conta que, aos 12 anos, ele viajou com os pais de Nazaré a Jerusalém para celebrar o Pessach, a Páscoa judaica. Quando José e Maria retornavam a Nazaré, perceberam que Jesus tinha ficado para trás. Procuraram o garoto durante 3 dias e decidiram voltar ao Templo, onde o encontraram discutindo religião com os sacerdotes. "E todos que o ouviam se admiravam com sua inteligência" (Lucas 2:42-49).

Isso é tudo. Jesus só volta a aparecer no relato bíblico já adulto, por volta dos 30 anos, ao ser batizado no rio Jordão por João Batista. É quando o conhecemos realmente. Da infância, as Escrituras falam sobre o nascimento em Belém, a fuga com os pais para o Egito - para escapar de uma sentença de morte impetrada por Herodes, rei dos judeus - e a volta para Nazaré. Da vida adulta, o ajuntamento dos apóstolos e a pregação na Galileia, além do julgamento e da morte em Jerusalém. Mas o que aconteceu com Jesus entre os 12 e os 30 anos? Qual foi sua formação, o que moldou seu pensamento nesses 18 "anos ocultos"? Afinal, o que ele fez antes de profetizar na Galileia?

A notícia para quem deseja reconstruir o Jesus histórico é que novas análises dos Evangelhos, documentos históricos e achados arqueológicos nos dão pistas sobre a sociedade da época. E dessa forma podemos chegar mais perto de conhecer o homem de Nazaré. E entender o que passava em sua cabeça.

O pedreiro cheio de irmãos

Uma coisa é certa. Aos 13 anos, Jesus celebrou o bar mitzvah, ritual que marca a maioridade religiosa do judeu. E é bem provável que ele tenha seguido a profissão de José, seu pai. Carpinteiro? Talvez não. "Em Marcos, o mais antigo dos Evangelhos, Jesus é chamado de tekton, que no grego do século 1 designava um trabalhador do tipo pedreiro, não necessariamente carpinteiro", diz John Dominique Crossan, um dos maiores especialistas sobre o tema. Para o historiador, os autores de Mateus e Lucas, que se basearam em Marcos, parecem ter ficado constrangidos com a baixa formação de Jesus. E deram um jeito de melhorar a coisa. Mateus (13:55) diz que o pai de Jesus é que era tekton. E Lucas omitiu todo o versículo.

As mesmas passagens de Marcos e Mateus informam que Jesus tinha 4 irmãos (Tiago, José, Simão e Judas), além de irmãs (não nomeadas). Mas dá para ir mais longe a partir dessa informação. "Se os nomes dos Evangelhos estão corretos, a família de Jesus era muito orgulhosa da tradição judaica. Seus 4 irmãos tinham nomes de fundadores da nação de Israel", diz a historiadora Paula Fredriksen, da Universidade de Boston. "Seu próprio nome em aramaico, Yeshua, recordava o homem que teria sido o braço direito de Moisés e liderado os israelitas no êxodo do Egito, mais de mil anos antes."

Assim, a família teria pelo menos 9 pessoas, mas nem por isso era pobre. Nazaré ficava a apenas 8 km de Séforis - um grande centro comercial onde o rei Herodes, o Grande, governava a serviço de Roma. Com a morte dele, em 4 a.C., militantes judeus se revoltaram contra a ordem política. Deu errado: o general romano Varus chegou da Síria para reprimir os rebeldes. E seu amigo Gaio completou o serviço, queimando a cidade. "Homens foram mortos, mulheres estupradas e crianças escravizadas", diz Crossan. Mas a destruição de Séforis teve um lado positivo: Herodes Antipas, filho do "o Grande", transformou o lugar num canteiro de obras. Isso trouxe uma certa abundância de empregos para a região. Um pequeno boom econômico. Então o ambiente ao redor da família de Jesus não era de privações. "A reconstrução da cidade deve ter gerado muito trabalho para José", diz Paula Fredriksen.

Jesus nasceu no ano da destruição da cidade, 4 a.C. Ou perto disso. O Evangelho de Mateus diz que Jesus nasceu no tempo de Herodes, o Grande (4 a.C. ou antes). Lucas coloca o nascimento na época do primeiro censo que o Império Romano promoveu na Judeia. E isso aconteceu, segundo as fontes históricas romanas, em 6 a.C. A única certeza, enfim, é que "foi por aí" que Jesus nasceu. E que o ódio contra o que os romanos tinham feito em Séforis permeava o ambiente onde ele viveu. "Não é difícil imaginar que Jesus pensou muito sobre os romanos enquanto crescia", diz Crossan.

Na década de 20 d.C., quando Jesus estava nos seus 20 e poucos anos, o sentimento antirromano cresceu mais ainda. Pôncio Pilatos assumiu o governo da Judéia cometendo o maior pecado que poderia: desdenhar da fé dos judeus no Deus único.

Mas, em vez de se unir contra o romano, os judeus se dividiram em seitas. Os saduceus, por exemplo, eram os mais conservadores. Os fariseus eram abertos a ideias novas, como a ressurreição - quando os justos se ergueriam das tumbas para compartilhar o triunfo final de Deus. Os essênios viviam como se o fim dos tempos já tivesse começado: moravam em comunidades isoladas, que faziam refeições em conjunto seguindo estritas leis de pureza. Já os zelotes defendiam a luta armada contra os romanos.

Em qual dessas seitas Jesus se engajou na juventude? Não há consenso entre os pesquisadores. Para alguns, porém, existem semelhanças entre a dos essênios e o movimento que Jesus fundaria - ambas as comunidades viviam sem bens privados, num regime de pobreza voluntária, e chamavam Deus de "pai". Essa hipótese ganhou força com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947. Eles trouxeram detalhes sobre uma comunidade asceta de Qumran, que viveu no século 1 e estaria associada aos essênios. O achado ar-queológico não provou a ligação entre Jesus e essa seita. Até porque os essênios eram sujeitos reclusos, ao passo que Jesus foi pregar entre as massas da Galileia e Jerusalém.

Jesus podia não ser essênio. Mas, para alguns estudiosos, seu mentor foi.

João, o mestre

Dois dos 4 Evangelhos começam a falar de João Batista antes de mencionar Jesus. É em Marcos e João. O homem que batizaria Cristo aparece descrito como um profeta que se vestia como um homem das cavernas ("em pelos de camelo") e que vivia abaixo de qualquer linha de pobreza traçável ("comia gafanhotos e mel silvestre").

Para a historiadora britânica Karen Armstrong, outra grande especialista no tema, isso indica que João pode ter sido um essênio. A vocação "de esquerda" que Jesus mostraria mais tarde, inclusive, pode vir da ligação do mestre João com a "sociedade alternativa" dos essênios. "É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus", ele diria mais tarde.

Os Evangelhos não falam de João como mestre de Jesus. Nada disso. Ele apenas reconhece Jesus como o Messias na primeira vez que o vê. Os textos sagrados também informam que ele usava o batismo como expediente para purificar seus seguidores, que deviam confessar seus pecados e fazer votos de uma vida honesta.

Então Jesus aparece pedindo para ser batizado. Na Bíblia, esse é o primeiro momento em que vemos o Messias após aqueles 18 anos de ausência.

Depois de purificado nas águas do rio Jordão, Jesus parte para sua vida de pregação, curas e milagres. A vida que todos conhecem.

Para quem entende esse relato à luz da fé, isso basta. Mas é pouco para quem tenta montar um panorama da vida de Jesus, um retrato puramente histórico de quem, afinal, foi o homem da Galileia que sairia da vida para entrar na Bíblia como o Deus encarnado. E uma possibilidade é que Jesus tenha sido um discípulo de João Batista. Discípulo e sucessor.

As evidências: tal como João Batista, Jesus via o mundo dividido entre forças do bem e do mal. E anunciava que Deus logo interviria para acabar com o sofrimento e inaugurar uma era de bondade. Em suma: tanto um como o outro eram o que os pesquisadores chamam de "profetas apocalípticos". E se os Evangelhos jogam tanta luz sobre João Batista (Lucas fala inclusive sobre o nascimento do profeta, assim como faz com Jesus), a possibilidade de que a relação deles tenha sido mais profunda é real.

O grande momento de oão Batista na Bíblia, porém, não é o batismo de Jesus. É a sua própria morte. Morte que abriria as portas para o nosso Yeshua, o Jesus da vida real, começar o que começou.

E Yeshua vira Cristo

João Batista podia se vestir com pele de animal e se alimentar de gafanhotos. Mas tinha a influência de um grande líder político. Prova disso é que morreu por ordem direta de Antipas. O Herodes júnior tinha violado o 10º mandamento da lei judaica: "Não cobiçarás a mulher do próximo". Não só estava cobiçando como estava de casamento marcado com a ex-mulher do irmão, Felipe. João condenou a atitude do rei publicamente. E acabou executado.

Mateus deixa claro como Jesus, então já com seus 12 discípulos e em plena pregação, recebeu a notícia: "Ouvindo isto, retirou-se dali para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades". Logo na sequência, o Cristo emenda o maior de seus milagres. Sentido com a fome da multidão que ia atrás dele, pegou 5 pães e dois peixes (tudo o que os apóstolos tinham) e foi dividindo. Passava os pedaços aos discípulos, e os discípulos à multidão. "E os que comeram foram quase 5 mil homens, além das mulheres e crianças" (Mateus 14:21). Horas depois, no meio da madrugada, outro milagre de primeiro escalão: Jesus apareceria para os apóstolos andando sobre as águas.

Esses episódios, claro, são parte da vida conhecida de Jesus (ou da mitologia cristã, em termos técnicos). Mas deixam claro: a morte de João foi importante a ponto de ter sido seguida de dois dos grandes episódios da saga de Cristo.

O filho do pedreiro assumiria o vácuo religioso deixado pelo profeta. Agora sim: Yeshua caminharia com as próprias pernas. E começaria a virar Jesus Cristo. "Ele não só assumiu o manto de João, mas alterou sua doutrina. A diferença interessante entre João Batista e Jesus Cristo é que Jesus ergueu o manto caído de Batista e continuou seu programa mudando radicalmente sua visão", diz Crossan.

Ele continua: "João dizia que Deus estava chegando. Mas João foi executado e Deus não veio". Ou seja: para o pesquisador, Jesus teria ficado tão chocado ante a não-intervenção divina que mudou sua visão sobre o que o Reino de Deus significava.

"João Batista havia imaginado uma intervenção unilateral de Deus. Jesus imaginou uma cooperação bilateral: as pessoas deveriam agir em combinação com Deus para que o novo reino chegasse", diz o pesquisador. Ou seja: não adiantaria esperar de braços cruzados. O negócio era fazer o Reino dos Céus aqui e agora. Como? Primeiro, extinguindo a violência. Mas e se alguém me der um soco, senhor? "Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra" (Lucas 6:29). Depois, amando ao próximo como a ti mesmo, ajudando ao pior inimigo se for necessário, como fez o bom samaritano da parábola famosa... Em suma, a essência da doutrina cristã.

A natividade

Agora, um aparte: chamar de "anos ocultos" apenas a juventude de Jesus é injustiça. O nascimento também é uma incógnita completa. A começar pela data de nascimento: 25 de dezembro era a data em que os romanos celebravam sua festa de solstício de inverno, a noite mais longa do ano. Não porque gostassem de noites sem fim, mas porque ela marcava o começo do fim do inverno. Praticamente todos os povos comemoram esse acontecimento desde o início da civilização - nossas festas de fim de ano, a semana entre o Natal e o Ano-Novo são um reflexo disso. O dia em que Jesus nasceu não consta na Bíblia - foi uma imposição da Igreja 5 séculos depois, para coincidir o nascimento do Messias com a festa que já acontecia mesmo - com troca de presentes e tudo.

"Na verdade, não sabemos nada histórico sobre Jesus antes de sua vida pública, já que os dois primeiros capítulos de Mateus e Lucas [os que relatam o nascimento] são basicamente parábolas, não história", diz Crossan. De acordo com Mateus, José soube num sonho que Maria daria à luz um menino concebido pelo Espírito Santo. Quando Jesus nasce, magos surgem do Oriente e seguem uma estrela que os conduz a Jerusalém. Lá, eles ficam sabendo que o Cristo nasceu em Belém. Seguindo a estrela, os magos chegam à cidade para adorar o menino e lhe regalam com ouro, incenso e mirra. Mas Herodes fica perturbado com o nascimento e manda soldados matarem todos os bebês de até 2 anos em Belém. Assim, José foge com a família para o Egito e depois vai morar em Nazaré, na Galileia, onde Jesus é criado.

"Não há nenhum relato, em qualquer fonte antiga, sobre o rei Herodes massacrar crianças em Belém, ou em seus arredores, ou em qualquer outro lugar. Nenhum outro autor, bíblico ou não, menciona isso", diz o teólogo americano Bart D. Ehrman no livro Quem Foi Jesus? Quem Jesus Não Foi?

No relato de Lucas, o anjo Gabriel vai à casa de Maria, em Nazaré, e lhe avisa que daria à luz um futuro rei. E que o "Filho de Deus" se chamaria Jesus. Maria era uma virgem prometida a José, e o anjo lhe explicou que o filho seria gerado pelo Espírito Santo. Lucas diz que naquela época, "quando Quirino era governador da Síria", um decreto do imperador Augusto obrigou os súditos a se registrar no primeiro censo do Império. Todo mundo devia retornar à cidade de origem para se alistar. Como os ancestrais de José eram de Belém, ele foi com Maria grávida para lá. Jesus nasceu em Belém pouco depois, e foi envolvido em panos na manjedoura. Lá o menino recebeu a visita de pastores e foi circuncidado aos 8 dias, para depois passar a infância em Nazaré.

"Os problemas históricos em Lucas são ainda maiores", diz Ehrman. "Temos registros do reinado de Augusto, e em nenhum deles há referência a um censo para o qual todos teriam de se registrar retornando ao lar dos ancestrais."

Ok, mas afinal por que Mateus e Lucas fazem Jesus nascer em Belém? Bom, de acordo com uma profecia do livro de Miqueias, do Antigo Testamento, o salvador viria de lá. Por que de lá? Porque era a cidade do rei Davi, o mais lendário dos soberanos de Israel.

Depois que o general Pompeu invadiu a Judeia, em 63 a.C., e fez dela província do Império Romano, os profetas passaram a dizer que um rei da linhagem de Davi inauguraria o "reino de Deus". Chamavam essa figura de "o ungido" - já que Davi e outros reis israelitas haviam sido ungidos com óleo. Os Evangelhos foram escritos em grego, o inglês da época. E em grego "ungido" é christos. O Cristo tinha que nascer em Belém. Yeshua provavelmente era de Nazaré mesmo.

Os Evangelhos, por sinal, são obra de autores desconhecidos. É apenas uma convenção dizer que foram escritos por Marcos (secretário do apóstolo Pedro), Mateus (o coletor de impostos), João (o "discípulo amado") e Lucas (o companheiro de viagem de Paulo). Além disso, os escritores não foram testemunhas oculares. "O autor de Marcos escreveu por volta do ano 70. Mateus e Lucas, de 80. E João, no final dos 90", diz Karen Armstrong. E claro: "Eram cristãos. Eles não estavam imunes a distorcer as histórias à luz de suas crenças", diz Ehrman. Afinal, "evangelho" deriva da palavra grega euangélion, que significa "boas novas". O objetivo dos autores não era escrever a biografia de Jesus, e sim propagar a nova fé. Levando isso em conta, chegamos a outra polêmica: os anos considerados como os mais conhecidos da vida de Jesus também são cheios de episódios misteriosos. Vejamos.

Yeshua sai da vida para entrar na Bíblia

Talvez tenha sido em busca de audiência que Yeshua rumou com os discípulos da Galileia para Jerusalém, por volta do ano 30 d.C. Depois de 3 anos pregando na periferia, já seria hora de atuar no palco principal.

Jerusalém era o pivô do fermento espiritual judaico, e milhares de judeus iam para lá na Páscoa. Os Evangelhos nos dizem que Jesus causou um tumulto no local, destruindo as banquinhas de câmbio (que trocavam moedas estrangeiras dos romeiros por dinheiro local cobrando uma comissão), já que seria uma ofensa praticar o comércio em pleno Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado da Terra para os judeus. Por perturbar a ordem pública, ele foi condenado à cruz. Parece historicamente sólido, mas o episódio central do Novo Testamento também é fonte de reinterpretações.

No julgamento, por exemplo, a multidão teria pedido que Barrabás, um assassino, fosse solto em vez de Jesus - já que era "costume" da Páscoa. Esse costume, porém, não é mencionado em nenhum lugar, exceto nos Evangelhos. Além disso, Jesus pode não ter sido exatamente crucificado, mas "arvorificado". É a teoria (controversa, é verdade) do arqueólogo Joe Zias, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Suas pesquisas indicam que as vítimas dos romanos eram mais comumente crucificadas em árvores, pregando uma tábua de madeira no tronco para prender os braços do condenado. Seja como for, não há por que duvidar de que ele tenha sido executado. Roma usava e abusava do expediente para tentar manter o controle das regiões que conquistava. Segundo Flávio Josefo, historiador judeu do século 1, numa só ocasião 2 mil judeus foram executados

A história de Jesus não acaba aí, claro. "Alguns discípulos estavam convencidos de que ele ressuscitara. E que sua ressurreição anunciava os últimos dias, quando os justos se reergueriam das tumbas", diz Armstrong. Para esses judeus cristãos, Jesus logo retornaria para inaugurar o novo reino. O líder do grupo era Tiago, irmão de Jesus, que tinha boas relações com fariseus e essênios. E o movimento se expandiu. Quando Tiago morreu, em 62, Jerusalém vivia o auge da crise política. Em 66, romanos perseguiram os judeus com medo de uma insurgência. Os zelotes se rebelaram e conseguiram manter as tropas do Império afastadas por 4 anos. Com medo de que a rebelião judaica se espalhasse, Roma esmagou os revoltosos. Em 70, o imperador Vespasiano sitiou Jerusalém, arrasou o Templo e deixou milhares de mortos.

"Não temos ideia de como seria o cristianismo se os romanos não tivessem destruído o Templo", diz Armstrong. "Sua perda reverbera ao longo dos livros que formam o Novo Testamento. Eles foram escritos em resposta à tragédia."

Para os pesquisadores, então, os textos sagrados refletem a realidade da Judeia do final do século 1 - e não a do início, a que Jesus viveu de fato. Por exemplo: Barrabás personificaria os sicários, judeus que saíam armados de punhais para matar romanos na calada da noite, como uma forma de vingança pela destruição do Templo. E que por isso mesmo eram assassinos amados pela população.

Quer dizer: Barrabás seria um personagem típico da década de 70 d.C., inserido no episódio da morte de Jesus, fato que aconteceu na década de 30 d.C, num momento em que o ódio aos romanos e o louvor a quem se dispusesse a matá-los não eram tão violentos.

Até a época em que os Evangelhos foram escritos, o movimento de Jesus era apenas um entre as várias seitas judaicas. Os primeiros cristãos se diziam "o verdadeiro Israel" e não tinham intenção de romper com a corrente principal do judaísmo. Mas tudo mudou com a destruição do Templo.

Ela intensificou a rivalidade entre as facções judaicas. "Em sua ânsia por alcançar o mundo gentio (o dos não-judeus), os autores dos Evangelhos estavam dispostos a absolver os romanos da execução de Jesus e declarar, com estridência crescente, que os judeus deviam carregar a culpa", diz Armstrong. João, o Evangelho mais virulento, declara que os judeus são "filhos do Diabo" (João 8:44). Até o autor de Lucas, que tinha uma visão mais positiva do judaísmo, deixou claro que havia um bom Israel (os seguidores de Jesus) e um Israel mau - os fariseus.

A rixa com os fariseus tem lógica, já que eram competidores diretos dos judeus cristãos. "Num extremo do judaísmo estavam os saduceus, a ala mais conservadora. No outro, os essênios, a mais radical. Já os fariseus e os judeus cristãos estavam no meio. Eles lutavam pela mesma coisa: a liderança do povo, que estava entre as duas pontas", diz Crossan.

Não é surpresa, aliás, que os livros do Novo Testamento contenham tantas contradições entre si. "Quando os editores finais do Novo Testamento juntaram esses textos, no início da Idade Média, não se incomodaram com as discrepâncias. Jesus havia se tornado um fenômeno grande demais nas mentes dos cristãos para ser atado a uma única definição", diz Armstrong. Os Evangelhos atribuídos a Marcos, Lucas, Mateus e João seriam finalmente selecionados para o cânon da Igreja. Dezenas de outros evangelhos ficaram de fora.

Só no século 2, quase 100 anos após a morte de Jesus, começam a aparecer relatos sobre ele no centro do Império. Um deles é uma carta do político romano Plínio ao imperador Trajano. Plínio cita pessoas conhecidas como "cristãs" que veneravam "Cristo como Deus". Outra fonte é o historiador romano Tácito, que menciona os "cristãos (...), conhecidos assim por causa de Cristo (...), executado pelo procurador Pôncio Pilatos". Suetônio, que escreveu pouco depois de Tácito, informa sobre uma perseguição de cristãos, "gente que havia abraçado uma nova e perniciosa superstição". Uma "superstição" cuja mensagem convenceria cada vez mais gente, a ponto de, no século 4, o imperador romano em pessoa (Constantino, no caso) converter-se a ela. E o resto é história. Uma história que chega ao seu segundo milênio. Com 2 bilhões de seguidores.

Lost Years

Antes dos 30, Jesus provavelmente teve a mesma formação religiosa dos judeus de sua época. Ou seja: seguia outro Jesus. Outro profeta.

16 anos

O jovem Yeshua (Jesus, em aramaico) tinha 4 irmãos homens e pelo menos duas irmãs mulheres. E cresceu na cidade onde nasceu: Nazaré.

20 anos

Ele pode não ter sido carpinteiro, mas pedreiro. O engano de 2 mil anos seria culpa de um erro de tradução.


28 anos

Na Bíblia, o profeta João apenas batiza Cristo. O mais provável, porém, é que ele tenha sido o grande mentor do jovem Yeshua.

33 anos

Os romanos crucificavam em massa. E também usavam árvores como base. Esse pode ter sido o cenário da morte de Jesus.
Revista Superinteressante

Karl Marx, o filósofo da revolução

O pensador alemão, um dos mais influentes de todos os tempos, investigou a mecânica do capitalismo e previu que o sistema seria superado pela emancipação dos trabalhadores
Márcio Ferrari (novaescola@atleitor.com.br)





Karl Marx


A evolução do pensamento pedagógico
Numa de suas frases mais famosas, escrita em 1845, o pensador alemão Karl Marx (1818-1883) dizia que, até então, os filósofos haviam interpretado o mundo de várias maneiras. "Cabe agora transformá-lo", concluía. Coerentemente com essa idéia, durante sua vida combinou o estudo das ciências humanas com a militância revolucionária, criando um dos sistemas de idéias mais influentes da história. Direta ou indiretamente, a obra do filósofo alemão originou várias vertentes pedagógicas comprometidas com a mudança da sociedade (leia quadro na página 54). "A educação, para Marx, participa do processo de transformação das condições sociais, mas, ao mesmo tempo, é condicionada pelo processo", diz Leandro Konder, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

No século 20, o pensamento de Marx foi submetido a numerosas interpretações, agrupadas sob a classificação de "marxismo". Algumas sustentaram regimes políticos duradouros, como o comunismo soviético (1917-1991) e o chinês (em vigor desde 1949). Muitos governos comunistas entraram em colapso, por oposição popular, nas décadas de 1980 e 1990. Em recente pesquisa da rádio BBC, que mobilizou grande parte da imprensa inglesa, Marx foi eleito o filósofo mais importante de todos os tempos.

Luta de classes

Na base do pensamento de Marx está a idéia de que tudo se encontra em constante processo de mudança. O motor da mudança são os conflitos resultantes das contradições de uma mesma realidade. Para Marx, o conflito que explica a história é a luta de classes. Segundo o filósofo, as sociedades se estruturam de modo a promover os interesses da classe economicamente dominante. No capitalismo, a classe dominante é a burguesia; e aquela que vende sua força de trabalho e recebe apenas parte do valor que produz é o proletariado.

O marxismo prevê que o proletariado se libertará dos vínculos com as forças opressoras e, assim, dará origem a uma nova sociedade. Segundo Marx, o conflito de classes já havia sido responsável pelo surgimento do capitalismo, cujas raízes estariam nas contradições internas do feudalismo medieval. Em ambos os regimes (feudalismo e capitalismo), as forças econômicas tiveram papel central. "O moinho de vento nos dá uma sociedade com senhor feudal; o motor a vapor, uma sociedade com o capitalista industrial", escreveu Marx.

A obra de Marx reúne uma grande variedade de textos: reflexões curtas sobre questões políticas imediatas, estudos históricos, escritos militantes - como O Manifesto Comunista, parceria com Friedrich Engels - e trabalhos de grande fôlego, como sua obra-prima, O Capital, que só teve o primeiro de quatro volumes lançado antes de sua morte. A complexidade da obra de Marx, com suas constantes autocríticas e correções de rota, é responsável, em parte, pela variedade de interpretações feitas por seus seguidores.

Trabalho e alienação

Em O Capital, Marx realiza uma investigação profunda sobre o modo de produção capitalista e as condições de superá-lo, rumo a uma sociedade sem classes e na qual a propriedade privada seja extinta. Para Marx, as estruturas sociais e a própria organização do Estado estão diretamente ligadas ao funcionamento do capitalismo. Por isso, para o pensador, a idéia de revolução deve implicar mudanças radicais e globais, que rompam com todos os instrumentos de dominação da burguesia.

Marx abordou as relações capitalistas como fenômeno histórico, mutável e contraditório, trazendo em si impulsos de ruptura. Um desses impulsos resulta do processo de alienação a que o trabalhador é submetido, segundo o pensador. Por causa da divisão do trabalho - característica do industrialismo, em que cabe a cada um apenas uma pequena etapa da produção -, o empregado se aliena do processo total.

Além disso, o retorno da produção de cada homem é uma quantia de dinheiro, que, por sua vez, será trocada por produtos. O comércio seria uma engrenagem de trocas em que tudo - do trabalho ao dinheiro, das máquinas ao salário - tem valor de mercadoria, multiplicando o aspecto alienante.

Por outro lado, esse processo se dá à custa da concentração da propriedade por aqueles que empregam a mão-de-obra em troca de salário. As necessidades dos trabalhadores os levarão a buscar produtos fora de seu alcance. Isso os pressiona a querer romper com a própria alienação.

Um dos objetivos da revolução prevista por Marx é recuperar em todos os homens o pleno desenvolvimento intelectual, físico e técnico. É nesse sentido que a educação ganha ênfase no pensamento marxista. "A superação da alienação e da expropriação intelectual já está sendo feita, segundo Marx", diz Leandro Konder. "O processo atual se aceleraria com a revolução proletária para alcançar, afinal, as metas maiores na sociedade comunista."

Aprendizado para a mente, o corpo e as mãoes



Litografia do século 19 mostra metalúrgica


italiana: Marx aprovava ensino nas fábricas.Combater a alienação e a desumanização era, para Marx, a função social da educação. Para isso seria necessário aprender competências que são indispensáveis para a compreensão do mundo físico e social. O filósofo alertava para o risco de a escola ensinar conteúdos sujeitos a interpretações "de partido ou de classe". Ele valorizava a gratuidade da educação, mas não o atrelamento a políticas de Estado - o que equivaleria a subordinar o ensino à religião. Marx via na instrução das fábricas, criada pelo capitalismo, qualidades a ser aproveitadas para um ensino transformador - principalmente o rigor com que encarava o aprendizado para o trabalho. O mais importante, no entanto, seria ir contra a tendência "profissionalizante", que levava as escolas industriais a ensinar apenas o estritamente necessário para o exercício de determinada função. Marx entendia que a educação deveria ser ao mesmo tempo intelectual, física e técnica. Essa concepção, chamada de "onilateral" (múltipla), difere da visão de educação "integral" porque esta tem uma conotação moral e afetiva que, para Marx, não deveria ser trabalhada pela escola, mas por "outros adultos". O filósofo não chegou a fazer uma análise profunda da educação com base na teoria que ajudou a criar. Isso ficou para seguidores como o italiano Antonio Gramsci (1891-1937), o ucraniano Anton Makarenko (1888-1939) e a russa Nadia Krupskaia (1869-1939).

Biografia

Karl Marx nasceu em 1818 em Trier, sul da Alemanha (então Prússia). Seu pai, advogado, e sua mãe descendiam de judeus, mas haviam se convertido ao protestantismo. Estudou direito em Bonn e depois em Berlim, mas se interessou mais por filosofia e história. Na universidade, aproximou-se de grupos dedicados à política. Aos 23 anos, quando voltou a Trier, percebeu que não seria bem-vindo nos meios acadêmicos e passou a viver da venda de artigos. Em 1843, casou-se com a namorada de infância, Jenny von Westphalen. O casal se mudou para Paris, onde Marx aderiu à militância comunista, atraindo a atenção de Friedrich Engels, depois amigo e parceiro. Foi expulso de Paris em 1845, indo morar na Bélgica, de onde também seria deportado. Nos anos seguintes, se engajou cada vez mais na organização da política operária, o que despertou a ira de governos e da imprensa. A Justiça alemã o acusou de delito de imprensa e incitação à rebelião armada, mas ele foi absolvido nos dois casos. Expulso da Prússia e novamente da França, Marx se estabeleceu em Londres em 1849, onde viveu na miséria durante 15 anos, ajudado, quando possível, por Engels. Dois de seus quatro filhos morreram no período. O isolamento político terminou em 1864, com a fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (depois conhecida como Primeira Internacional Socialista), que o adotou como líder intelectual, após a derrota do anarquista Mikhail Bakunin. Em 1871, a eclosão da Comuna de Paris o tornou conhecido internacionalmente. Na última década de vida, sua militância tornou-se mais crítica e indireta. Marx morreu em 1883, em Londres.

Tempo de utopias e rebeliões na Europa




Militares cercam estátua de Napoleão
derrubada durante a Comuna de Paris:
Marx chega às ruas.


Marx viveu numa época em que a Europa se debatia em conflitos, tanto no campo das idéias como no das instituições. Já na universidade, as doutrinas socialistas e anarquistas se encontravam no centro das discussões dos grupos que Marx freqüentava. Alguns dos pensadores que então alimentavam as esperanças transformadoras dos estudantes hoje são chamados de "socialistas utópicos", como o britânico Robert Owen (1771-1858) e os franceses Charles Fourier (1772-1837) e Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865). Dois momentos da história européia foram vividos por Marx intensamente e tiveram importantes reflexos em sua obra: as revoltas antimonárquicas de 1848 - na Itália, na França, na Alemanha e na Áustria - e a Comuna de Paris, que, durante pouco mais de três meses em 1871, levou os operários ao poder, influenciados pelas idéias do próprio Marx. A insurreição acabou reprimida, com um saldo de 20 mil mortes, 38 mil prisões e 7 mil deportações.

Para pensar

A alienação de que fala Marx é conseqüência do afastamento entre os interesses do trabalhador e aquilo que ele produz. De modo mais amplo, trata-se também do abismo entre o que se aprende apenas para cumprir uma função no sistema de produção e uma formação que realmente ajude o ser humano a exercer suas potencialidades. Você já pensou se a educação, como é praticada a seu redor, procura dar condições ao aluno para que se desenvolva por inteiro ou se responde apenas a objetivos limitados pelas circunstâncias?
Revista Nova Escola

A moda que revela as mudanças sociais

Roupas do passado e do presente servem como um espelho da sociedade e ajudam os pequenos a compreender transformações históricas. Ajude-os a questionar as permanências e as mudanças no modo de vestir através dos tempos
Bianca Bibiano (bianca.bibiano@abril.com.br)





Século 15 Entre a Idade Média e a Moderna,
os burgueses passam a copiar o estilo de
vestir dos nobres. Estes, por sua vez, criam
novas peças. Assim, nasce a moda




Século 18 Na Revolução Industrial, as roupas
passam a ser fabricadas em larga escala. O
algodão é a matéria-prima mais usada

para trajes de ambos os sexos


Longe de ser frívola, a moda se constitui numa referência da multiplicidade de formas na qual se exprime a criatividade humana. "Ela não é somente a roupa, mas tudo o que caracteriza o gosto específico de um grupo, passando por seu modo de vestir", explica João Braga, especialista na área e professor da Faculdade Santa Marcelina (Fasm) e da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Uma análise detalhada do tema traz à tona questões que permitem enriquecer o repertório das crianças sobre a evolução e os costumes dos grupos sociais. A história da vestimenta se enquadra no eixo natureza e sociedade por guardar relação com o comportamento através dos tempos e a produção cultural da humanidade - a organização do mundo, seu modo de ser e de viver.

Roupas e acessórios refletem mudanças de comportamento. As gravatas, por exemplo, apontam para a formalidade. Entraram para o vestuário masculino no século 17 e protegiam o pescoço da nobreza. Já a minissaia, tão comum hoje, mas impensável até a década de 1960, mostra uma revolução no universo feminino. Numa época em que as mulheres começavam a trabalhar fora, elas foram criadas para facilitar o andar.

A moda tem suas origens no início da Idade Moderna, com a ascensão da burguesia. Não que antes as pessoas não se importassem com o que vestiam. Pelo contrário. No Egito e na Grécia, as roupas já eram pensadas para valorizar o corpo e para embelezar. Entretanto, é só no fim da Idade Média que os burgueses passam a copiar o estilo de vestir dos nobres. "E eles, por sua vez, passam a ornamentar novas peças com o objetivo de garantir uma valorizada exclusividade. É aí que começa um ciclo eterno de moda", conta Braga. A expressão "obsolescência programada", usada por profissionais da área, descreve bem o que a moda se tornou a partir desse período. "O que está em voga hoje será passado no próximo mês ou até na próxima semana", diz.

Observar permanências e mudanças para compreender o uso das roupas




Anos 1920 Como herança da Primeira
Guerra Mundial, os homens usam
casacos utilitários. A mulher começa
a trabalhar fora, o que exige
vestidos soltos




Anos 1960 No auge da revolução sexual,
a calça ganha a preferência da mulher e
a barreira entre o masculino e o
feminino começa a se romper


Tudo o que colocamos sobre nosso corpo recebe o nome de indumentária. Sob esse título, estão vestimentas, chapéus, sapatos, maquiagens, piercings, tatuagens... "A moda é uma fração desse todo, caracterizada por aspectos que chamaram a atenção das pessoas em um determinado período", aponta o especialista.

E, cedo ou tarde, ela passa. O seu modo de vestir provavelmente se distingue do de seus pais quando eles tinham sua idade. Você pode dizer: "Ah, mas aqueles eram outros tempos". E eram mesmo. "A ideologia, a música e a arte acabam por se refletir nas roupas. Mesmo quando se faz um resgate do trejeito de ser de uma geração, não se pode copiá-lo fielmente porque os elementos que o influenciaram ficaram para trás", afirma. O assunto deve ser abordado em sala com meninos e meninas (leia a sequência didática). "O caráter de pesquisa envolvido em uma atividade desse tipo vai além do gênero, pois saber dos comportamentos de outros tempos enriquece o repertório de todos", afirma a escritora Kátia Canton, autora do livro Moda: Uma História para Crianças.

Quando começou uma sequência de atividades envolvendo a história do vestuário, a professora Ana Luisa Pavianni, do Sesc de Carazinho, a 292 quilômetros de Porto Alegre, teve receio de a turma não se interessar pelo assunto. "Falar em moda com crianças pequenas é um desafio. Mas fui aguçando a curiosidade delas com consultas a livros e fotos dos anos 1970, que os próprios pais enviaram", explica. Com a pesquisa em mãos, o grupo de Ana Luisa passou a produzir suas peças, feitas com papel e retalhos, entre outros materiais. "Incorporar os elementos estudados na própria produção era uma das propostas. Assim, foi possível observar os questionamentos que elas faziam sobre as permanências e as mudanças no modo de vestir, o que eles notavam nos trajes de hoje e nos do passado." Nesse universo, além das roupas usadas no dia a dia, há também as peças folclóricas, que podem ser estudadas como o modo de caracterizar um povo ou um grupo social. Resgatá-las em uma pesquisa ajuda a conhecer a História e os costumes da sociedade.

Agradecimento: Biblioteca do Centro Universitário SENAC Lapa Faustolo

Revista Nova Escola

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Revolução Francesa - Grande Medo


Charge francesa sobre o Grande Medo
(camponeses dominando um casal de nobres)
http://verhistoria.hdfree.com.br

A tomada da Bastilha pela população foi um ato de enorme importância, pois simbolizou o levante popular contra o Absolutismo. A revolta se alastrou pelo campo, propriedades foram saqueadas, castelos incendiados. Muitos nobres deixaram a França para se abrigar em Estados Absolutistas, como a Prússia e a Áustria. Era o Grande Medo, que assombrou a aristocracia entre julho e agosto de 1789.

Revolução Francesa


Oficial de justiça exibe a cabeça do rei em 21 de janeiro de 1793, conduzido à guilhotina em uma carruagem, última homenagem ao rei condenado.
Musée des Civilisations de I´Europe et de la Mediterranée, Paris, França.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Procissão dos condenados


A procissão dos condenados: auto da fé celebrado pela Inquisição de Lisboa.
Gravura do Século XVIII. (Bibliothéque des arts Décoratifs, Paris, França.)

Castelo de São Jorge da Mina




Vista do Castelo de Mina (Costa do Ouro, Golfo da Guiné), pelo lado noroeste, a partir do rio. Gravura integrante do Atlas Blaeau-Van Der Hem, publicado na Holanda na segunda metade do século XVII.

Vista do mar da poderosa feitoria portuguesa do Castelo de São Jorge da Mina, localizado onde hoje é a cidade de Elmina, no país de Gana, na África. Em torno do castelo, espalhavam-se as habitações africanas e navios europeus esperavam o carregamento de Escravos, capturados no interior e trazidos para os portos por mercadores de variados povos africanos.
Ronaldo Vainfas e outros. História. Saraiva, 2010.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

José de San Martin


José de San Martin nasceu em 1778, num povoado às margens do Rio Uruguai, filho de um governador espanhol com a sobrinha do conquistador do Chaco, na atual Argentina. Mudou-se para a Espanha com a família, em 1783. Estudou no Colégio dos Nobres, em Madri, onde aprendeu latim, francês, alemão, retórica, matemática, história e geografia. Iniciou o aprendizado militar com apenas 11 anos e, em 1797, tornou-se subtenente no exército espanhol. Depois de passar por Londres, viajou para Buenos Aires, em 1812, participando ativamente do movimento de independência. Comandou a expedição ao Chile, em 1817, e governou o Peru entre 1821 e 1822. Considerado na Argentina como o "Pai da Pátria", sua atuação militar é comparável à de Simón Bolívar. Morreu na França, em 1850, aos 72 anos de idade.

O Quinto


O ouro era recolhido, fundido e "quintado" nas casas de fundição, que o transformavam em barras para circular livremente. Dentro da capitania de Minas Gerais, entretanto, poderia ser comercializado em pó, devido à impossibilidade de alguns mineradores em juntar ouro suficiente para ser transformado em barra. Foi comum, em Minas Gerais, atribuir-se o valor dos produtos em oitavas de ouro (cada oitava de ouro equivalia 1$200 - um mil e duzentos réis). Desenho de Carlos Julião, século XVIII.

O terremoto de Lisboa



O terremoto de Lisboa ocorreu no dia 1 de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos. A população atribuiu a causa da tragédia à ira de Deus. A reconstrução da cidade foi feita à custa da criação de novos impostos, principalmente no Brasil.

Notícias História Viva


Os cerca de 3 mil corpos são de vítimas de um terremoto que devastou Lisboa em 1755 Foto: AP

Lisboa: cova feita após terremoto de 1755 é achada

Foi uma descoberta deprimente: uma cova com milhares de ossos humanos, como crânios esmagados e queimados, osso de uma criança com marcas de mordidas de cão, crânio com um possível buraco de bala na testa. Três anos após a descoberta, cientistas forenses e historiadores afirmam que decifraram o enigma. Eles dizem que os cerca de 3 mil corpos existentes na sepultura são de vítimas de um terremoto que devastou Lisboa em 1755.


"Não era preciso ser um gênio para entender. Isso só poderia ter sido um evento singular, calamitoso", disse Miguel Telles Antunes, curador do Museu da Academia de Ciências, que coordenou a investigação. Os ossos foram encontrados por trabalhadores que escavavam um convento franciscano do século XVII. Segundo os especialistas, é a primeira vez que uma sepultura desse tipo é encontrada na capital de Portugal.

O exame de 1.099 dentes - em bom estado de conservação - encontrados na sepultura permitiu a classificação de 79 vítimas, incluindo bebês. A faixa etária mais presente no grupo era de 17 anos a 35 anos, o que fez os cientistas presumirem que a população da época era bastante jovem.

Além de ossos humanos, a cova contém ossos de animais, pedaços de objetos de cerâmica, canos de barro, medalhões e rosários, entre outros objetos. Quando ocorreu o terremoto, autoridades se apressaram em enterrar os corpos dos mortos para evitar possíveis epidemias, dizem historiadores. "Quando eles carregaram os corpos, eles recolheram tudo mais que estava ao redor deles", afirmou João Luis Cardoso, professor de arqueologia da Open University.

O tremor de 1755, que incluiu ainda uma tsunami e um incêndio que durou seis dias, foi uma das catástrofes mais mortais a atingir o oeste da Europa. Estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido devido ao fenômeno. Segundo os cientistas, apenas uma parte da cova existente no convento foi escavada, e parte dela está visível ao público sob a proteção de vidros.
AP - Copyright 2007 Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído.
Notícias Terra - http://noticias.terra.com.br/ciencia

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Um novo olhar sobre o gato


Com seu ar enigmático, ele já foi associado a deuses e demônios ao longo da história. Hoje, após milênios de convivência com o homem, o bichano é o animal de estimação mais adaptado à vida moderna e um aliado considerável na hora de cuidarmos da nossa saúde
PAOLA BELLO

Dona Luiza*, 65 anos, ficou viúva neste ano. Para piorar, não podia contar com o apoio dos filhos, que viviam distantes dela, física e afetivamente. Por conta disso, além de tremores nas mãos, passou a ter problemas estomacais, enxaquecas e dores musculares. Mesmo nesse estado, ela teve disposição para recolher um gato que fora atropelado na rua onde mora. O que era apenas um ato de solidariedade acabou virando uma estratégia que, em vez de uma vida, pode estar salvando duas.

Entre as idas e vindas ao veterinário, ela e o gatinho vira-lata começaram a participar de sessões de zooterapia. Nelas, percebeu que, ao assumir a responsabilidade de manter o animal vivo e bem cuidado, dona Luiza exigia saúde e bem-estar de si mesma. Em conseqüência, conseguiu purgar a perda do marido e resgatou o relacionamento com os filhos.

Casos como esse entram para a contabilidade que está ajudando os felinos a atenuar o estigma de interesseiros e anti-sociais. Com isso, ganham mais espaço nos lares. No Brasil, eles são um para cada 12 habitantes - há um cachorro para cada 6 brasileiros. Entretanto, veterinários, zooterapeutas e o mercado de alimentos para animais apostam na tendência de o gato se tornar o animal do futuro. Pudera, as famílias estão se tornando menos numerosas, os lares estão cada vez menores, e as pessoas estão passando muito menos tempo em casa. Se há um bicho que consegue se adaptar bem a esse quadro, é o gato, que vem dividindo o ambiente com os humanos há muito tempo.


Toma
lá, dá cá Apesar do temperamento de caçador solitário, o gato aprecia a proximidade com os humanos. E, claro, sabe que vai sobrar comida nesse açougue em Marrocos
Quando o homem começou a procurar um local para chamar de lar, lá estava o gato. Logo que desenvolveu a agricultura - entre 10.000 e 12.000 a.C. -, deixou de ser nômade e começou a estreitar os laços de amizade com os felinos. E tudo teve início como uma troca de favores: o homem passou a armazenar alimento; com a estocagem de grãos, vieram os roedores, que, por sua vez, atraíram os gatos. O mais antigo fóssil que comprova essa amizade é de 9.500 a.C. Descoberta em 2004, a ossada de um gato selvagem dividia a tumba com a de um humano. O achado derruba a tese de que os egípcios teriam sido os pioneiros na domesticação dos felinos, em aproximadamente 2000 a.C., já que o fóssil foi encontrado na ilha mediterrânea de Chipre.

Pelo tamanho da ossada, o primeiro amigo felino não devia ter mais de 8 meses de vida, o que indica que teria sido morto para acompanhar a dona após a morte. Porém, o indício mais forte da amizade consiste no fato de que, nenhum gato, de espécie alguma, é nativo da ilha de Chipre. Para a existência desse fóssil, a hipótese mais provável é a de que os próprios moradores da ilha viajaram cerca de 70 quilômetros, até a Turquia, onde adquiriram o animal e o levaram para a vila.

"Pesquisando os componentes genéticos de gatos selvagens da Europa, da Ásia, da África e do Oriente Médio, concluímos que realmente a domesticação começou na ilha de Chipre, com gatos provenientes do Crescente Fértil [região entre os rios Nilo, Tigre e Eufrates, onde iniciou a agricultura]", afirma Stephen O'Brien, chefe do laboratório de diversidade genômica no Instituto Nacional do Câncer, em Maryland, EUA.

De deuses a demônios
Séculos de convivência - e o ar enigmático dos felinos - fizeram com que, além de aliados, os gatos passassem a ser considerados um canal para diálogos com o divino. "No Antigo Egito, acreditava-se que eles tinham propriedades espirituais e que eram capazes de se comunicar com divindades", diz Elaine Evans, professora da Universidade do Tennessee e curadora do museu McClung (no campus da universidade, em Knoxville), que desde 2001 abriga uma exposição de gatos mumificados.

No início, os egípcios cultuavam os leões. O gato selvagem, que mais parecia um leão em miniatura, começou a ser introduzido na mitologia. Assim, os deuses passaram a ganhar atributos e temperamentos ainda ligados aos leões, mas adaptados ao comportamento dos bichanos. "O gato representa a civilização, relação feita a partir da agricultura. Também representa o Sol, por ficar bastante tempo deitado na areia se bronzeando. Essas características foram atribuídas ao deus-sol Rê, metade homem, metade gato", afirma Antonio Brancaglion Jr., egiptólogo e professor no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Quem mandou? A Inquisição condenou os gatos à morte. A Europa pagou caro por isso, pois, proliferando à vontade, os ratos disseminaram a "peste negra"
Com a popularização dos rituais fúnebres envolvendo a mumificação, os gatos passaram a acompanhar seus donos até a eternidade. A mais antiga múmia de gato conhecida data de 1.500 a.C. Apenas na cidade de Beni-Hassan, na margem leste do rio Nilo, mais de 300 mil múmias felinas foram encontradas. Também há registros de cemitérios gigantescos nos arredores do Cairo, com mais de 4 milhões de gatos mumificados.

Essa aura de adoração não ficou enterrada nas tumbas egípcias. Séculos depois, nas comunidades gregas e romanas, eram comuns imagens e cultos às deusas Háthor e Bastet. Baseados nessas duas divindades, os gregos também transferiram ao gato alguns atributos de Afrodite, a deusa do amor e do prazer sexual, e associaram a agilidade e a rapidez dos bichanos para a fuga a Ártemis, a deusa da caça. Da mesma forma, os romanos associaram a feminilidade felina à deusa Diana, da caça e da fecundidade, e relacionavam o bichano à deusa Vênus, da sensualidade e das emoções maternas.

Já na era cristã, a Inquisição veio para pôr um fim na paz entre humanos, gatos e divindades. "O bichano só começou a ser visto de forma negativa a partir do cristianismo, na Idade Média. Essa ligação maligna foi feita justamente porque era um animal atribuído aos deuses pagãos. Com a Inquisição, tudo que não era da religião católica era do mal e deveria ser queimado na fogueira", afirma Brancaglion. Profissões que tinham qualquer ligação com o gato também foram condenadas. As parteiras, por exemplo, usavam a deusa Bastet como símbolo e, por isso, foram tachadas de bruxas. No século 13, a perseguição foi ainda maior. Com a promulgação de bulas nas quais condenava os gatos, especialmente os de cor preta, associado ao satanismo, o papa Gregório IX determinou a exterminação de centenas de felinos.

A humanidade pagou caro por esse destempero da Inquisição. Com a redução da população felina, os ratos tomaram conta do pedaço. Falta de saneamento, condições precárias de higiene e tráfego de navios infestados de roedores ajudaram a deixar o século 14 marcado na Europa pela pandemia da peste bubônica. Transmitida através da picada de pulgas infectadas por ratos doentes, a "peste negra" dizimou cerca de um terço da população européia.

Se sob o catolicismo os gatos conheciam dias de cão, na cultura islâmica há relatos de que a vida de Maomé teria sido salva por seu felino de estimação. "Conta-se que o profeta estava em casa, e, sem que ele percebesse, uma cobra se aproximou para atacá-lo. Seu gato conseguiu matá-la antes do bote. Também fala-se que o profeta o teria acariciado na cabeça e o abençoado, e que, por isso, a partir daquele dia, os gatos começaram a cair sempre em pé", diz Brancaglion.

A amizade felina também influenciou a cultura nipônica. No Japão, o gato Maneki-Neko (aquele das boas-vindas, com uma das patinhas levantada) é símbolo de boa sorte. Reza a lenda que, há muitos anos, esse gato estava parado na frente do templo de Gotoku-ji. Ao ver um senhor feudal, teria acenado e atraído o homem para dentro, livrando-o de um raio que cairia logo depois. A partir desse dia, Maneki-Neko passou a ser considerado a encarnação da deusa da misericórdia.
matéria completa Revista Galileu

Peste Negra


A peste negra aterroriza a Europa. O medo de ser devorado por lobos cria a lenda dos lobisomens. Os ladrões de crianças medievais são os primeiros serial killers.
http://revistagalileu.globo.com


Segundo relatos medievais, as provícias pecadoras eram infestadas por ratos belicosos, que devoravam e expulsavam sua população. Supõe-se que os ratos vieram da ásia em dois fluxos principais, trazendo a peste, segundo a espécie e a época encaradas. A ratazana-preta, Rattus rattus, talvez provenha da Província Indiana, mas também pode ter vindo com as cruzadas, ao mesmo tempo que os gatos, no início do século XII. Quanto à ratazana cinzenta, ou ratazana dos esgotos, ou Rattus norvegicus, é possível que o Ocidente a tenha conhecido desde o século XI, como demonstra as ossadas descobertas na Alemanha. Terá vindo provavelmente da Ásia central. Esta ratazana, forte belicosa, agressiva, perfeitamente à vontade nos países temperados, pôde escorraçar da maior parte dos locais por ela ocupados a ratazana preta, mais pacífica, em recuo ou fragilizada pela progressiva desaparição das madeiras de construção onde se escondia, pelo aumento dos gatos e dos cães e pela sua larga coabitação com o homem (...). Foi a partir do domínio da ratazana cinzenta que a epidemia de peste se propagou. O grande vilão, nesse caso, é a pulga, que só abandona o morto quando sua temperatura desce abaixo dos 28 graus.
(LE GOFF, Jacques (org.). As doenças têm História. Lisboa: Terramar, 1985. p.109)

Lobisomem



Lenda brasileira
No Brasil existem muitas versões dessa lenda, variando de acordo com a região. Uma versão diz que a sétima criança em uma sequência de filhos do mesmo sexo tornar-se-á um lobisomem. Outra versão diz o mesmo de um menino nascido após uma sucessão de sete mulheres. Outra, ainda, diz que o oitavo filho se tornará a fera.
Em algumas regiões, o Lobisomem se transforma à meia noite de sexta-feira, em uma encruzilhada. Como o nome diz, é metade lobo, metade homem. Depois de transformado, sai à noite procurando sangue, matando ferozmente tudo que se move. Antes do amanhecer, ele procura a mesma encruzilhada para voltar a ser homem.
Em algumas localidades diz-se que eles têm preferência por bebês não batizados. O que faz com que as famílias batizem suas crianças o mais rápido possível. Já em outras diz-se que ele se transforma se espojando onde um jumento se espojou e dizendo algumas palavras do livro de São Cipriano e assim podendo sair transformado comendo porcarias até que quase se amanheça retornando ao local em que se transformou para voltar a ser homem novamente. No interior do estado de Rondônia, o lobisomem após se transformar, tem de atravessar correndo sete cemitérios até o amanhecer para voltar a ser humano. Caso contrário ficará em forma de besta até a morte. O escritor brasileiro João Simões Lopes Neto escreveu assim sobre o lobisomem: "Diziam que eram homens que havendo tido relações impuras com as suas comadres, emagreciam; todas as sextas-feiras, alta noite, saíam de suas casas transformados em cachorro ou em porco, e mordiam as pessoas que a tais desoras encontravam; estas, por sua vez, ficavam sujeitas a transformarem-se em Lobisomens…" [1]
Há também quem diga que um oitavo filho que tem sete irmãs mais velhas se torna lobisomem ao completar treze anos. Também dizem que o sétimo filho de um sétimo filho se tornará um lobisomem.
A lenda do lobisomem é muito conhecida no folclore brasileiro, e assim como em todo o mundo, os lobisomens são temidos por quem acredita em sua lenda. Algumas pessoas dizem que além da prata o fogo também mata um lobisomem. Outras acreditam que eles se transformam totalmente em lobos e não metade lobo metade homem.

Algumas lendas também dizem que se um ser humano for mordido por um lobisomem, e não o encontrar a cura até a 12ª badalada desse mesmo dia, ficará lobisomem para toda a eternidade. No interior do estado de São Paulo, divisa com Minas Gerais, está localizada a cidade de Joanópolis, capital mundial do Lobisomem, com o maior número de avistamentos da fera registrados em uma só cidade até hoje e quando se questionava acerca da razão da existência de tal coisa, as respostas eram algo unânimes: "As palavras dos batizados eram outras..." e mencionava-se as razões já ditas na lenda brasileira. Por vezes, quando as pessoas vinham de uma festa ou convívio, ou simplesmente vinham da horta, a pé ou de carroça, e estamos a falar há 30 ou 40 anos atrás (ou mais), não raras vezes era ouvido um som repetitivo, como um trovão constantemente a tronar, de longe e associava-se isso aos lobisomens.
Desde há alguns anos para cá que não se ouve falar de um caso desses, mas ainda perduram na memória as histórias que nos contavam em pequenos, como a do homem que conversava com os seus amigos no café, e deixa escapar: "Como me custa subir a serra da Ladeira de noite, com pés de porco…".
Há referências muito antigas ao lobisomem em Portugal. Aparece no Rifão de Álvaro de Brito (Cancioneiro Geral):
Sois danado lobishomem,
Primo d’Isac nafú;
Sois por quem disse Jesus
Preza-me ter feito homem.
(Garcia de Resende, Excertos, por António Feliciano de Castilho, Livraria Garnier, Rio de Janeiro, 1865, p. 24).
É também mencionado no Vocabulario Portuguez e Latino de Rafael Bluteau (tomo V, p. 195) e nos sonetos de Bocage:
Profanador do Aónio santuário,
Lobisomem do Pindo, orneia ou brama,
Até findar no Inferno o teu fadário!
(Bocage, Obras Escolhidas, primeiro volume, p.122).
http://pt.wikipedia.org/

domingo, 13 de novembro de 2011

Auschwitz

Entrada

Os nazistas estabeleceram seu maior campo de extermínio em Oswiecim, perto de Cracóvia, na Polônia, ao qual deram o nome de Auschwitz.

Entre 1940 e 1945, eles mataram mais de 1 milhão de pessoas no local - a maioria delas de judeus, mas também prisioneiros de guerra poloneses, ciganos e russos.

Trens com vítimas de toda a Europa ocupada chegavam ao campo quase todos os dias entre 1942 e 1944.
Chegada

Os guardas inspecionavam novas chegadas ao campo para determinar se as pessoas eram aptas para o trabalho forçado. Os que não eram, a maioria, eram mandados para as câmaras de gás.

A quantidade dessas câmaras aumentou durante a guerra, até que um complexo de quatro prédios passou a reunir locais para tirar a roupa, câmaras de gás e crematórios. Os bens das vítimas eram confiscados e mandados para a Alemanha.
Trabalho forçado

Desde 1933, os nazistas usavam o trabalho forçado como meio de "reeducar" adversários políticos. Quando Auschwitz foi estabelecido, os presos eram usados como parte vital da força de trabalho.

Os que sobreviviam à primeira seleção iam trabalhar em fábricas de armas, minas de carvão, fazendas e indústrias químicas. Esta foto - de mulheres fazendo fila para trabalhar - foi tirada por um guarda da SS.]
Galpão

As condições de vida no campo eram extremamente difíceis.

Vários prisioneiros dormiam na mesma cama, que era feita de madeira.

As pessoas se juntavam para se manter quentes no inverno, mas sofriam com o calor do verão.
Construções

Auschwitz se expandiu rapidamente depois que o primeiro campo, Auschwitz-I, foi estabelecido em 1940, principalmente como uma colônia penal. Os nazistas usaram os próprios prisioneiros para construir outros dois campos.

Auschwitz-II era um campo de extermínio, um local-chave do plano nazista de matar todos os judeus na Europa - a "Solução final para a questão judaica". Auschwitz-III era um campo de trabalho forçado.
Fornos

Depois de experimentar diferentes métodos de extermínio em massa, os nazistas adotaram em Auschwitz o Zyklon B, um gás usado para fumigação.

As vítimas eram enviadas às câmaras de gás disfarçadas como locais para tomar banho, e depois queimadas em fornos especialmente criados com esse objetivo.

Pelo menos 1,1 milhão de judeus morreram no campo.

Bens

Muito pouco era desperdiçado em Auschwitz.

Os bens das vítimas eram confiscados e separados para a reciclagem.

Dentes de ouro eram umas das coisas que mais tinham valor.

Cabelo humano era usado para encher colchões.

Óculos, sapatos, roupas, malas e até partes amputadas do corpo eram separados e transportados para a Alemanha.
Crianças

Crianças muito novas para trabalhar eram mortas assim que chegavam a Auschwitz. Mas algumas delas, com o uniforme do campo, foram encontradas e fotografadas por soldados soviéticos que libertaram o campo.

Médicos sob o comando de Josef Mengele faziam testes científicos em gêmeos, que recebiam transfusões de sangue, injeções misteriosas e colírios que os deixavam cegos. Alguns eram castrados, e outros morriam nos testes.
Libertação

Quando o Exército soviético chegou a Auschwitz em janeiro de 1945, havia no local 7 mil presos.

Eles tinham escapado da "marcha da morte", quando os alemães forçaram cerca de 60 mil prisioneiros para fora do campo.

Um soldado soviético disse que os prisioneiros foram encontrados "em pele e osso" e mal conseguiam ficar em pé
Julgamento

Dois dos comandantes de Auschwitz foram julgados e executados na Polônia em 1947. Outro foi preso perto de Hamburgo em 1960 e morreu na prisão três anos depois.

O julgamento mostrado nesta fotografia aconteceu entre dezembro de 1963 e agosto de 1965. Os testemunhos dos réus, assistentes dos comandantes do campo, e dos sobreviventes deram uma imagem detalhada da rotina diária no campo.
Hoje

Auschwitz Birkenau é hoje um museu administrado pelo Ministério da Cultura da Polônia e é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

Auschwitz, ou Oswiecim, é cidade pequena, Birkenau ou Brzezinka, uma grande vila. A vida acontece normalmente fora dos portões do campo.

Dentro, o museu está tentando preservar os crematórios e os milhares de sapatos e cabelos das vítimas de deterioração.


BBC Portuguese

Peste negra veio da Ásia há 2.600 anos

A doença, que matou milhões de europeus, chegou pela Rota da Seda



Imagem de uma cultura com organismos bacterianos causadores da peste bubônica (Getty Images)


Entre 1347 e 1351, a peste negra, que se expandiu através da Ásia, Europa e África, pode ter reduzido a população mundial de 450 a 350 milhões de pessoas

A peste bubônica, que matou milhões de pessoas na Europa, se propagou pelo mundo há mais de 2.000 anos a partir da Ásia. A descoberta acaba de ser feita por uma equipe internacional, que fez a reconstituição das sucessivas ondas epidêmicas através da História. Todos os dados foram recolhidos a partir de variedades de bactérias e de uma coleção única de outras 300 variedades. Foram elas que permitiram aos cientistas reconstituir a origem geográfica da doença, sua idade e a dispersão em várias epidemias. O estudo foi publicado no site da Nature Genetics.

Letal quando não tratada, a peste tem como agente infeccioso uma bactéria, a Yersinia pestit, cujo reservatório natural são essencialmente os roedores. A transmissão acontece por meio de picadas de pulgas. Segundo o Museu Nacional de História Natural/CNRS da França (MNHN), co-signatário do artigo (Thierry Wirth e Raphaël Leblois), os resultados apontam para o início da doença na China, há 2.600 anos.

Foi a partir desta região que a peste se dirigiu para a Europa ocidental. Para chegar até os países do velho continente, a bactéria usou um caminho conhecido e bastante utilizado à época: a Rota da Seda (iniciada há mais de 600 anos). Em seguida, migrou para a África, importada pelo navegador Zheng He no século 15, e, mais tarde, acabou se dirigindo para a América do Norte e Madagascar, no fim do século 19.

Pesquisa - Os dados moleculares permitiram reconstituir com uma precisão surpreendente a chegada da peste aos Estados Unidos via China e Havaí e sua propagação a partir dos portos de São Francisco e Los Angeles para o interior do território americano. Os trabalhos demonstraram sobretudo que o conjunto das sucessivas ondas epidêmicas partiu da Ásia Central e da China.

Entre 1347 e 1351, a peste negra, que se expandiu através da Ásia, Europa e África, pode ter reduzido a população mundial de 450 a 350 milhões de pessoas, segundo o University College Cork (Irlanda). Alemanha, China, Grã-Bretanha, Madagascar e Estados Unidos também participaram das pesquisas.
(Com agência France-Presse)
Revista Veja

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Como era um campo de extermínio?


Entrada principal do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau. Foto tirada na Polônia, data incerta.


Como era um campo de extermínio?
por Roberto Navarro
Era uma verdadeira usina da morte, montada pelos nazistas durante a Segunda Guerra para promover a aniquilação em massa de pessoas indesejáveis na Alemanha e nos territórios invadidos. A função básica desses lugares era o assassinato coletivo de judeus e outros grupos considerados "anti-sociais" - ciganos, dissidentes políticos, prisioneiros de guerra, homossexuais, deficientes físicos e mentais, andarilhos e mendigos. Sabe-se que a matança em massa de judeus começou em 1941. "A morte era sempre por gás venenoso. Em Chelmno, o primeiro dos campos de extermínio, havia furgões adaptados, em que o monóxido de carbono do escapamento entrava no interior do veículo e matava seus ocupantes", afirma o historiador Ney Vilela, da Unesp de Bauru. Quase todos os campos de extermínio foram construídos na Polônia. O maior deles, o de Auschwitz (que serviu de inspiração para o infográfico destas páginas), nasceu em 1940 em uma região rural no sul do país. Ocupando uma área de 40 km2, Auschwitz era um misto de campo de concentração - que servia de prisão para inimigos dos nazistas -, campo de trabalho escravo e campo de extermínio. O total de mortos nesses lugares é incerto, mas pode ter chegado a 3,8 milhões de pessoas, 1,1 milhão em Auschwitz. Os assassinatos coletivos só acabaram com a derrocada alemã, em 1945. Calcula-se que 80% das pessoas envolvidas nesses crimes escaparam de qualquer punição.


Arquitetura da destruição
TERMINAL DA MORTE
A estação de trem era a porta de entrada para Auschwitz, misto de campo de concentração, de extermínio e de trabalhos forçados. Os passageiros chegavam em vagões de carga superlotados, sem água, nem comida e em condições precárias de higiene - um balde em cada vagão servia de latrina
MORTOS-VIVOS
Depois de desembarcar, os prisioneiros tinham seus bens confiscados e eram examinados por médicos. Os mais fortes iam para a área de trabalhadores escravos. Mas entre 70% e 75% dos recém-chegados eram mandados direto para a morte nas câmaras de gás
CASA DO DESESPERO
A maioria dos prisioneiros de Auschwitz ficava em um dos 300 prédios de "moradia" do complexo. Infestados de ratos e vermes, esses ambientes abafados e sem água corrente abrigavam até mil presos cada um, que dormiam de lado para caber em camas coletivas de madeira para dez pessoas
DE VOLTA AO PÓ
Depois da asfixia, os corpos dos mortos seguiam para a cremação em fornalhas. A fumaça da queima deixava o complexo com um cheiro de carne queimada, enquanto as cinzas eram pulverizadas ou usadas em plantações. Estima-se que 4 700 pessoas podiam ser cremadas por dia em Auschwitz
GÁS FATAL
A morte acontecia em 4 câmaras de gás subterrâneas - as vítimas eram mandadas prá lá com a desculpa de que iam tomar um banho de desinfecção. De chuveiros falsos no teto saía o gás venenoso zyklon B, usado como inseticida. A asfixia durava de 3 a 20 minutos e podia matar até 2 mil pessoas por câmara
DÁ CÁ O TEU
Numa área junto ao campo principal de Auschwitz ficava um depósito onde se armazenavam os bens confiscados dos prisioneiros - sapatos, roupas, jóias, dinheiro, óculos ou qualquer objeto de valor. A maioria dessas coisas era mandada para os nazistas na Alemanha
MEDICINA MACABRA
Vários tipos de barbaridades médicas rolaram em Auschwitz. Prisioneiros foram infectados com doenças contagiosas, grávidas tiveram o útero destruído, crianças receberam produtos químicos nos olhos (aparentemente para mudar sua cor) e cadáveres foram dissecados para testes genéticos
JÁ PRO PAREDÃO
Nos barracões conhecidos como "quarteirão da morte" ficavam detidas as pessoas que perturbassem a ordem em Auschwitz. Lá dentro, os prisioneiros eram torturados e submetidos a julgamentos sumários. Depois, eram fuzilados no muro de execução, uma parede perto dos barracões
VELÓRIO ROUBADO
Quando todas as vítimas estavam mortas, alguns dos próprios prisioneiros entravam na câmara usando roupas especiais para retirar os mortos. Em seguida, usavam-se maçaricos para derreter o ouro das obturações de dentes dos mortos, produzindo de 5 a 10 quilos do metal por dia
Revista Mundo Estranho

Quem eram os bobos da corte?

Quem eram os bobos da corte?
Tudo indica que eram os melhores comediantes da sua época, a Idade Média. Ao contrário do que muita gente pensa, esses plebeus pagos para entreter a nobreza e a realeza não eram loucos, nem faziam parte do time de vítimas de deformidades físicas, como corcundas e anões, que muitas cortes adotavam como circo particular. "Os bobos da corte não eram nada bobos. Eles possuíam várias habilidades: versejavam, faziam malabarismos e mímica. Eram, principalmente, gente com talento, sabedoria e sensibilidade para divertir os outros", afirma o historiador Nachman Falbel, da USP.
Principalmente nos séculos XIV e XV, o bobo fazia parte do grupo de artistas sustentados pelas cortes, junto com pintores, músicos e poetas. Quem melhor definiu sua posição junto aos poderosos foi o gênio do teatro inglês William Shakespeare (1564-1616), que destacou a figura dos bobos dando a eles papéis de grande importância em sua obra. "Em peças como Rei Lear e A Noite de Reis, o bobo é o mais esperto dos personagens. Ele tem licença para falar aquilo que ninguém mais ousa dizer", diz John Milton, professor de Literatura Inglesa da USP. A liberdade do personagem é tão grande que ele chega a criticar os próprios reis, com comentários ácidos e que divertem o público. "No teatro de Shakespeare, o público não ri dos bobos da corte, ri junto com eles", afirma Milton.
Revista Mundo Estranho

A Noite de São Bartolomeu


A Noite de São Bartolomeu, quadro de François Dubois (1529-1584)

As multidões católicas, é claro, ficavam felizes de apanhar um pastor quando podiam, mas a morte de qualquer herege ajudaria na causa de limpar a França desses pérfidos semeadores de desordem e desunião (...) Relatos de observadores mostram que cerca de uma em cada dez pessoas mortas pelas multidões católicas nas províncias em 1572 era mulher e a proporção era mais alta em Paris (...) Os católicos não se contentavam em queimar ou afogar os corpos heréticos. Isto não era uma purificação suficiente. Os corpos deveriam ser humilhados e ofendidos um pouco mais. Sob um inquietante coro de pios e assobios, eles eram atirados aos cães, como Jezebel, eram arrastados pelas ruas, tinham seus órgãos genitais e entranhas arrancados - esses depois eram postos à venda pela cidade num comércio necrófilo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sete Pecados Capitais


Os sete pecados capitais(séc.XVI), do flamengo Hieronymus bosch, dá exemplo da mentalidade religiosa às vésperas da Reforma. No centro da pintura há um olho e o trecho em latim: Cuidado, cuidado, Deus a tudo observa...Em volta dele, há a representação de cada um dos sete pecados capitais (avareza, soberba, gula, ira, inveja, preguiça e luxúria), e a reprodução de cenas cotidianas da época. Os quatro círculos dos cantos mostram os estágios finais da vida: Morte, Juízo Final, Inferno e Glória.
Museu do Prado, Madri, Espanha.

No início do século XVI, em várias partes da Europa eram comuns procissões de flagelantes - penitentes que, entre açoites e gemidos, suplicavam a Deus, em prantos, o perdão de seus pecados. Essas procissões lembravam as do século XIV, um tempo de peste e de morte.
História - Ronaldo Vainfas, outros. Saraiva, 2011.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Barroco na Espanha - As meninas


Diego Velázquez foi um dos grandes mestres da pintura barroca na Espanha. O quadro As meninas (1656) é um de seus mais famosos trabalhos.

Isaac Newton


Nesta gravura de William Blake, datada de 1795, Isaac Newton é retratado como um `deus geômetra`por ter descoberto a lei da gravidade, no século XVII.

ilha da Utopia


Gravura de 1516 da famosa ilha da Utopia, celebrizada pelo inglês Thomas Morus. Ele retratou essa ilha imaginária como um paraíso de igualdade e tolerância cristãs, localizando-a na América. A gravura apareceu em uma das primeiras edições de seu famoso livro Utopia e foi colorida posteriormente.

Papa Júlio II


Retrato de Júlio II é um quadro de Rafael considerado um modelo de retrato no século XVI. Uma homenagem ao papa Júlio II que, ao longo de seu pontificado, foi um grande patrocinador das artes na Itália.

Notícias História Viva

Professor descobre referências literárias na 'Mona Lisa'


Um pesquisador canadense afirma ter descoberto referências à literatura na "Mona Lisa", o mais famoso quadro de Leonardo da Vinci. O professor emérito de História Antiga da Queen's University Dr. Ross Kilpatrick anunciou acreditar que a obra prima de Da Vinci incorpora imagens inspiradas pelo poeta romano Horácio e pelo florentino Petrarca. A descoberta foi publicada no jornal italiano "Medicea".
Segundo ele, a técnica de pegar uma passagem da literatura e incorporá-la em uma obra de arte é conhecida como "invenção" e era muito usada por artistas da Renasceça.
"A composição da 'Mona Lisa' é impressionante. Por que Leonardo colocou uma mulher atraente sentada em uma sacada, enquanto no segundo plano há um mundo completamente diferente que é vasto e árido? O que o artista está tentando dizer?", disse o Dr. Kilpatrick.
O professor emérito acredita que Da Vinci estava fazendo referência à "Ode 1. 22 (Integer vitae)", de Horácio, e dois sonetos de Petrarca, "Canzoniere CXLV" e "CLIX". Como a "Mona Lisa", os três poemas celebram a devoção por uma jovem mulher sorridente, com votos de amor e promessas de que ela seria acompanhada por qualquer lugar do mundo, de montanhas úmidas a áridos desertos. As regiões mencionadas por Horácio e Petrarca são semelhantes às retratadas no segundo plano da "Mona Lisa".
Ambos os poetas eram bastante lidos quando Da Vinci pintou o quadro, no início do século XVI. Leonardo conhecia os trabalhos de Petrarca e Horácio, e a ponte vista no fundo da "Mona Lisa" já havia sido identificada como a mesma da cidade natal de Petrarca, Arezzo.
"A 'Mona Lisa' foi pintada em uma época em que a grande literatura era muito conhecida. Ela era citada, referenciada e celebrada", contou o Dr. Kilpatrick.
O professor vem estudando as referências literárias na arte pelos últimos 20 anos. Recentemente, ele encontrou referências ao mítico casamento dos deus es gregos Ariadne e Dionísio na famosa pintura de Gustav Klimt "O beijo".

Jornal O Globo